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Sermões52 Histórias da Bíblia21 de 27

Daniel na Babilônia: decidir antes da pressão do grupo

Tome a decisão antes da pressão

Diego Gonçalves11 min de leitura2.216 palavras

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Neste texto

Texto-base: Dn 1:1-21

Quem aqui já fez alguma coisa apenas porque os amigos estavam fazendo? Não precisa contar o que foi. Pode ter sido uma brincadeira errada, uma mentira, uma cola na prova ou alguma atitude para ser aceito pelo grupo. Por que é tão difícil dizer “não” quando todo mundo ao nosso redor está dizendo “sim”?

Existe uma coisa chamada pressão do grupo. Ela acontece quando sentimos que precisamos agir, falar ou pensar como os outros ao nosso redor para sermos aceitos. Nem toda influência é ruim: um bom grupo pode nos incentivar a estudar, servir a Deus, ajudar pessoas e abandonar hábitos errados. O problema começa quando tentam nos levar a fazer algo que sabemos que é errado.

Daniel enfrentou uma pressão muito maior do que a maioria de nós provavelmente já enfrentou. Ele não estava apenas cercado por colegas que pensavam diferente. Daniel estava nas mãos do império mais poderoso de sua época. Hoje veremos como ele lidou com a pressão sem se tornar arrogante, agressivo ou desrespeitoso.

Entendendo o que aconteceu

Para entender Daniel 1, precisamos voltar um pouco na história. O povo de Judá havia se afastado de Deus. Durante muitos anos, Deus enviou profetas para advertir a nação. Eles diziam: “Voltem para Deus. Abandonem a idolatria. Parem de explorar os pobres. Parem de viver como se Deus não existisse.” Mas grande parte do povo não quis ouvir. Alguns profetas foram desprezados, outros foram perseguidos, e a mensagem foi ignorada repetidas vezes (2Cr 36:15-16).

Então chegou o julgamento. O Império Babilônico, governado por Nabucodonosor, invadiu Jerusalém (Dn 1:1-2). A conquista aconteceu em etapas. Na primeira invasão, por volta de 605 a.C., alguns jovens da elite de Judá foram levados para a Babilônia. Entre eles estavam Daniel, Hananias, Misael e Azarias (Dn 1:6). Eles provavelmente eram adolescentes, talvez com a idade de muitos de vocês.

Pense nisso. Daniel foi arrancado de sua cidade, separado de seus familiares, viu seu país ser derrotado e foi levado para um lugar distante, onde passou a viver entre pessoas que falavam outra língua, adoravam outros deuses e possuíam outros costumes. Tudo aquilo que parecia seguro desapareceu.

O que você acha que Daniel sentiu durante essa viagem? A Bíblia não descreve todos os seus sentimentos, mas podemos perceber que ele enfrentou uma situação extremamente difícil. Mesmo assim, a maior batalha de Daniel não aconteceria apenas do lado de fora. A maior batalha aconteceria dentro dele.

O plano da Babilônia

Nabucodonosor não queria apenas prisioneiros. Ele queria transformar alguns dos jovens conquistados em servidores do império. Daniel e seus amigos eram inteligentes, saudáveis, preparados e provavelmente pertenciam a famílias importantes (Dn 1:3-4). O rei percebeu que poderia usá-los.

Eles passariam por três anos de treinamento. Aprenderiam a língua e a literatura dos babilônios, a maneira de pensar dos caldeus, os costumes da corte e a forma de servir ao rei. Receberiam comida da mesa do próprio rei (Dn 1:5). E também receberiam novos nomes.

Os nomes hebraicos dos jovens lembravam o Deus de Israel. Os novos nomes estavam ligados à cultura e à religião babilônica. Daniel passou a ser chamado Beltessazar, Hananias recebeu o nome Sadraque, Misael virou Mesaque e Azarias, Abede-Nego (Dn 1:7).

Por que trocar os nomes? Porque o império não queria apenas mudar o lugar onde aqueles jovens viviam, mas a maneira como eles se enxergavam. A mensagem da Babilônia era: “Esqueçam quem vocês eram, de onde vieram e o Deus de vocês. Agora vocês pertencem à Babilônia.”

A Babilônia percebeu algo importante: quando você muda a maneira como uma pessoa pensa sobre si mesma, começa a mudar também a maneira como ela vive.

A pressão que Daniel sofreu ainda existe, embora apareça de outras formas. O mundo pode dizer: “Você precisa fazer isso para ser aceito.” “Todo mundo já faz.” “Deus não se importa.” “Se você não fizer, será deixado de lado.”

Que frases as pessoas usam hoje para convencer alguém a fazer algo errado? “Ninguém vai descobrir.” “É só uma vez.” “Deixe de ser criança.” “Se fosse meu amigo, faria.”

A pressão quase nunca começa dizendo: “Abandone completamente a sua fé.” Normalmente começa com uma pequena concessão. Depois vem outra. E depois mais uma.

Daniel traçou uma linha

“Daniel resolveu não se contaminar com as finas iguarias do rei, nem com o vinho que ele bebia.”

