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Sermões52 Histórias da Bíblia28 de 28

Jesus e os excluídos: a samaritana e Zaqueu

Amigo de pecadores

Diego Gonçalves16 min de leitura3.293 palavras

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Neste texto

Texto-base: Lc 19:1-10; Jo 4:1-42

Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido.

(Lc 19:10, NVI)

Introdução

Na semana passada, Jesus contou as parábolas do Reino em Mateus 13. Hoje vamos ver esse Reino chegando a duas pessoas que ninguém esperava.

Quem mora em prédio, ou já trabalhou em um, conhece aquela plaquinha ao lado dos elevadores. Em muitos lugares ela diz mais ou menos assim: “Empregados, entregadores e pessoas com carrinho devem usar o elevador de serviço.” O prédio é o mesmo. A porta depende de quem você é. E quem sobe pelo social quase nunca repara na placa.

No tempo de Jesus, a religião também tinha as suas placas. De um lado ficavam “nós”: os judeus fiéis, os que cumpriam a Lei, os puros. Do outro ficavam “eles”: os pecadores, os estrangeiros, os impuros. E o caso mais duro era o do leproso. A Lei mandava que ele vivesse separado, fora do acampamento (Lv 13:46). Com o tempo, muitos concluíram que a santidade se protege com distância.

Só que Jesus fez o caminho contrário. Em Marcos 1, um leproso se ajoelha diante dele. E o que Jesus faz? Estende a mão e toca nele. Pela lógica da época, quem ficaria impuro era Jesus. Aconteceu o contrário: o leproso ficou limpo. E Jesus ainda mandou o homem se apresentar ao sacerdote, como a Lei pedia. Ou seja, Jesus mostrou a santidade que a própria Lei já apontava, a santidade que toca e limpa.

Por isso os adversários diziam que ele era “amigo de publicanos e pecadores” (Mt 11:19). Era para ser um insulto. Acabou virando um dos títulos mais bonitos do evangelho.

Leitura: Lc 19:1-10

Jesus entrou em Jericó e atravessava a cidade. Havia ali um homem rico chamado Zaqueu, chefe dos publicanos. Ele queria ver quem era Jesus, mas, sendo de pequena estatura, não o conseguia, por causa da multidão. Assim, correu adiante e subiu numa figueira brava para vê-lo, pois Jesus ia passar por ali.

Quando Jesus chegou àquele lugar, olhou para cima e lhe disse: “Zaqueu, desça depressa. Quero ficar em sua casa hoje”. Então ele desceu rapidamente e o recebeu com alegria.

Todo o povo viu isso e começou a se queixar: “Ele se hospedou na casa de um pecador”.

Mas Zaqueu levantou-se e disse ao Senhor: “Olha, Senhor! Estou dando a metade dos meus bens aos pobres; e se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais”.

Jesus lhe disse: “Hoje houve salvação nesta casa! Porque este homem também é filho de Abraão. Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido”.

(Lc 19:1-10, NVI)

Duas palavras chamam a atenção nesse texto.

A primeira está no versículo 5. A NVI traduz: “Quero ficar em sua casa hoje”. A Almeida Revista e Atualizada diz “me convém”. No original, a palavra quer dizer “é necessário”. Jesus não estava só com vontade de ficar. Ele precisava ficar.

A segunda aparece no começo e no fim. Zaqueu “queria ver quem era Jesus” (v. 3), e o Filho do homem “veio buscar” (v. 10). No original, as duas frases usam o mesmo verbo: buscar. Ou seja, essa história tem duas buscas. Zaqueu buscava Jesus. Só que, muito antes disso, Jesus já estava buscando Zaqueu.

Antes de entrar na casa de Zaqueu, vamos fazer uma parada num poço em Samaria. Lá essas duas palavras aparecem de novo.

A samaritana: o Pai que procura (Jo 4:1-42)

Um caminho necessário

Jesus estava saindo da Judeia, no sul, e voltando para a Galileia, no norte. No meio do caminho ficava Samaria, o caminho mais curto. Muitos galileus passavam por ali, mas a hostilidade era real. Para os judeus, os samaritanos eram um povo misturado, que adorava no monte Gerizim, e não em Jerusalém. João resume a relação numa frase: “os judeus não se dão bem com os samaritanos” (Jo 4:9).

