Gênesis 34
1 E saiu Diná a filha de Lia, a qual esta havia dado a Jacó, para ver as mulheres nativas.
Wesley
para ver as mulheres nativas. Diná tinha então cerca de quinze ou dezesseis anos quando saiu para ver as filhas da terra, provavelmente em algum dia de festa pública. Saiu para ver; mas isso não era tudo: saiu também para ser vista. Foi ver as filhas da terra, mas talvez com algum pensamento também nos filhos da terra.
2 E viu-a Siquém, filho de Hamor heveu, príncipe daquela terra, e tomou-a, e deitou-se com ela, e a desonrou.
3 Mas sua alma se apegou a Diná a filha de Lia, e apaixonou-se pela moça, e falou ao coração da jovem.
4 E falou Siquém a Hamor seu pai, dizendo: Toma-me por mulher esta moça.
5 E ouviu Jacó que havia Siquém violado a Diná sua filha: e estando seus filhos com seu gado no campo, Jacó ficou em silêncio até que eles viessem.
6 E dirigiu-se Hamor pai de Siquém a Jacó, para falar com ele.
7 E os filhos de Jacó vieram do campo quando o souberam; e se entristeceram os homens, e se irritaram muito, porque fez depravação em Israel por ter se deitado com a filha de Jacó, o que não se devia haver feito.
Wesley
fez depravação em Israel. Assim se diz conforme a linguagem de tempos posteriores, pois Israel ainda não era um povo, mas apenas uma família.
8 E Hamor falou com eles, dizendo: A alma de meu filho Siquém se apegou à vossa filha; rogo-vos que a deis por mulher.
Wesley
E Hamor falou com eles. Isto é, conversou. Ele veio tratar com o próprio Jacó, mas este o remete aos filhos. E aqui temos um relato pormenorizado da negociação, na qual é vergonhoso dizer que os cananeus foram mais honestos que os israelitas.
9 E aparentai-vos conosco; dai-nos vossas filhas, e tomai vós as nossas.
10 E habitai conosco; porque a terra estará diante de vós; morai e negociai nela, e tomai nela possessão.
11 Siquém também disse a seu pai e a seus irmãos: Ache eu favor em vossos olhos, e darei o que me disserdes.
12 Aumentai muito a exigência de meu dote e presentes, que eu darei quanto me disserdes, e dá-me a moça por mulher.
13 E responderam os filhos de Jacó a Siquém e a Hamor seu pai com engano; e falaram, porquanto havia violado a sua irmã Diná.
14 E disseram-lhes: Não podemos fazer isto de dar nossa irmã a homem que tem prepúcio; porque entre nós é abominação.
15 Mas com esta condição vos consentiremos: se haveis de ser como nós, que se circuncide entre vós todo homem;
16 Então vos daremos nossas filhas, e tomaremos nós as vossas; e habitaremos convosco, e seremos um povo.
17 Mas se não nos prestardes ouvido para vos circuncidar, tomaremos nossa filha, e nos iremos.
18 E pareceram bem seus palavras a Hamor e a Siquém, filho de Hamor.
Wesley
Hamor e Siquém consentiram, eles mesmos, em ser circuncidados. A isso talvez tenham sido movidos não apenas pelo forte desejo que tinham de realizar este casamento, mas pelo que podiam ter ouvido sobre os propósitos sagrados e honrosos deste sinal na família de Abraão, dos quais provavelmente tinham algumas noções confusas, e sobre as promessas confirmadas por ele; o que os tornava ainda mais desejosos de se incorporar à família de Jacó.
19 E não tardou o jovem fazer aquilo, porque a filha de Jacó lhe havia agradado: e ele era o mais honrado de toda a casa de seu pai.
20 Então Hamor e Siquém seu filho vieram à porta de sua cidade, e falaram aos homens de sua cidade, dizendo:
21 Estes homens são pacíficos conosco, e habitarão nesta terra, e comercializarão nela; pois eis que a terra é bastante ampla para eles; nós tomaremos suas filhas por mulheres, e lhes daremos as nossas.
22 Mas com esta condição nos estes homens consentirão em habitar conosco, para que sejamos um povo: se se circuncidar em nós todo homem, assim como eles são circuncidados.
