Crer para Compreender

Crer para Compreender

A religião sempre esteve envolta em mistério. Explicar, porém, não é o mesmo que entender. E é por isso que o tema do meu canal é crer para compreender. 

Santo Agostinho me ensinou que a fé é como o pulsar do coração que busca repouso em algo maior do que si mesmo. Em suas Confissões, ele descreve que nossa alma permanece inquieta até encontrar descanso em Deus. Acreditar, para ele, não era um ato de cegueira, mas a primeira batida desse coração que nos impulsiona para a verdade.


É a fé que nos desperta para começar a enxergar, porque, sem ela, nossos olhos espirituais permanecem fechados. Não entendemos para crer; cremos para começar a entender.

Santo Anselmo, séculos depois, continuou essa ideia com sua famosa frase: “A fé busca o entendimento.” Para ele, crer é iniciar uma busca. Uma busca por compreensão. E chega uma hora em que, de fato, a fé nos move, nos inquieta, nos desafia a compreender aquilo que transcende a razão.

Acredito que a mente humana nunca é plena sem esse movimento, sem esse desejo de aprofundar o que o coração já aceitou como verdade.

E aqui, nesse espaço, não busco perfeição denominacional, mas humanidade. Quero honestidade! Tenho uma curiosidade que não teme perguntas difíceis, mas também não se deixa enganar por respostas que soam bem, mas não tocam o coração.

Muitos acreditam que a fé é só biologia, só história, só resultado de nossa fraqueza. Como se a ciência pudesse esgotar tudo o que somos. Explicar como a fé surge não é o mesmo que compreender o que ela é. A fé é um mistério, mas não um mistério vazio. É um encontro real, um chamado de Deus que nos transforma de dentro para fora. Não é algo que criamos; é algo que nos alcança.

Sim, a religião é natural, porque está em nós, no que somos. Mas isso não significa que ela não possa ser divina. Deus sempre falou conosco através das coisas simples. Ele usou pastores de ovelhas, pescadores e trabalhadores comuns para levar Sua mensagem. Ele se fez presente no pão e no vinho, no corpo e no sangue. Ele não exige que você se torne perfeito antes de encontrá-Lo. Ele te encontra como você é, exatamente onde você está.

Crer para compreender é isso: aceitar que a fé vem primeiro, que o Espírito trabalha antes que a gente entenda. A Palavra é viva, capaz de iluminar até os corações mais endurecidos. É confiar na simplicidade do evangelho, na boa notícia de que Deus veio ao nosso encontro.

A fé não se resume a uma experiência emocional ou a algo abstrato. Ela é uma entrega real a um Deus que entrou na história de maneira concreta. Jesus, o Filho de Deus, veio não apenas para nos ensinar, mas para nos redimir, nos dar vida e nos reconciliar com o Pai. Essa é a essência do evangelho: um Deus que se aproxima, que toma a iniciativa, que nos chama de volta para casa.

A ciência e a religião não precisam ser inimigas. Mas a fé não pode ser reduzida a algo que cabe em uma equação ou em um experimento. Deus é maior do que nossa razão, mas não é contrário a ela. Ele nos convida a confiar antes de entender, a acreditar antes de ver. E, quando damos esse passo de fé, começamos a enxergar com novos olhos.

No final, não é sobre o quanto sabemos ou entendemos, mas sobre o quanto nos rendemos ao amor de Deus. A fé nos conduz à graça, e a graça nos transforma. Diante disso, o único mediador que precisamos é Cristo; afinal, Ele já fez tudo por nós. Não precisamos ter medo de nossas dúvidas ou fracassos, porque Deus nos conhece por completo e ainda assim nos ama. A fé é isso: o escândalo de um amor tão grande que não conseguimos explicar, mas que nos transforma completamente.

Então, a ideia deste canal é questionar, discutir, descobrir e viver. Não é sobre uma fé perfeita, mas sobre uma fé viva, que nos leva a buscar e compreender mais de Deus, mais da vida, mais de nós mesmos. Não porque somos fortes, mas porque Cristo é.

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Emanuel, Deus Conosco

Emanuel, Deus Conosco

Texto Bíblico:

"O nascimento de Jesus Cristo foi assim: Maria, a sua mãe, estava prometida em casamento a José, mas, antes que se unissem, ela ficou grávida por meio do Espírito Santo."
— Mateus 1:18

Costumo imaginar essa história do ponto de vista de José. Ele tinha acabado de ficar noivo, provavelmente sonhando com a vida ao lado de Maria e planejando o futuro juntos. Então, subitamente, descobre que sua noiva está grávida e ele não é o pai. Quão difícil deve ter sido enfrentar algo assim?

Ao ler o relato, já conheço o desfecho, algo que nem mesmo José sabia de imediato. O texto de Mateus não o deixa no escuro por muito tempo, mas, ao tentar me colocar em seu lugar, percebo que a vida acontece naquele intervalo angustiante entre o momento em que ele descobre que Maria está esperando um filho e o instante em que o anjo aparece em seu sonho. Além disso, mesmo após esse encontro celestial, José vive o restante de sua vida sem ver plenamente o cumprimento de todas aquelas coisas (pois José não viveu o suficiente para ver os principais acontecimentos que confirmaram Jesus como o Messias, como seus milagres, ensinamentos, morte e ressurreição).

Ocorre que Mateus nos diz que tudo isso aconteceu para cumprir Isaías 7:14: “Eis que a virgem ficará grávida, dará à luz um filho e o chamará Emanuel".