E João escreve: “Era-lhe necessário passar por Samaria” (Jo 4:4). Necessário por quê? Pelo mapa, havia escolha. Só que João usa essa palavra quando fala do plano de Deus. Jesus precisava passar por Samaria porque havia alguém lá que ele tinha vindo buscar.

Três barreiras

Jesus chega cansado da viagem e se senta à beira do poço de Jacó. João conta que era “por volta do meio-dia” (Jo 4:6). Então chega uma mulher samaritana para tirar água. Entre os dois há pelo menos três barreiras.

Em primeiro lugar, a barreira do povo. Ele é judeu, e ela é samaritana.

Em segundo lugar, a barreira de ser mulher. Um mestre judeu não costumava conversar com uma mulher desconhecida em público. Tanto que os discípulos, quando voltam, ficam “surpresos ao encontrá-lo conversando com uma mulher” (Jo 4:27).

Por fim, a barreira da história dela. Ela teve cinco maridos, e o homem com quem vivia agora não era seu marido (Jo 4:18). João não explica como isso aconteceu. Naquele tempo, quem dava o divórcio era o homem, e uma mulher podia ficar viúva ou ser mandada embora mais de uma vez.

Jesus conhecia o povo dela. Jesus conhecia a religião dela. Jesus conhecia a história dela inteira, até o que estava errado agora. E não foi embora.

Jesus começa com um pedido

O que você esperaria de um mestre religioso nessa hora? Talvez um sermão. Só que a primeira palavra de Jesus não foi uma acusação, mas um pedido: “Dê-me um pouco de água” (Jo 4:7).

O Filho de Deus, cansado e com sede, pedindo um favor a uma samaritana. E quem pede um favor está dizendo, sem palavras: você tem algo de que eu preciso.

Ela estranha:

— “Como o senhor, sendo judeu, pede a mim, uma samaritana, água para beber?”

E Jesus muda o rumo da conversa. Diz que, se ela soubesse quem estava pedindo, ela é que pediria, e receberia dele “água viva” (Jo 4:10). E explica:

Quem beber desta água terá sede outra vez, mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Ao contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna.

(Jo 4:13-14, NVI)

Sabe aquele refrigerante bem gelado num dia de calor? Refresca na hora. Meia hora depois, a sede volta, às vezes maior. Muitos poços da vida são assim. Para uns é o dinheiro. Para outros é um relacionamento, o sucesso, a aprovação dos outros… Na vida daquela mulher, cinco casamentos tinham passado, e nenhum matou aquela sede. Jesus oferece outra água.

Onde você tem buscado água ultimamente?

O Pai procura adoradores

Quando Jesus toca na vida dela, ela muda de assunto. Vai direto para a grande briga religiosa da época:

— “Nossos antepassados adoraram neste monte, mas vocês, judeus, dizem que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar.”

Jesus responde que está próxima a hora em que o Pai não será adorado nem naquele monte nem em Jerusalém (Jo 4:21). E diz:

No entanto, está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura.

(Jo 4:23, NVI)

Repare no verbo: “o Pai procura”. No original, é o mesmo “buscar” de Lucas 19:10. A mulher queria saber em que monte se encontra Deus. Jesus mostra que é Deus quem sai à nossa procura.

Então vem a revelação:

Disse a mulher: “Eu sei que o Messias (chamado Cristo) está para vir. Quando ele vier, explicará tudo para nós”.

Então Jesus declarou: “Eu sou o Messias! Eu, que estou falando com você”.

(Jo 4:25-26, NVI)

Messias quer dizer ungido, o rei que Israel esperava. Em todo o Evangelho de João, é a primeira vez que Jesus diz com todas as letras que é ele. E ele diz isso a uma samaritana, ao meio-dia, à beira de um poço.

A mensageira

Então, deixando o seu cântaro, a mulher voltou à cidade e disse ao povo: “Venham ver um homem que me disse tudo o que tenho feito. Será que ele não é o Cristo?”

