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William Carey: a conversão do sapateiro que foi à Índia

A conversão de William Carey: Um grande missionário pioneiro na Índia

Diego Gonçalvesatualizado 4 min de leitura744 palavras

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Antes de navegar para a Índia, traduzir a Bíblia para dezenas de línguas do Oriente e lançar as bases das missões modernas, William Carey passava os dias curvado numa bancada, consertando sola de sapato em Northamptonshire, na Inglaterra. O jovem sapateiro era inteligente e lia gramática de latim e de grego enquanto costurava o couro, mas tinha uma religião oca, feita de aparência e de orgulho.

O colapso da retidão fingida

Na adolescência, Carey trabalhava como aprendiz na oficina de calçados de Clarke Nichols, em Piddington. Julgava-se um sujeito decente: ia à igreja anglicana aos domingos, não se metia em escândalo e entendia que isso bastava diante de Deus.

Retrato de William Carey, já idoso, ao lado de seu pândita brâmane
Joseph John Jenkins, O reverendo W. Carey, D.D., e seu pândita brâmane, 1836. Biblioteca Nacional do País de Gales. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Essa casca de moralidade rachou por causa de uma moeda. Um dia, Carey ganhou um xelim falso. Em vez de jogar a moeda fora ou de contar o engano, tentou passá-la adiante, desonestamente, para ficar com uma moeda boa. O patrão descobriu, e Carey mentiu descaradamente para se justificar.

A vergonha de ser pego foi o primeiro choque. Um colega de oficina, o também aprendiz John Warr, era um dissidente piedoso e vivia conversando com Carey sobre a necessidade de um arrependimento de verdade. Até então, Carey zombava das conversas do amigo. A fraude da moeda, porém, mostrou que a justiça própria dele era uma farsa. Ele viu que, por trás da fachada de bom rapaz, havia um coração corrupto, capaz de mentir por uma ninharia.

A conversa com o pastor Ryland

Diante do próprio pecado, Carey começou a acompanhar Warr nas reuniões de oração em Hackleton e a ler tratados bíblicos com seriedade. Aos poucos, a consciência da condição dele diante de Deus foi amadurecendo, sem espetáculo emocional, mas com muita sobriedade. Foi a graça de Deus que o alcançou antes de ele procurá-la, e a fé, nele, apenas recebeu o que o Senhor já havia começado.

Anos depois, ao dar seu testemunho ao influente ministro batista Dr. John Ryland, Carey recordou os passos daquela mudança, segundo a tradição que chegou até nós: casou-se com Dorothy Plackett em 1781 e, naquele mesmo ano, juntou-se à pequena congregação de Hackleton. O colega de oficina conversou muitas vezes com ele sobre a fé e, pela graça de Deus, Carey passou a ver a si mesmo como um pecador necessitado do perdão de Jesus Cristo. Não tinha grandes êxtases nem terrores dramáticos para contar, e nunca passou por agonias sensacionais de remorso: reconheceu a própria condição de pecador e foi capacitado a confiar em Jesus para a salvação.

Conta-se que Ryland ouviu o testemunho calmo daquele jovem e fez perguntas diretas, que cortavam qualquer ideia de exibicionismo religioso. Dava pouca importância a arroubos emocionais e não queria saber se Carey sentia muito ou pouco. Perguntou se ele se reconhecia como um pecador incapaz de salvar a si mesmo, se havia resolvido, com a ajuda de Deus, abandonar o pecado, se aceitava Jesus Cristo como Salvador pessoal e suficiente e se entregava a vida inteira nas mãos de Cristo. É um relato transmitido pela tradição batista, sem fonte da época que eu possa indicar. Carey olhou nos olhos do ministro e respondeu com uma firmeza tranquila: sim.

A fé que moveu montanhas

Não houve trovão, nem lágrima de teatro, nem transe místico. A conversão de William Carey foi marcada por uma convicção sóbria na verdade da Bíblia e por uma entrega total da vontade a Cristo.

Essa mesma fé firme, sem sensacionalismo, sustentou Carey pelos quarenta anos seguintes, nas margens do Ganges. Ele enfrentou a oposição pesada da Companhia das Índias Orientais, o luto pela morte de filhos e da esposa, doenças tropicais e o incêndio que destruiu anos de trabalho na gráfica. Nada disso o fez recuar. O sapateiro que um dia entendeu a graça de Deus diante de uma bancada de couro aprendeu a esperar grandes coisas de Deus e a realizar grandes coisas para Ele.

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