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SermõesEclesiastes

Eclesiastes 5como se preparar para encontrar Deus no culto

Diego Gonçalves14 min de leitura2.795 palavras

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Neste texto

Texto-base: Ec 5:1-7

Para entender o texto

Grande parte do início de Eclesiastes se concentra na vaidade, exacerbada e sem sentido, da vida separada de Deus. O capítulo 5 começa uma transição: da vaidade da vida no mundo para a reverência e o respeito a Deus, que fez a vida. Embora não seja mencionado no capítulo 4, aqui Deus aparece seis vezes em sete versículos.

O sermão do Pregador enfatiza que as nossas vidas “debaixo do sol” precisam drasticamente de uma recalibração na forma como nos aproximamos de Deus. Até o capítulo 4, ele deu muita atenção à natureza do mundo, à forma como vivemos e ao que buscamos nele, trazendo duras verdades sobre a nossa busca de significado através de coisas como trabalho, prazer e realizações. Agora, no capítulo 5, ele começa a mostrar que a religião também é inadequada, não apenas para fornecer um significado real para a vida, mas para nos aproximar do próprio Deus.

Do avião ao culto

Pense em algumas pessoas sentadas num avião. Agora pense em algumas pessoas sentadas nos bancos da igreja. O que elas têm em comum? Todas estão num ponto de origem e querem chegar a um ponto de destino. Podemos chamar isso de viagem.

O que mais? A maioria das pessoas é bem comportada e apresentável. Mas alguns cochilam e outros se distraem. Olhe o rosto das pessoas num culto: alguns estão rindo, outros entediados, alguns espertos, outros cansados. Tem gente apaixonada, mas também tem gente irritada. Tem gente que veio a fim de Deus e gente que nem sabe por que está ali. É assim em todas as igrejas que você for.

Em linhas gerais, acredito que ficamos satisfeitos com o que vemos. Ficamos contentes em assistir a tudo o que acontece. Há uma boa música. Na pregação há alguns ensinamentos que a gente pode absorver e aplicar. Há também algum encorajamento que faz a gente olhar pra vida de uma forma diferente. Há também exortação, e às vezes até parece que o pregador está irritado! Essas várias situações fazem de um culto “bom” ou “ruim”. No final de um voo, assim como no final de um culto, tudo o que a gente quer dizer é: “Nossa! Foi muito bom!” “Com certeza, voltarei.”

Algumas pessoas, porém, buscam mais do que isso. Tenho visto algumas poucas saindo com os olhos marejados depois de se maravilharem e desfrutarem da presença de Deus na adoração. Por quê? Se a gente para pra pensar, o verdadeiro propósito de um culto de adoração é sempre encontrar Deus. Assim como a gente precisa se atentar aos preparativos para pegar um voo, devemos nos atentar à preparação para encontrar e experimentar Deus.

O Pregador de Eclesiastes, escrevendo há milhares de anos, nos dá algumas dicas de como nos preparar para encontrar o Deus do universo quando viermos à sua casa.

1. Prepare o seu coração

O Pregador escreveu:

Quando você entrar na casa de Deus, tome cuidado com o que faz.

(Ec 5:1, NVT)

Outra tradução deste versículo diz:

Guarde o pé, quando você entrar na Casa de Deus.

(Ec 5:1, NAA)

A expressão “guardar o pé”, da Nova Almeida Atualizada, significa andar em reverência. Ou seja, para entrar na casa de Deus você deve andar com cuidado e cautela. Isto é, deve ir até a presença de Deus com dignidade e respeito. Devemos nos aproximar de Deus com o mesmo cuidado de Moisés, que, quando encontrou Deus na sarça ardente, tirou as sandálias (Êx 3:5). O lugar era santo e Moisés sabia disso. Da mesma forma, a igreja é um lugar de reverência.

Lembro-me de ouvir, quando criança, as palavras: “Não corre na igreja, menino! Aqui é a Casa de Deus!” Gostaria de atualizar essa frase. Fisicamente, sei que não estamos mais “correndo na igreja”, mas será que espiritualmente, emocionalmente e mentalmente não estamos assim, correndo pra lá e pra cá? Será que “fazemos igreja” de uma forma corrida?

