
SermõesRetiro de jovens: Simplesmente como Jesus3 de 5
Andando com o Pai (Marcos 1:32-38)
Retiro de jovens Simplesmente como Jesus · Pregação 2
Neste texto
- Abertura (cerca de 5 min)
- A imagem (cerca de 4 min)
- Leitura (cerca de 4 min)
- 1. Ele começava o dia com o Pai (cerca de 11 min)
- a) Quanto mais cheio o dia, mais cedo a madrugada
- b) Ninguém pode estar com Deus por você
- c) Simples, todo dia
- 2. Ele escutava o Pai antes de agir (cerca de 10 min)
- a) O tradutor do Pai
- b) Um tradutor fiel
- c) Ouvindo o que os outros não ouviam
- d) Qual voz tem a palavra final
- 3. Ele sabia para que tinha vindo (cerca de 10 min)
- a) Ótimas tacadas na direção errada
- b) O farol que apagou
- c) Quatro perguntas para quem quer acertar o buraco
- 4. Ele permanecia no Pai o dia inteiro (cerca de 15 min)
- a) Um homem que resolveu tentar
- b) Quatro retratos de perto
- c) Na prática, como é isso?
- d) Guardar a porta da mente
- Conclusão (cerca de 4 min)
- Momento de resposta (sugestão)
- Oração final
Textos: Marcos 1:32-38; João 15:4-5 · Duração: cerca de 60 minutos · Base: os capítulos 4 (“Ouça a música divina”), 5 (“Deixe-se guiar por uma mão invisível”), 7 (“Jogos de golfe e talos de aipo”), 8 (“Nada mais que a verdade”) e 9 (“A estufa da mente”) de Simplesmente como Jesus, de Max Lucado
Abertura (cerca de 5 min)
Que bom estarmos juntos de novo.
Ontem à noite terminamos com uma frase.
Quem lembra?
[Deixar a plateia responder.]
“Deus me ama do jeito que eu sou. Deus não vai me deixar do jeito que eu estou.”
E vimos que quem faz essa mudança não está longe.
Cristo vive em nós. Ele mora dentro de casa.
Hoje de manhã, no devocional, demos a Deus os primeiros minutos do dia, e saímos com outra frase.
“Hoje eu pertenço a ti.”
Agora eu quero dar um passo além.
Se Deus mora em nós, dá para viver com ele o dia inteiro?
Não só nos primeiros minutos da manhã, nem só no culto de domingo, mas na fila do banco, no ônibus, no trabalho, na faculdade?
O capítulo 5 do livro do Lucado começa com uma frase que eu quero que vocês guardem com carinho:
“É um dia verdadeiramente maravilhoso quando deixamos de trabalhar para Deus e começamos a trabalhar com Deus.”
Ele conta que durante anos enxergou Deus como o gerente de uma empresa.
Um gerente bondoso, mas que ficava no escritório.
E ele era o vendedor, que saía para a rua sozinho.
Quando precisava, ligava para o chefe. Mandava relatório. Pedia ajuda.
Mas o chefe nunca ia junto.
Até que ele leu que somos “trabalhadores conjuntamente com ele” (2 Coríntios 6:1, Bíblia Livre).
Paulo diz o mesmo em outra carta: “somos cooperadores de Deus” (1 Coríntios 3:9, Bíblia Livre).
Ou seja, trabalhamos junto com ele.
Ele não fica no escritório esperando o relatório. Ele vai conosco para a rua.
Confesso que muitas vezes eu vivo como esse vendedor.
Oro de manhã, às vezes, e depois saio sozinho para o resto do dia.
Hoje eu quero olhar para Jesus, que vivia exatamente o contrário.
A imagem (cerca de 4 min)
Pense na sua casa.
Você está no quarto, de porta fechada, fone no ouvido, música alta.
E lá da cozinha alguém chama o seu nome.
Você escuta.
No meio da música, com a porta fechada, você escuta.
E não só escuta o nome.
Você reconhece a voz.
E reconhece até o tom.
