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Amanda Smith: a lavadeira que orou mais uma vez
A Conversão de Amanda Smith: A Lavadeira que Rezou Mais Uma Vez
Amanda Berry Smith nasceu escrava, em Maryland, em 1837, e morreu em 1915 depois de pregar na Inglaterra, na Índia e na África. Ela chamava a si mesma de “evangelista lavadeira”, porque lavava e passava roupa pra sustentar a família. Pra chegar a Cristo, precisou vencer o próprio orgulho, e quase desistiu.
Uma menina que queria ser cristã
Amanda nasceu em 23 de janeiro de 1837, em Long Green, Maryland, filha de Samuel Berry e Mariam Matthews, que viviam como escravos em fazendas vizinhas. O pai trabalhou em horas extras até comprar a liberdade da família, que se mudou pra Pensilvânia.
Em seu livro de memórias, publicado em 1893, ela conta que desde pequena queria ser cristã e rezava escondida, até no canto da cerca quando ia buscar as vacas. Já tinha planejado como ia se converter: sozinha, sem alarde. Era teimosa e orgulhosa, e achava que quem era sincero não precisava ir ao altar.
Numa vigília de oração em Columbia, na Pensilvânia, no começo de 1856, começou um avivamento numa igreja batista. Ela morava perto e dizia a si mesma que nunca ia à frente orar. Numa noite entrou na igreja, sentou lá atrás e, sem saber como, deu por si no meio do corredor. Correu até o altar e gritou por misericórdia, até ficar rouca. Veio uma quietude. Mas não veio paz.
Terça, 17 de março de 1856
Pouco depois, Amanda foi trabalhar na casa de uma família quaker. Durante semanas orou dia e noite, em jejum, lendo a Bíblia. Também juntava dinheiro pra comprar um vestido novo de primavera, com chapéu, mantilha e botinas. Um dia, desesperada, prometeu a Deus que abriria mão de tudo aquilo se ele tirasse o peso do seu coração. O peso aliviou, mas a escuridão ficou.
Na terça-feira, 17 de março, junto da tábua de passar, uma voz, que ela depois reconheceu como a do Inimigo, lhe disse que, se Deus fosse mesmo convertê-la, já teria feito. Concluiu que era melhor desistir. Mas outra voz lhe disse: “Ore mais uma vez.” Ela respondeu que sim e resolveu orar até alcançar a salvação “esta tarde ou morrer”. Pôs a mesa do jantar, deixou o bule pronto e desceu ao porão pra orar e, como imaginava, morrer. Rezou três vezes. Quando já não sabia mais o que dizer, falou:
“Ó Senhor, se tu me ajudares, eu creio em ti.”
E, conta ela, “no ato de dizer a Deus que ia crer, eu cri”. (Tradução livre.) O peso saiu, a luz entrou, ela se sentiu nova. Subiu correndo, foi se olhar no espelho grande da sala, bateu na tábua de passar e gritou que tinha encontrado a fé. Esperou o domingo pra contar a alguém.
Mesmo assim, as dúvidas voltaram. Durante uma semana ela pediu a Deus uma certeza clara de que tinha sido convertida. Escreveu que Deus lhe deu, e que nunca mais duvidou da conversão.
Doze anos depois
Ainda houve uma segunda etapa. Amanda conta que passou doze anos oscilando em dúvidas, com sede de uma vida mais pura e sem ninguém que a ensinasse. Num domingo de setembro de 1868, na igreja metodista da rua Green, em Nova York, o pastor John Inskip pregou que a pureza do coração, como o perdão, se recebe pela fé, e que se é pela fé, por que não agora? Ali, ela diz, sentiu Deus tocá-la. Voltou pra casa contando a quem encontrava que o Senhor tinha santificado a sua alma.
O que veio depois
Perdeu dois maridos e quase todos os filhos. Passou a pregar em Nova York e Nova Jersey por volta de 1869, nos acampamentos de santidade, diante de gente branca e negra. Foi à Inglaterra em 1878, à Índia e à África Ocidental, onde ficou até 1889. Escreveu a autobiografia, fundou um orfanato em Harvey, Illinois, e morreu na Flórida em fevereiro de 1915.
Ela queria ter certeza de que Deus a tinha ouvido, e pediu a certeza. A gente também pode pedir.
Uma observação: Amanda e Inskip pertenciam ao movimento metodista de santidade, que ensina que a santificação inteira vem depois da conversão, pela fé, e pode ser recebida num instante. Outros cristãos, e até outros wesleyanos, descrevem esse caminho de outras maneiras, e cada um tem sua gratidão pela mesma graça.
Fontes consultadas: Amanda Smith, An Autobiography: The Story of the Lord’s Dealings with Mrs. Amanda Smith, the Colored Evangelist (1893, domínio público) [https://archive.org/details/lordsdealingama00smitrich]; Chris Armstrong, “The Holiness Movement’s ‘Washerwoman Evangelist’”, Christianity Today (2008) [https://christianitytoday.com/2008/08/testify]; verbete “Amanda Smith”, Wikipedia [https://en.wikipedia.org/wiki/Amanda_Smith]; verbete “Amanda Smith”, Encyclopedia.com [https://encyclopedia.com/arts/news-wires-white-papers-and-books/smith-amanda].
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