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Sermões52 Histórias da Bíblia23 de 27

400 anos de silêncio entre Malaquias e Mateus

Quando Deus parece calado, Ele ainda está trabalhando

Diego Gonçalves10 min de leitura1.921 palavras

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Neste texto

Texto-base: Gl 4:4-7 (contexto histórico: Daniel 8 e 11). Versículo-chave: Gl 4:4.

Verdade central: o silêncio de Deus não significa ausência de Deus. Enquanto ninguém percebia, Ele estava preparando a história para a chegada de Cristo.

Uma página que esconde 400 anos

Quero mostrar uma coisa interessante para vocês. Na nossa Bíblia, eu consigo sair do Antigo Testamento e chegar ao Novo Testamento simplesmente virando algumas páginas. Parece que Malaquias terminou de falar, o tempo passou um pouquinho e Jesus nasceu. Mas essa pequena virada de página esconde séculos de história: cerca de 400 anos.

O que você faria se Deus ficasse 400 anos sem levantar um novo profeta como Isaías, Jeremias ou Malaquias? Você já passou por um período em que orou e parecia que Deus não estava respondendo?

É por isso que essa história não é apenas sobre Alexandre, Roma, fariseus ou macabeus. Ela fala também sobre nós. Porque uma das coisas mais difíceis da vida cristã é continuar confiando quando não conseguimos enxergar o que Deus está fazendo.

Silêncio não é ausência. Quando usamos a expressão “400 anos de silêncio”, não queremos dizer que Deus abandonou o mundo ou que absolutamente nada aconteceu. Estamos falando principalmente do período entre os últimos profetas do Antigo Testamento e os acontecimentos que encontramos no Novo Testamento. E o ponto impressionante é este: enquanto parecia que Deus estava calado, a história inteira estava se movimentando.

Por que Jesus veio?

Antes de descobrirmos como Deus preparou a chegada de Jesus, precisamos lembrar por que Ele veio. Não veio apenas para aparecer na história, mas para nos resgatar. Cristo não entrou na história apenas para ensinar, e sim para resgatar pecadores. O Catecismo Nova Cidade nos ajuda a lembrar disso:

Pergunta 25: A morte de Cristo significa que todos os pecados podem ser perdoados?

Resposta: “Sim, como a morte de Cristo na cruz pagou plenamente a penalidade por nossos pecados, Deus, graciosamente, imputa a nós a justiça de Cristo, como se fosse nossa, e não mais se lembrará de nossos pecados.”

(Catecismo Nova Cidade, pergunta 25)

Então Jesus veio apenas para ensinar coisas boas? Não. Ele veio resgatar pecadores: resgatar, perdoar e fazer-nos filhos. Prestem atenção nessas palavras, porque elas vão aparecer novamente na leitura bíblica.

A plenitude do tempo

Enquanto lemos Gl 4:4-7, vale procurar três coisas: quando Jesus veio, para quê Jesus veio e o que nós nos tornamos por causa dele.

“Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai! De sorte que já não és escravo, porém filho; e, sendo filho, também herdeiro por Deus.”

(Gl 4:4-7)

A resposta está no texto: Ele veio “na plenitude do tempo”, “para resgatar”, e o que recebemos é “a adoção de filhos”.

“Plenitude do tempo” é a expressão-chave deste estudo. Paulo não diz simplesmente: “Um dia Jesus apareceu”. Ele diz: “Vindo a plenitude do tempo…” Ou seja: chegou o momento determinado por Deus.

O que aconteceu nesses séculos?

Vamos entrar agora naquele espaço que parecia vazio. No final do Antigo Testamento, o Império Persa dominava a região. Mas quando chegamos ao Novo Testamento, encontramos Roma. Então onde foi parar a Pérsia? A resposta passa por quatro etapas: Pérsia, Grécia, Macabeus e Roma. Não precisamos transformar isso em uma aula cheia de datas. O objetivo é mostrar movimento.

Grécia: uma nova língua para um novo mundo

Alexandre, o Grande, conquistou enormes territórios em pouco tempo. Mas ele não espalhou apenas soldados. Espalhou também a cultura e a língua grega. Hoje, pessoas de vários países conseguem conversar usando inglês. Naquele mundo, o grego cumpria uma função parecida em grande parte do Mediterrâneo oriental.