Bem… digamos que não. Então, nesse caso, os nossos corações e mentes estão mostrando profundo temor e respeito? Digamos que sim. Se é verdade, por que não conseguimos antecipar a presença e a voz de Deus na nossa vida antes de chegar a este lugar? Será que temos sido incapazes de experimentar a presença de Deus na alma? Essa presença divina que agita e engaja os nossos corações, muda as nossas vidas e satisfaz a nossa fome espiritual de sentido e significado.

Acredito que a gente pode antecipar a presença de Deus. Quero te encorajar a vir ao culto preparado para adorar.

  • Ore em casa, antes de vir para o culto, para que esteja pronto para orar quando chegar.
  • Durma e descanse antes de vir ao culto, para que esteja acordado e alerta quando pisar na casa de Deus.
  • Leia a Palavra antes de vir à igreja, para que o coração fique macio e quentinho durante a adoração.

Venha com fome de Deus. Venha predisposto. Venha esperando que Deus fale ao seu coração. É na sua casa, no seu trabalho, na sua vida pessoal, no meio da rotina diária que você antecipa a experiência memorável da presença no culto.

2. É melhor ouvir

O Pregador continua instruindo:

…ouça com atenção. Age mal quem apresenta ofertas a Deus sem pensar. Não se precipite em fazer promessas nem em apresentar suas questões a Deus.

(Ec 5:1-2, NVT)

A Nova Almeida Atualizada diz: “Chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer um sacrifício de tolos” (Ec 5:1, NAA). Isso é difícil para nós, porque não gostamos de ouvir, gostamos de ser ouvidos. Em 1Sm 15:22, Samuel diz: “Será que o Senhor tem mais prazer em holocaustos e sacrifícios do que no obedecer à sua palavra? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar, e o ouvir é melhor do que a gordura de carneiros.”

Nesse sentido, “ouvir” é uma palavra forte, porque pode ser traduzida tanto como “preste atenção” quanto como “obedeça”. É isso que Deus deseja. Agora, não ouvir é justamente a maior burrice da religião. É tolice pensar que algum sacrifício que você traz ou faz pode cancelar o seu pecado e que você não precisa de arrependimento. Não é porque você fez o sacrifício de sair de casa para estar aqui hoje que você está de bem com Deus. Quando somos descuidados com os nossos ouvidos, estamos sendo descuidados com os nossos corações. Por isso você precisa estar pronto para ouvir a Deus.

No avião, os comissários de bordo compartilham algumas instruções antes da decolagem. Explicam como usar o cinto de segurança, onde estão as saídas de emergência, como colocar a máscara de oxigênio, se necessário. Depois disso, o comandante dá mais algumas instruções, diretamente da cabine, pelos alto-falantes. No entanto, a maioria dos passageiros não presta atenção. Eles ficam conversando, lendo, olhando pela janela, tirando coisas da bolsa, colocando os fones de ouvido. Fazem tudo, menos ouvir. Esses comissários de bordo devem saber como Deus se sente quando o seu povo vem à igreja.

Algumas vezes a gente chega ao culto depois de ver a Terceira Guerra Mundial acontecer dentro do carro, com o cônjuge e os filhos. Outras vezes chega logo depois de xingar o cara que cortou a gente no trânsito: “Sai da frente, Jumento de Balaão! Burro da carroça de Faraó! Árvore que não dá fruto: não presta pra nada, nem pra dar seta?” Por vezes entramos no santuário e encontramos o nosso assento: “Ufa, graças a Deus ninguém pegou meu lugar hoje.” Começamos a olhar em volta para ver quem está presente. “Fulano não veio… tá assistindo ao jogo!” Começa o culto e vemos erros de digitação na projeção. Começa a pregação e você pega o celular e começa a anotar tudo. Tudo o quê? Tudo o que o pregador está dizendo? Não! Todas as contas que você lembra que tem que pagar na segunda. É mais provável.

Assim, antes que percebamos, o culto acabou, e as mentes estavam em outro lugar. Deus falou e nós não estávamos ouvindo.

Pense comigo mais uma vez: adoração é encontrar-se com Deus. O Deus vivo, Rei de todo o universo, tem uma agenda para nos encontrar. Portanto, quando nos encontrarmos com Ele, fazemos bem em deixá-lo falar. Deus quer se comunicar conosco.

3. Humilhe-se diante de Deus

O Pregador continua:

Deus está nos céus, e você, na terra; portanto, fale pouco.

