
Pessoa e obra de Jesus Cristo: plenamente Deus e homem
A Pessoa e a Obra de Jesus: O Coração Inegociável da Fé
Toda religião humana costuma ser construída sobre um conjunto de ideias, preceitos morais ou códigos de conduta ética. Se você tirar Buda do budismo ou Confúcio do confucionismo, as filosofias continuam funcionando quase que intactas. No cristianismo, a engrenagem é completamente diferente: tudo depende e gira em torno de uma pessoa histórica real. Se Jesus de Nazaré não for exatamente quem Ele disse que era e não tiver realizado o que as Escrituras afirmam, todo o edifício da fé desaba como um castelo de cartas.
Por isso, desde os primeiros séculos, os cristãos gastaram tanta energia pra definir o que a teologia chama de cristologia: quem é Jesus e o que Ele veio fazer no mundo.
Plenamente Deus: O Criador que Entra na Criação
O apóstolo João abre o seu Evangelho com uma declaração que tirou o sono dos filósofos do primeiro século: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus… Todas as coisas foram feitas por intermédio dele”.
A Bíblia nunca tratou Jesus como um profeta iluminado que foi promovido a um status especial por bom comportamento. Ele é o Deus eterno da Trindade, que sustenta o cosmos com o poder da sua palavra. Quando Paulo escreve aos colossenses, reforça que em Cristo habita corporalmente toda a plenitude da divindade.
A divindade de Jesus é indispensável para a salvação por uma razão lógica implacável: nenhuma criatura finita teria capacidade de suportar o peso infinito da justiça de Deus contra o pecado da humanidade. Se Jesus fosse apenas um homem exemplar ou um anjo poderoso, o sacrifício dele na cruz não teria suficiência eterna para reconciliar o homem com o Criador.
Plenamente Homem: A Graça que Pisa o Nosso Chão
Ao mesmo tempo em que as Escrituras afirmam sua divindade absoluta, mostram Jesus pisando o pó da nossa terra com uma humanidade de carne e osso. Ele não desceu como uma aparição fantasmagórica; ele nasceu do ventre de uma jovem judia, precisou aprender a andar, trabalhou com madeira na carpintaria, sentiu fome, sede, cansaço físico e chorou diante da sepultura de um amigo querido.
Essa humanidade autêntica é o que permite que Jesus seja o nosso verdadeiro Mediador. O autor de Hebreus lembra que não temos um sumo sacerdote distante, incapaz de se compadecer das nossas fraquezas, mas alguém que foi tentado em tudo à nossa semelhança, embora jamais tenha cedido ao pecado. Para redimir a raça humana, o Redentor precisava ser homem; Ele precisava pagar a dívida no mesmo sangue e na mesma natureza que havia falhado no Éden.
A Obra: Vida Perfeita, Morte Substitutiva e Túmulo Vazio
A compreensão bíblica sobre a obra de Cristo envolve três movimentos inseparáveis que costumam ser esquecidos na correria do dia a dia:
Primeiro, a sua vida de perfeita obediência. A gente costuma focar quase todo o peso teológico na cruz, mas os trinta e três anos em que Jesus viveu na terra foram cruciais. Ele cumpriu cada mandamento da Lei de Deus que a humanidade sempre quebrou. Como Paulo explica em Romanos, assim como pela desobediência de um só homem muitos se tornaram pecadores, assim também pela obediência de um só muitos são declarados justos. Na conversão, não apenas os nossos pecados são perdoados, mas a folha corrida impecável de Jesus é creditada em nossa conta.
Segundo, a sua morte vicária na cruz. Jesus não morreu como vítima de um acidente trágico da história ou de uma conspiração política fora de controle; Ele foi à cruz voluntariamente como o Cordeiro pascal que assume o lugar do culpado. Ali ocorreu o grande intercâmbio: a nossa condenação caiu sobre os ombros dele, e a paz de Deus foi conquistada para nós.
Terceiro, a sua ressurreição corporal ao terceiro dia. Se a história terminasse no sepulcro de José de Arimateia, os ensinos de Jesus seriam apenas belos conselhos sepultados pelo tempo. A ressurreição foi o carimbo divino de que a dívida havia sido totalmente quitada e que o poder da morte fora quebrado para sempre. O túmulo vazio garante que a fé cristã não é uma ideia abstrata, mas a proclamação histórica de um Rei vivo que governa o presente e garante o futuro de todos os que nele confiam.
Descansar na pessoa e na obra de Cristo liberta a gente da neurose de tentar provar o próprio valor por meio de esforço religioso. A salvação não é uma escada moral que a gente sobe para alcançar o céu, mas o abraço do próprio Deus que desceu até nós para nos resgatar e nos reconciliar consigo para sempre.
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