(Jo 4:28-29, NVI)

Repare na frase que ela usa: “um homem que me disse tudo o que tenho feito”. A história que pesava sobre ela virou o seu testemunho.

Há um detalhe aqui que sempre me confronta. Os discípulos também tinham ido à cidade, para comprar comida (Jo 4:8). Eles voltaram com comida. A mulher voltou com gente. No fim, os samaritanos disseram: “sabemos que este é realmente o Salvador do mundo” (Jo 4:42).

Quem são os samaritanos do nosso tempo? Quem mora no lado da cidade que evitamos. Quem tem um passado que todo mundo comenta. Quem nunca entrou numa igreja. Confesso que prefiro me ver na mulher perdoada. Só que muitas vezes eu me pareço mais com os discípulos que voltaram só com o almoço.

Zaqueu: o perdido que foi encontrado (Lc 19:1-10)

Agora voltamos a Jericó. A samaritana estava separada pelo povo e pela religião. Zaqueu estava separado pelo dinheiro e pela política.

Quem era Zaqueu

Publicano quer dizer cobrador de impostos e pedágios para Roma, o império que ocupava Israel. Para o povo, os publicanos eram traidores. Trabalhavam para o inimigo. E ainda cobravam acima do devido para ficar com a diferença. Lucas apresenta Zaqueu como “um homem rico chamado Zaqueu, chefe dos publicanos” (Lc 19:2). Ou seja, era o homem mais conhecido e menos querido de Jericó.

Um capítulo antes, Lucas conta a história de outro homem rico. Jesus chamou aquele homem também, mas ele ouviu que devia vender tudo e foi embora muito triste. Os discípulos se assustaram: então quem pode ser salvo? E Jesus respondeu que o impossível para os homens é possível para Deus (Lc 18:27). Em Jericó, o impossível vai acontecer.

Zaqueu era “de pequena estatura”, e a multidão estava na frente. Então ele faz uma coisa nada digna para um homem rico e importante. Corre adiante e sobe numa figueira brava, uma árvore de galhos baixos. Imagine o homem mais rico do bairro, de camisa social, subindo numa árvore da praça para ver alguém passar.

Jesus para debaixo da árvore

Lucas não conta o que se passava no coração de Zaqueu. Mas conta quem tomou a iniciativa. Jesus chega ao lugar, para, olha para cima e chama Zaqueu pelo nome. Em Jericó, ninguém chamava aquele homem pelo nome com carinho. Chamavam de traidor, de ladrão, de pecador. E o nome dele vem de uma palavra hebraica que quer dizer puro. Jesus olhou para cima e disse: Zaqueu. E ainda se convidou:

“Zaqueu, desça depressa. Quero ficar em sua casa hoje” (Lc 19:5).

No original, como vimos, Jesus diz que precisa ficar. O mesmo “necessário” de Samaria. Jesus precisava passar por aquele poço. E precisava entrar naquela casa. Naquela cultura, ficar hospedado na casa de alguém era dizer em público: eu aceito você.

Na tradição wesleyana, que é a nossa, isso tem nome: graça preveniente. Quer dizer, a graça que vem antes. Deus vem na nossa direção antes de darmos o primeiro passo. Essa graça alcança todas as pessoas, só que pode ser recebida ou recusada. Em Jericó, vemos as duas coisas. Zaqueu “desceu rapidamente e o recebeu com alegria” (Lc 19:6).

A multidão do lado de fora

E a multidão?

“Todo o povo viu isso e começou a se queixar: ‘Ele se hospedou na casa de um pecador’” (Lc 19:7).

Imagine o cochicho:

— “Com tanta gente boa nesta cidade, ele vai logo para a casa desse homem?”

O curioso é que, poucos versículos antes, esse mesmo povo tinha louvado a Deus. Jesus tinha acabado de curar um cego na entrada de Jericó. Aplaudiram o mendigo. Reclamaram do rico.