No contexto original, Isaías 7 é um relato sobre Judá em um período de crise. As coisas não estavam saindo como o povo esperava. A Assíria era uma ameaça crescente, e Israel tentava forçar Judá a entrar em guerra. Nesse cenário, Isaías encoraja o rei Acaz a permanecer firme em sua fé, dizendo: “Deus está conosco.”

Se José fosse qualquer outra pessoa, talvez essa fosse a única mensagem necessária. Algo como: "José, as coisas não estão saindo como você planejou, mas permaneça firme. Deus está conosco."

É aqui que vejo a relevância dessa história para minha própria vida. Obviamente que minha esposa não dará à luz ao Filho de Deus, mas certamente haverá momentos — e mais deles do que eu gostaria de admitir — em que as coisas não sairão como planejei.

O que posso fazer nesses momentos? Só me resta confiar em Deus, sabendo que, aconteça o que acontecer, Ele está conosco.

Assim como José, às vezes somos chamados a agir sem ver o final da história. Somos convidados a confiar na promessa de que Deus não nos abandona, mesmo quando nossos planos desmoronam.

E é nessa confiança, no meio das pausas e incertezas, que podemos experimentar a verdade mais profunda do Natal: Emanuel, Deus conosco.

Feliz Natal, meus amigos!

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Disciplinas Espirituais

Disciplinas Espirituais

Há alguns anos, eu estive bastante satisfeito com minha vida espiritual. Isso pode soar bom ou ruim, dependendo da sua inclinação teológica, mas geralmente eu estava feliz com isso. Então, em algum momento, algo começou a se desfazer.

Não estou tendo uma crise de fé nem nada. Acho que estou tão perto de Deus como sempre estive. O que perdi são as práticas religiosas. Eu não tenho lido a Bíblia como eu gostaria de lê-la. Eu não oro com frequência, não jejuo e nem louvo com frequência. E quando tento restabelecer essas práticas, não funciona.

Criar vídeos não é uma disciplina espiritual muito tradicional, mas tem sido muito útil para mim como uma forma de organizar meus pensamentos sobre religião e sobre Deus. E acho que isso é outro indicador de como minha disciplina religiosa tem sido. Tentei recomeçar algumas vezes, mas não consegui manter o hábito.

Agora, tento mais uma vez. Quero voltar não apenas a estudar teologia e criar vídeos, mas também às disciplinas que me aproximam de Deus, começando pela oração. Tenho encontrado força nas palavras da Escritura:

"Agora é a hora de despertarmos do sono" (Romanos 13:11).
"Hoje, se ouvirdes a Sua voz, não endureçais o coração" (Salmo 95:8).

Essas palavras me lembram que Deus está sempre chamando. Mesmo quando nos afastamos, Ele nos convida a voltar. Não importa quantas vezes tropeçamos, o importante é nos levantarmos e seguirmos em direção a Ele. Com simplicidade, com humildade, e com confiança de que Ele sempre nos acolhe. Que seja assim desta vez. Que eu volte para Ele, um passo de cada vez.

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A História de Zaqueu em Lucas 19:1-10

A História de Zaqueu em Lucas 19:1-10


Esta manhã, me peguei pensando na história de Zaqueu, aquele cobrador de impostos que subiu em uma figueira para ver Jesus passar. O momento central do encontro é quando Zaqueu promete dar metade de sua riqueza aos pobres e restituir quatro vezes mais a quem ele havia defraudado. Jesus responde: "Hoje houve salvação nesta casa, porque este homem também é filho de Abraão" (Lucas 19:9).

Uma leitura clássica comum interpreta que Zaqueu foi salvo porque veio a crer em Jesus. Apesar de ele não mencionar explicitamente sua fé, suas ações demonstram essa transformação. Claro, nenhum cristão interpretaria isso como salvação baseada em obras, mas e se considerarmos que a salvação mencionada por Jesus se refere a algo mais imediato e tangível? 


Jesus afirma: "Hoje houve salvação nesta casa". O que aconteceu ali foi algo real, algo que mudou a vida de Zaqueu naquele exato momento. Em João 3:19, Jesus diz: "E o julgamento é este: a luz veio ao mundo, mas as pessoas amaram mais as trevas do que a luz, porque suas obras eram más." Será que Zaqueu foi salvo desse julgamento, da escuridão em que vivia? Parece fazer sentido. Ele não só encontrou Jesus, mas também foi libertado de uma vida de ganância e corrupção.

Ao reler o texto esta tarde, percebi camadas na história que eu nunca tinha notado. Logo no início, está escrito: "Jesus entrou em Jericó e estava passando por ela." Jericó, um lugar que imediatamente nos remete à entrada dos israelitas na Terra Prometida. A expressão "passando por" evoca a travessia do Jordão e até mesmo a do Mar Vermelho. O texto bíblico é cheio dessas conexões sutis que nos fazem refletir.

E então vem a frase: "Ele queria ver quem era Jesus, mas, por causa da multidão, não conseguia." Não é assim tantas vezes na vida? A "multidão" — seja de opiniões, distrações ou julgamentos — frequentemente nos impede de enxergar quem Jesus realmente é.

Meu trecho favorito, no entanto, é quando Jesus diz: "Hoje preciso ficar em sua casa." A multidão, indignada, murmura: "Ele foi hospedar-se na casa de um pecador!" Tão logo que li, me lembrei: Estamos em Jericó! e a história de Jericó inclui os espiões enviados por Josué que se hospedaram na casa de Raabe, a prostituta. Será que os moradores de Jericó não se lembrariam disso?

Meus amigos, a história de Zaqueu nos convida a ver salvação não apenas como um conceito abstrato ou futuro, mas como algo que acontece aqui e agora. É a luz que invade as trevas, o encontro transformador com Jesus que reorienta vidas e redefine o que significa ser "filho de Abraão".

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