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SermõesRetiro de jovens: Simplesmente como Jesus4 de 5

Olhos nele (Hebreus 12:1-3)

Retiro de jovens Simplesmente como Jesus · Pregação 3

Diego Gonçalves24 min de leitura4.864 palavras

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Neste texto

Texto: Hebreus 12:1-3 · Duração: cerca de 60 minutos · Base: os capítulos 6 (“Um rosto transformado e um par de asas”), 10 (“Encontre ouro no lixo”), 11 (“Quando o céu celebra”) e 12 (“Termine com força”) e a conclusão (“Ponha seu olhar em Cristo”) de Simplesmente como Jesus, de Max Lucado

Abertura (cerca de 5 min)

Chegamos à última mensagem do retiro.

Vamos lembrar o caminho até aqui.

Pedro afunda no mar agitado e se agarra a Jesus, que caminha sobre as águas sob a lua, enquanto os discípulos olham do barco, em pintura de Philipp Otto Runge
Philipp Otto Runge, Pedro sobre o mar, c. 1806-1807. Hamburger Kunsthalle, Hamburgo. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Na primeira noite, vimos que Jesus toca antes de lavar.

“Deus me ama do jeito que eu sou. Deus não vai me deixar do jeito que eu estou.”

Hoje de manhã, demos a Deus os primeiros minutos do dia.

“Hoje eu pertenço a ti.”

Na segunda mensagem, vimos Jesus andando com o Pai do amanhecer até a noite.

“Quem anda com o Pai não se perde na multidão.”

Hoje a pergunta é outra.

Como continuar depois que o retiro acabar?

Porque todo retiro tem esse risco.

Saímos daqui com o coração aquecido, e na quarta-feira ele já esfriou.

O Max Lucado abre o último capítulo do livro confessando uma lista de coisas que ele começou e não terminou.

Um livro de exercícios abdominais que ele seguiu por uma semana.

Um curso de leitura dinâmica que ele vai fazer “algum dia”.

Um pote de vitaminas que ele sempre esquece de tomar.

Todo mundo tem a sua lista.

A academia paga em janeiro.

O curso de idioma que parou no terceiro módulo.

O plano de ler a Bíblia inteira em um ano que morreu em Levítico.

Confesso que a minha lista também é longa.

Só que o Lucado faz uma distinção importante.

Nem tudo precisa ser terminado, e algumas coisas podem mesmo ficar pelo caminho.

Mas há uma corrida que precisa chegar ao fim: a corrida da fé.

E a resposta da Bíblia para como continuar nessa corrida é surpreendentemente simples.

Olhe para Jesus.

A imagem (cerca de 4 min)

Na primeira mensagem falamos de joelho ralado.

Muitos desses joelhos foram ralados numa bicicleta.

Quem aprendeu a andar de bicicleta se lembra da cena.

Alguém segurando o banco, correndo do lado.

E essa pessoa repetindo a mesma frase:

— Olhe para a frente! Não olhe para o chão!

Porque existe uma regra que todo ciclista aprende cedo, normalmente do jeito mais doloroso.

A bicicleta vai para onde os olhos vão.

Se você olha para o buraco, cai no buraco.

Se você olha para o poste, bate no poste.

Se você olha para o próprio pé, perde o equilíbrio.

Quem anda de moto conhece bem isso: o corpo segue o olhar.

E há mais uma coisa.

Em algum momento, sem avisar, quem segurava o banco solta.

E você continua pedalando sem perceber.

Só percebe quando olha para trás e vê a pessoa lá longe, parada, sorrindo.

E muitas vezes é justamente aí, olhando para trás, que a bicicleta vai para o chão.

Leitura (cerca de 3 min)

Abram comigo em Hebreus 12. Vamos ler os três primeiros versículos.

“Portanto nós também, posto que estamos rodeados por uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos toda sobrecarga, e o pecado que facilmente nos envolve, e corramos com perseverança a corrida que nos está proposta, olhando para Jesus, Autor e aperfeiçoador da fé. Ele, pela alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, desprezando a humilhação, e assentou-se à direita do trono de Deus. Considerai, pois, aquele que suportou tal hostilidade dos pecadores contra si mesmo, para que não fiqueis exaustos, nem vossas almas se debilitem.”

(Hebreus 12:1-3, Bíblia Livre)

O autor de Hebreus acabou de passar o capítulo 11 inteiro falando de quem correu antes de nós.

