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Conversão de Jonathan Edwards: A alegria de 1 Timóteo 1:17

A Conversão de Jonathan Edwards: Um versículo e uma doutrina que mudou de cor

Diego Gonçalves4 min de leitura746 palavras

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Neste texto

Jonathan Edwards é lembrado como o maior pensador do Grande Despertamento na América do Norte. Foi pastor, teólogo e, anos mais tarde, presidente de uma faculdade. O texto mais pessoal dele é um relato curto da própria vida com Deus, a Narrativa Pessoal, escrito por volta de 1739 ou 1740. É ali que ele conta como Deus passou a ser, para ele, uma alegria, e não só uma doutrina.

Um menino religioso e a cabana no pântano

Edwards nasceu em 1703, em East Windsor, no estado de Connecticut, filho de um pastor. Entrou na Universidade de Yale em 1716, com quase 13 anos. Na Narrativa, ele conta que bem antes disso, ainda menino, houve um tempo de despertamento religioso na igreja do pai. Ele ficou, nas palavras dele, “muito tocado por muitos meses” com as coisas da religião e com a salvação da alma. Junto com alguns colegas de escola, construiu uma cabana num pântano, num lugar bem afastado, “para ser um lugar de oração”.

Retrato a óleo de Jonathan Edwards, de peruca clara e colarinho de pastor, sobre fundo escuro
Henry Augustus Loop, Jonathan Edwards, 1860, óleo sobre tela, a partir de Joseph Badger. Universidade de Princeton. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Uma doutrina que parecia horrível

O entusiasmo de menino passou. Perto do fim do curso, Edwards adoeceu de pleurisia (inflamação na membrana que cobre o pulmão). Mas uma coisa continuava travada. Ele escreveu que, desde a infância, a cabeça dele estava cheia de objeções contra a soberania de Deus, quer dizer, contra a ideia de que Deus escolhe a quem salvar. A doutrina, nas palavras dele, “parecia horrível”. Edwards conta que veio uma convicção que pôs fim às objeções, e o que ele rejeitava passou a parecer “extremamente agradável, luminoso e doce”. Segundo a biografia dele, isso aconteceu no último ano de faculdade, quando ele chegou à certeza de que estava salvo.

1 Timóteo 1:17

A cena mais citada da Narrativa vem daí. Edwards diz que a primeira vez que sentiu um prazer interior e doce em Deus foi ao ler este versículo:

“Ao Rei dos tempos, imortal, invisível, o único Deus, seja a honra e a glória para todo o sempre. Amém!”

(1 Timóteo 1:17, Bíblia Livre)

Uma fonte data o episódio em 1721, quando ele tinha uns 18 anos. Edwards escreveu que entrou na alma dele, “e como que se espalhou por ela”, um senso da glória do Ser divino. Ele quis ficar “absorvido em Deus para sempre” e começou a cantar o versículo baixinho, só para si.

O pastor de Northampton

Edwards foi ordenado em Northampton, em Massachusetts, em 1727, como auxiliar do avô, o pastor Solomon Stoddard. Em 1733 começou ali um avivamento. Ele chamou esse avivamento de “obra surpreendente” de Deus e passou a vida examinando o que distingue uma fé verdadeira de uma emoção qualquer. Em 1741, em Enfield, pregou o célebre sermão “Pecadores nas Mãos de um Deus Irado”. A igreja de Northampton acabou dispensando Edwards, que foi pastor em Stockbridge e missionário entre os indígenas da região. Em 1758, foi nomeado presidente da faculdade de Nova Jersey (hoje Princeton). Morreu semanas depois, aos 54 anos, de varíola contraída numa vacinação.

Uma observação: Edwards era calvinista, da tradição congregacional da Nova Inglaterra, e quando fala em “soberania de Deus” usa a linguagem dessa tradição, que ensina que a salvação começa na escolha e na iniciativa de Deus. Cristãos de outras tradições, como a wesleyana, também confessam um Deus soberano e uma salvação inteiramente pela graça, e entendem de outro jeito como a escolha de Deus e a resposta da pessoa se encontram. A alegria de Edwards diante de 1 Timóteo 1:17 é uma alegria que todos eles reconhecem.


Fontes consultadas: “Personal Narrative” (c. 1740), Jonathan Edwards, trechos em Sam Storms (https://www.samstorms.org/all-articles/post/the-personal-narrative-of-jonathan-edwards---part-i), em Pastoral Theology (https://pastoral-theology.com/2012/06/19/a-personal-narrative-of-jonathan-edwards/) e em Effectual Grace (https://effectualgrace.com/2011/08/19/a-horrible-doctrine-to-exceedingly-pleasant-bright-and-sweet/); “Language of Ecstasy”, Christian History Institute (https://christianhistoryinstitute.org/magazine/article/language-of-ecstasy); “Jonathan Edwards (theologian)”, Wikipedia (https://en.wikipedia.org/wiki/Jonathan_Edwards_(theologian)).

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