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Conversão de Thomas Sidney Cooper: o pintor que creu aos 86
A Conversão de Thomas Sidney Cooper: Um Acadêmico Real
Thomas Sidney Cooper foi um dos pintores mais conhecidos da era vitoriana britânica. Era membro da Royal Academy de Londres e fez uma carreira impecável ao longo do século XIX, pintando paisagens do campo e cenas com animais que enfeitavam galerias e mansões por toda a Europa. Conheceu a fama, o prestígio e a fartura de dinheiro. Mas a maior obra da vida dele só foi concluída quando já tinha passado dos oitenta anos.
Um encontro com as Escrituras aos 86 anos
Cooper se converteu em 1889, com 86 anos de idade. Visto de fora, aquele artista idoso e consagrado parecia não precisar de mais nada. Só que foi nessa fase tardia que a leitura das Escrituras abriu os olhos dele pra uma realidade que as telas e os pincéis nunca conseguiram alcançar.
Tempos depois, o editor de uma revista de Londres convidou personalidades públicas pra opinar sobre a importância da Bíblia, e Cooper respondeu com uma carta direta, sem vaidade nenhuma:
“Ela me fez ver que eu estava perdido no pecado e não tinha poder nenhum para salvar a mim mesmo. Ela me mostrou como eu deveria obter o perdão de Deus por toda a minha iniquidade. Disse-me que a porta da misericórdia estava aberta e que a salvação era gratuita. Revelou-me o maravilhoso sacrifício de Jesus Cristo, e que pelo Seu sangue todos os meus pecados foram cancelados: ‘Aquele que não conheceu pecado, Ele o fez pecado por nós; para que, n’Ele, fôssemos feitos justiça de Deus’ (2 Coríntios 5:21). Leio a Bíblia todos os dias — às nove da manhã, à uma da tarde e às dez da noite —, e recomendo aos seus leitores que façam o mesmo.”
O homem acostumado aos salões da alta sociedade britânica agora separava três horários fixos do dia pra sentar com a Bíblia no colo.
Mais que a saúde do corpo
Anos mais tarde, Cooper ficou doente, e o médico da família foi visitar ele. Tentou animar o pintor dizendo que a cidade inteira de Canterbury estava preocupada e perguntando como ele passava.
A esposa de Cooper registrou a resposta tranquila do marido:
“É muita gentileza deles, mas estou bem menos preocupado em que saibam sobre a minha saúde física do que em que ouçam que Deus me redimiu pelo sangue de Seu amado Filho, reservando para mim uma herança incorruptível e incontaminada no Céu. Quero que todos saibam que vou desfrutar dessa herança com Cristo.”
A certeza fundada na Palavra
Uma vez perguntaram a Cooper como ele podia ter tanta convicção sobre a própria salvação. Ele foi firme:
“Se alguém me perguntar como sei que estou salvo, eu diria que sei disso melhor do que se tivesse ouvido um anjo do céu me dizer. Afinal, eu poderia me enganar com relação a uma visão, mas não posso me enganar a respeito da Palavra de Deus. O Senhor Jesus disse: ‘Todo aquele que o Pai me dá, esse virá a mim; e o que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora’. O Pai entregou a minha alma como um presente ao Seu Filho, e eu sei que Ele não vai me rejeitar.”
Um amigo foi visitar ele e sugeriu que já era hora de “se preparar para a morte”. Cooper só sorriu e respondeu, com a tranquilidade de quem não devia nada:
“A cruz do Senhor Jesus Cristo já fez isso por mim.”
Thomas Sidney Cooper morreu em 1902, perto de completar cem anos. A história dele lembra que nunca é tarde pra graça de Deus alcançar um coração, e que nenhum currículo nem prestígio humano troca a segurança que só a cruz pode dar.
Uma observação: quando Cooper cita João 6:37 e diz que o Pai entregou a alma dele ao Filho, ele usa um texto que a tradição reformada lê como a promessa de que quem o Pai deu a Cristo vem a ele e não se perde. É o que essa tradição chama de perseverança dos santos. Cristãos de outras tradições, como a wesleyana, também ensinam que o crente pode ter plena certeza da salvação e descansar na promessa de Cristo, e entendem que essa segurança vale pra quem permanece nele pela fé. As duas se alegram com o mesmo que Cooper: o Salvador que não lança fora quem vem a ele.
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