(Dn 1:8)

Preste atenção em uma palavra: resolveu. Daniel tomou uma decisão. O texto não diz apenas que ele sentiu vontade de obedecer, nem que esperou para descobrir o que seus amigos fariam, nem que decidiu de acordo com o que fosse mais fácil. Daniel resolveu. Ele decidiu em seu coração que não se contaminaria.

Esta é provavelmente a frase mais importante desta mensagem. Daniel decidiu antes de saber exatamente qual seria a consequência. Ele não sabia se perderia sua posição, se seria castigado ou se seus responsáveis aceitariam sua proposta. Ele sabia apenas que precisava permanecer fiel.

Por que Daniel recusou a comida? A Bíblia diz que ele não queria se contaminar, mas não explica todos os detalhes. Talvez alguns alimentos fossem proibidos pela Lei de Moisés, ou a comida tivesse sido oferecida aos deuses babilônicos, ou aceitá-la representasse uma dependência e uma participação religiosa que ele não poderia aceitar. Pode ter existido uma combinação desses fatores. O ponto principal é que Daniel acreditava que comer daquela maneira significaria desobedecer a Deus. Por isso, ele traçou uma linha.

Observe que Daniel não recusou tudo. Ele aprendeu a língua da Babilônia, estudou a literatura daquele povo e aceitou ser chamado por outro nome. Essas coisas não o obrigavam necessariamente a desobedecer a Deus. Mas, quando chegou a uma questão que feria sua consciência e sua fidelidade, Daniel disse: “Até aqui eu posso ir. Daqui não passo.”

Um cristão não precisa rejeitar tudo o que vem da sociedade. Podemos aprender matemática, ciências, literatura e música, conversar e trabalhar com pessoas que não possuem a mesma fé e respeitar autoridades. Mas não podemos obedecer a uma ordem que nos obrigue a desobedecer a Deus. Sabedoria cristã é aprender onde essa linha está.

As desculpas que Daniel poderia ter usado

Daniel poderia ter inventado várias desculpas. Podia ter pensado: “Deus me abandonou aqui. Por que devo continuar obedecendo?” Ou: “Não tenho escolha. Se eu recusar, posso morrer.” Ou: “É apenas comida. Isso não é tão importante.” Talvez dissesse: “Deus conhece meu coração. Posso comer por fora e continuar fiel por dentro.” E havia ainda a desculpa aparentemente espiritual: “Primeiro vou me adaptar. Quando eu conquistar poder e influência, começarei a obedecer.”

Mas Daniel não negociou sua fidelidade. Qual dessas desculpas parece mais comum atualmente?

Uma das frases mais perigosas é: “Não tenho escolha.” Daniel estava em um país estrangeiro, diante de um império poderoso, e ainda assim tinha uma escolha. Talvez não pudesse escolher o que os babilônios fariam com ele, mas podia escolher como responderia.

Isso também vale para nós. Nem sempre escolhemos a pressão ou as consequências, mas podemos escolher obedecer a Deus. Ninguém pode obrigar você a amar o pecado nem entrar em seu coração e tomar sua decisão por você. As pessoas podem pressioná-lo, ameaçá-lo, zombar de você. Mas sua decisão continua sendo sua.

Firmeza não é grosseria

Daniel havia decidido não comer a comida. Mas observe como ele agiu. Ele não insultou o rei, não gritou com o oficial nem jogou a comida no chão. Não saiu dizendo que todos os babilônios eram pessoas horríveis. Daniel pediu permissão e procurou uma solução (Dn 1:8-9).

Quando o primeiro responsável ficou com medo (Dn 1:10), Daniel não desistiu. Ele apresentou uma proposta a outro encarregado: “Faça uma experiência conosco por dez dias. Dê-nos legumes e água. Depois compare nossa aparência com a dos outros jovens” (Dn 1:11-13).

Nessa atitude, Daniel mostrou quatro características importantes. Convicção: ele sabia o que não poderia fazer e tinha uma decisão firme. Humildade: pediu permissão e tratou os responsáveis com respeito. Sabedoria: não apresentou apenas um problema, mas também uma possível solução. Perseverança: quando encontrou resistência, não desistiu imediatamente.

Algumas pessoas pensam que ser firme significa ser grosseiro. Não significa. Você pode dizer “não” com respeito. Pode discordar sem humilhar. Pode defender a verdade sem tratar as pessoas como inimigas.

Também existem pessoas que usam a educação como desculpa para nunca serem firmes. Dizem: “Não quero criar problemas”, “Não quero que fiquem chateados”. E então acabam participando do pecado. Daniel não foi agressivo, mas também não cedeu. Ele juntou duas coisas que muitas vezes separamos: firmeza e respeito.

Situações reais

Seus amigos criaram um grupo para passar respostas durante uma prova. Eles dizem: “Não é cola. É apenas ajuda.” O que você faria? Qual seria a sua convicção? Como responder com humildade, achar uma solução sábia e perseverar se começarem a zombar?