Abel, Noé, Abraão, Moisés, Raabe, Davi…

E agora ele diz: é a sua vez de correr.

E o centro do texto está numa expressão só: “olhando para Jesus”.

Hoje vamos olhar para isso de quatro jeitos.

Olhar para Jesus.

Adorar para enxergar melhor.

Enxergar a vida com os olhos dele.

E correr leve até o fim.

  1. Olhe para JesusJesus começou a sua fé, e Jesus vai terminar
  2. Adore para enxergar melhorDeus não fica maior; quem cresce é a nossa visão dele
  3. Enxergue com os olhos deleOs discípulos viam soldados. Jesus via o Pai
  4. Corra leve até o fimSem peso, com companhia e com a alegria do fim
Olhando para Jesus Hebreus 12:1-3

1. Olhe para Jesus (cerca de 12 min)

a) Ver e enxergar

Na conclusão do livro, o Lucado diz uma coisa curiosa.

Há vezes em que vemos, e há vezes em que enxergamos de verdade.

E ele dá um exemplo que eu acho que muitos aqui vão reconhecer.

Tudo muda no dia em que aquela pessoa entra na sala de aula.

Você já tinha visto antes, mas naquele dia você enxergou.

Quando a aula acaba, você já decorou o jeito de andar, o cabelo, a risada.

Não tirou os olhos o tempo inteiro.

[Deixar a plateia rir. Normalmente rende.]

O Lucado comenta que sabemos o que é olhar para uma pessoa assim. Mas será que sabemos o que é olhar para Jesus assim?

É disso que Hebreus está falando.

“Olhando para Jesus.”

O verbo grego, aphoráō, quer dizer desviar os olhos de todo o resto para olhar uma coisa só.

Esse olhar é diferente de uma olhada de relance.

É o olhar de quem fixa o alvo e não tira mais os olhos.

b) Quem começa e quem termina

E repare em quem estamos olhando: o “Autor e aperfeiçoador da fé”.

Autor, em grego archēgós, quer dizer aquele que começa, que vai na frente e abre o caminho.

Aperfeiçoador, em grego teleiōtḗs, quer dizer aquele que termina, que leva até o fim.

Vocês se lembram do versículo da primeira noite? “Aquele que começou a boa obra em vós irá completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Filipenses 1:6, Bíblia Livre).

Jesus começou a sua fé.

E Jesus vai terminar.

A corrida é sua, mas a fé tem dono no começo e no fim.

E por isso o olhar fica nele.

Quem olha para as próprias quedas acaba caindo de novo no mesmo buraco.

Quem olha para a corrida dos outros, comparando, perde o equilíbrio.

Quem olha só para o obstáculo bate nele.

Pedro sabe disso. Quando andou sobre as águas, Mateus conta:

“Mas quando viu o vento, teve medo; e começando a afundar, gritou: Senhor, salva-me!” (Mateus 14:30, Bíblia Livre)

Enquanto olhava para Jesus, Pedro andava.

Quando olhou para o vento, afundou.

E repare que, mesmo afundando, ele grita para Jesus, e Jesus estende a mão e segura ele (Mateus 14:31).

Se você cair de novo depois deste retiro, o caminho é o mesmo de Pedro: olhe para ele de novo e grite.

c) Quem queria ver Jesus

O Lucado passa a conclusão inteira do livro mostrando gente que queria ver Jesus.

Os pastores, na noite do nascimento.

Viram um céu cheio de anjos cantando, e mesmo assim não ficaram satisfeitos.

Queriam ver quem tinha mandado os anjos: “Vamos, pois, até Belém, e vejamos isso que aconteceu” (Lucas 2:15, Bíblia Livre).

Simeão, um homem justo e devoto de Jerusalém, que esperava a consolação de Israel.

Tinha recebido de Deus a promessa de que não ia morrer antes de ver o Cristo.

Movido pelo Espírito, foi ao templo, e quando pegou o bebê no colo, disse: agora posso partir em paz, porque os meus olhos viram a tua salvação (Lucas 2:25-32).

Os magos.

Não bastava ver a estrela sobre Belém. Eles queriam ver a Luz de Belém.

André e outro discípulo de João Batista (João 1:35-40).

Quando viram Jesus passar, foram atrás dele.

E não pediram um milagre, nem uma opinião, nem uma mensagem.

Perguntaram onde ele morava.

Queriam ficar com ele.

