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A transfiguração de Jesus: ouvir o Filho amado

O vislumbre da glória

Diego Gonçalves15 min de leitura2.939 palavras

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Neste texto

Texto-base: Mt 17:1-9; Mc 9:2-10; Lc 9:28-36

Este é o meu Filho amado, em quem tenho prazer. Ouçam-no!

(Mt 17:5, NVI)

Introdução

Na semana passada, vimos os milagres de Jesus como sinais que levam à pergunta “quem é este?”. Hoje vamos ver essa pergunta respondida no alto de um monte, na transfiguração de Jesus.

Pouco antes desse dia, em Cesareia de Filipe, Pedro confessou que Jesus era o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mt 16:16). Logo depois, Jesus começou a explicar que precisava ir a Jerusalém para sofrer, morrer e ressuscitar, e Pedro não aceitou. Chamou Jesus de lado e começou a repreender o próprio Mestre (Mt 16:21-22). Para Pedro, o Cristo não podia passar por uma cruz. Jesus corrigiu Pedro com firmeza e encerrou a conversa com uma promessa: alguns dos que estavam ali não morreriam antes de ver o Filho do homem vindo no seu Reino (Mt 16:28).

Seis dias depois, Jesus levou Pedro, Tiago e João a um monte alto, e ali os três viram um vislumbre do Rei na sua glória. Jesus estava preparando os discípulos para o que vinha pela frente, porque em pouco tempo eles veriam o Mestre preso, humilhado e crucificado. Por isso a transfiguração não é só uma cena bonita do evangelho, mas também uma preparação para a cruz. E continua preparando a igreja, porque cedo ou tarde todos nós descemos para algum vale.

Leitura: Mt 17:1-9

Seis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago, e os levou, em particular, a um alto monte.

Ali ele foi transfigurado diante deles. A sua face brilhou como o sol, e as suas roupas se tornaram brancas como a luz.

Naquele mesmo momento, apareceram diante deles Moisés e Elias, conversando com Jesus.

Então, Pedro disse a Jesus: — Senhor, que bom é estarmos aqui. Se quiseres, farei três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias.

Enquanto ele ainda falava, uma nuvem resplandecente os envolveu; dela saiu uma voz, que disse: — Este é o meu Filho amado, em quem tenho prazer. Ouçam-no!

Ouvindo isso, os discípulos prostraram-se com o rosto em terra e ficaram aterrorizados.

Mas Jesus se aproximou, tocou neles e disse: — Levantem-se! Não tenham medo!

Quando eles ergueram os olhos, não viram mais ninguém, a não ser Jesus.

Enquanto desciam do monte, Jesus lhes ordenou: — Não contem a ninguém o que vocês viram, até que o Filho do homem tenha ressuscitado dentre os mortos.

(Mt 17:1-9, NVI)

O monte da oração

Lucas registra um detalhe que Mateus não conta. Jesus subiu ao monte “para orar”, e foi “enquanto orava” que “a aparência do seu rosto se transformou” (Lc 9:28-29). Dali em diante, Jesus seguiria para Jerusalém e para a cruz, e antes de dar esse passo subiu para falar com o Pai. William Barclay observou que essa é uma das grandes diferenças entre Jesus e nós. Jesus perguntava ao Pai o que ele queria. Nós quase sempre perguntamos o que nós queremos.

Quem sobe ao Pico do Jaraguá e olha São Paulo lá de cima vê a cidade de outro tamanho. As avenidas onde ficamos parados uma hora no trânsito viram linhas finas, e o prédio que parecia enorme some no meio dos outros. A oração faz algo parecido com a alma. Diante de Deus, os problemas não desaparecem, mas ganham o tamanho certo. E coisas que tratávamos como pequenas, como as promessas de Deus e o cuidado dele, aparecem com a grandeza que sempre tiveram.

Jesus não subiu sozinho. Levou Pedro, que seis dias antes tinha ouvido do próprio Jesus a repreensão mais dura da sua vida (Mt 16:23). Levou Tiago e João, os filhos do trovão, que pouco tempo depois quiseram mandar descer fogo do céu sobre uma aldeia de samaritanos (Lc 9:54). Lucas conta ainda que eles “estavam dominados pelo sono” e só viram a glória de Jesus quando acordaram (Lc 9:32). Mais tarde, no Getsêmani, esses mesmos três dormiriam de novo enquanto Jesus orava (Mt 26:37-43).

O pregador John McNeill comentou que dificilmente estamos mais atrasados do que eles estavam. Somos parecidos com eles, fracos para vigiar e lentos para entender. Mesmo assim, Jesus nos chama para perto antes de estarmos prontos, e é perto dele que vamos sendo transformados.

