Êxodo 34

1 E o SENHOR disse a Moisés: Entalha para ti duas tábuas de pedra como as primeiras, e escreverei sobre essas tábuas as palavras que estavam nas tábuas primeiras que quebraste.
Wesley
Moisés deve preparar a renovação das tábuas. Antes, o próprio Deus havia providenciado as tábuas e escrito nelas; agora Moisés deve entalhar as tábuas, e Deus apenas escreveria nelas. Quando Deus se reconciliou com eles, ordenou que as tábuas fossem renovadas e escreveu nelas a sua lei, o que claramente nos indica que, mesmo sob o evangelho (do qual a intercessão de Moisés era figura), a lei moral continuaria a obrigar os crentes. Embora Cristo nos tenha resgatado da maldição da lei, não nos resgatou do mandamento dela; continuamos debaixo da lei para com Cristo. Quando nosso Salvador, no seu sermão do monte, expôs a lei moral e a livrou das interpretações corrompidas com que os escribas e os fariseus a haviam quebrado, ele de fato renovou as tábuas e as fez como as primeiras; isto é, reconduziu a lei ao seu sentido e à sua intenção originais.
2 Prepara-te, pois, para amanhã, e sobe pela manhã ao monte de Sinai, e fica diante de mim ali sobre o cume do monte.
3 E não suba homem contigo, nem apareça alguém em todo o monte; nem ovelhas nem bois apascentem diante do monte.
4 E Moisés entalhou duas tábuas de pedra como as primeiras; e levantou-se pela manhã, e subiu ao monte de Sinai, como lhe mandou o SENHOR, e levou em sua mão as duas tábuas de pedra.
5 E o SENHOR desceu na nuvem, e esteve ali com ele, proclamando o nome do SENHOR.
Wesley
E o SENHOR desceu. Por algum sinal sensível da sua presença e manifestação da sua glória.
desceu na nuvem. Provavelmente aquela coluna de nuvem que até então ia adiante de Israel e que, no dia anterior, tinha se encontrado com Moisés à porta do tabernáculo.
6 E passando o SENHOR por diante dele, proclamou: SENHOR, SENHOR, forte, misericordioso, e piedoso; tardio para a ira, e grande em benignidade e verdade;
Wesley
E passando o SENHOR por diante dele. As visões permanentes de Deus estão reservadas para o estado futuro; as melhores que temos neste mundo são passageiras.
proclamando o nome do SENHOR. Pelo qual ele queria se dar a conhecer. Ele havia se dado a conhecer a Moisés na glória da sua existência por si mesmo e da sua suficiência em si mesmo, quando proclamou aquele nome, “Eu Sou o que Sou”; agora se dá a conhecer na glória da sua graça e bondade, e da sua plena suficiência para conosco. O fato de proclamá-lo indica a extensão universal da misericórdia de Deus: ele não é bom somente para Israel, mas bom para todos. O Deus com quem temos de tratar é um grande Deus. Ele é Jeová, o SENHOR, que tem o seu ser de si mesmo e é a fonte de todo ser; Jeová El, o SENHOR, o Deus forte, um Deus de poder onipotente em si mesmo e a origem de todo poder. Isso vem antes da manifestação da sua misericórdia, para nos ensinar a pensar e a falar até mesmo da bondade de Deus com santa reverência, e para nos animar a depender dessas misericórdias. Ele é um Deus bom. A sua grandeza e a sua bondade realçam uma à outra. Para que a sua grandeza não nos amedronte, somos informados de quão bom ele é; e, para que não abusemos da sua bondade, somos informados de quão grande ele é. Muitas palavras são aqui acumuladas para nos fazer conhecer a bondade de Deus e nos convencer dela. 1º, Ele é misericordioso. Isto fala da sua piedade e terna compaixão, como a de um pai para com os seus filhos. Isto é posto em primeiro lugar, porque é a primeira roda em todas as demonstrações da boa vontade de Deus para com o homem caído. 2º, Ele é piedoso. Isto fala tanto de gratuidade como de bondade: mostra que ele não somente tem compaixão das suas criaturas, mas se compraz nelas e em lhes fazer o bem; e isso por sua própria boa vontade, não por causa de alguma coisa que haja nelas. 3º, Ele é longânimo. Este é um ramo da bondade de Deus para o qual a nossa maldade dá ocasião. Ele é longânimo, isto é, tardio para a ira, e adia a execução da sua justiça; espera para ter misericórdia e prolonga as ofertas da sua graça. 