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Estudos2 Crônicas

Quem foi Abias? Quando a teologia está certa e a vida errada

Quando a teologia está certa e a vida está errada

Diego Gonçalves3 min de leitura654 palavras

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Não tem nada mais perigoso na vida cristã do que a ilusão de achar que falar bonito sobre Deus é a mesma coisa que andar com Deus. A gente vê pessoas que dominam versículos com facilidade, sabem rebater heresias num estalar de dedos e defendem a sã doutrina com uma paixão impressionante na internet ou na roda de amigos. O problema é que, quando as portas se fecham e a rotina real começa, essas mesmas pessoas vivem cheias de rancor, toleram pecados de estimação e mantêm o coração completamente distante do Senhor.

A Bíblia relata a história de um homem que caiu exatamente nessa armadilha: o rei Abias, filho de Roboão, que governou o reino de Judá.

Em 2 Crônicas 13, nós encontramos Abias no momento mais brilhante da sua vida pública. Ele estava no monte Zemaraim, liderando um exército de quatrocentos mil soldados contra Jeroboão, rei de Israel, que avançava com oitocentos mil homens bem treinados. A desvantagem militar era assustadora.

Antes de a batalha começar, Abias subiu no alto do monte e fez uma das pregações mais corajosas e ortodoxas de todo o Antigo Testamento:

“Vocês pensam em resistir ao reino do Senhor, que está nas mãos dos filhos de Davi, porque são uma grande multidão e têm consigo os bezerros de ouro que Jeroboão lhes fez para deuses? Acaso não expulsaram os sacerdotes do Senhor, os filhos de Arão, e os levitas, e não fizeram para vocês sacerdotes como os povos das outras terras? Quanto a nós, o Senhor é o nosso Deus, e nunca o abandonamos… Eis que Deus está conosco, à nossa frente… Filhos de Israel, não lutem contra o Senhor, o Deus dos seus pais, pois vocês não serão bem-sucedidos.”(2 Crônicas 13.8-12)

O discurso era impecável. Abias apontou com precisão a idolatria do reino do Norte, defendeu a aliança de Deus com a casa de Davi e proclamou a soberania do Senhor. Quando o exército inimigo armou uma emboscada por trás, Judá clamou a Deus, os sacerdotes tocaram as trombetas e o Senhor operou um livramento espetacular.

Só tem um detalhe que o autor de 1 Reis faz questão de registrar para não deixar nenhuma dúvida sobre quem Abias realmente era no íntimo:

“E andou em todos os pecados que seu pai havia cometido antes dele; o seu coração não foi inteiramente fiel ao Senhor, o seu Deus, como fora o coração de Davi, seu antepassado.”(1 Reis 15.3)

O contraste é cortante e nos ensina três lições urgentes:

Em primeiro lugar, Deus pode honrar a verdade da sua Palavra mesmo quando quem a pronuncia é imperfeito. A vitória em Zemaraim não aconteceu porque Abias era um santo, mas porque Deus é fiel à sua própria aliança e responde ao clamor do seu povo necessitado. Deus não depende da nossa perfeição moral para agir, mas isso não significa que Ele aprove a nossa incoerência.

Em segundo lugar, a ortodoxia da boca não substitui a integridade do coração. Abias sabia condenar os bezerros de ouro do vizinho, mas não tinha coragem de derrubar os altares idólatras da própria casa. É muito fácil enxergar o erro dos outros enquanto a gente passa pano para a nossa própria hipocrisia. A fé bíblica nunca foi um debate teórico; ela é uma entrega total de vida.

Por fim, Deus não aceita um coração dividido. Abias tentou servir ao Senhor nas horas de aperto militar e servir aos ídolos nos dias de calmaria. Só que o Senhor não quer apenas as nossas palavras públicas de domingo; Ele quer a nossa fidelidade secreta nas decisões de cada dia.

A vida de Abias deixa um alerta gravíssimo para a nossa congregação. Chega de viver de pose religiosa e de discurso afiado. Que o nosso amor por Cristo não seja apenas uma teoria correta para impressionar os outros, mas uma realidade viva que transforma as nossas atitudes, purifica as nossas intenções e nos faz caminhar em inteireza de coração diante de Deus.