Lc 17:3-4 - Perdoados para perdoar!
"Se o seu irmão pecar contra você, repreenda-o; se ele se arrepender, perdoe-lhe. Mesmo se ele pecar contra você sete vezes num mesmo dia, e sete vezes voltar a você dizendo: 'Estou arrependido', perdoe-lhe." (Lucas 17:3-4 - NVI)
Tem uma coisa estranha que acontece quando repetimos uma frase com frequência: ela vai perdendo o peso. As palavras ficam, mas o significado some. Quem frequenta uma igreja e diz o Credo Apostólico toda semana sabe do que estou falando. "Eu creio no perdão dos pecados" sai da boca sem fazer cócegas em nenhuma pergunta.
O perdão dos pecados tem duas direções. Uma é receber, e aprendemos cedo: Deus perdoa, é graça, é dom, não merecemos. A outra é dar — e é aí que a maioria trava. Jesus não deixa essa segunda parte opcional. Em Lucas 17, ele instrui os discípulos de forma direta: se alguém errar e se arrepender, perdoe. Mesmo que aconteça sete vezes no mesmo dia (Lucas 17:4 - NVI).
Sete vezes no mesmo dia parece impossível. Mas a questão não é a matemática: é a disposição do coração. Jesus está descrevendo o tipo de pessoa que o discípulo deve ser — alguém cujo reflexo diante do arrependimento alheio é o perdão, não o acúmulo de registros.
Perdoar não significa dizer que o erro foi pequeno, nem fingir que não doeu. O próprio Jesus instrui a repreensão antes do perdão (Lucas 17:3 - NVI): é possível nomear o erro e ainda escolher não guardar rancor. O que o perdão recusa é o tribunal permanente, a contabilidade que nunca fecha. O rancor cobra de quem o carrega muito mais do que cobra de quem errou.
E aqui eu preciso ser honesto: há erros que já revisei mais de uma vez na memória, como quem aperta o play de um filme ruim esperando que o final mude. Isso não é justiça. É uma prisão que eu mesmo construí. A Escritura é clara: "Suportem-se uns aos outros e perdoem as queixas que tiverem uns contra os outros. Perdoem como o Senhor os perdoou" (Colossenses 3:13 - NVI). O critério do perdão cristão não é o tamanho do erro; é o tamanho do perdão que recebemos.
Quando dizemos "Eu creio no perdão dos pecados", estamos assumindo que esse perdão circula. Não só de Deus pra nós, mas de nós pra quem estiver à nossa frente. A mesma graça que nos alcançou tem endereço no próximo.
Oração:
Senhor, perdoa as vezes que recebi a tua graça e me neguei a passá-la adiante. Que o mesmo perdão que você me deu na cruz me capacite a perdoar de verdade, sem registro, sem tribunal, sem prazo de validade. Amém.
Eu sou o Diego Gonçalves, teólogo e evangelista, e este é o meu blog www.diegon.org – "O Diário de um Jondô". Aqui, reflexões teológicas diárias te esperam!
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