23 Seus gados, e sua riqueza e todos seus animais, serão nossas; somente concordemos com eles, e habitarão conosco.
Wesley
Seus gados, e sua riqueza e todos seus animais, serão nossas. Observaram que os filhos de Jacó eram gente trabalhadora e próspera, e prometiam a si mesmos e a seus vizinhos vantagem numa aliança com eles: ela melhoraria a terra e o comércio, e traria dinheiro ao país.
24 E obedeceram a Hamor e a Siquém seu filho todos os que saíam pela porta da cidade, e circuncidaram a todo homem, dentre os que saíam pela porta de sua cidade.
25 E sucedeu que ao terceiro dia, quando sentiam eles a maior dor, os dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Diná, tomaram cada um sua espada, e vieram contra a cidade animosamente, e mataram a todo homem.
Wesley
mataram a todo homem. Nada pode desculpar esta execrável vilania. É verdade que Siquém cometera depravação em Israel ao desonrar Diná; mas devia-se ter considerado até que ponto a própria Diná fora cúmplice disso. Se Siquém a tivesse violentado na tenda de sua mãe, seria outra coisa; mas ela foi ao terreno dele e acendeu a centelha que começou o fogo. Quando somos severos com o pecador, devemos considerar quem foi o tentador. É verdade que Siquém agira mal; mas ele se esforçava por reparar o mal e foi, depois, tão honesto e honrado quanto o caso permitia. É verdade que Siquém agira mal, mas que tinham com isso todos os siquemitas? Peca um só homem, e devem os inocentes cair com o culpado? Isto foi de fato bárbaro. Mas o que agravou a crueldade acima de tudo foi a perfídia traiçoeira que nela havia. Os siquemitas se haviam submetido às condições deles e tinham feito aquilo mediante o qual eles prometeram tornar-se um só povo com eles. Contudo, eles agem como inimigos jurados contra aqueles de quem pouco antes se tinham tornado amigos jurados, fazendo tão pouco caso de sua aliança quanto das leis da humanidade. E são estes os filhos de Israel? “Maldito seja o seu furor, pois foi feroz.”
26 E a Hamor e a seu filho Siquém mataram a fio de espada; e tomaram a Diná de casa de Siquém, e saíram.
27 E os filhos de Jacó vieram aos mortos e saquearam a cidade; porquanto haviam violado à sua irmã.
Wesley
os filhos de Jacó vieram aos mortos e saquearam a cidade. Embora só Simeão e Levi tenham sido os assassinos, ainda assim outros dos filhos de Jacó vieram aos mortos e saquearam a cidade, e assim se tornaram cúmplices do assassinato.
28 Tomaram suas ovelhas e vacas e seus asnos, e o que havia na cidade e no campo,
29 E todos os seus pertences; se levaram cativos a todos as suas crianças e suas mulheres, e roubaram tudo o que havia nas casas.
30 Então disse Jacó a Simeão e a Levi: Vós me perturbastes em fazer-me detestável aos moradores desta terra, os cananeus e os ferezeus; e tendo eu poucos homens, se juntarão contra mim, e me ferirão, e serei destruído eu e minha casa.
Wesley
Vós me perturbastes em fazer-me detestável aos moradores desta terra. Isto é, tornastes a minha família odiosa entre eles. E que se podia esperar, senão que os cananeus, numerosos e temíveis, se confederassem contra ele, e ele e sua pequena família se tornassem presa fácil para eles?
serei destruído eu e minha casa. Jacó sabia, de fato, que Deus prometera preservar a sua casa; mas podia justamente temer que estas práticas vis de seus filhos equivalessem a perder o direito à promessa e cortassem a herança. Quando o pecado está na casa, há razão para temer a ruína à porta.
31 E eles responderam Havia ele de tratar à nossa irmã como à uma prostituta?
Wesley
Havia ele de tratar à nossa irmã como à uma prostituta?. Não, não devia; mas, se o fizesse, deviam eles ser os seus próprios vingadores? E nada menos que tantas vidas e a ruína de uma cidade inteira bastaria para expiar a ofensa?