E Jesus respondeu: “Vinde e vede” (João 1:39, tradução livre do grego).

Mateus, o cobrador de impostos.

Uma conversa na calçada não era suficiente. Levou Jesus para jantar na casa dele (Mateus 9:9-10).

E Zaqueu.

Pequeno demais para ver por cima da multidão, rico, odiado pela cidade.

E subiu numa árvore só para ver Jesus passar (Lucas 19:1-7).

O Lucado coloca todos eles ao lado de outro homem rico, o jovem rico.

Esse chegou com pressa e foi direto ao ponto: “Bom Mestre, que bem farei para eu ter a vida eterna?” (Mateus 19:16, Bíblia Livre).

Não há nada de errado na pergunta.

O problema era o coração.

E o Lucado resume assim, e eu acho que essa frase vale para o retiro inteiro:

O jovem rico queria o remédio. Os outros queriam o Médico.

Ele queria uma resposta. Eles queriam o Mestre.

Ele se contentou com um café no drive-thru. Eles queriam o jantar inteiro, sentados à mesa.

d) O Evangelho é simples

Repararam como isso é simples?

O Evangelho não é um sistema complicado para decorarmos, mas uma Pessoa.

Hebreus 11:6 diz:

“Ora, sem fé é impossível agradar a Deus. Pois é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que ele é recompensador dos que o buscam.”

(Hebreus 11:6, Bíblia Livre)

O Lucado faz uma observação linda sobre isso.

A proporção entre os que não buscaram Jesus e os que buscaram foi sempre de mil para um.

Mas a proporção entre os que buscaram e os que acharam foi sempre de um para um.

Todos os que buscaram acharam.

Ninguém que quis ver Jesus foi mandado embora.

Nem o pastor de ovelhas, nem o sábio do Oriente, nem o cobrador de impostos.

E a recompensa de quem busca, o Lucado diz, é nada menos que o coração de Jesus.

2. Adore para enxergar melhor (cerca de 12 min)

E como olhamos para Jesus assim, de verdade?

O capítulo 6 do livro responde: adorando.

a) O menino que quis ver o piloto

O Lucado conta que estava num avião quando um menino entrou perguntando, bem alto:

— É verdade que eu posso conhecer o piloto?

O piloto ouviu, se inclinou para fora da cabine e chamou o menino.

Alguns minutos depois o menino saiu de lá de olhos arregalados, com um par de asas de plástico na camisa, dizendo:

— Que demais! Que bom que eu estou neste avião!

O Lucado olhou em volta e reparou nos outros passageiros.

Ninguém mais tinha aquela cara.

A maioria estava contente. Só isso.

Contente de estar sentado, de chegar no horário, de ter um voo tranquilo, sem turbulência.

Um “bom voo”.

E ele diz que as pessoas no avião e as pessoas no banco da igreja têm muito em comum.

A maioria vem contente.

Contente de sentar, olhar para a frente, cantar, ouvir e ir embora quando acaba.

Um “bom culto”.

E como um bom culto é tudo o que buscamos, um bom culto é tudo o que encontramos.

Mas alguns poucos vêm como aquele menino.

Querendo ver o piloto.

b) O dia em que Jesus foi adorar

E o Lucado lembra que o próprio Jesus fez isso.

Mateus 17 conta:

“Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago, e seu irmão João, e os levou a sós a um monte alto. Então transfigurou-se diante deles; seu rosto brilhou como o sol, e suas roupas se tornaram brancas como a luz.”

(Mateus 17:1-2, Bíblia Livre)

Repare que Jesus se preparou para esse momento.

Escolheu quem ia junto. Separou o tempo. Subiu o monte.

Parou de cuidar das multidões por um tempo para que o Pai cuidasse do coração dele.

E quando ele estava ali, orando na presença do Pai, o rosto dele mudou (Lucas 9:29).

O Lucado pergunta: e nós, nos preparamos para adorar?

Ou só levantamos da cama, nos arrumamos correndo e chegamos atrasados ao culto?

Ele faz uma comparação: se você fosse convidado para tomar café da manhã com o presidente no domingo, como seria o seu sábado à noite?

Você dormiria cedo. Pensaria no que dizer. Escolheria a roupa.

E para encontrar o Deus santo, nem pensamos no assunto.

O Lucado dá conselhos muito simples.

Ore antes de chegar, para estar pronto para orar quando chegar.

Durma antes de vir, para estar acordado quando vier.

