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Sermões52 Histórias da Bíblia25 de 27

Tentação de Jesus no deserto: o teste do Rei em Mateus 4

O teste do Rei

Diego Gonçalves7 min de leitura1.341 palavras

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Neste texto

Texto-base: Mt 4:1-11; Lc 4:1-13

Versículo-chave: Mt 4:4

Neste estudo vamos compreender três ideias. A primeira: Jesus foi realmente tentado, mas permaneceu sem pecado. A segunda: as tentações ofereciam atalhos para coisas que, em si mesmas, não eram necessariamente erradas. A terceira: Jesus enfrentou a mentira com a verdade da Palavra de Deus.

Você pegaria o atalho?

Todo atalho é errado? Pense um instante. E se o atalho levar você ao lugar certo, mas obrigar você a fazer algo errado? Alguns exemplos simples: colar resolve a nota boa, mentir sobre quem você é ajuda a conseguir o relacionamento, trapacear faz o dinheiro chegar mais rápido.

Guarde esta fórmula: coisa boa + caminho errado = tentação.

A tentação nem sempre aparece dizendo: “Faça uma coisa terrível.” Às vezes ela diz: “Você quer uma coisa boa? Então pegue um atalho.” É exatamente isso que veremos acontecendo com Jesus.

O que aconteceu antes do deserto?

Pense na sequência: batismo, deserto, ministério. Sobre o batismo, o Pai havia declarado: “Este é meu Filho amado.” (Mt 3:17) Jesus acaba de ser batizado. O Pai declara que Ele é o Filho amado. O Espírito Santo desce sobre Ele. E imediatamente depois disso, Jesus vai para o deserto (Mt 4:1).

Uma observação importante: o Espírito conduz Jesus ao deserto, mas quem tenta Jesus é o Diabo. Deus não está tentando fazer Jesus pecar. Jesus está entrando em um período de prova no qual sua fidelidade será confrontada pela tentação do inimigo.

Percebam que a tentação acontece imediatamente depois da declaração sobre a identidade de Jesus. E a primeira coisa que Satanás faz é atacar exatamente isso: “Se és Filho de Deus…” Vocês percebem a estratégia? Antes de atacar o comportamento, Satanás tenta colocar dúvida sobre identidade e confiança.

Jardim e deserto

Quem parece estar em melhores condições para vencer: Adão ou Jesus? Naturalmente, Adão. Ele vivia num jardim; Jesus, no deserto. Havia comida para um e fome para o outro, depois de quarenta dias de jejum. Um estava cercado pela abundância; o outro, fisicamente enfraquecido. Os dois foram tentados. Mesmo assim, o primeiro caiu e o segundo permaneceu fiel. O primeiro Adão, desobediência; o último Adão, obediência.

Paulo chama Cristo de “último Adão” (1Co 15:45) porque Jesus inaugura uma nova humanidade. Adão representa a humanidade que caiu; Cristo, a restaurada pela sua obediência.

Também existe uma relação com Israel. Israel passou quarenta anos no deserto e repetidamente murmurou e desobedeceu. Jesus passa quarenta dias no deserto e permanece fiel.

Por isso, a história aqui é maior do que simplesmente “Jesus resistiu a três tentações”. Mateus está mostrando quem Jesus é.

Primeira tentação: o apetite

A primeira tentação é a do apetite: pedras viram pão (Mt 4:3-4). Jesus estava realmente com fome? Sim. Sentir fome era pecado? Não. A necessidade era legítima; o problema era abandonar a submissão ao Pai para saciá-la na hora. Necessidade legítima, caminho errado.

Satanás basicamente diz: “Se você é realmente Filho de Deus, por que precisa sofrer? Resolva isso agora.” E Jesus responde com “está escrito”, citando Dt 8:3: “Não só de pão viverá o homem…”

Jesus não está dizendo que comida não importa. Ele está dizendo que existe algo ainda mais fundamental: viver em dependência e obediência a Deus.

Que desejos legítimos podem virar tentação quando tentamos satisfazê-los de qualquer maneira? Aceitação, namoro, dinheiro, popularidade. A pergunta não é apenas “o que eu quero?”, mas “como Deus quer?”.

Segunda tentação: a presunção

Na segunda tentação, Satanás leva Jesus ao pináculo do templo e diz para Ele se lançar. E agora acontece algo interessante: Satanás cita a Bíblia. Até o Diabo cita a Bíblia.

Então citar um versículo significa automaticamente que estamos ensinando corretamente? Não. Um texto pode ser arrancado de seu contexto e usado para tentar fazer a Bíblia dizer aquilo que queremos. Satanás usa o Salmo 91 para dizer: “Se Deus realmente prometeu proteger você, pule.”