4º, Ele é grande em benignidade e verdade. Isto fala de uma bondade abundante; ela transborda acima do que merecemos, acima do que concebemos. As fontes da misericórdia estão sempre cheias, os rios da misericórdia sempre correndo; há misericórdia bastante em Deus, bastante para todos, bastante para cada um, bastante para sempre. Fala também de uma bondade prometida, bondade e verdade juntas, bondade empenhada por promessa. 5º, Ele guarda a misericórdia em milhares. Isto fala de misericórdia estendida a milhares de pessoas. Quando ele dá a alguns, ainda guarda para outros, e nunca se esgota: misericórdia assegurada a milhares de gerações, até àqueles sobre quem os fins dos séculos têm chegado; mais ainda, a sua linha é traçada paralela à da própria eternidade. 6º, Ele perdoa a iniquidade, a rebelião e o pecado. A misericórdia que perdoa é especialmente mencionada, porque nela a graça divina é mais engrandecida e porque é ela que abre a porta a todos os demais dons da graça. Ele perdoa ofensas de toda espécie, iniquidade, rebelião e pecado, multiplica os seus perdões, e com ele há copiosa redenção. Ele é um Deus justo e santo. Pois, 1º, de nenhum modo justificará o malvado. Não absolverá o culpado impenitente, aqueles que prosseguem nas suas transgressões; não absolverá o culpado sem satisfação à sua justiça. 2º, Ele visita a iniquidade dos pais sobre os filhos, especialmente para castigo dos idólatras. Contudo, ele não retém a sua ira para sempre, mas visita somente até a terceira e quarta geração, enquanto guarda a misericórdia em milhares. Este é o nome de Deus para sempre, e este é o seu memorial por todas as gerações.
7 Que guarda a misericórdia em milhares, que perdoa a iniquidade, a rebelião, e o pecado, e que de nenhum modo justificará ao malvado; que visita a iniquidade dos pais sobre os filhos e sobre os filhos dos filhos, sobre os de terceira, e quarta gerações.
8 Então Moisés, apressando-se, baixou a cabeça até o chão e encurvou-se;
Wesley
Então Moisés, apressando-se, baixou a cabeça. Assim ele expressou a sua humilde reverência e adoração diante da glória de Deus, juntamente com a sua alegria por essa revelação que Deus havia feito de si mesmo e a sua gratidão por ela. Também expressou ali a sua santa submissão à vontade de Deus manifestada nessa declaração, subscrevendo tanto a sua justiça como a sua misericórdia, e pondo a si mesmo e ao seu povo Israel sob o governo de um Deus tal como Jeová acabava de proclamar ser. Que este Deus seja o nosso Deus para todo o sempre!
9 E disse: Se agora, Senhor, achei favor em teus olhos, vá agora o Senhor em meio de nós; porque este é povo de dura cerviz; e perdoa nossa iniquidade e nosso pecado, e possui-nos.
Wesley
vá agora o Senhor em meio de nós. Pois a tua presença é tudo para a nossa segurança e o nosso bom êxito.
e perdoa nossa iniquidade e nosso pecado. De outro modo não podemos esperar que vás no meio de nós.
e possui-nos. Como herança tua, sobre a qual terás um olhar particular e um cuidado especial. Essas coisas Deus já havia prometido a Moisés; e, contudo, ele ora por elas, não como quem duvida da sinceridade das concessões de Deus, mas como quem está ansioso pela confirmação delas.
porque este é povo de dura cerviz. É estranho o argumento que ele apresenta. Deus havia dado isso como razão pela qual não iria com eles (Êxodo 33:3). Sim, diz Moisés, por isso mesmo vai conosco; pois quanto piores eles são, mais necessidade têm da tua presença. Moisés os vê tão obstinados que não tem paciência nem poder suficientes para lidar com eles; portanto, Senhor, vai tu no meio de nós; do contrário, eles nunca serão mantidos no temor; tu os pouparás e os suportarás, pois tu és Deus e não homem.
10 E ele disse: Eis que, eu faço concerto diante de todo o teu povo: farei maravilhas que não foram feitas em toda a terra, nem em nação alguma; e verá todo o povo em meio do qual estás tu, a obra do SENHOR; porque será coisa terrível a que eu farei contigo.
