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TeologiaWesleyanismo4 de 5

Introdução ao Quadrilátero Wesleyano

Diego Gonçalvesatualizado 4 min de leitura791 palavras

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Neste texto

Durante o bacharelado em teologia, reparei que um professor metodista mencionava com frequência o Quadrilátero Wesleyano. A expressão foi cunhada por Albert Outler a partir dos ensinamentos de John Wesley e está incorporada à maioria dos documentos das igrejas de tradição wesleyana, que afirmam: “Wesley acreditava que o núcleo vivo da fé cristã foi revelado nas Escrituras, iluminado pela tradição, vivificado na experiência pessoal e confirmado pela razão.”

Retrato de John Wesley em idade avançada, de cabelo branco e vestes clericais
William Hamilton, Retrato de John Wesley, 1788. National Portrait Gallery, Londres. Domínio público, via Wikimedia Commons.

As quatro fontes da teologia

O Quadrilátero Wesleyano identifica quatro fontes para as nossas crenças: Escritura, tradição, experiência pessoal e razão. Creio que é uma boa forma de enxergar como desenvolvemos a nossa teologia pessoal, ainda que eu acrescentasse o Espírito Santo à equação, pois é Ele quem ilumina as quatro. Nenhuma das outras três está no mesmo nível da Escritura. Wesley se dizia homo unius libri, “homem de um só livro”, e submetia tudo ao que a Bíblia ensina.

As Escrituras

Se a Bíblia não é a espinha dorsal da nossa teologia pessoal, estamos quase certos de nos desviar. Segundo Paulo, a Escritura é inspirada por Deus e serve para ensinar, corrigir e conduzir à maturidade:

“Toda a Escritura é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para mostrar erros, para corrigir, e para instruir na justiça; para que o homem de Deus seja completo, plenamente instruído para toda boa obra.”

(2 Timóteo 3:16-17, Bíblia Livre)

Se a nossa teologia não está bem fundamentada nas Escrituras, estamos à deriva. Porém a Escritura, sozinha na página, não basta para quem a lê sem luz.

Em Lucas 24:13-35 está a história dos dois discípulos no caminho de Emaús, depois da ressurreição de Jesus. Ele se aproximou e começou a explicar o que as Escrituras diziam a Seu respeito. Certamente eles já conheciam essas passagens, mas só entenderam quando Jesus lhes deu iluminação. É isso que o Espírito Santo faz por nós hoje: pega as palavras de uma página que qualquer um pode ler e as faz falar como a Palavra de Deus para nós. Sem a Bíblia e sem a instrução do Espírito Santo, não podemos conhecer a Deus.

Tradição

A tradição, ou seja, os ensinamentos da igreja ao longo dos séculos, também influencia a nossa teologia pessoal. A doutrina da Trindade, por exemplo, não aparece formulada na Bíblia, embora esteja nela de modo claro, e levou mais de 300 anos para chegar à forma que conhecemos, no Credo Niceno. Muito do que consideramos verdade sobre Deus, sobre a Sua ação no mundo e em nossas vidas vem de outros que estudaram fielmente a palavra de Deus em busca de uma compreensão mais completa. Somos gratos a eles e ao trabalho que realizaram.

Experiência

A minha experiência pessoal no mundo e com Deus também molda a maneira como leio as Escrituras e entendo a atividade de Deus. Wesley falava aqui do testemunho do Espírito, que assegura ao filho de Deus que ele é filho (Romanos 8:16). Por isso é importante entender a experiência à luz das Escrituras, e não o contrário. Se eu deixar que a experiência molde a minha leitura da Bíblia, é provável que desenvolva uma visão incorreta. Mas se eu entender a experiência à luz da palavra de Deus, posso descobrir que ela confirma o que as Escrituras dizem sobre mim, sobre este mundo e sobre a atividade de Deus em ambos.

Razão

Muitas vezes temos medo da razão, preocupados com a ideia de que razão e fé não se misturam. Porém, ao identificar o maior mandamento, Jesus nos disse para amar a Deus com toda a nossa mente (Marcos 12:30). Deus quer que eu pense e enfrente as partes da Bíblia e da teologia que me parecem confusas. A razão é uma ferramenta importante que Deus nos deu. Mas, assim como a tradição e a experiência estão submetidas às Escrituras, a razão também está. Usemos a razão para garantir que a nossa teologia seja consistente e coerente, e não para eliminar da Bíblia as passagens que não se encaixam nela.

Use com sabedoria

O Quadrilátero Wesleyano é uma ferramenta útil para entender como desenvolvemos a nossa teologia. Tradição, experiência e razão ajudam a formar a teologia pessoal. Usadas com sabedoria, aprofundam o nosso conhecimento de Deus. Usadas de modo incorreto, podem nos afastar da verdadeira fé. Mantenhamos a palavra de Deus, iluminada pelo Espírito Santo, no centro da nossa teologia, e assim seremos como o trabalhador aprovado de que Paulo fala em 2 Timóteo 2:15.


Publicado em 30 de junho de 2024 · Atualizado em 22 de outubro de 2026

Nesta série

Wesleyanismo

4 de 5 · 80%

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Todos os textos
  1. Sede perfeitos: O que Wesley ensinou sobre perfeição cristã
  2. Wesley entre agostinianos e pelagianos
  3. Graça responsável: A teologia prática de John Wesley
  4. Introdução ao Quadrilátero Wesleyano
  5. 30 anos de “Graça responsável: A teologia prática de John Wesley”, de Randy L. Maddox

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