Vocês percebem como isso poderia ajudar depois na expansão do Evangelho? Os primeiros cristãos encontraram um mundo no qual uma língua amplamente conhecida permitia que a mensagem atravessasse muitas fronteiras culturais. O grego, nesse caso, significava comunicação.

Ninguém olhando para as conquistas de Alexandre teria dito: “Deus está preparando missionários cristãos para daqui a séculos”. Mas a história estava sendo preparada.

Os macabeus: quando Israel quis liberdade

Depois da morte de Alexandre, seu império foi dividido. Um dos governantes posteriores, Antíoco IV, tentou impor práticas gregas aos judeus e profanou o Templo de Jerusalém. Uma família judaica liderou uma revolta. Eles ficaram conhecidos como Macabeus. A revolta conseguiu restaurar o culto no Templo e abriu caminho para um período de autonomia judaica: liberdade e esperança nacional.

Se vocês fossem judeus e depois Roma dominasse novamente sua terra, que tipo de Messias poderiam começar a desejar? Um guerreiro, um libertador político, alguém que expulsasse Roma.

Agora vocês começam a entender uma coisa importante do Novo Testamento. Quando Jesus começa a anunciar o Reino de Deus, muitas pessoas possuem expectativas sobre o Messias. Mas Jesus não veio simplesmente repetir a história dos Macabeus. Ele veio combater um inimigo muito mais profundo. Eles esperavam: “Roma fora!” Jesus enfrentou o pecado, a morte e a separação de Deus.

Roma: as estradas do império

Finalmente, Roma passou a controlar a região. Na época do Novo Testamento, encontramos imperadores, governadores, soldados romanos e personagens como Pôncio Pilatos. Roma construiu e manteve uma extensa rede de estradas e criou uma estrutura política que conectava grandes partes do Mediterrâneo, ligando uma cidade à outra.

Quem vocês conhecem no Novo Testamento que viajou de cidade em cidade pregando o Evangelho? Paulo. Estradas construídas para soldados, comerciantes e funcionários do império também acabariam sendo percorridas por missionários cristãos.

Estão percebendo? Deus parecia silencioso. Mas a história não estava parada.

O judaísmo também está diferente

Quando abrimos Mateus, o judaísmo também está diferente. Vale olhar rapidamente para quatro realidades: sinagoga, fariseus, saduceus e Sinédrio.

Sinagoga. As sinagogas se tornaram centros locais de oração, leitura e ensino das Escrituras, especialmente importantes para comunidades judaicas que viviam longe de Jerusalém. Sinagoga é oração, Escrituras e ensino. Quando Paulo chega a várias cidades em Atos, frequentemente começa justamente ali (At 17:1-2).

Fariseus. Os fariseus tinham grande preocupação com fidelidade à Lei e com a santidade do povo. O que Jesus denunciava não era levar isso a sério. Então qual era o problema? Era quando tradições humanas, aparência religiosa e regras passavam a ocupar o lugar da verdadeira obediência, da misericórdia e do amor a Deus (Mt 15:1-9; Mt 23:23). Santidade não é legalismo. Guardem essa frase, porque daqui a pouco vamos aplicá-la à nossa vida.

Saduceus. Os saduceus estavam especialmente ligados à elite sacerdotal e ao Templo. No Novo Testamento, aparecem discordando dos fariseus em importantes questões religiosas, especialmente sobre a ressurreição (Mt 22:23; At 23:8).

Sinédrio. O Sinédrio aparece como uma importante liderança e tribunal judaico. Isso nos ajuda a compreender vários acontecimentos dos Evangelhos e de Atos.

A grande questão é que nada disso apareceu do nada quando Jesus nasceu. Os séculos entre o Antigo e o Novo Testamento ajudam a explicar o mundo que encontramos nos Evangelhos.

Quando chegou a plenitude do tempo

Voltemos à expressão central: plenitude do tempo. Língua grega, mundo interligado, sinagogas e expectativa messiânica: tudo isso desemboca em Jesus Cristo.

Isso não significa que Deus precisava de Alexandre ou de Roma para conseguir enviar Jesus. Significa que, em sua providência, Deus governa inclusive acontecimentos que os seres humanos não conseguem compreender completamente. Reis pensavam que estavam construindo seus próprios impérios. Generais pensavam que estavam conquistando seu próprio futuro. Governantes construíam estradas por seus próprios motivos. Mas quando olhamos para trás, percebemos que Deus é capaz de usar até movimentos gigantescos da história para cumprir seus propósitos.