Leia a Palavra antes, para que o coração chegue macio.

E chegue perguntando, já na porta: “Posso ver o piloto hoje?”

c) Adorar é aumentar a nossa visão de Deus

O que é adorar, afinal?

O Lucado gosta da definição de Davi: “Engrandecei ao SENHOR comigo, e juntos exaltemos o seu nome” (Salmo 34:3, Bíblia Livre).

Engrandecer.

Deus não fica maior quando adoramos.

Quem cresce é a nossa visão dele.

Quanto mais perto chegamos, maior ele parece.

E não é disso que precisamos?

Temos problemas grandes, preocupações grandes, perguntas grandes.

Precisamos de uma visão grande de Deus.

E é aí que o rosto muda.

Voltem ao versículo que lemos na primeira noite: “E todos nós, com o rosto descoberto, refletindo como que um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória” (2 Coríntios 3:18, Bíblia Livre).

Moisés desceu do monte com o rosto brilhando, depois de falar com Deus (Êxodo 34:29).

Estêvão, diante de quem ia apedrejá-lo, tinha o rosto como o de um anjo (Atos 6:15).

O Lucado diz que Deus adora mudar o rosto dos filhos dele.

Apaga as rugas de preocupação, solta a mandíbula apertada, transforma lágrima de desespero em lágrima de paz.

E ele faz questão de dizer: essa mudança é obra de Deus.

Ninguém precisa fabricar uma cara de santo.

A nossa parte é chegar com o coração preparado e deixar ele trabalhar.

d) A adoração é contagiante

E há mais.

Quando adoramos de verdade, o rosto dos outros também muda.

Vocês se lembram do menino no avião? O Lucado diz que a empolgação dele deu vontade de ver o piloto também.

E ele conta uma história que vai fazer sentido para nós.

Quando morou no Rio de Janeiro, a casa dele ficava perto do Maracanã.

Toda semana o estádio enchia de torcedor gritando.

No começo ele não ligava para futebol.

Mas a empolgação daquela gente era tão contagiante que ele quis ver de perto.

Quando foi embora do Brasil, era um torcedor convertido.

[Espaço para uma brincadeira sobre o time de alguém do grupo, se couber.]

Paulo diz que, quando a igreja reunida fala a Palavra de um jeito que todos entendem, quem chega de fora também adora a Deus, “reconhecendo publicamente que Deus está entre vós” (1 Coríntios 14:25, Bíblia Livre).

E o Salmo 40:3 diz que, quando Deus coloca uma canção nova na nossa boca, muitos vão ver, temer e confiar no Senhor.

O amigo que você trouxe para este retiro está olhando para o seu rosto quando você adora.

O que ele vê?

Alguém que quer ver o piloto, ou alguém olhando o relógio?

3. Enxergue com os olhos dele (cerca de 11 min)

Hebreus diz que Jesus “suportou a cruz”.

E antes da cruz houve uma noite que o Lucado chama de a noite mais escura da história.

A noite do Getsêmani.

O capítulo 10 do livro fala dessa noite, e tem um título curioso: “Encontre ouro no lixo”.

a) Ouro no lixo

O Lucado conta do arqueólogo americano William Rathje, doutor por Harvard, que passou a vida escavando lixões.

No Projeto Lixo (Garbage Project), da Universidade do Arizona, ele estudava o lixo para entender como as pessoas viviam: o que comiam, o que vestiam, quanto ganhavam.

Achou coisas incríveis no meio do lixo, até jornais de décadas atrás ainda legíveis.

E na parede do escritório dele havia uma manchete emoldurada: “Ouro no lixo.”

O Lucado diz que Jesus fez isso na pior noite da vida dele.

Achou ouro no meio do lixo.

b) A pior noite

Pense no que Jesus passou no Getsêmani.

Primeiro, uma oração sem resposta.

Ele orou em agonia, a ponto de o suor cair como gotas de sangue (Lucas 22:44). Pediu que, se fosse possível, aquele cálice passasse (Mateus 26:39).

O Lucado escreve: “Jamais a terra ofereceu uma petição mais urgente. Jamais o céu ofereceu um silêncio mais ensurdecedor.”

Depois, um serviço que parecia não ter dado fruto.

Três anos curando, ensinando, alimentando multidões, e chega uma tropa armada para prender ele. Ninguém na multidão grita “esse homem é inocente”.

E, por fim, a traição.