Você sabe a diferença entre o “vem almoçar” e o “vem aqui agora”.
Ninguém precisou ensinar isso.
Como é que você sabe?
Porque passou anos convivendo com essa voz.
Ouviu essa voz de manhã e de noite, brava, carinhosa, cansada.
Agora imagine alguém que fala com você uma vez por semana, durante uma hora.
Você reconheceria a voz dessa pessoa do outro lado da casa, com fone no ouvido?
Dificilmente.
A voz que reconhecemos é a voz com que convivemos.
Jesus disse:
“Minhas ovelhas ouvem minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem” (João 10:27, Bíblia Livre).
As ovelhas reconhecem a voz do pastor não porque estudaram sobre ela, mas porque passam o dia inteiro perto dele.
Leitura (cerca de 4 min)
Abram comigo em Marcos 1. Vamos ler do 32 ao 38.
“Ao entardecer, quando o sol já se punha, trouxeram-lhe todos os doentes e endemoninhados; e toda a cidade se juntou à porta. Ele curou muitos que se achavam mal de diversas enfermidades, e expulsou muitos demônios. Ele não deixava os demônios falarem, porque o conheciam. De madrugada, ainda escuro, ele se levantou para sair, foi a um lugar deserto, e ali esteve a orar. Simão e os que estavam com ele o seguiram. Quando o acharam, disseram-lhe: Todos estão te procurando. Jesus lhes respondeu: Vamos para as aldeias vizinhas, para que eu também pregue ali, pois vim para isso.”
(Marcos 1:32-38, Bíblia Livre)
Repare no que aconteceu na noite anterior.
A cidade inteira na porta.
Doentes sendo curados, pessoas sendo libertas, até depois do pôr do sol.
Se fosse hoje, aquela noite teria viralizado.
E o que Jesus faz na manhã seguinte?
Levanta de madrugada, antes de todo mundo, e vai para um lugar deserto orar.
Esse texto mostra quatro coisas sobre o jeito de Jesus andar com o Pai.
Ele começava o dia com o Pai.
Ele escutava o Pai antes de agir.
Ele sabia para que tinha vindo.
E ele permanecia no Pai o dia inteiro.
1. Ele começava o dia com o Pai (cerca de 11 min)
a) Quanto mais cheio o dia, mais cedo a madrugada
O normal seria o contrário.
Depois de uma noite daquelas, qualquer um de nós dormiria até mais tarde.
Jesus fez o oposto.
E não foi uma vez só. Lucas conta:
“Porém ele se retirava para os desertos, e ali orava” (Lucas 5:16, Bíblia Livre).
O verbo, no grego, dá a ideia de costume. Era um hábito.
O Lucado faz uma pergunta simples sobre isso: se o próprio Filho de Deus, sem pecado nenhum, achou que precisava separar tempo para orar, quem somos nós para achar que não precisamos?
Confesso que eu faço o caminho inverso muitas vezes.
Quando a semana aperta, a primeira coisa que eu corto é o tempo com Deus.
Jesus fazia o contrário: quanto mais apertava, mais ele buscava o Pai.
b) Ninguém pode estar com Deus por você
O Lucado aponta uma armadilha muito comum na igreja.
Nós terceirizamos a presença de Deus.
O pastor passa tempo com Deus e me conta no domingo.
O livro cristão passa tempo com Deus e me entrega o resumo.
O vídeo de quinze minutos passa tempo com Deus por mim enquanto eu lavo a louça.
Ele chama isso de espiritualidade emprestada, de segunda mão.
E lembra que não fazemos isso com mais nada importante na vida.
Ninguém manda outra pessoa tirar férias no lugar dele e depois pede as fotos.
Ninguém contrata alguém para namorar por ele e depois pede o resumo do encontro.
Ninguém paga alguém para comer no lugar dele.
Algumas coisas ninguém pode fazer por você.
E estar com Deus é uma delas.
Isso vale especialmente para quem cresceu na igreja.
Muitos de nós aprendemos a fé com os nossos pais, e isso é uma bênção enorme.
Só que a fé dos pais não substitui a sua.