O silêncio de Deus não significa a ausência de Deus.

A parte mais importante: por que Jesus veio?

Voltemos a Gálatas: na plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho para resgatar, e o resultado é a adoção. Se terminarmos falando apenas de Alexandre, Macabeus e Roma, perdemos o principal. Toda essa história nos leva a uma pessoa: Jesus Cristo.

E Gálatas não diz apenas que Deus enviou o Filho. Diz que Ele enviou o Filho “para resgatar”. E o resultado é ainda mais bonito: “para que recebêssemos a adoção de filhos.”

É por isso que começamos falando de perdão, com o Catecismo. Cristo não veio simplesmente mudar calendários. Ele veio mudar nossa condição diante de Deus. De escravo, passamos a filho. De culpado, a perdoado. De distante, a alguém que diz “Aba, Pai”.

O Catecismo prepara a pergunta “por que Cristo veio?”, e Gálatas responde mostrando o momento, o motivo e o que sua vinda produz em nós. A história dos 400 anos serve à mensagem bíblica, em vez de se transformar apenas em uma aula de história.

E quando Deus parece em silêncio na minha vida?

Agora saímos da história e falamos diretamente a você. Talvez 400 anos pareçam uma coisa muito distante da nossa vida. Mas o problema deles ainda é nosso.

Quando Deus parece calado

Se Deus não responder uma oração na velocidade que você gostaria, isso significa que Ele parou de agir? Não ver não é o mesmo que Deus não agir. Nós enxergamos alguns minutos da nossa história. Deus vê a história inteira.

Cuidado com o legalismo

Voltemos à frase: santidade não é legalismo. É possível começar querendo agradar a Deus e terminar apenas querendo parecer melhor do que os outros. Dá para perceber isso em frases como: “Cristão de verdade só escuta isso.” “Cristão de verdade se veste exatamente assim.” “Se ele não faz tudo do jeito que eu faço, então não ama a Deus.”

Existem regras pessoais boas? Sim. Mas nossas regras pessoais nunca podem substituir os mandamentos de Deus nem nos tornar orgulhosos.

Aprenda a esperar o tempo de Deus

O meu relógio não é o relógio de Deus. Para nós, muitas vezes parece demora. Paulo chama de “plenitude do tempo”. Talvez você esteja esperando alguma coisa: uma resposta, uma mudança em casa, uma direção para o futuro.

A história que estudamos hoje não promete que Deus fará exatamente aquilo que queremos. Ela nos ensina algo melhor: podemos confiar em Deus mesmo quando ainda não compreendemos aquilo que Ele está fazendo.

Perguntas para reflexão

  1. O que aconteceu entre Malaquias e Mateus que ajuda a entender melhor o Novo Testamento?
  2. O que significa dizer que “silêncio não é ausência”?
  3. Em qual destas três áreas você mais precisa prestar atenção nesta semana: confiar quando não vejo, evitar o legalismo ou esperar o tempo de Deus?

Versículo para memorização

“Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho…”

(Gl 4:4)

Deus também trabalha no silêncio

Entre Malaquias e Mateus, parecia haver silêncio. Mas impérios mudaram, uma língua se espalhou, estradas conectaram cidades e o povo esperava o Messias. E então Paulo diz: “Vindo, porém, a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho” (Gl 4:4).

Portanto, quando você não consegue enxergar a mão de Deus, não conclua rapidamente que Deus deixou de trabalhar. O Deus que governa a história também sabe conduzir a nossa vida.

Oração de confissão e aplicação

Deus do Tempo e da História, confessamos que somos impacientes. Quando Tu ficas em silêncio, pensamos que não estás agindo. Ficamos ansiosos e tentamos controlar aquilo que somente Tu podes governar. Perdoa nossa falta de confiança. Livra-nos também de uma religião de aparência, orgulho e legalismo. Ensina-nos a confiar em Ti quando entendemos e também quando não entendemos. Obrigado porque, na plenitude do tempo, enviaste Teu Filho para nos resgatar e nos receber como filhos. Pelo Espírito, ensina-nos a clamar: Aba, Pai. Em nome de Jesus. Amém.