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Dinheiro e riquezas segundo Jesus: Mamom e o coração

O dinheiro e as riquezas segundo Jesus

Diego Gonçalves4 min de leitura832 palavras

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Neste texto

Muita gente se surpreende quando descobre que Jesus falou mais sobre dinheiro, posses e bens materiais do que sobre o céu e o inferno somados. Quase metade das suas parábolas envolve moedas, dívidas, salários, terras, celeiros e administradores financeiros.

Jesus não dedicou tanto tempo a esse tema porque quisesse dar dicas de investimentos ou ensinar técnicas de enriquecimento rápido. Ele bateu nessa tecla tantas vezes porque sabia que o dinheiro é o concorrente mais perigoso e sedutor que existe disputando o trono do coração humano.

A maneira como uma pessoa lida com a sua carteira revela com precisão cirúrgica o que ela realmente adora, em quem ela realmente confia e o que ela teme no futuro.

O rival com nome próprio: Mamom

Em Mateus 6:24, Jesus faz uma declaração solene que define a natureza do conflito: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom”.

Repare que Jesus não tratou o dinheiro como um pedaço inerte de papel ou uma ferramenta puramente técnica. Ele personificou as riquezas com um nome próprio — Mamom, um termo aramaico que designava a riqueza acumulada.

Jesus elevou o dinheiro à categoria de uma divindade rival. Mamom não se contenta em ser uma ferramenta de troca no mercado; ele quer ser um “senhor”. Ele promete segurança absoluta, poder, status e valor pessoal, cobrando em troca a nossa lealdade cega, o nosso tempo, a nossa integridade e a nossa paz de espírito. Você pode ter dinheiro no bolso sem problemas; a tragédia acontece quando o dinheiro tem você no bolso dele.

O extrato bancário como raio-x da alma

Jesus resumiu a psicologia espiritual do ser humano numa frase curta em Mateus 6:21: “Onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração”.

A gente adora pensar que o nosso coração segue os nossos discursos religiosos. Mas Jesus diz que o coração segue o dinheiro.

Se você quer saber com honestidade o que uma pessoa realmente ama, não pergunte quais hinos ela canta na igreja ou quantos versículos ela tem decorados. Olhe o extrato bancário dela, o limite do cartão de crédito e as conversas de família. O dinheiro sempre vai atrás daquilo que a pessoa considera o seu refúgio, seja a vaidade pessoal, a obsessão por status ou o prazer desenfreado.

A tolice de confiar em celeiros maiores

No capítulo 12 de Lucas, um homem rico teve uma colheita tão extraordinária que as suas instalações ficaram pequenas. Em vez de pensar em ajudar os trabalhadores famintos ou abençoar a comunidade, ele conversou sozinho com a própria alma: “derrubarei os meus celeiros, construirei outros maiores, guardarei tudo lá e direi a mim mesmo: alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te”.

Deus entrou na história com uma sentença fulminante: “Louco! Esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?”.

A tolice daquele homem não foi ter trabalhado ou ter sido eficiente nos negócios; a loucura foi ter colocado a sua segurança existencial naquilo que um ataque cardíaco de madrugada consegue anular em dez segundos. O dinheiro nos dá a ilusão sedutora de que somos invencíveis e imortais, até que a fragilidade da vida nos acorda do sonho.

O camelo e o fundo da agulha

O encontro de Jesus com o jovem rico em Marcos 10 é um dos episódios mais tristes dos evangelhos. O rapaz era moralmente correto, guardava os mandamentos desde a infância e parecia um candidato perfeito ao discipulado.

Mas quando Jesus tocou na ferida real — “vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me” —, o jovem abaixou a cabeça e foi embora cabisbaixo, porque possuía muitos bens.

Jesus não exigiu que todos os seus seguidores ficassem descalços e na miséria absoluta; mas ele exigiu o primeiro lugar. Aquele rapaz achava que era dono do seu patrimônio, mas na hora da verdade, descobriu que o patrimônio era dono dele. Ele preferiu a segurança transitória das suas terras à companhia viva do Filho de Deus. Daí o comentário severo de Jesus: “Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!”.

Como quebrar o feitiço de Mamom

O antídoto bíblico contra o poder hipnótico do dinheiro não é a avareza de trancar tudo no cofre nem o desprezo irresponsável pelo sustento da família. A cura bíblica pra ganância é a generosidade ativa e intencional.

Toda vez que a gente abre as mãos pra socorrer quem precisa, pra investir na expansão do evangelho e pra repartir com o próximo, a gente está dando um tapa na cara do deus Mamom. Estamos lembrando a nós mesmos que nada do que possuímos nos pertence de verdade: tudo é de Deus, nós somos apenas mordomos temporários e o nosso tesouro definitivo está guardado num lugar onde a ferrugem e a traça não conseguem tocar.