Chega uma hora em que Deus quer falar com você, e não só com eles a seu respeito.
c) Simples, todo dia
Na prática, o Lucado sugere coisas muito simples.
Um tempo e um lugar.
Pode ser de manhã, como Jesus. Pode ser à noite. Pode ser no ônibus, a caminho da faculdade.
O importante é que tenha hora marcada, como qualquer compromisso que levamos a sério.
E uma Bíblia aberta.
O Lucado diz para ler pouco e com atenção, até um versículo segurar você.
Ele conta que, na manhã em que escreveu esse capítulo, estava lendo Mateus 18 e parou no versículo 4, que fala de quem se torna humilde como uma criança.
Não leu mais nada.
Copiou o versículo e passou o dia perguntando a Deus: como eu posso ser mais como uma criança?
No fim do dia, Deus tinha mostrado a ele a pressa e a ansiedade com que ele vivia.
Um versículo, o dia inteiro.
Pouco, todo dia, vale mais do que muito, de vez em quando.
E não desanime se num dia parecer que nada aconteceu.
O Lucado conta de uma menina que voltou do primeiro dia de aula, e a mãe perguntou o que ela tinha aprendido.
Ela disse:
— Acho que nada. Vou ter que voltar amanhã, e depois de amanhã, e todos os dias.
Com Deus é assim. Aprendemos um pouco por dia, a vida inteira.
E o que fazemos com o que aprendemos?
Tiago responde:
“Sede praticantes da palavra, e não somente ouvintes, enganando a vós mesmos” (Tiago 1:22, Bíblia Livre).
O Lucado tem uma frase que me pegou: sabemos que estamos escutando Deus quando o que lemos na Bíblia é o que os outros veem na nossa vida.
2. Ele escutava o Pai antes de agir (cerca de 10 min)
Agora olhe o que acontece quando os discípulos encontram Jesus.
“Todos estão te procurando.”
Ou seja: volta, a cidade está esperando, o sucesso está lá.
E Jesus responde: “Vamos para as aldeias vizinhas”.
A multidão tinha um plano para Jesus. Os discípulos também.
E o plano parecia ótimo. Muita gente, muita cura, muito resultado.
Só que Jesus voltou daquela madrugada com outra direção.
a) O tradutor do Pai
Ele mesmo explica de onde vinham as decisões dele, em João 5:
“Em verdade, em verdade vos digo: o Filho não pode fazer nada por si mesmo, a não ser aquilo que vê o Pai fazer; porque tudo o que ele faz, o Filho também faz do mesmo modo.”
(João 5:19, tradução livre do grego)
“Eu não posso fazer nada por mim mesmo; julgo conforme ouço” (João 5:30, tradução livre do grego).
O Lucado usa uma imagem que eu achei muito boa, e que tem a ver com o Brasil.
Ele morou aqui no Brasil como missionário, e algumas vezes serviu de intérprete para pregadores que falavam em inglês.
Ele conta que o trabalho do intérprete é deixar as palavras do outro passarem por ele.
Não pode enfeitar, nem cortar.
Quando o pregador levantava a voz, ele levantava.
Quando o pregador fazia um gesto, ele fazia.
Quando o pregador ficava em silêncio, ele ficava.
E o Lucado diz que Jesus vivia assim: traduzindo o Pai.
Quando o Pai falava, Jesus falava.
Quando o Pai agia, Jesus agia.
Quando o Pai esperava, Jesus esperava.
Talvez alguns de vocês entendam isso melhor do que eu.
Quem cresceu traduzindo os pais no banco, no médico, na escola, sabe o que é ficar atento a cada palavra de outra pessoa para passar adiante do jeito certo.
Jesus vivia atento assim ao Pai.
b) Um tradutor fiel
E todo tradutor tem uma regra: não pode inventar.
O Lucado tem um capítulo inteiro sobre isso, chamado “Nada mais que a verdade”.
Ele fala da testemunha no tribunal, que jura dizer a verdade, somente a verdade, e nada mais que a verdade.
