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William Carey: a conversão do sapateiro que foi à Índia
A conversão de William Carey: Um grande missionário pioneiro na Índia
Antes de navegar para a Índia, traduzir a Bíblia para dezenas de línguas do Oriente e lançar as bases das missões modernas, William Carey passava os dias curvado numa bancada, consertando sola de sapato em Northamptonshire, na Inglaterra. O jovem sapateiro era inteligente e lia gramática de latim e de grego enquanto costurava o couro, mas tinha uma religião oca, feita de aparência e de orgulho.
O colapso da retidão fingida
Na adolescência, Carey trabalhava como aprendiz na oficina de calçados de Clarke Nichols, em Piddington. Julgava-se um sujeito decente: ia à igreja anglicana aos domingos, não se metia em escândalo e entendia que isso bastava diante de Deus.
Essa casca de moralidade rachou por causa de uma moeda. Um dia, Carey ganhou um xelim falso. Em vez de jogar a moeda fora ou de contar o engano, tentou passá-la adiante, desonestamente, para ficar com uma moeda boa. O patrão descobriu, e Carey mentiu descaradamente para se justificar.
A vergonha de ser pego foi o primeiro choque. Um colega de oficina, o também aprendiz John Warr, era um dissidente piedoso e vivia conversando com Carey sobre a necessidade de um arrependimento de verdade. Até então, Carey zombava das conversas do amigo. A fraude da moeda, porém, mostrou que a justiça própria dele era uma farsa. Ele viu que, por trás da fachada de bom rapaz, havia um coração corrupto, capaz de mentir por uma ninharia.
A conversa com o pastor Ryland
Diante do próprio pecado, Carey começou a acompanhar Warr nas reuniões de oração em Hackleton e a ler tratados bíblicos com seriedade. Aos poucos, a consciência da condição dele diante de Deus foi amadurecendo, sem espetáculo emocional, mas com muita sobriedade. Foi a graça de Deus que o alcançou antes de ele procurá-la, e a fé, nele, apenas recebeu o que o Senhor já havia começado.
Anos depois, ao dar seu testemunho ao influente ministro batista Dr. John Ryland, Carey recordou os passos daquela mudança, segundo a tradição que chegou até nós: casou-se com Dorothy Plackett em 1781 e, naquele mesmo ano, juntou-se à pequena congregação de Hackleton. O colega de oficina conversou muitas vezes com ele sobre a fé e, pela graça de Deus, Carey passou a ver a si mesmo como um pecador necessitado do perdão de Jesus Cristo. Não tinha grandes êxtases nem terrores dramáticos para contar, e nunca passou por agonias sensacionais de remorso: reconheceu a própria condição de pecador e foi capacitado a confiar em Jesus para a salvação.
Conta-se que Ryland ouviu o testemunho calmo daquele jovem e fez perguntas diretas, que cortavam qualquer ideia de exibicionismo religioso. Dava pouca importância a arroubos emocionais e não queria saber se Carey sentia muito ou pouco. Perguntou se ele se reconhecia como um pecador incapaz de salvar a si mesmo, se havia resolvido, com a ajuda de Deus, abandonar o pecado, se aceitava Jesus Cristo como Salvador pessoal e suficiente e se entregava a vida inteira nas mãos de Cristo. É um relato transmitido pela tradição batista, sem fonte da época que eu possa indicar. Carey olhou nos olhos do ministro e respondeu com uma firmeza tranquila: sim.
A fé que moveu montanhas
Não houve trovão, nem lágrima de teatro, nem transe místico. A conversão de William Carey foi marcada por uma convicção sóbria na verdade da Bíblia e por uma entrega total da vontade a Cristo.
Essa mesma fé firme, sem sensacionalismo, sustentou Carey pelos quarenta anos seguintes, nas margens do Ganges. Ele enfrentou a oposição pesada da Companhia das Índias Orientais, o luto pela morte de filhos e da esposa, doenças tropicais e o incêndio que destruiu anos de trabalho na gráfica. Nada disso o fez recuar. O sapateiro que um dia entendeu a graça de Deus diante de uma bancada de couro aprendeu a esperar grandes coisas de Deus e a realizar grandes coisas para Ele.
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