O rosto que brilhou como o sol

Mateus descreve a cena assim: “A sua face brilhou como o sol, e as suas roupas se tornaram brancas como a luz” (Mt 17:2). A palavra que os evangelhos usam para “transfigurado” deu origem à nossa palavra metamorfose. Quer dizer uma mudança que vem de dentro e aparece por fora. Nada foi acrescentado a Jesus naquele monte. O que estava escondido apareceu.

Pense na lua e no sol. A lua clareia a noite, mas não tem luz própria, porque apenas reflete a luz do sol. O sol brilha por si mesmo.

Moisés também desceu do monte Sinai com o rosto brilhando, depois de falar com Deus, e precisou cobrir o rosto com um véu (Êx 34:29-35). Aquele brilho era como a luz da lua. Vinha de ter estado com Deus e, com o tempo, se apagava (2 Co 3:13). No monte da transfiguração, o rosto de Jesus brilhou como o sol, porque a luz era dele.

Charles Wesley cantou isso num hino de Natal que a igreja canta até hoje: em Jesus vemos a divindade coberta de carne humana. Durante mais de trinta anos, essa glória ficou escondida numa vida de carpinteiro. No monte, por alguns instantes, o véu se abriu.

E por que ele escondeu essa glória? Por amor de nós. O bispo inglês Joseph Hall observou que o Jesus visto entre dois santos no monte seria visto, pouco tempo depois, entre dois criminosos na cruz (Lc 23:33). O rosto que brilhou como o sol seria cuspido e esbofeteado (Mt 26:67), porque era assim que ele iria nos salvar. Quanto mais olhamos para a glória que ele deixou, mais entendemos o tamanho do amor que levou Jesus à cruz.

Moisés e Elias

“Naquele mesmo momento, apareceram diante deles Moisés e Elias, conversando com Jesus” (Mt 17:3). Por que justamente os dois? Moisés representa a Lei, e Elias representa os Profetas. Ou seja, o Antigo Testamento inteiro estava ali, ao lado de Jesus.

Os dois já tinham estado num monte com Deus. No Sinai, Moisés pediu para ver a glória do Senhor e ouviu que ninguém poderia ver a face de Deus e continuar vivo (Êx 33:18-20). No Horebe, Elias cobriu o rosto com a capa quando o Senhor passou (1 Rs 19:13). Agora, num outro monte, os dois conversam com aquele cujo rosto brilha como o sol. O que Moisés pediu para ver no Sinai, ele viu em Jesus.

E sobre o que conversavam? Lucas responde que eles “falavam sobre a partida de Jesus, que estava para se cumprir em Jerusalém” (Lc 9:31). A palavra que Lucas usa para partida é êxodo. Moisés, o homem do êxodo do Egito, conversava com Jesus sobre o êxodo que ele faria em Jerusalém, pela cruz e pela ressurreição. No primeiro êxodo, Deus tirou Israel da escravidão do Egito. No êxodo de Jesus, Deus tiraria o seu povo da escravidão do pecado.

Diante da hora mais difícil da vida, ninguém precisa de definições, mas de ânimo e de promessa, e foi isso que Jesus recebeu no monte. Pedro tinha dito a Jesus que ele não podia sofrer, e no meio de toda aquela glória a Lei e os Profetas vieram falar justamente desse sofrimento. A cruz, longe de ser um acidente, ia cumprir tudo o que eles tinham anunciado.

A cena também consola quem perdeu alguém que morreu no Senhor. Jesus disse que Deus não é Deus de mortos, mas de vivos (Mt 22:32). Moisés tinha morrido havia séculos e aparece vivo, consciente e reconhecível, em comunhão com Jesus. Anos depois, já perto de morrer, Pedro chamou a própria morte de partida, usando a mesma palavra, êxodo (2 Pe 1:15). Para quem está em Cristo, morrer é sair da escravidão para a terra prometida. Os nossos irmãos que morreram no Senhor não deixaram de existir. Estão com ele, e um dia estaremos juntos de novo.

As três tendas

Pedro acorda, vê tudo aquilo e fala:

— “Senhor, que bom é estarmos aqui. Se quiseres, farei três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias.”

Marcos explica: “Ele não sabia o que dizer, pois estavam apavorados” (Mc 9:6). A intenção era boa, só que havia dois problemas naquelas tendas.

Em primeiro lugar, as três tendas eram iguais. Elas colocavam Jesus no mesmo nível de Moisés e Elias, como mais um dos grandes servos de Deus. Fazemos isso com frequência. Colocamos Jesus numa prateleira ao lado de outras coisas boas, como a tradição da família, um pregador famoso ou a nossa própria experiência religiosa. Sem perceber, ele vira mais um entre os nossos heróis.