Todos os discípulos tinham garantido que nunca iam negar Jesus, nem que precisassem morrer com ele (Mateus 26:35).

E Mateus registra, poucos versículos depois: “Então todos os discípulos o abandonaram, e fugiram” (Mateus 26:56, Bíblia Livre).

Oração sem resposta. Trabalho sem resultado. Amigos que somem.

Talvez alguém aqui esteja vivendo uma dessas três agora.

c) O que Jesus viu

E o que Jesus enxergou no meio desse lixo?

Primeiro, ele enxergou o bem no meio do mal.

Quando Judas chega com o beijo da traição, Jesus diz: “Amigo, para que vieste?” (Mateus 26:50, Bíblia Livre).

Amigo.

O homem que tinha vendido ele por trinta moedas de prata.

Depois, ele enxergou um propósito na dor.

Naquela noite, Jesus repetiu que tudo estava acontecendo para que se cumprissem as Escrituras (Mateus 26:54, 56). Nada estava fora do plano.

E, por fim, ele enxergou a presença do Pai no problema:

“Ou, por acaso, pensas tu que eu não posso orar ao meu Pai, e ele me daria agora mais de doze legiões de anjos?” (Mateus 26:53, Bíblia Livre)

Os discípulos viam soldados. Jesus via o Pai.

O Lucado resume: “Como viu o que os outros não viam, encontrou o que os outros perderam.”

E diz que Jesus não fingia que o lixo não existia: “Não estava alheio ao lixo; simplesmente não estava limitado por ele.”

d) Senhor, abre os meus olhos

Há uma história no Antigo Testamento que mostra isso.

O profeta Eliseu estava cercado por um exército inimigo, e o servo dele entrou em pânico.

“E orou Eliseu, e disse: Rogo-te, ó SENHOR, que abras seus olhos para que veja. Então o SENHOR abriu os olhos do jovem, e olhou; e eis que o monte estava cheio de cavaleiros, e de carros de fogo ao redor de Eliseu.”

(2 Reis 6:17, Bíblia Livre)

O exército continuava lá. O que mudou foi o que o jovem enxergava.

O Lucado conta uma experiência dele.

Ele estava num voo com a filha, e o voo atrasou por causa de uma tempestade. Desviaram a rota, ficaram parados na pista, e ele olhando o relógio, impaciente.

Um homem do outro lado do corredor pediu a Bíblia dele emprestada e passou o resto da viagem lendo com a moça sentada ao lado.

No fim, devolveu a Bíblia e explicou: era o primeiro voo daquela moça. Ela tinha acabado de se alistar no exército e estava saindo de casa pela primeira vez. Queria crer, mas não sabia como.

Antes de pousar, ela disse que cria em Jesus como Filho de Deus.

O Lucado se pergunta se Deus mandou aquela tempestade só por causa dela.

E responde: “Eu não descartaria a hipótese.”

Deus não promete tirar você de toda luta.

Mas ele pode mudar o jeito como você enxerga a luta.

O Lucado escreve: “A solução não está em evadir o problema, mas em mudar a forma em que vemos nossos problemas.”

Talvez a oração de alguém aqui hoje seja a de Eliseu.

Senhor, abre os meus olhos.

4. Corra leve até o fim (cerca de 13 min)

Voltemos a Hebreus 12.

Com os olhos em Jesus, o texto diz como correr.

a) Sem peso

“Deixemos toda sobrecarga, e o pecado que facilmente nos envolve.”

O autor fala de duas coisas: o pecado e a sobrecarga, que em grego é ónkos, volume, peso.

O pecado “que facilmente nos envolve” é, em grego, euperístatos: o que fica bem em volta e se enrosca com facilidade, como uma roupa comprida que prende nas pernas de quem corre.

Cada um de nós sabe qual é o seu, e já escreveu no papel da primeira noite.

Só que nem todo peso é pecado. Muitas vezes é uma coisa boa, mas pesada demais para quem está correndo.

Uma agenda tão cheia que não sobra madrugada para orar.

Um relacionamento que puxa você para trás.

Horas de celular que não são pecado, mas roubam o fôlego.

Ninguém corre maratona de mochila nas costas.

b) Com companhia

“Posto que estamos rodeados por uma tão grande nuvem de testemunhas.”

O autor imagina um estádio. Na arquibancada, todos aqueles do capítulo 11, gente que já terminou a corrida.