O trabalho dela não é aumentar nem diminuir, mas contar o que viu.
E ele diz que o cristão é uma testemunha que nunca sai da cadeira. O tribunal está sempre em sessão.
Isaías, falando de Jesus, diz que “nem houve engano em sua boca” (Isaías 53:9, Bíblia Livre).
O tradutor do Pai nunca distorceu a mensagem.
O Lucado conta de um time de futebol americano em que um jogador era responsável por levar para o campo a jogada que o treinador escolhia.
Se o treinador pedisse passe e ele mandasse chutar, o treinador nunca mais usaria aquele jogador.
Um mensageiro que muda a mensagem perde a função.
Por isso ele escreve: “Para o cristão, o engano nunca é uma opção.”
E faz uma observação que todo mundo aqui já viu acontecer: é mais fácil contar a segunda mentira do que a primeira.
A mentirinha para cobrir o atraso, a versão editada da vida no Instagram, o “já estou chegando” de quem nem saiu de casa.
O Lucado diz que a mentira de hoje vira uma onda amanhã e um tsunami no ano que vem.
Quem anda com o Pai vai ficando parecido com o Filho, e o Filho fala a verdade.
c) Ouvindo o que os outros não ouviam
O Lucado conta mais uma cena.
Ele estava num avião, num voo turbulento, cheio de solavancos.
E alguém atrás dele não parava de rir.
Ria alto, sozinho, no meio da turbulência.
Quando ele virou para ver o que era, o homem estava de fone de ouvido, assistindo a uma comédia.
Ele ouvia uma coisa que ninguém mais ouvia. Por isso reagia diferente de todo mundo.
Jesus era assim.
Quando todos procuravam um culpado pela cegueira do homem que nasceu cego, Jesus disse que aquilo ia mostrar as obras de Deus (João 9:3).
Quando todos se desesperaram com a doença de Lázaro, Jesus disse que aquela doença não era para morte, mas para glória de Deus (João 11:4).
Na tempestade, os discípulos gritavam, e Jesus dormia (Marcos 4:38).
Ele ouvia o Pai no meio do barulho, e por isso tinha paz no meio da tempestade.
d) Qual voz tem a palavra final
O Lucado lembra um homem que fez exatamente o contrário: Pilatos.
A mulher dele avisou (Mateus 27:19).
A consciência dele avisou.
O próprio Jesus falou com ele, cara a cara.
E Lucas resume a cena dizendo que os gritos da multidão prevaleceram (Lucas 23:23).
Pilatos ouviu muitas vozes naquele dia, e obedeceu à que gritava mais alto.
Quais são as vozes que gritam na sua vida hoje?
A expectativa da família sobre a sua carreira.
O que os seus amigos vão pensar.
O medo de ficar para trás.
O algoritmo que mostra a vida dos outros o dia inteiro.
Algumas dessas vozes até têm razão em parte.
Ouvir os pais, por exemplo, é bíblico, e é sábio.
Só que a pergunta é qual voz tem a palavra final.
Na faculdade que você vai escolher.
No namoro que você vai começar ou terminar.
No emprego que você vai aceitar.
Antes de decidir, você tem parado para escutar o Pai?
3. Ele sabia para que tinha vindo (cerca de 10 min)
Voltemos a Marcos 1:38.
Repare no fim da frase de Jesus: “pois vim para isso”.
Jesus podia ter sido muita coisa.
Um curandeiro famoso. Um líder político. Um grande mestre de escola.
A multidão queria qualquer uma dessas versões.
Mas ele sabia para que tinha vindo. Ele mesmo resumiu:
“Porque também não veio o Filho do homem para ser servido, mas para servir, e dar sua vida em resgate por muitos” (Marcos 10:45, Bíblia Livre).
O Lucado chama isso de um coração bem focado.
E é por isso que, na cruz, Jesus pôde dizer: “Está consumado” (João 19:30, Bíblia Livre).
Ele terminou exatamente aquilo que veio fazer.
a) Ótimas tacadas na direção errada
O Lucado conta uma história engraçada sobre isso.