Jesus responde com Dt 6:16: “Não tentarás o Senhor, teu Deus.”

Veja a diferença. Fé é: Deus falou, eu confio. Presunção é: eu faço algo imprudente e exijo que Deus me proteja. Fé não é obrigar Deus a demonstrar que nos ama. Fé é confiar que Deus nos ama sem exigir espetáculo.

Qual seria, então, a diferença entre confiar em Deus e desafiar Deus? Pense neste exemplo: “Deus vai me proteger, então posso dirigir de qualquer jeito.” Isso não é fé. É irresponsabilidade disfarçada de espiritualidade.

A fé confia. A presunção testa.

Terceira tentação: o poder

Essa talvez seja a tentação mais profunda: coroa sem cruz. Jesus realmente veio para ser Rei. O problema não está na coroa. O problema é o caminho oferecido para chegar até ela.

Satanás diz: “Você quer os reinos? Eu te dou. Não precisa sofrer, nem ser rejeitado, nem passar pela cruz. Só se ajoelhe.” Glória sem sofrimento, coroa sem cruz, reino sem obediência.

Jesus responde: “Ao Senhor, teu Deus, adorarás.” (Dt 6:13) O que Satanás está realmente pedindo? Adoração. A tentação é obter o destino correto utilizando o caminho errado.

Os fins não justificam os meios. Não existe atalho para a vontade de Deus.

O padrão das três tentações

Olhe de novo para as três: apetite (pão), presunção (espetáculo), poder (coroa). O que elas têm em comum? Em todas elas Satanás está oferecendo a Jesus alguma forma de atalho. As pedras prometem satisfação sem dependência. O templo promete reconhecimento sem confiança. Os reinos prometem coroa sem cruz.

É assim que muitas tentações funcionam conosco. Não é somente “faça algo mau”, mas “pegue algo que você deseja e consiga do jeito errado”.

A arma de Jesus

O que Jesus usou nas três tentações? A Palavra de Deus: Dt 8:3, Dt 6:16 e Dt 6:13. “Está escrito.” Jesus não entrou em uma longa discussão com Satanás. Ele reconheceu a mentira porque conhecia a verdade.

Você dificilmente reconhece uma mentira espiritual se não conhece a verdade bíblica.

Quando você é tentado, que verdade bíblica aparece imediatamente na sua mente? Talvez a resposta seja: “Nenhuma.” É exatamente por isso que memorizamos as Escrituras. Não é para ganhar uma competição bíblica, mas para carregar a verdade conosco quando a mentira aparecer.

Jesus entende a nossa luta

Jesus não observa nossa luta de longe:

Porque não temos sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes, foi ele tentado em todas as coisas, à nossa semelhança, mas sem pecado.

(Hb 4:15)

Ele conhece a tentação. Mas existe uma diferença: Ele nunca cedeu. Isso significa que Jesus não apenas nos mostra como enfrentar a tentação. Ele também é aquele para quem podemos correr quando somos tentados.

Onde está o seu atalho?

Volte à palavra do começo: atalho. Existe alguma coisa boa que você quer tanto que começou a considerar um caminho errado para consegui-la? Pode ser aprovação, prazer, vingança, sucesso.

Faça outra pergunta: qual mentira costuma aparecer na sua cabeça quando você está cansado, sozinho, irritado ou frustrado? E qual verdade da Palavra de Deus você precisa ter pronta para responder a essa mentira?

Pare um instante e complete duas frases: “Minha tentação:” e “A verdade que preciso lembrar:”.

Versículo para memorizar

Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus.

(Mt 4:4)

Encerramento

A tentação promete um caminho mais fácil para aquilo que desejamos. Jesus nos mostra que obedecer ao Pai vale mais do que qualquer atalho. Ele venceu onde Adão caiu, permaneceu fiel onde Israel falhou e, porque foi tentado sem pecar, conhece nossa luta e pode nos socorrer nela.

Perguntas para reflexão

  1. Por que Mateus apresenta Jesus no deserto logo depois do batismo?
  2. Que paralelos existem entre Adão, Israel e Jesus?
  3. O que havia de errado em transformar pedras em pão?
  4. Qual a diferença entre fé e presunção?
  5. Por que a oferta dos reinos poderia ser uma verdadeira tentação para Jesus?
  6. Qual é o “atalho” mais perigoso para você neste momento?
  7. Quando você costuma ficar mais vulnerável: cansado, sozinho, irritado, frustrado ou ansioso?
  8. Que mentira costuma aparecer nesses momentos?
  9. Qual verdade bíblica pode responder a essa mentira?
  10. Você conhece a Bíblia apenas quando ela está aberta diante de você ou está começando a carregá-la na memória?