O Lucado conta que, numa corrida beneficente de cinco quilômetros, saiu rápido demais e logo ficou sem fôlego.

Pessoas que ele nunca tinha visto deram água, molharam ele com a mangueira, gritaram para ele continuar.

E ele continuou.

A arquibancada de Hebreus 11 está gritando para você continuar.

E quem está sentado ao seu lado neste retiro também está na corrida com você.

Olhem para a pessoa ao lado e digam: “Eu vou correr com você.”

c) Com a alegria do fim diante dos olhos

“Ele, pela alegria que lhe estava proposta, suportou a cruz, desprezando a humilhação.”

Jesus correu essa corrida antes de nós.

E ele teve muitos motivos para parar.

Quarenta dias de tentação no deserto.

Gente da própria cidade tentando jogar ele de um precipício (Lucas 4:29).

Acusações de ser mentiroso, de estar endemoninhado.

E no fim, a cruz.

A palavra que a Bíblia Livre traduz por “humilhação” é, em grego, aischýnē: a vergonha pública, ser exposto na frente de todo mundo.

Ele nunca fez nada vergonhoso, mas carregou a vergonha de todos nós.

E não parou.

Como?

“Pela alegria que lhe estava proposta.”

Jesus olhou além da cruz.

Ele sabia o que vinha depois: a ressurreição, o trono, e aquilo que vimos em Romanos 8:29 na primeira noite, uma família inteira de irmãos parecidos com ele.

Nós éramos parte da alegria que ele via.

O Lucado tem um capítulo inteiro sobre essa alegria. O título é “Quando o céu celebra”.

Ele lembra que, em Lucas 15, Jesus conta três histórias seguidas: a ovelha perdida, a moeda perdida e o filho que voltou para casa, o mesmo da nossa primeira noite.

E as três terminam em festa.

“Assim vos digo, que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lucas 15:10, Bíblia Livre).

O Lucado observa que a Bíblia não fala de festa no céu por formatura, nem por emprego novo, nem por casamento.

O céu interrompe tudo para comemorar quando alguém volta para casa.

E por que tanta alegria?

Porque o céu sabe o que espera essa pessoa.

“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não está manifesto o que seremos. Porém sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é.”

(1 João 3:2, Bíblia Livre)

Repararam?

O retiro inteiro está nesse versículo.

Aqui, olhando para ele, vamos ficando parecidos com ele aos poucos, de glória em glória.

Lá, quando virmos Jesus como ele é, seremos semelhantes a ele por completo.

O Lucado diz: “Você será a obra magna de Deus, sua obra de arte.”

Ele também conta que, toda vez que termina de escrever um livro, faz um pequeno ritual.

Primeiro, fica um tempo quieto diante de Deus, só aproveitando a alegria de ter terminado.

Depois, vai comer. E durante a refeição inteira só se permite pensar numa coisa: terminei.

E ele diz que, nessa mesa, entende um pouco de onde Jesus tirou força.

Jesus olhou para a frente e viu uma mesa.

Uma mesa posta, no fim da corrida, com todos os seus sentados ao redor, e uma frase dita a cada um:

“Muito bem, servo bom e fiel! Sobre o pouco foste fiel, sobre o muito te porei; entra na alegria do teu senhor” (Mateus 25:23, Bíblia Livre).

Quando a corrida cansar, olhe para essa mesa.

É isso que o versículo 3 manda: “Considerai, pois, aquele que suportou… para que não fiqueis exaustos.”

O verbo grego, analogízomai, quer dizer pensar com calma, fazer as contas.

Paulo, no fim da vida, conseguiu escrever: “Lutei a boa luta, terminei a carreira, guardei a fé” (2 Timóteo 4:7, Bíblia Livre).

Tomara que um dia cada um de nós possa dizer o mesmo.

d) Ninguém fica de fora da festa

E há uma última coisa sobre essa festa.

O Lucado conta que, num aniversário dele, só queria um jantar tranquilo com a família.

Mais perto da hora, nem isso. Estava cansado, tinha passado a tarde vendo futebol, queria ficar em casa.

As filhas não deixaram. Insistiram que ele tinha de sair, e no horário.

Ele enrolou, perguntou qual era a pressa, e uma delas ria o caminho inteiro.

Quando ele entrou no restaurante, uma dúzia de famílias gritou: “Surpresa!”

As filhas sabiam de uma festa que ele não sabia. E fizeram tudo para que ele não ficasse de fora.

