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Sermões52 Histórias da Bíblia29 de 29

Quem é este? A tempestade e o túmulo de Lázaro

Milagres e a identidade de Jesus

Diego Gonçalves10 min de leitura2.072 palavras

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Neste texto

Texto-base: Mc 4:35-41; Jo 11:1-44

Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá.

(Jo 11:25, NVI)

Introdução

Nas últimas semanas, ouvimos o que Jesus disse no Sermão do Monte e nas parábolas. Na semana passada, vimos Jesus indo atrás de uma samaritana e de um publicano. Hoje vamos olhar para o que ele fez, em dois milagres: a tempestade acalmada em Marcos 4 e a ressurreição de Lázaro em João 11.

Quem já acordou com o cheiro de café passando sabe como é. Ainda é cedo, a casa está escura, e o cheiro chega até o quarto. Ninguém fica na cama pensando no cheiro, e sim em quem levantou e foi para a cozinha.

Os milagres de Jesus funcionam do mesmo jeito. O apóstolo João prefere chamar os milagres de sinais (Jo 2:11), porque um sinal não existe para ser admirado, mas para apontar para alguém. No fim do evangelho, ele explica que escreveu para que creiamos que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhamos vida em seu nome (Jo 20:31). Por isso, diante de um milagre, importa mais saber quem fez do que entender como foi feito. Os discípulos fizeram essa pergunta numa noite de tempestade.

Leitura: Mc 4:35-41

Naquele dia, ao anoitecer, ele disse aos seus discípulos: — Vamos para o outro lado do lago.

Deixando a multidão, eles o levaram no barco assim como estava. Outros barcos também o acompanhavam.

Levantou-se um forte vendaval, e as ondas se lançavam sobre o barco, de forma que começou a se encher de água.

Jesus estava na popa, dormindo com a cabeça sobre um travesseiro. Os discípulos o acordaram e clamaram: — Mestre, não te importas se morrermos?

Ele se levantou, repreendeu o vento e disse ao lago: — Aquiete-se! Acalme-se! O vento se aquietou, e tudo ficou calmo.

Então, perguntou aos seus discípulos: — Por que vocês estão com tanto medo? Ainda não têm fé?

Eles estavam grandemente apavorados e perguntavam uns aos outros: — Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?

(Mc 4:35-41, NVI)

A tempestade (Mc 4:35-41)

Foi Jesus quem propôs a travessia. Os discípulos estavam obedecendo quando a tempestade começou, e muitas vezes acontece o mesmo conosco.

Vários deles eram pescadores e conheciam bem o mar da Galileia. Ele fica num vale cercado de montes, e o vento costuma descer de repente e levantar ondas fortes. Mesmo assim, aquele vendaval assustou homens experientes. As ondas se lançavam sobre o barco, e ele começou a se encher de água.

Em primeiro lugar, Jesus dorme

Enquanto isso, Jesus estava na popa, “dormindo com a cabeça sobre um travesseiro”. Quem já pegou no sono no ônibus, voltando do trabalho, com a cabeça encostada no vidro, sabe o que é esse cansaço. Ele tinha passado o dia ensinando a multidão.

O salmo diz que o protetor de Israel “não cochila nem dorme” (Sl 121:4). Deus não precisa dormir, e Jesus dormiu porque era homem de verdade.

Os discípulos acordaram Jesus com uma pergunta:

— “Mestre, não te importas se morrermos?”

Confesso que já fiz essa pergunta, com outras palavras. Muitos de nós já fizemos, diante de uma conta que não fecha ou de um exame com resultado ruim. Quando Jesus parece estar dormindo, concluímos depressa que ele não se importa.

Em segundo lugar, Jesus manda no mar

Jesus se levanta, repreende o vento e diz ao lago: “Aquiete-se! Acalme-se!” Em Marcos 1, ele tinha falado do mesmo jeito com um demônio, repreendendo e mandando calar. É como alguém mandando um cachorro bravo parar de latir. E o vento obedece: “O vento se aquietou, e tudo ficou calmo.”

Depois ele pergunta aos discípulos: “Por que vocês estão com tanto medo? Ainda não têm fé?” Repare na ordem. Jesus acalmou o mar antes de corrigir a fé deles. Cuidou primeiro e ensinou depois.

Quem é este?