Ele estava jogando golfe com uns amigos pastores, apostando um refrigerante.
Olhou para o próximo buraco e reclamou: muito longe, muito estreito, um monte de árvore no caminho.
Ninguém respondeu. Ele achou que era inveja.
E deu uma tacada perfeita, por cima das árvores, pela esquerda.
Todos os outros jogaram pela direita.
Ele achou a bola no meio do mato, fez outra tacada perfeita, colocou a bola perto do buraco e até fez pose de campeonato na televisão.
Só que, chegando lá, viu uns jogadores que ele não conhecia.
Ele tinha jogado no buraco errado.
Os resmungos dos amigos não eram de inveja, mas de pena.
E ele resume: “O golfe já é difícil por si. É muito mais difícil quando se joga na direção errada.”
A vida também.
Dá para fazer coisas excelentes na direção errada.
Boa nota, bom emprego, bom currículo, e o buraco errado.
b) O farol que apagou
E o Lucado conta outra história.
Um homem cuidava de um farol numa costa cheia de pedras.
Uma vez por mês ele recebia óleo para manter a luz acesa.
Como morava perto de uma vila, os vizinhos começaram a pedir.
Um precisava de óleo para aquecer a casa. Outro, para uma lâmpada. Outro, para lubrificar uma roda.
Todos os pedidos eram justos, e ele atendeu a todos.
No fim do mês o óleo acabou, o farol apagou, e muitos navios bateram nas pedras.
Os superiores dele disseram: o óleo foi entregue a você por uma única razão. Manter o farol aceso.
O Lucado diz que “facilmente nos distraímos por coisas pequenas e esquecemos das grandes”.
E eu acho que isso tem tudo a ver com a primeira parte desta mensagem.
O óleo do farol é o nosso tempo com o Pai.
Ninguém apaga a luz de uma vez. Vamos dando o óleo para coisas boas, uma por uma, até não sobrar nada para a luz.
c) Quatro perguntas para quem quer acertar o buraco
E como saber para que eu vim?
O Lucado propõe quatro perguntas, e elas servem muito para quem está escolhendo faculdade, carreira, rumo de vida.
Primeira: estou encaixado no plano de Deus?
O plano de Deus é salvar pessoas, e Paulo diz que somos embaixadores de Cristo (2 Coríntios 5:20). Seja qual for a profissão, a pergunta é se ela cabe nesse plano.
Segunda: quais são os meus desejos?
“Agrada-te no SENHOR; e ele te dará os pedidos de teu coração” (Salmo 37:4, Bíblia Livre).
O Lucado diz uma coisa que me aliviou: “Deus tem demasiada graça para pedir que faça algo que você detesta.”
E completa: o nosso lugar está no cruzamento entre o plano de Deus e aquilo que nos dá alegria.
Terceira: quais são as minhas capacidades?
“Pois nós fomos feitos por ele, criados em Cristo Jesus para as boas obras, que Deus preparou para que nelas andássemos” (Efésios 2:10, Bíblia Livre).
Você foi feito sob medida. Descubra no que você é bom e invista nisso.
E a quarta, que é a mais prática de todas: estou servindo a Deus agora?
O Lucado lembra que Jesus, com doze anos, já sabia que era o Filho de Deus. Disse no templo que devia estar nos negócios do Pai (Lucas 2:49).
E depois disso voltou para casa e foi aprender o ofício da família (Lucas 2:51; Marcos 6:3).
“Seu primeiro campo missionário está sob seu teto”, ele escreve.
Talvez você ainda não saiba qual é a sua profissão, nem o seu ministério.
Mas sabe onde está hoje.
“Tudo quanto fizerdes, fazei de coração, como para o Senhor, e não para as pessoas” (Colossenses 3:23, Bíblia Livre).
Na sala de aula, no estágio, na mesa de jantar com a sua família.
É aí que o farol fica aceso.
4. Ele permanecia no Pai o dia inteiro (cerca de 15 min)
E aqui chegamos ao centro desta mensagem.
A relação de Jesus com o Pai não cabia num horário da manhã.