(Ec 5:2, NVT)

Isso não significa que Deus esteja ausente desta terra ou desvinculado do que acontece no nosso mundo. Dizer “Deus está no céu” é um lembrete da Sua glória. Lembra que, embora Deus seja acessível, há uma distinção infinita entre nós e Ele. Há uma grande separação entre nós e Deus, em que a Sua grandeza é contrastada com a nossa pequenez. Além disso, há a perfeição de Deus contrastada com o nosso pecado e a nossa imperfeição.

Por isso o Pregador é cirúrgico ao corrigir a nossa geografia teológica: não estamos tão perto de Deus quanto pensamos. Este versículo nos coloca exatamente onde pertencemos, e isso é uma coisa boa. João Calvino escreveu nas Institutas que “conhecer a Deus e conhecer a nós mesmos é a soma de toda a sabedoria”. É assim que falamos sobre a santidade de Deus.

Essa distinção é fundamental para o modo como entendemos o evangelho (a necessidade de o nosso pecado ser tratado) e como nos relacionamos com Deus. Deus, sendo separado, é aquele que nos responsabiliza por cada palavra que dizemos e por tudo o que fazemos. Embora algumas falsas religiões ensinem que o homem pode se tornar um deus, jamais seremos iguais a Deus. E essa é uma característica marcante do cristianismo: Deus é acessível, mas não é alcançável.

E esse é o ponto: Deus é Deus e nós não somos. Deus está no céu e nós estamos na terra. Deus é o Senhor e nós somos seus servos. À medida que nos preparamos para o culto e a adoração, lembre-se de que devemos nos aproximar de Deus na condição de servos humildes. Devemos nos curvar diante dele. Devemos nos prostrar diante dele.

Quando entramos na presença de Deus e nos prostramos, passamos a olhar para o nosso mundo a partir dos olhos e da perspectiva do Senhor. Então descobrimos que aquilo que pensávamos ser uma montanha, que parecia grande e poderosa aos olhos do mundo, acabou se tornando pequeno e insignificante aos olhos de Deus. Quando pensávamos que éramos fracos, aí nos tornamos fortes, porque estávamos na presença de Deus. Quando pensávamos que éramos tolos, aí nos tornamos sábios do ponto de vista de Deus.

Você já olhou para cada uma das suas lutas e frustrações pessoais da perspectiva de Deus? A adoração é um momento em que entramos na presença dele para ver as nossas dificuldades, e também as nossas recompensas, a partir da Sua perspectiva. Isso pode fazer toda a diferença do mundo.

4. Pondere o que você diz a Deus

O Pregador continua escrevendo:

Quando fizer uma promessa a Deus, não demore a cumpri-la, pois ele não se agrada dos tolos. Cumpra todas as promessas que fizer. É melhor não dizer nada que fazer uma promessa e não cumprir.

(Ec 5:4-5, NVT)

Este é um aviso para não se comprometer demais, fazendo a Deus ou aos outros uma promessa que você não tem intenção ou capacidade de realizar. Deus não é gerente de banco, que fica animado porque você assinou um produto de capitalização, mas nem se importa se você nunca seguir em frente. Deus se preocupa com o que você diz e promete, porque, quando Ele fala e promete, é sempre cumprido. Se você disser a Deus que vai fazer alguma coisa, faça. Não atrase a sua resposta, deixando de seguir o que você sabe que Deus o chamou para fazer. Não se engane: dizer que obedecerá a Deus mais tarde é desobedecê-lo agora.

Deus leva os votos quebrados a sério. É por isso que Ele odeia o divórcio (Ml 2:16), lembra regularmente a Israel a sua infidelidade e lembra ao Seu povo os votos que Ele mesmo fez a eles. Agora, não aplique mal o versículo 5 como desculpa para nunca se comprometer com nada. Deus odeia desculpas esfarrapadas. Ele conhece os nossos corações e não podemos enganá-lo.

A fidelidade de Deus a nós, apesar de nós, deve ser motivo de grande reverência e adoração. Por isso o Pregador diz: “Quando você fizer uma promessa”, mantenha a sua palavra. As palavras podem não significar muito para nós, mas significam muito para Deus. Aos olhos dele, uma promessa é uma promessa. Se você jurou, honre.