Marcos conta que, depois da calmaria, eles estavam “grandemente apavorados”. Antes tinham medo da tempestade, e agora tinham medo de quem estava com eles no barco. Por isso perguntavam uns aos outros:

— “Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?”

Para um judeu, só havia uma resposta. No Antigo Testamento, quem manda no mar é Deus. O Salmo 89 diz: “Tu dominas o revolto mar; quando se agigantam as suas ondas, tu as acalmas” (Sl 89:9). E o Salmo 107 fala de marinheiros apavorados que clamaram ao Senhor, e ele “reduziu a tempestade a um sussurro, e as ondas sossegaram” (Sl 107:29). Os discípulos conheciam esses salmos e viram Jesus fazer com o mar o que só Deus faz. Ou seja, ao acalmar a tempestade, Jesus mostrou quem ele é.

Isso muda a maneira de olharmos para as nossas tempestades. Jesus estava no barco que se enchia de água. A presença dele não impediu a tempestade, e mesmo assim o barco chegou ao outro lado. No Salmo 107, Deus guia os marinheiros “ao porto almejado” (Sl 107:30). Com Jesus a bordo, os discípulos também chegaram.

Que tempestade você está atravessando? Pode ser no dinheiro ou na família. Se Jesus está no seu barco, o vento forte não quer dizer que ele deixou de se importar com você.

Lázaro (Jo 11)

Em João 11, Jesus está diante de algo mais difícil do que uma tempestade. Lázaro, amigo dele, morreu e já foi sepultado.

A demora

Lázaro fica doente em Betânia, e as irmãs, Marta e Maria, mandam dizer a Jesus: “Senhor, aquele a quem amas está doente” (Jo 11:3). Elas não pedem nada. Acham que basta ele saber.

Hoje seria uma mensagem no celular. Elas mandam, aparecem os dois risquinhos azuis, e a resposta não vem. Passa um dia, passam dois.

João escreve: “Jesus amava Marta, a irmã dela e Lázaro. No entanto, quando ouviu falar que Lázaro estava doente, ficou mais dois dias onde estava” (Jo 11:5-6). O amor e a demora estão lado a lado. Jesus já tinha dito: “Essa doença não acabará em morte; é para a glória de Deus” (Jo 11:4). Ele esperou porque queria dar a Lázaro mais do que uma cura.

Quando Jesus chega, Lázaro está no sepulcro há quatro dias. Marta avisa que o corpo “já cheira mal” (Jo 11:39). Ninguém ali esperava mais nada.

Você já orou por algo urgente e achou que Deus demorou? A história de Lázaro mostra que a demora de Deus não quer dizer que ele disse não.

A ressurreição e a vida

Marta vai ao encontro de Jesus e diz o que muita gente já disse num velório: “Senhor, se estivesses aqui, o meu irmão não teria morrido” (Jo 11:21). Jesus responde que o irmão dela vai ressuscitar, e ela dá a resposta de escola dominical: “Eu sei que ele vai ressuscitar na ressurreição, no último dia” (Jo 11:24).

Ela pensava na ressurreição como algo do fim dos tempos. Jesus responde:

Jesus lhe disse: — Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo aquele que vive e crê em mim jamais morrerá eternamente. Você crê nisso?

(Jo 11:25-26, NVI)

A ressurreição não é só um acontecimento do último dia, mas uma pessoa, e essa pessoa estava diante de Marta. Depois Jesus pergunta: “Você crê nisso?” É a mesma questão do barco. Marta responde: “Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus que devia vir ao mundo” (Jo 11:27).

O túmulo

No túmulo vemos de novo o homem e Deus.

Maria chega depois, prostra-se aos pés de Jesus e diz a mesma frase da irmã: “Senhor, se estivesses aqui, o meu irmão não teria morrido” (Jo 11:32). Com Marta, Jesus tinha conversado sobre a ressurreição. Diante do choro de Maria, ele chora também.

“Jesus chorou” (Jo 11:35). Ele sabia que Lázaro ia sair dali em poucos minutos e, mesmo assim, chorou com os amigos. João diz que ele “ficou profundamente comovido e perturbou-se” (Jo 11:33), e a palavra que ele usa tem também um sentido de indignação contra a morte. Jesus não olha de longe para o nosso luto.