Em segundo lugar, Pedro queria ficar. Seis dias antes, ele tinha dito que a cruz nunca aconteceria. Agora queria armar tendas no alto do monte, longe de Jerusalém. No fundo, Pedro continuava querendo a glória sem a cruz. Confesso que eu também prefiro o monte ao vale. Todos nós gostaríamos de um Cristo que nos levasse ao alto sem nos pedir que carregássemos cruz nenhuma.

Pedro aprendeu, mas aprendeu devagar. Anos depois, escrevendo a cristãos que sofriam, ele lembrou que os profetas tinham anunciado os sofrimentos de Cristo e as glórias que viriam depois deles (1 Pe 1:11). Primeiro os sofrimentos, depois a glória. O homem que não aceitava a cruz passou a ensinar que ela era o caminho.

A voz do Pai

Deus não deixou Pedro terminar. “Enquanto ele ainda falava, uma nuvem resplandecente os envolveu; dela saiu uma voz, que disse: — Este é o meu Filho amado, em quem tenho prazer. Ouçam-no!” (Mt 17:5).

A nuvem era o sinal da presença de Deus no meio do seu povo, desde a coluna que guiou Israel no deserto até a glória que encheu o tabernáculo (Êx 13:21; 40:34). As palavras que saíram dela eram quase as mesmas do batismo de Jesus (Mt 3:17). No batismo, o Pai confirmou o Filho no começo do ministério. No monte, confirmou o Filho no começo do caminho para a cruz.

Esse “Ouçam-no!” também tem uma história. Muitos séculos antes, o próprio Moisés tinha dito ao povo que Deus levantaria um profeta como ele, e que o povo deveria ouvir esse profeta (Dt 18:15). No monte, Moisés estava diante dele. E o Pai mandou ouvir Jesus justamente no assunto que Pedro não queria ouvir. Seis dias antes, Jesus tinha falado da cruz, e Pedro discordou. Agora a voz do céu manda os discípulos continuarem ouvindo o Filho, inclusive quando ele fala de sofrimento.

O Pai não mandou os discípulos olharem para Jesus, mas ouvirem o que ele diz. A visão ia acabar em poucos minutos, e a palavra de Jesus ia continuar com eles. E os três precisavam dela. Tiago seria o primeiro dos apóstolos a morrer pela fé, morto à espada por ordem de Herodes (At 12:2). João seria exilado na ilha de Patmos por causa da palavra de Deus (Ap 1:9). Pedro seria levado aonde não queria ir e glorificaria a Deus com a própria morte (Jo 21:18-19). Por isso o Pai disse: ouçam-no. Ouçam-no no caminho para Jerusalém. Ouçam-no quando ele falar de sofrimento. Ouçam-no ao pé da cruz e diante do túmulo vazio.

Na Bíblia, ouvir quase sempre quer dizer também obedecer. Ouvir Jesus é abrir os evangelhos com a disposição de fazer o que ele diz, até quando ele fala de cruz. Na oração de confissão de hoje, admitimos que temos ouvido muitas outras vozes, como a da cultura, a dos nossos sentimentos e a do medo. Quem tem dado a última palavra na sua vida?

Os discípulos caíram com o rosto no chão e “ficaram aterrorizados” (Mt 17:6). Então “Jesus se aproximou, tocou neles e disse: — Levantem-se! Não tenham medo!” (Mt 17:7). Diante da santidade de Deus, ninguém fica de pé. Mas o mesmo Jesus cuja face brilhava como o sol se aproxima e toca em homens caídos de medo. João nunca esqueceu aquela mão. Muitos anos depois, em Patmos, ele viu o Cristo glorificado e caiu aos pés dele como morto. Jesus pôs a mão direita sobre ele e disse outra vez que não tivesse medo (Ap 1:17). Ele tem toda a glória do céu e mesmo assim se abaixa para levantar os seus. É por isso que amamos esse Senhor.

“Quando eles ergueram os olhos, não viram mais ninguém, a não ser Jesus” (Mt 17:8). Moisés e Elias foram embora, a nuvem passou, e Jesus ficou. Charles Spurgeon comentou que eles não perderam nada, porque Jesus continuava ali. As experiências passam, e os grandes servos de Deus também passam. Quando tudo isso passar, o que vai sobrar da nossa fé?

Fora dos relatos da transfiguração, a palavra “transfigurar” aparece mais duas vezes no Novo Testamento, e nas duas fala de nós. Paulo pede que sejamos transformados pela renovação da mente (Rm 12:2). E escreve que, contemplando a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem, de glória em glória, pela ação do Espírito (2 Co 3:18). Ou seja, a glória que os discípulos viram em Jesus é a glória que Deus quer formar em nós. Isso começa agora, quando ouvimos o Filho e deixamos o Espírito mudar o nosso caráter, e se completa quando Jesus voltar e transformar o nosso corpo frágil à semelhança do seu corpo glorioso (Fp 3:21).