Considere por um momento as promessas que você fez a Deus quando estava em adoração. O Pregador chama de tolo toda pessoa que faz promessas a Deus e não as cumpre. Quantos de nós já fizemos papel de tolo? No passado, prometemos a Deus que o serviríamos melhor, aprenderíamos mais, ensinaríamos mais pessoas, ofertaríamos mais e dizimaríamos fielmente, se conseguíssemos um emprego ou recebêssemos uma promoção. As pessoas também precisam se lembrar de que, quando se casaram, fizeram votos não apenas ao futuro cônjuge, mas também a Deus.

Deus se lembra das nossas promessas, mesmo que não as honremos. Imagino que alguns de nós tenham votos pendentes e atrasados diante de Deus, que precisam ser pagos. Quais promessas você jurou a Deus e não cumpriu? Saiba que Deus não as esquece. Assumir compromissos com Deus é como voar de avião: uma vez que você decola, não tem como voltar atrás. Estamos comprometidos. Não podemos mudar de ideia nem dizer: “Para o avião que eu quero descer!”

5. Leve Deus a sério

O Pregador concluiu essa seção do seu sermão dizendo:

Sonhar demais é inútil, assim como falar muito. Em vez disso, tema a Deus.

(Ec 5:7, NVT)

Temer a Deus não significa medo ou pavor. Significa santo temor, reverência e respeito. Em outras palavras, precisamos levar Deus a sério e nos aproximar dele com respeito e reverência. Acredito que Deus ama diversão e risos, e que ele se deleita com pessoas que têm senso de humor. Mas a adoração é um assunto sério. Nós devemos nos aproximar de Deus com respeito e temor. Você está pronto para embarcar no voo e fazer a viagem?

Conclusão

Se você vem à casa de Deus para adorá-Lo, precisará temê-Lo. Há segurança em temer a Deus com o temor de sua grandeza, “esplendor, poder, retidão e justiça”. O pecado que não é resolvido leva à nossa destruição. A santidade de Deus significa que a pena de morte pelo nosso pecado é justa. A misericórdia e a graça de Deus significam que Ele preparou um caminho para que essa penalidade seja paga e o relacionamento com Ele seja restaurado.

Sozinhos, somos todos tolos na forma como adoramos a Deus. Na verdade, Jesus só tem tolos para salvar. O versículo 4 diz que Deus não se agrada de tolos, mas por causa de Jesus Deus sofre por todos os tolos. Ele nos salva como tolos, transformando-nos em adoradores.

Em Jesus, temos uma fala perfeita e pura, porque cada palavra que ele falou era verdadeira. Acompanhei um pouco de uma série sobre a Páscoa e fiquei com esta lembrança: mesmo na maior dor e agonia da cruz, cada palavra que Jesus disse foi cuidadosamente escolhida. Em Jesus, como nosso mediador, o abismo que nos separa de Deus foi superado. Em Jesus, temos adoração perfeita diante de Deus, porque “no meio da congregação cantarei o seu louvor” (Hb 2:12). Jesus é o adorador perfeito e, pela nossa fé nele, também somos. Agora Deus Pai pode aceitar a nossa adoração imperfeita porque já recebeu adoração perfeita em Jesus.

É por isso que a vida sem pecado de Jesus é tão importante. É a vida perfeita de adoração de Jesus em nosso lugar. Quando falhamos em adorar a Deus perfeitamente, ele não fica com raiva e nos destrói, porque, por causa da cruz, Deus derramou sua raiva e destruiu Jesus em nosso lugar. Isso nos dá grande liberdade para agora adorar a Deus sem medo.

Portanto, irmãos, por causa do sangue de Jesus, podemos entrar com toda confiança no lugar santíssimo. Por sua morte, Jesus abriu um caminho novo e vivo através da cortina que leva ao lugar santíssimo. E, uma vez que temos um Sumo Sacerdote que governa sobre a casa de Deus, entremos com coração sincero e plena confiança, pois nossa consciência culpada foi purificada, e nosso corpo, lavado com água pura.

(Hb 10:19-22, NVT)

À luz da majestade e da glória de Deus, respondemos com uma adoração pronta para ouvir, cuidadosa na fala, limitando o que dizemos diante de Deus e sobre Deus ao que é verdadeiro, certo e bom. Damos a Deus o que Ele merece, incluindo o nosso talento, o nosso tempo e o nosso tesouro. Porque Deus é digno da nossa adoração, nós o reverenciamos quando confiamos em Jesus.