E o Lucado diz: Jesus faz a mesma coisa por nós. Ele sabe da festa.

E quer que olhemos para as pessoas do mesmo jeito.

Ele lembra que, quando o Titanic afundou, a lista que pregaram em terra tinha só duas colunas: salvos e perdidos.

Não havia coluna para rico, para bonito, para diploma.

E ele escreve: “Toda pessoa com quem você cruzar tem recebido um convite para o jantar.”

O colega de faculdade. O vizinho. O amigo que veio pela primeira vez a este retiro.

Todos têm um lugar reservado na mesa.

Então, quando alguém disser sim a Jesus, comemore como o céu comemora.

E quando alguém estiver enrolando, faça como as filhas do Lucado: insista com carinho, porque você sabe da festa.

Conclusão (cerca de 5 min)

Voltemos à bicicleta.

Vocês se lembram do momento em que quem segurava o banco solta?

Amanhã o retiro acaba.

Este lugar fica para trás, a programação termina, e cada um volta para a sua casa, para o seu trabalho, para a sua faculdade.

É como se alguém soltasse o banco.

Só que com Jesus é diferente.

Ele é o aperfeiçoador da fé, aquele que leva até o fim, e ele não solta.

O retiro termina, a corrida continua, e ele continua ao seu lado.

Quando a quarta-feira chegar e o coração esfriar?

Olhos nele.

Quando você cair de novo no mesmo buraco?

Olhos nele.

Quando o culto parecer só mais um culto?

Olhos nele.

Quando o cansaço disser que não vale a pena?

Olhos nele.

O Lucado termina o livro do mesmo jeito que começou.

Com a frase da nossa primeira noite.

Deus ama você do jeito que você é, mas se recusa a deixar você desse jeito. Ele quer que você seja simplesmente como Jesus.

E ele pergunta: dá para imaginar um presente maior do que ser parecido com Jesus?

Jesus não carregava culpa, e Deus quer tirar a sua.

Jesus não tinha medo da morte, e Deus quer tirar o seu.

Jesus tinha bondade com os doentes, misericórdia com os rebeldes e coragem para defender o que era certo, e Deus quer que você tenha o mesmo.

Digam comigo:

“Jesus começou a minha fé.

Jesus vai terminar a minha corrida.”

Momento de resposta (sugestão)

[Ter na frente uma caixa e, se possível, uma cruz simples. Os papéis serão descartados pela liderança sem ser lidos.]

Peguem o papel que vocês guardaram na Bíblia na primeira noite.

De um lado está a terra no seu joelho.

Do outro, o versículo que segurou você no tempo a sós.

Primeiro, copie esse versículo na primeira página da sua Bíblia. Ele vai com você.

Depois, leia de novo, em silêncio, o que você escreveu do outro lado.

Esse é o peso que você não precisa levar para casa.

Quando estiver pronto, rasgue o papel e deixe na caixa aqui na frente.

Ninguém vai ler.

Se o que você escreveu for pesado demais para carregar sozinho, me procure ou procure um líder ainda hoje.

Depois, encontre alguém do grupo e orem um pelo outro, por um minuto, pela corrida desta semana.

[Se houver louvor depois, este é um bom momento: cantar olhando para Jesus, como o menino que quis ver o piloto.]

Oração final e bênção

Senhor Jesus, autor e aperfeiçoador da nossa fé,

obrigado porque começaste a obra em nós e prometeste terminá-la.

Não queremos só o remédio. Queremos o Médico.

Não queremos só um bom culto. Queremos ver o teu rosto.

Tira de nós todo peso e o pecado que tão facilmente nos envolve.

Quando cansarmos, lembra-nos de ti.

Quando cairmos, estende a tua mão, como estendeste a Pedro.

Quando a noite for escura, abre os nossos olhos, como abriste os olhos do servo de Eliseu.

E dá-nos a tua alegria pelos que ainda não sabem da festa.

E fixa os nossos olhos em ti até o fim da corrida.

Amém.

[Bênção com as mãos estendidas sobre o grupo.]

“O Deus da paz, que, pelo sangue do Testamento eterno, voltou a trazer dentre os mortos o grande Pastor das ovelhas, o nosso Senhor Jesus, vos aperfeiçoe em todo bem, para fazerdes a sua vontade, operando em nós o que é agradável diante dele, por meio de Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amém!”

(Hebreus 13:20-21, Bíblia Livre)

140pal/min