Ele disse: “Crede em mim que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim” (João 14:11, Bíblia Livre).
A madrugada de oração era o começo de um dia inteiro de mãos dadas com o Pai.
E é isso que ele nos oferece.
a) Um homem que resolveu tentar
O Lucado conta a história de um homem chamado Frank Laubach.
Ele nasceu nos Estados Unidos em 1884 e foi missionário nas Filipinas.
Em Lanao, na ilha de Mindanao, viveu entre os maranaos, um povo muçulmano.
Ali criou um método para ensinar adultos a ler, conhecido como “cada um ensina um”.
Depois, o método foi levado a dezenas de países.
Um homem ocupado, viajando, cheio de trabalho.
Só que, aos quarenta e cinco anos, ele estava insatisfeito com a própria vida espiritual.
E fez uma pergunta numa das cartas que escrevia ao pai: será que dá para viver em contato com Deus o tempo todo?
O tempo todo acordado, dormir nos braços dele, acordar na presença dele?
E decidiu fazer do resto da vida uma experiência para responder a essa pergunta.
Essas cartas viraram livro, Letters by a Modern Mystic. O Lucado transcreve trechos delas, e eu quero ler alguns.
No começo de 1930 ele escreveu que sentia Deus em cada movimento, pedindo que Deus guiasse até os dedos que batiam na máquina de escrever.
Alguns meses depois, escreveu que estava crescendo nele a sensação de ser conduzido por uma mão invisível, que segurava a dele enquanto outra mão preparava o caminho.
Ele confessou que no começo era cansativo, e que não conseguia manter isso nem por meio dia.
Mas depois escreveu isto, e eu vou ler do jeito que o Lucado traz:
“Penso mais claramente, e me esqueço com menos frequência. […] Não me preocupo por nada, nem perco o sono. […] Nada pode dar errado, exceto uma coisa: que Deus possa sair de minha mente.”
Nada pode dar errado, exceto uma coisa.
Que Deus saia da minha cabeça.
O Lucado pergunta: isso é exagero? É coisa de fanático?
E responde: seja qual for a sua opinião sobre o Laubach, Jesus vivia assim. E se queremos ser como Jesus, é para isso que somos chamados.
b) Quatro retratos de perto
E para mostrar como Deus quer estar perto, a Bíblia usa quatro retratos. O Lucado passa por eles um a um.
O primeiro é a videira.
“Estai em mim, e eu em vós; como o ramo de si mesmo não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim vós também não, se não estiverdes em mim. Eu sou a videira, vós sois os ramos; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.”
(João 15:4-5, Bíblia Livre)
No grego, esse “estar” é o verbo menō, que quer dizer permanecer, ficar morando.
O Lucado lembra que nenhum agricultor guarda os galhos numa caixa e os cola na videira no dia em que quer uva.
O galho vive ligado o tempo todo. Separado, seca.
O segundo retrato é o templo.
“Ou não sabeis que vosso corpo é templo do Espírito Santo, o qual está em vós, o qual tendes de Deus, e que não sois de vós mesmos?”
(1 Coríntios 6:19, Bíblia Livre)
No templo de Salomão, Deus não aparecia de vez em quando e ia embora.
Ele habitava ali.
E o Lucado tira a conclusão: Deus não vem até nós no domingo de manhã e vai embora no domingo à tarde.
O terceiro retrato é o casamento.
A igreja é chamada de noiva de Cristo.
E num casamento saudável, o marido não fala com a esposa só quando precisa de alguma coisa.
Eles conversam o dia inteiro, sobre coisas grandes e pequenas.
O Lucado observa que casais que vivem muito tempo juntos começam a ficar parecidos, a falar parecido, até a pensar parecido.
Com Deus é assim: quanto mais andamos com ele, mais parecidos com ele ficamos.
E o quarto retrato é o pastor.
“Ainda que eu venha a andar pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo” (Salmo 23:4, Bíblia Livre).
Onde há ovelha, há pastor por perto.
A videira e o galho.
O templo e quem mora nele.
O noivo e a noiva.
