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HistóriaConversões: histórias de fé48 de 83

George Müller: a conversão do jovem de Halle em 1825

A conversão de George Müller: o amigo do órfão

Diego Gonçalvesatualizado 3 min de leitura569 palavras

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George Müller ficou na história cristã como um dos maiores exemplos de quem depende da oração e da providência de Deus. Ele fundou os orfanatos de Ashley Down, em Bristol, na Inglaterra, e cuidou e educou mais de dez mil crianças sem mãe e sem pai. Nunca fez apelo público por dinheiro e nunca fez dívida. Sustentou cada obra de joelhos diante do Senhor.

Na juventude, porém, Müller caminhava para o lado oposto. Nasceu na Prússia em 1805 e era um rapaz desonesto. Mentia aos pais, aplicava golpes financeiros e vivia em noitadas desregradas. Chegou a ser preso por tentar sair de um hotel sem pagar a conta. Mesmo nesse estado, entrou na Faculdade de Teologia da Universidade de Halle, e por puro interesse: queria ser clérigo da igreja estatal para garantir um bom salário e prestígio, sem precisar trabalhar duro.

O Encontro em Halle

Aos vinte anos, Müller continuava entregue às farras com os outros estudantes. Em novembro de 1825, um amigo de taverna o convidou para uma reunião de oração na casa de um cristão devoto da cidade. Müller foi por curiosidade.

Gravura de um dos orfanatos de George Müller em Ashley Down, Bristol, por volta de 1895
Samuel Loxton, Um dos orfanatos do Sr. Müller em Ashley Down, c. 1895, em George Frederick Stone, Bristol: as it was and as it is (1909). Domínio público, via Wikimedia Commons.

Ao entrar naquela sala simples, ele encontrou uma coisa que nunca tinha imaginado: homens e mulheres ajoelhados no chão, orando a Deus com naturalidade, alegria sincera e amor reverente. Perto do formalismo frio das igrejas que ele conhecia, aquilo o abalou por inteiro.

Mais tarde, na autobiografia, ele resumiu a cegueira espiritual em que vivia.

“Eu não tinha Bíblia e não lia uma havia anos. Raramente ia ao templo; apenas tomava a Ceia por mero costume social duas vezes ao ano. Eu nunca tinha ouvido a pregação viva do Evangelho até o início de novembro de 1825 — o mês da minha conversão. Nunca havia encontrado alguém que dissesse que pretendia, com o auxílio de Deus, pautar a vida pelas Escrituras. Em resumo, eu não tinha a menor ideia de que existiam pessoas verdadeiramente transformadas por Deus; achava que todos eram como eu, mudando apenas de grau.”

A Cruz e o Novo Rumo

Müller voltou àquela casa de oração várias vezes nas semanas seguintes. Foi lendo as Escrituras com o coração aberto e entendeu, enfim, o centro do Evangelho: Jesus Cristo levou na cruz a condenação que Müller merecia, e abriu o caminho para o perdão gratuito, recebido somente pela fé.

A certeza do perdão mudou os desejos do jovem prussiano de imediato. Ele deixou os antigos companheiros de jogatina, rompeu com as mentiras e passou a falar com coragem aos colegas de faculdade sobre a graça que o tinha resgatado.

Poucos anos depois, deixou os privilégios acadêmicos na Alemanha e foi morar na Inglaterra. Ali, ao longo de seis décadas, mostrou que o Deus vivo continua fiel para responder à oração de quem confia nas promessas dele.

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