A descida

“Enquanto desciam do monte, Jesus lhes ordenou: — Não contem a ninguém o que vocês viram, até que o Filho do homem tenha ressuscitado dentre os mortos” (Mt 17:9). O silêncio tinha razão de ser. Muitos esperavam um Messias guerreiro, que expulsasse os romanos à força, e uma história de rosto brilhando no monte só ia alimentar essa expectativa.

Ao chegarem ao pé do monte, encontraram um pai desesperado, um filho atormentado e os outros nove discípulos sem conseguir ajudar (Mt 17:14-16). Enquanto Pedro queria armar tendas no alto, os companheiros dele fracassavam embaixo. Spurgeon perguntou a respeito daquele “que bom é estarmos aqui”: bom para quem? E o mesmo Jesus que brilhou no alto agiu embaixo. Ele repreendeu o demônio, e o menino ficou curado naquela mesma hora (Mt 17:18).

Imagine um homem que cortava sepulturas na rocha, nos arredores de Jerusalém. Era um serviço pesado, repetitivo e sem glória nenhuma, e numa tarde de cansaço ele poderia ter feito um daqueles túmulos de qualquer jeito. Só que José de Arimateia mandou abrir na rocha um túmulo novo, e foi ali que colocou o corpo de Jesus (Mt 27:59-60). O trabalho daquele homem foi visto pelos anjos, pelas mulheres e pelos apóstolos na manhã da ressurreição. Ninguém sabe o nome dele. Deus sabe.

William Barclay escreveu que o momento de glória existe para dar às coisas comuns um brilho que elas nunca tiveram. Ninguém consegue morar no alto do monte. A maior parte da vida acontece no vale, em casa, no trabalho, no hospital, na sala de aula. A glória que vimos em Jesus não é para ficar guardada numa tenda, mas para sustentar o serviço de todos os dias.

O vale também é o lugar do chamado. Ali há pais desesperados e filhos atormentados esperando alguém que conheça Jesus. Os discípulos não puderam contar o que viram antes da ressurreição. Nós podemos, porque Jesus já ressuscitou. Quase sempre que Jesus diz “não tenham medo”, ele também envia. Na manhã da ressurreição, disse às mulheres que não tivessem medo e fossem avisar os irmãos (Mt 28:10). Quem, no seu vale, está esperando ouvir falar desse Jesus?

Conclusão

Quem tinha luz própria no alto do monte? Jesus.

De quem Moisés e Elias falavam? De Jesus e da cruz dele.

Quem o Pai mandou ouvir? Jesus.

Quem tocou nos discípulos caídos e mandou que não tivessem medo? Jesus.

Quem ficou quando a nuvem passou? Jesus, e mais ninguém.

Quem desceu com eles para o vale? Jesus.

A transfiguração foi um vislumbre. Um dia, a glória que três homens viram por alguns instantes vai ser vista por todos, quando Jesus voltar na glória do seu Pai (Mt 16:27).

Se Jesus tem sido só mais um na sua prateleira, hoje é dia de desmontar as outras tendas e dar a ele a última palavra sobre a sua vida.

Se você está com o rosto no chão, com medo ou com vergonha, ouça o que ele disse aos discípulos: “Levantem-se! Não tenham medo!”

E desça do monte com ele. Daqui a pouco, na oração de envio, vamos ouvir: “Vocês viram a Sua glória pela fé; agora desçam do monte para servir no vale.”

Tomara que, na segunda-feira de manhã, no meio do trabalho e dos problemas, possamos erguer os olhos e ver Jesus, como os discípulos viram quando a nuvem passou. E tomara que, ouvindo o Filho, sejamos transformados de glória em glória até o dia em que veremos o rosto dele.

Oração

Senhor Jesus, Filho amado do Pai, no monte tu mostraste a tua glória, e depois desceste ao vale com os teus discípulos. Tu és o Escolhido, e ninguém se compara a ti. Por amor de nós, escondeste essa glória e caminhaste para a cruz.

Perdoa-nos por ouvirmos tantas outras vozes e por te colocarmos ao lado de outros mestres. Ensina-nos a dar a ti a última palavra.

Quando cairmos com medo, toca em nós e dize outra vez: “Levantem-se! Não tenham medo!”

Pelo teu Espírito, transforma-nos à tua imagem, de glória em glória.

E faze-nos descer do monte contigo, para servir no vale, levando a quem sofre a esperança da tua presença, até o dia em que veremos a tua glória face a face.

Em teu nome, amém.


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