O pastor e a ovelha.
Os quatro dizem a mesma coisa: Deus quer estar perto de você o tempo todo.
- A videiraO galho vive ligado o tempo todo; separado, seca (João 15:4-5)
- O temploDeus não vem no domingo e vai embora à tarde (1 Coríntios 6:19)
- O casamentoA noiva de Cristo; quanto mais andamos com ele, mais parecidos ficamos
- O pastorOnde há ovelha, há pastor por perto (Salmo 23:4)
c) Na prática, como é isso?
Alguém pode estar pensando: a vida já é corrida demais, ainda vou ter que acrescentar isso?
O Lucado responde: Deus não coloca peso, ele tira.
A oração o dia inteiro foi feita para aliviar a carga, e não para aumentar.
E ele sugere quatro momentos simples.
Ao acordar, dê a Deus os primeiros pensamentos do dia. Foi o que fizemos hoje de manhã: “Obrigado pelo descanso da noite. Hoje eu pertenço a ti.”
No silêncio, fique com Deus sem precisar falar. Como fizemos no devocional.
No meio do dia, fale com Deus em frases curtas, em voz baixa.
O Laubach perguntava a cada poucos minutos: “Estou na tua vontade, Senhor? Estou te agradando?”
Cristãos antigos repetiam ao longo do dia uma frase só, a Oração de Jesus, da tradição cristã oriental: “Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, tem misericórdia de mim.”
O Lucado cita uma conta curiosa: ao longo da vida, uma pessoa passa anos esperando em filas.
Anos.
E se cada fila virasse uma conversa com Deus?
“Obrigado, Pai.”
“Tu és o meu refúgio.”
“Fica comigo nesta hora.”
O ônibus vira capela. A fila do bandejão vira lugar de oração. A cozinha vira catedral.
E no fim do dia, entregue a Deus os últimos pensamentos.
Agradeça pelo que foi bom. Pergunte sobre o que foi difícil. Peça misericórdia.
O Salmo 121 diz que “não cochilará nem dormirá o Guardião de Israel” (Salmo 121:4, Bíblia Livre).
E o Lucado completa: se você dormir no meio da oração, não se preocupe. Que lugar melhor para pegar no sono do que nos braços do Pai?
d) Guardar a porta da mente
Lembram o que o Laubach escreveu? Nada pode dar errado, exceto uma coisa: que Deus saia da minha mente.
O Lucado dedica um capítulo inteiro à mente, que ele chama de estufa.
Imagine que o seu pai dá a você de presente uma estufa perfeita. Vidro novo, terra boa, tudo pronto para plantar flor e fruta.
E você, em vez de comprar semente boa, vai a um terreno baldio e junta semente de mato, de espinho, de erva daninha. Porque é de graça e está perto.
Qualquer um acharia que você enlouqueceu.
Só que muitas vezes fazemos isso com a mente que Deus nos deu.
Paulo diz que “o que o ser humano semear, isso também colherá” (Gálatas 6:7, Bíblia Livre).
O Lucado aplica isso aos pensamentos: semeie esperança e você colhe otimismo, semeie dúvida e espere insegurança.
E ele lembra o conselho de Provérbios:
“Acima de tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração; porque dele procedem as saídas da vida” (Provérbios 4:23, Bíblia Livre).
Jesus guardava a porta do coração dele.
Quando a multidão quis fazer dele rei à força, ele se retirou (João 6:15).
Quando Pedro tentou desviar Jesus da cruz, ouviu: “Para trás de mim, Satanás!” (Mateus 16:23, Bíblia Livre).
Quando riram dele na casa da menina que tinha morrido, ele colocou todo mundo para fora antes de agir (Marcos 5:40).
Ele não deixava qualquer coisa entrar.
O Lucado faz uma comparação que eu achei muito boa.
Imagine que ele empresta a você a casa dele por uns dias. E quando volta, encontra a casa destruída, porque você deixou entrar todo mundo que tocou a campainha.
Ele pergunta: você não sabe dizer não? Essa casa não é sua.
