
DevocionaisDevocionais em Hebreus1 de 4
A lição da abóbora e do carvalho: como cultivar uma fé que persevera
“Ora, a fé é a certeza das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem.”
(Hebreus 11:1, Bíblia Livre)
Alguns anos atrás, minha sogra comprou uma chácara em Pinhalzinho e plantou algumas sementes, entre elas abóboras. O que ela colheu daí virou uma das histórias que mais me fizeram pensar sobre fé.
A história é simples. Um agricultor, no caminho de volta da cidade, deixou cair uma semente de abóbora. Não longe dali havia outra semente, e ninguém sabia o que era. Em poucos dias, a abóbora começou a brotar. Cresceu rápido, chamou atenção, produziu frutos em questão de semanas. Enquanto isso, a outra semente não mostrava nada. Nada por semanas. Nada por meses. Parecia morta.
Mas não estava. Era uma bolota. E muitos anos depois, enquanto a abóbora havia sido colhida, comida e esquecida, aquela semente discreta havia se transformado em um carvalho robusto: oferecia sombra, abrigava animais, resistia às tempestades e crescia a cada ano que passava.
A imagem é direta. Algumas pessoas têm uma fé que lembra a abóbora: rápida, vistosa, efusiva. Experiências intensas, emoção nas reuniões, aparência de bênção constante. Só que quando o clima muda, quando a seca vem, quando a decepção bate, essa fé não tem raiz funda o bastante para aguentar. Murcha.
Outras pessoas têm uma fé que parece o carvalho. Discreta, às vezes até invisível. Crescem devagar e não têm os momentos espetaculares, mas vão fundo. Quando a tempestade chega, ficam de pé. E ao longo do tempo, são essas as pessoas que sustentam outros, que resistem, que dão frutos duradouros.
A Bíblia diz que sem fé é impossível agradar a Deus (Hebreus 11:6). Mas também que a fé verdadeira é a certeza do que ainda não se vê (Hebreus 11:1). Ou seja: a fé do carvalho confia na Palavra de Deus mesmo quando o solo parece vazio. Ela não depende de ver rápido; depende de confiar fundo. E essa confiança não nasce de esforço nosso: é a graça de Deus que a planta em nós e a sustenta, estação após estação.
E eu preciso me perguntar: que tipo de fé estou cultivando? Uma fé que cresce quando a emoção empurra, ou uma fé que permanece quando tudo fica em silêncio? Uma fé que precisa de resultado imediato, ou uma fé que espera o tempo de Deus? A pergunta vale para mim tanto quanto para quem lê.
Oração:
Senhor, me ajuda a cultivar uma fé que vai fundo, que não depende das aparências nem dos momentos espetaculares. Que a minha fé seja como o carvalho: lenta, firme, duradoura. E que nos momentos em que parece que nada está acontecendo, eu confie na sua Palavra. Amém.
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