Alguém envia uma foto humilhante de outro aluno. Todos começam a rir e compartilhar. Você sabe que é errado, mas tem medo de ser chamado de chato. O que você faria?

Uma pessoa diz: “Se você realmente gosta de mim, precisa provar.” Ela está pressionando você a ultrapassar limites físicos ou emocionais que sua fé e sua consciência não permitem. O que você faria?

Um adulto, professor, chefe ou líder pede que você esconda uma informação ou conte uma mentira para protegê-lo. Como responder sem agressividade, mas sem participar da mentira?

O objetivo não é encontrar uma frase perfeita. O objetivo é aprender a pensar como Daniel. Primeiro: o que Deus diz? Depois: como posso permanecer fiel? Por fim: como posso responder com respeito e sabedoria?

O resultado dos dez dias

O responsável aceitou a experiência. Durante dez dias, Daniel e seus amigos receberam legumes e água. Ao final, pareciam mais saudáveis do que os jovens que comiam da mesa do rei (Dn 1:14-15). A Bíblia não explica exatamente quanto daquele resultado foi natural e quanto foi uma intervenção especial de Deus, mas deixa claro que Deus estava cuidando deles. Depois disso, a alimentação foi mantida (Dn 1:16).

Deus também deu aos quatro jovens conhecimento, inteligência e sabedoria, e Daniel recebeu ainda uma capacidade especial para compreender visões e sonhos (Dn 1:17). Ao final dos três anos de treinamento, eles foram apresentados ao rei, e Nabucodonosor descobriu que eram muito superiores aos outros jovens e conselheiros (Dn 1:18-20). Aquilo que parecia destruir o futuro de Daniel acabou se tornando parte da preparação para seu futuro.

Mas precisamos tomar cuidado com uma interpretação errada. O texto não ensina: “Se você obedecer, sempre receberá uma promoção.” Também não ensina: “Se você tiver fé, nunca sofrerá.” Mais tarde, Daniel será ameaçado e lançado em uma cova de leões (Dn 6). Seus amigos serão jogados em uma fornalha (Dn 3). Obedecer a Deus pode trazer reconhecimento, mas também pode trazer perseguição. Nossa fidelidade não depende de recebermos aquilo que queremos.

Os amigos de Daniel diriam: “Deus pode nos livrar. Mas, mesmo que não nos livre, não adoraremos a imagem” (Dn 3:17-18). Essa é a verdadeira fidelidade. Obedecemos porque Deus é digno, não apenas porque esperamos um resultado confortável.

Aplicação pessoal

Pense em uma área na qual você está sendo pressionado. Talvez seja algo na escola, um grupo de amigos ou uma conversa pela internet. Pode ser uma mentira, uma cola, um relacionamento, um conteúdo que não deveria consumir, uma atitude escondida. Talvez ninguém saiba. Mas você sabe. E Deus sabe.

A pergunta não é apenas: “O que meus amigos estão fazendo?” A pergunta é: “O que eu já decidi diante de Deus?”

Daniel não começou a pensar em fidelidade somente quando a comida chegou. A vida dele mostrava que sua identidade já estava firmada em Deus. É muito mais difícil decidir durante a tentação. Por isso, algumas decisões precisam ser tomadas antes da festa, da prova e do namoro, e antes de ficar sozinho diante da tela ou de a mensagem chegar.

Que decisão você precisa tomar antes que a próxima pressão chegue?

Conclusão

A Babilônia tentou mudar o lugar de Daniel, seu nome, sua alimentação e sua identidade. Conseguiu mudar muitas coisas ao redor dele, mas não conseguiu ocupar seu coração.

Daniel aprendeu a língua da Babilônia sem permitir que a Babilônia apagasse sua fé. Trabalhou para um rei pagão sem transformar o rei em seu deus. Viveu em uma cultura diferente sem abandonar sua identidade. Ele não foi preservado porque era naturalmente mais forte do que todos. Foi preservado porque conhecia a Deus, decidiu permanecer fiel e contou com a graça do Senhor.

“Daniel resolveu não se contaminar” (Dn 1:8). O mundo continuará tentando decidir quem você deve ser. Se você não souber quem é diante de Deus, outras pessoas escolherão uma identidade para você. Daniel decidiu antes que a pressão decidisse por ele. E você? O que precisa decidir hoje?

Oração final

Senhor Deus, vivemos em um mundo que muitas vezes tenta nos afastar de ti. Queremos ser aceitos e temos medo de ficar sozinhos. Por isso, muitas vezes cedemos à pressão. Dá-nos um coração como o de Daniel. Ajuda-nos a decidir permanecer fiéis. Dá-nos convicção para não negociar a verdade, humildade para tratar as pessoas com respeito, sabedoria para encontrar boas soluções e perseverança para não desistir quando a primeira tentativa falhar. Mostra a cada um de nós qual é a área em que precisamos tomar uma decisão. Que possamos brilhar como luzes em meio a uma geração que precisa conhecer a tua verdade. Em nome de Jesus. Amém.