Quem foi Jonas?
"Então, disse o SENHOR: Tu tiveste compaixão da planta, na qual não trabalhaste, nem a fizeste crescer, que numa noite nasceu e numa noite pereceu; e eu não hei de ter compaixão da grande cidade de Nínive, em que estão mais de cento e vinte mil homens que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e também muitos animais?" (Jonas 4:10-11, ARA)
Na Bíblia, há um homem que tentou embarcar em um navio para fugir de Deus. Literalmente. Comprou a passagem, subiu na embarcação e foi dormir no porão, agindo como se o Criador fosse um chefe de quem se pode escapar simplesmente saindo mais cedo do trabalho.
O nome dele era Jonas, profeta do Antigo Testamento (Jonas 1:1). E a trajetória dele revela muito mais sobre o nosso próprio coração do que gostaríamos de admitir.
O Senhor ordenou que Jonas fosse a Nínive, a capital do império assírio (Jonas 1:2). Nínive era cruel, violenta e opressora — o tipo de lugar que classificamos rapidamente como "sem jeito". Jonas concordava com essa visão. Tanto que decidiu ir para o lado oposto, rumo a Társis (Jonas 1:3).
Contudo, Deus não é um chefe que se possa evitar. Uma tempestade sacudiu o navio e os marinheiros, em desespero, lançaram Jonas ao mar (Jonas 1:15). Um grande peixe o engoliu, e ele passou três dias no escuro, no fundo do oceano (Jonas 1:17). É muito tempo para refletir.
E Jonas refletiu. Ele orou do lugar mais improvável que existe, e Deus o ouviu (Jonas 2:1). O peixe o vomitou em terra seca (Jonas 2:10).
Costumamos parar a narrativa nesse ponto, pois o episódio do peixe é dramático. Mas o capítulo mais revelador é o quarto (Jonas 4).
Jonas foi a Nínive e pregou. A cidade inteira se arrependeu, do rei ao último habitante (Jonas 3:5-9). Foi o maior avivamento do Antigo Testamento, o sonho de qualquer pregador.
Porém, Jonas ficou furioso (Jonas 4:1). Sentou-se numa colina fora da cidade e reclamou com Deus. Confessou que sabia desde o princípio que o Senhor era compassivo e misericordioso, e que exatamente por isso havia fugido. Ele preferiu ver Nínive destruída a ver os inimigos de Israel perdoados (Jonas 4:2-3).
Então, o Senhor fez algo curioso. Fez crescer rapidamente uma planta para dar sombra a Jonas, o que o alegrou muito. No dia seguinte, Deus enviou um verme que comeu a planta, e Jonas ficou mais irado pela perda da vegetação do que havia ficado pela cidade inteira (Jonas 4:6-8).
Foi então que o Senhor fez o questionamento que abre nossa reflexão: "Você tem pena de uma planta que não custou nenhum esforço, que cresceu da noite para o dia. E eu não teria compaixão de Nínive, com mais de cento e vinte mil pessoas que não sabem nem distinguir a mão direita da esquerda?" (Jonas 4:10-11).
A história termina com essa pergunta no ar. Não sabemos o que Jonas respondeu, porque a pergunta não era apenas para ele. É para nós.
Existem pessoas que julgamos não merecer a graça. Uma categoria de indivíduos que já rotulamos como "irrecuperáveis" — pelo histórico, pelas ideias políticas, pela religião ou pelos erros cometidos. E Deus insiste em ter compaixão exatamente dessas pessoas. Isso chega a nos irritar. Muitas vezes, ficamos mais preocupados com a "sombra" que protege o nosso conforto do que com o destino eterno de quem está ao nosso lado.
A experiência de Jonas também aponta para Jesus Cristo, conforme o próprio Mestre explicou: "Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim estará o Filho do Homem três dias e três noites no coração da terra" (Mateus 12:40, ARA). O que foi símbolo, tornou-se realidade. Jonas saiu do peixe; Jesus saiu do túmulo.
E a missão que o profeta relutou em cumprir, Jesus cumpriu sem hesitar — não apenas para Nínive, mas para todos os povos da terra.
Oração:
Senhor, que nós não precisemos de um grande peixe para ouvir o que o Senhor deseja de nós. E que a Tua misericórdia seja sempre maior do que as nossas classificações sobre quem merece ou não a Tua graça. Amém.
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