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O veneno do orgulho: por que buscamos tanto o aplauso

O veneno do orgulho: Por que temos tanta necessidade de aplauso?

Diego Gonçalves3 min de leitura572 palavras

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Temos a mania de achar que orgulho é um defeito exclusivo de pessoas arrogantes, ricas ou que gostam de humilhar os outros em público. Como a maioria de nós leva uma vida simples, nos convencemos com facilidade de que o pecado da vaidade não tem nada a ver com a nossa história.

O problema é que o orgulho mais perigoso é justamente aquele que se disfarça de virtude.

Pintura de Jesus ajoelhado diante de Pedro, lavando-lhe os pés diante dos discípulos
Ford Madox Brown, Jesus lava os pés de Pedro, 1852-1856. Tate Britain, Londres. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Ele aparece na necessidade quase infantil de ser notado quando fazemos uma boa ação. Aparece no incômodo silencioso quando um colega de trabalho ou um irmão da igreja recebe um elogio e você é esquecido. Aparece na facilidade com que nos ofendemos quando não somos consultados, na teimosia de nunca admitir um erro e na mania de justificar qualquer tropeço dizendo que “a intenção foi boa”.

C.S. Lewis observou, em Cristianismo puro e simples, que não há defeito que torne uma pessoa mais antipática aos outros, nem de que estejamos mais inconscientes em nós mesmos. O orgulho é como o mau hálito: todo mundo percebe, menos quem o tem.

A raiz dessa doença da alma é a obsessão por nós mesmos. Colocamos o próprio ego sentado no trono do coração e passamos o dia inteiro trabalhando para manter a nossa imagem protegida, admirada e aplaudida. Se alguém ameaça a nossa vaidade, a nossa paz vai embora e a amargura toma conta.

A única cura real para esse veneno está registrada em Filipenses 2. Ao olhar para Jesus, o apóstolo Paulo nos mostra o Rei do universo fazendo o caminho inverso:

“Tenham em vocês o mesmo modo de pensar que também esteve em Cristo Jesus: mesmo sendo em forma de Deus, não considerou a igualdade a Deus como algo para se apegar. Pelo contrário, ele esvaziou a si mesmo, tomando a forma de servo, e se tornou semelhante aos homens; e, quando se encontrava em forma humana, ele humilhou a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz.”

(Filipenses 2:5-8, Bíblia Livre)

Diante do Filho de Deus despido de glória e pregado no madeiro por amor a pecadores, qualquer tentativa nossa de posar de importante se torna ridícula.

A verdadeira humildade não é a falsa modéstia de quem fica se rebaixando em público para parecer santo; humildade bíblica é a liberdade bendita de parar de pensar tanto em si mesmo. Quando descobrimos que o nosso valor já está seguro no amor imerecido de Cristo, a carência por aplauso dos homens perde o poder sobre a nossa vida.

Senhor Deus, tu que resistes aos soberbos mas concedes a tua graça aos humildes, perdoa a vaidade secreta que tantas vezes governa as nossas intenções. Livra o nosso coração da necessidade doentia de reconhecimento e arranca da nossa alma o vício de nos compararmos com os outros. Lembra-nos da cruz de Cristo para que o nosso ego seja destronado, e ensina-nos a encontrar alegria no serviço simples e desinteressado ao próximo. Que o teu nome cresça, e o nosso diminua. Amém.

Publicado em 2 de novembro de 2026

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