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Charles Simeon e a culpa transferida a Cristo em 1779
A Conversão de Charles Simeon: Um Membro do King's College
Charles Simeon teve uma das influências espirituais mais fortes e duradouras da história da Universidade de Cambridge. Ensinou gerações de pastores, incentivou missões pelo mundo inteiro e pastoreou a igreja de Holy Trinity, em Cambridge, por mais de cinquenta anos. A chegada dele à universidade, porém, foi marcada por um desespero quase sufocante.
Em janeiro de 1779, aos dezenove anos, ele entrou como bolsista no King’s College, uma faculdade muito respeitada. Três dias depois da matrícula, um funcionário avisou que, pelo estatuto do colégio, todo aluno novo era obrigado a participar da Ceia do Senhor dentro de três semanas.
O Pavor da Comunhão
Naquela época, exigir a Ceia como simples dever da escola era um costume rígido nas faculdades britânicas. Para um jovem comum e indiferente como Simeon, o aviso soou como uma sentença de condenação. Ele sabia que vivia de forma leviana e que não tinha santidade para chegar perto do altar.
Mais tarde, ele descreveu o pavor daquele momento:
“O quê! Eu serei obrigado a participar? Ao ser informado de que sim, um pensamento invadiu minha mente: o próprio Satanás estaria tão apto para participar da Ceia quanto eu! Mas, se eu tinha de participar de qualquer maneira, precisava me preparar imediatamente. Sem perder um instante, comprei um exemplar de O Dever Completo do Homem — o único livro religioso de que tinha ouvido falar — e comecei a lê-lo com empenho febril, examinando minha conduta e clamando a Deus por misericórdia. Fui tão extremado nesses esforços que, em menos de três semanas, fiquei doente de tanto ler, jejuar e orar.”
Mesmo sofrendo tanto, Simeon participou da cerimônia esmagado pela culpa. Nos meses seguintes, continuou numa angústia profunda. Tentou alcançar a salvação com penitências e boas obras, sem encontrar paz na consciência.
A Culpa Transferida
A libertação veio na quarta-feira da Semana Santa daquele mesmo ano de 1779. Simeon lia um livro de devoção do bispo Thomas Wilson sobre a Ceia do Senhor, e ali encontrou uma reflexão sobre os sacrifícios do Antigo Testamento. O autor explicava que os antigos hebreus sabiam muito bem o que faziam quando punham as mãos sobre a cabeça do cordeiro. Era assim que transferiam a culpa dos próprios pecados à vítima, que morreria em seu lugar.
A verdade da substituição na cruz atingiu a mente do estudante como um relâmpago:
“Pensei comigo mesmo: ‘Como assim? Eu posso transferir toda a minha culpa para outro? Deus providenciou uma oferta perfeita para mim, para que eu possa descarregar os meus pecados sobre a cabeça de Cristo? Então, pela graça de Deus, não carregarei essa culpa em minha alma nem mais um minuto!’”
A Páscoa de 1779
Daquela quarta-feira em diante, a aflição foi dando lugar a uma esperança crescente. Na sexta-feira da crucificação e no sábado, a confiança na obra consumada de Jesus ficou firme. No domingo de Páscoa, 4 de abril de 1779, Simeon acordou bem cedo com uma canção nos lábios e no coração: “Jesus Cristo ressuscitou hoje: Aleluia! Aleluia!”.
Ele se ajoelhou diante da mesa da comunhão na capela do King’s College. Poucos meses antes, aquela mesma cerimônia lhe tinha causado pavor. Agora aquela mesa se tornou o momento mais doce de comunhão com Deus que ele já tinha vivido.
Simeon entendeu que o perdão não é um troféu conquistado com sacrifícios humanos, mas um presente recebido pela graça, mediante a fé, daquele que levou sobre si o castigo que nos trouxe a paz (Isaías 53:5; Efésios 2:8-9).
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