Wesley
Eis que, eu faço concerto. Quando o concerto foi quebrado, foi Israel quem o quebrou; agora que vem a ser renovado, é Deus quem o faz. Se há contendas, nós devemos levar toda a culpa; se há paz, Deus deve ter toda a glória.
diante de todo o teu povo: farei maravilhas. Tais como a secagem do Jordão e a parada do sol. Maravilhas de fato, pois não tinham precedentes, tais como não foram feitas em toda a terra; o povo verá e reconhecerá a obra do SENHOR; e elas foram o terror dos seus inimigos: será coisa terrível a que eu farei.
11 Guarda o que eu te mando hoje; eis que eu expulso de diante de tua presença aos amorreus, e aos cananeus, e aos heteus, e aos perizeus, e aos heveus, e aos jebuseus.
Wesley
Guarda o que eu te mando hoje. Não podemos esperar o benefício das promessas, a menos que façamos questão de consciência dos preceitos. Os dois grandes preceitos são:
não te hás de inclinar a deus alheio. Uma boa razão é acrescentada: pois o SENHOR, cujo nome é zeloso, Deus zeloso é, tão cuidadoso nas questões do seu culto quanto o marido o é da honra do leito conjugal.
Não farás deuses de fundição para ti. Não adorarás o Deus verdadeiro por meio de imagens. Este era o pecado em que eles haviam caído recentemente, e por isso são advertidos particularmente contra ele. Para que não fossem tentados a adorar outros deuses, não deviam unir-se por parentesco ou amizade com os que os adoravam.
12 Guarda-te que não faças aliança com os moradores da terra de onde hás de entrar, para que não sejam por tropeço em meio de ti:
Wesley
Guarda-te. É um pecado a que és inclinado e que facilmente te envolverá; abstém-te cuidadosamente de todo passo em direção a ele.
que não faças aliança com os moradores da terra. Se Deus, por bondade para com eles, expulsava os cananeus, eles deviam, por dever para com Deus, não abrigá-los. Se tomassem os filhos deles em casamento, correriam o perigo de tomar também os seus deuses. Para que não fossem tentados a fazer deuses de fundição, deviam destruir completamente os que encontrassem e tudo o que lhes pertencia, os altares e os bosques, para que, se fossem deixados de pé, eles não acabassem, com o passar do tempo, ou usando-os, ou tomando-os por modelo.
13 Mas derrubareis seus altares, e quebrareis suas estátuas, e cortareis seus bosques:
14 Porque não te hás de inclinar a deus alheio; que o SENHOR, cujo nome é zeloso, Deus zeloso é.
15 Portanto não farás aliança com os moradores daquela terra; pois senão fornicarão após seus deuses, e sacrificarão a seus deuses, e te chamarão, e comerás de seus sacrifícios;
16 Ou, se tomarem de suas filhas para teus filhos, e fornicarem suas filhas após seus deuses, farão também fornicar a teus filhos atrás dos deuses delas.
17 Não farás deuses de fundição para ti.
18 A festa dos pães ázimos guardarás: sete dias comerás sem levedar, segundo te mandei, no tempo do mês de Abibe; porque no mês de Abibe saíste do Egito.
19 Todo o que abre madre, meu é; e de teu gado todo primeiro de vaca ou de ovelha que for macho.
20 Porém resgatarás com cordeiro o primeiro do asno; e se não o resgatares, lhe cortarás a cabeça. Resgatarás todo primogênito de teus filhos, e não serão vistos vazios diante de mim.
21 Seis dias trabalharás, mas no sétimo dia cessarás: cessarás ainda na arada e na colheita.
Wesley
Aqui há uma repetição de várias ordenanças feitas antes, especialmente relativas às suas festas solenes: quando fizeram o bezerro, proclamaram uma festa em honra dele; agora, para que nunca mais fizessem isso, recebem aqui a ordem de observar as festas que Deus havia instituído.
cessarás ainda na arada e na colheita. As épocas de mais trabalho do ano. Todo negócio do mundo deve dar lugar àquele santo descanso: o trabalho da colheita prosperará melhor pela observância religiosa do dia de sábado no tempo da colheita. Com isso devemos mostrar que preferimos a nossa comunhão com Deus tanto ao trabalho como à alegria da colheita.
22 E te farás a festa das semanas aos princípios da colheita do trigo: e a festa da colheita à volta do ano.
23 Três vezes no ano será visto todo homem teu diante do Soberano SENHOR, Deus de Israel.
Wesley
Três vezes no ano será visto todo homem teu. Mas poderia ser alegado que, quando todos os homens de todas as partes tivessem subido para adorar no lugar que Deus escolhesse, a terra ficaria exposta aos ataques dos seus vizinhos; e o que seria das pobres mulheres e crianças? Confiai-as a Deus.