Depois ele manda tirar a pedra e ora em voz alta: “Pai, eu te agradeço porque me ouviste” (Jo 11:41). E explica que orou assim por causa do povo, “para que eles creiam que tu me enviaste” (Jo 11:42). Então “Jesus bradou em alta voz: — Lázaro, venha para fora!” (Jo 11:43). Muitos pregadores repetem uma frase atribuída a Agostinho: se Jesus não tivesse dito o nome de Lázaro, todos os mortos daquele cemitério teriam saído.

Lázaro sai “com as mãos e os pés envolvidos em faixas de linho e o rosto envolto em um pano” (Jo 11:44), e Jesus diz aos que estavam ali: “Tirem as faixas dele e deixem-no ir.” Jesus podia ter feito tudo sozinho. Ainda assim, deixou que outros tirassem a pedra e soltassem as faixas.

O capítulo não termina na festa. Por causa desse milagre, as autoridades se reuniram, e o sumo sacerdote Caifás disse que era “melhor que um homem morra pelo povo” (Jo 11:50). João conta que, daquele dia em diante, resolveram matar Jesus (Jo 11:53). Caifás não sabia, mas estava falando da cruz. Para tirar Lázaro do túmulo, Jesus caminhou para a própria morte.

Para que servem os sinais

Jesus fazia milagres por pelo menos três razões.

Em primeiro lugar, por compaixão. Ele amava as pessoas e odiava o sofrimento que o pecado trouxe ao mundo. O choro no túmulo de Lázaro mostra isso.

Em segundo lugar, para mostrar quem ele era. Os milagres eram as credenciais do Messias, o enviado do Pai. Diante do túmulo, ele mesmo disse isso na oração.

Por fim, como uma amostra do que vem. Sabe a degustação no supermercado, com o palitinho de queijo? O palitinho está ali por causa do queijo inteiro. Cada milagre é uma provinha do Reino. Quando acalma o mar, Jesus mostra como será a nova criação, sem caos. Quando chama Lázaro para fora, mostra o dia em que não haverá mais morte, nem choro, nem dor (Ap 21:4). Jesus não está quebrando as leis da natureza, mas devolvendo a natureza ao que ela era antes da queda.

Conclusão

O cheiro de café aponta para alguém na cozinha, e os sinais de Jesus apontam para ele. A pergunta dos discípulos vale para nós também.

Quem é este que dorme cansado no barco? É um homem como nós, que sabe o que é cansaço.

Quem é este que manda o mar se calar? É Deus.

Quem é este que chora no túmulo do amigo? É um homem como nós, que sabe o que é luto.

Quem é este que chama um morto pelo nome? É Deus.

Se você está no meio de uma tempestade e Jesus parece dormir, ele continua no barco e se importa com você.

Se você está esperando uma resposta que não chega, lembre que a demora em Betânia terminou em vida.

Se você está diante de uma perda, Jesus pergunta o mesmo que perguntou a Marta: “Você crê nisso?” Quem nunca respondeu a essa pergunta pode responder hoje, com as palavras dela: “Sim, Senhor, eu creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus.”

Muitas vezes a nossa ansiedade cresce porque a nossa visão de Jesus diminuiu. Nenhum problema é grande demais para quem manda no mar e na morte.

Ao nosso redor há pessoas presas ao vício ou ao luto. Só Jesus dá vida, e ainda assim ele conta conosco para tirar pedras do caminho e levar essas pessoas até ele, que diz: “Eu sou a ressurreição e a vida.” Daqui a pouco, na oração de envio, vamos ouvir o mesmo pedido: “Levem a esperança da vida para lugares de morte.”

Tomara que, na próxima tempestade, a nossa primeira pergunta seja a dos discípulos depois da calmaria: quem é este que está no barco comigo?

Oração

Senhor Jesus, tu dormiste no barco porque te fizeste homem, e calaste o mar porque és Deus. Tu choraste diante do túmulo do teu amigo e o chamaste pelo nome.

Perdoa-nos quando, no meio da tempestade, perguntamos se tu te importas. Perdoa-nos quando a tua demora nos faz duvidar do teu amor.

Nos nossos medos, lembra-nos de que estás no barco. Diante das nossas perdas, faze-nos ouvir de novo a tua voz: “Eu sou a ressurreição e a vida.”

E envia-nos aos lugares de morte ao nosso redor, para tirar pedras e soltar faixas, levando a quem precisa a esperança que só tu dás.

Em teu nome, amém.


Citações bíblicas: Nova Versão Internacional (NVI), © Biblica, Inc. Usado com permissão. Todos os direitos reservados.

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