E a palavra que Lucas usa para essa queixa é rara. No original, ela só aparece mais uma vez em todo o Novo Testamento. Foi em Lucas 15, quando os fariseus criticaram Jesus: “Este homem recebe pecadores e come com eles” (Lc 15:2). Ali Jesus respondeu com três histórias de coisas perdidas.

Quem já foi a uma excursão da escola se lembra do fim do dia. Antes de o ônibus sair, a professora conta as crianças. Se der vinte e nove de trinta, ela não diz: “Ótimo, quase todo mundo voltou.” O ônibus não sai. A primeira história é assim: o pastor deixa as noventa e nove no campo e vai “atrás da ovelha perdida, até encontrá-la” (Lc 15:4). E quando encontra, não dá bronca. “Coloca-a alegremente nos ombros” e reúne os amigos e os vizinhos: “Alegrem-se comigo, pois encontrei minha ovelha perdida” (Lc 15:5-6).

A última história é a de um filho que volta para casa. O pai vê o filho ainda longe, corre, abraça e beija (Lc 15:20). E termina com o irmão mais velho do lado de fora da festa: “O filho mais velho encheu-se de ira e não quis entrar. Então seu pai saiu e insistiu com ele” (Lc 15:28).

A multidão de Jericó ficou exatamente ali, do lado de fora, irritada com a festa. E, se eu for honesto, em muitos domingos eu estaria no meio dela, de braços cruzados, comentando com o vizinho:

— “Esse homem não muda.”

A mesma graça que chamou Zaqueu passou pela multidão. Zaqueu desceu. A multidão ficou se queixando. E às vezes quem recusa a graça é justamente quem está mais perto de Jesus.

A graça muda a casa

“Olha, Senhor! Estou dando a metade dos meus bens aos pobres; e se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais” (Lc 19:8).

Ao jovem rico, Jesus tinha mandado vender tudo, e ele foi embora triste. A Zaqueu, Jesus não fez nenhuma exigência na porta. E ele deu a metade. De livre vontade, movido pela graça.

Quem já recebeu troco a mais no mercado sabe como é fácil ficar quieto. Zaqueu fez o caminho contrário, e foi muito além. Para quem tivesse extorquido o próximo, a Lei mandava devolver o que foi tirado e acrescentar vinte por cento (Lv 6:5). Quatro vezes era o que a Lei cobrava de quem roubava uma ovelha e depois a matava ou vendia (Êx 22:1). Ou seja, Zaqueu tratou a própria desonestidade como roubo e pagou como ladrão.

E Jesus declara: “Hoje houve salvação nesta casa! Porque este homem também é filho de Abraão” (Lc 19:9). A multidão tinha riscado o nome de Zaqueu da família de Israel. Jesus escreveu de novo.

Zaqueu não comprou a salvação com a metade dos bens. A graça entrou primeiro pela porta da casa dele, e a generosidade veio depois, como fruto. Para nós, que somos de uma igreja de santidade, isso é central. A santidade não é o preço para entrar, mas o fruto de quem já foi recebido.

Por isso a pergunta desta semana é tão séria. Você tem tentado mudar o seu comportamento para ser aceito por Deus? Ou tem deixado que a aceitação de Deus mude o seu comportamento?

Conclusão

E a placa do elevador? A religião do tempo de Jesus tinha uma placa parecida, pendurada na porta de Deus. O leproso, fora do acampamento. A samaritana, do outro lado do monte. O publicano, do lado de fora da festa.

Deus nunca concordou com essa placa. Em Ezequiel 34, ele tinha prometido que ele mesmo sairia para procurar a ovelha perdida (Ez 34:16). Em Jericó, Jesus faz o que Deus prometeu fazer.

No fim, ele mesmo foi levado para fora, como os sacrifícios pelo pecado, que eram queimados fora do acampamento. Hebreus diz que Jesus sofreu fora das portas da cidade para santificar o povo com o próprio sangue (Hb 13:12). Ele ficou no lugar do leproso, do lado de fora, para que na casa do Pai não existisse mais porta de serviço.