24 Porque eu lançarei as nações de tua presença, e alargarei teu termo: e ninguém cobiçará tua terra, quando tu subires para ser visto diante do SENHOR teu Deus três vezes no ano.
Wesley
e ninguém cobiçará tua terra. Não somente não a invadirão, mas nem sequer pensarão em invadi-la. Que milagre permanente foi este, por tantas gerações!
25 Não oferecerás com levedado o sangue de meu sacrifício; nem ficará da noite para a manhã o sacrifício da festa da páscoa.
26 A primícia dos primeiros frutos de tua terra meterás na casa do SENHOR teu Deus. Não cozerás o cabrito no leite de sua mãe.
27 E o SENHOR disse a Moisés: Escreve tu estas palavras; porque conforme estas palavras fiz a aliança contigo e com Israel.
28 E ele esteve ali com o SENHOR quarenta dias e quarenta noites: não comeu pão, nem bebeu água; e escreveu em tábuas as palavras da aliança, os dez dizeres.
Wesley
e escreveu. Deus.
29 E aconteceu que, descendo Moisés do monte Sinai com as duas tábuas do testemunho em sua mão, enquanto descia do monte, não sabia ele que a pele de seu rosto resplandecia, depois que havia com ele falado.
Wesley
a pele de seu rosto resplandecia. Desta vez, no monte, ele ouviu apenas o mesmo que tinha ouvido antes. Mas viu mais da glória de Deus, e, tendo-a contemplado com o rosto descoberto, foi em certa medida transformado na mesma imagem. Esta foi uma grande honra concedida a Moisés, para que o povo nunca mais questionasse a sua missão nem pensasse ou falasse dele com desprezo. Ele levava as suas credenciais no próprio semblante. Alguns pensam que, enquanto viveu, conservou alguns restos dessa glória, o que talvez tenha contribuído para o vigor da sua velhice: não podia escurecer-se o olho que tinha visto a Deus, nem enrugar-se o rosto que tinha resplandecido com a sua glória.
30 E olhou Arão e todos os filhos de Israel a Moisés, e eis que a pele de seu rosto era resplandecente; e tiveram medo de chegar-se a ele.
Wesley
e tiveram medo de chegar-se a ele. Aquilo não somente lhes ofuscou os olhos, mas lhes causou tal temor que os obrigou a se afastar. Provavelmente duvidavam se era um sinal do favor de Deus ou do seu desagrado.
31 E chamou-os Moisés; e Arão e todos os príncipes da congregação voltaram-se a ele, e Moisés lhes falou.
32 E depois se chegaram todos os filhos de Israel, aos quais mandou todas as coisas que o SENHOR lhe havia dito no monte de Sinai.
33 E quando acabou Moisés de falar com eles, pôs um véu sobre seu rosto.
Wesley
pôs um véu sobre seu rosto. Este véu significava a obscuridade daquela dispensação: as instituições cerimoniais continham muito de Cristo e do evangelho, mas sobre isso estava estendido um véu, de modo que os filhos de Israel não podiam ver distinta e firmemente aquelas boas coisas futuras das quais a lei tinha a sombra. Era beleza velada, ouro na mina, pérola na concha; mas, graças a Deus, pelo evangelho o véu é tirado do Antigo Testamento; contudo, ele ainda permanece sobre o coração daqueles que fecham os olhos à luz.
34 E quando vinha Moisés diante do SENHOR para falar com ele, tirava-se o véu até que saía; e saindo, falava com os filhos de Israel o que lhe era mandado;
Wesley
tirava-se o véu. Todo véu deve ser posto de lado quando vamos nos apresentar ao Senhor. Isto significava também, como é explicado em 2 Coríntios 3:16, que, quando uma alma se converte ao Senhor, o véu é tirado, para que com o rosto descoberto ela contemple a sua glória.
35 E viam os filhos de Israel o rosto de Moisés, que a pele de seu rosto era resplandecente; e voltava Moisés a pôr o véu sobre seu rosto, até que entrava a falar com ele.
Textos do Diário sobre Êxodo 34
Êxodo 34:6-7o caráter misericordioso de Deus revelado
Êxodo 34:6-7: A carteira de identidade que Deus apresentou a Moisés