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Todo mundo faz teologia: conhecer a Deus não é luxo

Todo Mundo Faz Teologia: Por Que Conhecer a Deus Não É Luxo de Seminário

Diego Gonçalves3 min de leitura619 palavras

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Muita gente torce o nariz quando ouve a palavra “teologia”. A imagem que vem à cabeça de quase todo mundo é a de uma sala fria de faculdade, estantes empoeiradas com livros em latim e homens engravatados discutindo termos complicados que ninguém usa na vida real. Parece algo distante, teórico demais, reservado para pastores experientes ou acadêmicos que gostam de debates infindáveis.

A grande surpresa é que todo mundo faz teologia o tempo todo, mesmo sem perceber.

Desde o pregador no púlpito até o jovem que comenta um vídeo na internet, passando por aquela pessoa que solta numa conversa informal: “eu acho que Deus é bom demais pra condenar alguém” ou “Deus só quer que a gente seja feliz”. Todas essas afirmações expressam uma crença sobre quem Deus é, como ele age e o que ele espera de nós. Quando você emite uma opinião sobre o caráter de Deus, sobre a morte, sobre o sofrimento ou sobre o perdão, você está fazendo teologia. A verdadeira pergunta nunca foi se a gente faz teologia, mas se a nossa teologia é boa ou ruim, se ela nasce das nossas impressões particulares ou da revelação bíblica.

Na sua origem mais simples, o termo vem de duas palavras gregas: theos, que significa Deus, e logos, que remete a palavra, razão ou discurso. Teologia é, por definição, o esforço consciente e reverente de pensar e falar sobre Deus.

No século dezenove, o teólogo Augustus Strong definiu a teologia como a ciência de Deus e das relações entre ele e o universo criado. Isso significa que o nosso olhar não se debruça sobre uma divindade isolada e fria, desconectada da história, mas sobre o Deus vivo que se revelou nas Escrituras, que criou o mundo, que sustenta todas as coisas e que enviou seu próprio Filho pra resgatar pecadores.

Quando a igreja primitiva e os pensadores cristãos ao longo dos séculos organizaram a fé, o alvo nunca foi criar uma lista de curiosidades intelectuais. No século doze, com o pensador Pedro Abelardo, a teologia passou a ser compreendida como a organização clara e sistemática de toda a doutrina bíblica. O objetivo sempre foi prático: oferecer uma bússola segura pra que os cristãos não fossem jogados de um lado para o outro por qualquer onda de novidades religiosas.

Sem teologia bíblica consistente, a nossa espiritualidade é facilmente engolida pelo pragmatismo e pelos sentimentos do momento. Se a régua da verdade for o que a gente sente no coração, acabamos moldando um deus à nossa própria imagem, um deus de estimação que concorda com todas as nossas vontades e nunca confronta os nossos pecados. É a teologia bem fundamentada na Palavra que nos devolve à realidade, corrigindo as nossas distorções e nos lembrando de quem Deus verdadeiramente é.

Jesus ensinou em Marcos 12 que o primeiro de todos os mandamentos é amar ao Senhor de todo o coração, de toda a alma, com todas as forças e também com todo o entendimento. O intelecto humano não foi dado por Deus pra ser deixado do lado de fora da porta da igreja. A fé bíblica não exige que o crente desligue o cérebro; pelo contrário, a razão humana é iluminada pelo Espírito Santo pra mergulhar nas riquezas da revelação divina.

Conhecer a Deus conforme ele se revelou na Bíblia transforma a nossa oração, sustenta a nossa esperança no dia da dor e firma o nosso caráter nas decisões diárias. Teologia que não gera reverência, temor e serviço prático não passa de vaidade intelectual. O estudo sério da Palavra de Deus existe pra dobrar os nossos joelhos em adoração e nos fazer contemplar, com gratidão e assombro, o amor de um Deus que se deu a conhecer aos seus filhos.