Só que existe outra placa que muita gente conhece. No desembarque do aeroporto, ou na rodoviária, sempre há alguém esperando com um papel na mão e um nome escrito. Quem chega cansado da viagem procura o próprio nome no meio de tantos. E, quando encontra, sabe que alguém veio buscar. A placa do elevador diz por onde você não pode entrar. Essa diz que alguém saiu de casa por sua causa.

Debaixo da figueira brava, Jesus levantou uma placa assim, com um nome só: Zaqueu. No poço, ele esperou por uma samaritana ao meio-dia. E hoje ele está segurando uma placa com o seu nome.

Esse é o chamado de Jesus. Ele não chega com uma lista de exigências, mas com o seu nome na boca. O chamado dele tem gosto de água fresca para quem tinha sede. Tem gosto de casa cheia para quem ninguém queria visitar. Tem gosto de abraço para quem voltou de longe. Tem gosto de festa para quem estava do lado de fora. Zaqueu recebeu Jesus com alegria. O pastor carregou a ovelha alegremente. E Jesus diz que “haverá mais alegria no céu por um pecador que se arrepende” (Lc 15:7).

Quem foi a Samaria quando tantos preferiam evitar? O Filho do homem, que veio buscar.

Quem pediu água a uma samaritana ao meio-dia? O Filho do homem, que veio buscar.

Quem parou debaixo da árvore enquanto a multidão se queixava? O Filho do homem, que veio buscar.

Quem deixa as noventa e nove e sai atrás de uma só? O Filho do homem, que veio buscar.

Quem sofreu fora das portas da cidade? O Filho do homem, que veio salvar.

“Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido” (Lc 19:10).

Talvez você carregue uma história que preferia esconder. Jesus conhece essa história inteira e não vai embora. Ele oferece hoje a água que mata a sede de verdade. Receba essa água.

Talvez você esteja em cima da árvore, olhando de longe, curioso, sem coragem de chegar perto. Ele sabe o seu nome e está dizendo: “Desça depressa.” Hoje é o dia. Desça e receba Jesus com alegria, como Zaqueu.

E talvez você esteja no meio da multidão, de braços cruzados, decidindo quem merece a graça. O Pai sai também e insiste com você. Na oração de confissão de hoje, pedimos o olhar de Jesus para ver Zaqueus e samaritanas como ovelhas perdidas. Arrependa-se do orgulho religioso e entre na festa.

E quem foi encontrado não consegue guardar isso para si. A samaritana deixou o cântaro e voltou à cidade. Ela nem tinha todas as respostas. A frase dela termina com uma pergunta: “Será que ele não é o Cristo?” Mas tinha um convite: “Venham ver”. Zaqueu abriu a casa e o bolso. O pastor reuniu os vizinhos para a festa.

É isso que Hebreus pede: “Portanto, saiamos até ele, fora do acampamento, suportando a desonra que ele suportou” (Hb 13:13). Sair até Jesus é ir aonde ele foi. Ao poço. À árvore. À casa de quem ninguém visita.

Quem está faltando na sua contagem? Um colega de trabalho, um vizinho, um parente que ninguém convida mais… Talvez você não saiba explicar tudo. A samaritana também não sabia. Basta um convite: venha ver. Daqui a pouco, na oração de envio, vamos ouvir o mesmo pedido: que cada um se convide para a vida de alguém que precisa de graça. Foi o que Jesus fez na casa de Zaqueu.

Nós perguntamos quem merece entrar. Jesus pergunta quem ainda falta encontrar.

Tomara que ninguém saia daqui hoje sem ouvir Jesus chamar o seu nome. E que cada um saia com vontade de dizer a alguém: venha ver.

Oração

Senhor Jesus, amigo de pecadores, obrigado porque nos buscaste antes que te procurássemos. Tu passaste por Samaria, paraste debaixo da árvore e chamaste o nosso nome.

Dá-nos da tua água viva, para que não voltemos aos poços que não matam a sede. Perdoa-nos pelo orgulho que nos deixa do lado de fora da festa, decidindo quem merece a tua graça.

Enche-nos da alegria do pastor que encontrou a ovelha perdida. E envia-nos, como enviaste a samaritana, para dizer aos nossos vizinhos: venham ver.

Em teu nome, amém.


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