A raiva toca a campainha, e oferecemos o sofá.
A autopiedade toca a campainha, e abrimos a cozinha.
A tentação toca a campainha, e arrumamos o quarto de hóspedes.
Paulo mostra o caminho: “levamos como prisioneiro todo pensamento para a obediência a Cristo” (2 Coríntios 10:5, Bíblia Livre).
E o Lucado transforma isso em quatro passos simples.
Segure o pensamento na porta.
Leve esse pensamento até Jesus.
Abra a Bíblia para ver o que Jesus pensa dele.
E então decida: “Se Ele concordar com o pensamento, então deixe-o entrar. Mas, se Jesus não concordar, expulse-o a pontapés.”
O pensamento “você é um fracasso” chega à porta, e Jesus responde com Efésios 2:10: você foi feito por ele, criado em Cristo Jesus para as boas obras.
O pensamento “você é melhor do que todo mundo” chega à porta, e Jesus responde com Romanos 12:3: não se estime mais do que convém.
E a boa notícia é que você não fica sozinho na porta.
O Espírito Santo, que mora em você, fica ali ao seu lado.
O Lucado termina assim: quanto mais seletivo você for com as sementes, mais vai se alegrar com a colheita.
Conclusão (cerca de 4 min)
Voltemos à casa.
Porta fechada, fone no ouvido, música alta.
Alguém chama o seu nome lá da cozinha, e você reconhece a voz.
Você reconhece porque convive com ela.
Jesus disse que o pastor chama as suas ovelhas “nome por nome” (João 10:3, Bíblia Livre).
Ele sabe o seu nome.
E ele não está do outro lado da casa.
Ele está ao seu lado o dia inteiro, esperando ser lembrado.
Tomara que não precisemos de uma crise para perceber que ele estava ali o tempo todo.
No ônibus de manhã?
Ele está com você.
Na fila, no trabalho, na sala de aula?
Ele está com você.
Quando a multidão gritar mais alto?
Ele está com você.
Na madrugada de ansiedade, quando o sono não vem?
Ele está com você.
O Lucado termina o capítulo dizendo que Deus quer estar tão perto de você quanto estava de Jesus.
Tão perto que, quando os outros olharem a tempestade e tiverem medo, você vai ouvir a voz dele e sorrir.
Digam comigo:
“Quem anda com o Pai não se perde na multidão.”
Momento de resposta (sugestão)
[Liberar o grupo por cerca de 15 minutos de tempo a sós antes da oração final, cada um com a Bíblia, sem celular.]
Agora eu quero que façamos o que Jesus fez em Marcos 1:35.
Cada um vai procurar um lugar sozinho. Sem celular.
Leve a Bíblia aberta em João 15 ou no Salmo 139.
Leia devagar, até um versículo segurar você.
Quando isso acontecer, pare e fique nele.
Depois escreva esse versículo no verso do papel que você guardou ontem à noite.
E escolha uma frase curta para repetir a Deus até amanhã.
Pode ser “Hoje eu pertenço a ti”, pode ser “Estou na tua vontade, Senhor?”, pode ser “Obrigado, Pai”.
Toda vez que lembrar, diga.
Na fila do almoço, na piscina, antes de dormir.
Daqui a quinze minutos voltamos para orar juntos.
Oração final
Pai, obrigado porque não ficas no escritório esperando nosso relatório.
Tu andas conosco.
Perdoa-nos por tantas vezes termos saído sozinhos para o dia.
Perdoa-nos por termos obedecido à voz que grita mais alto.
Ensina-nos a começar o dia contigo, como Jesus começava.
Ensina-nos a escutar antes de agir.
Guarda a porta da nossa mente.
E mantém o nosso farol aceso, para que vivamos aquilo para o qual tu nos criaste.
E faze de cada fila, de cada ônibus e de cada madrugada um lugar de encontro contigo.
Que sejamos ramos ligados à videira, o dia inteiro.
Em nome de Jesus, amém.
- Sermão
- Juventude
- Resenhas
- Disciplinas Espirituais
- Presença de Deus