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Rute e a História Esquecida do Natal - Pt. 2

Diego Gonçalvesatualizado 3 min de leitura588 palavras

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Quando Noemi voltou a Belém depois de anos em Moabe, as mulheres da cidade a reconheceram. “Será que é Noemi?” Ela respondeu: “Não me chamem de Noemi. Chamem-me de Mara, porque o Senhor tornou minha vida muito amarga.” Ela voltou vazia, sem o marido, sem os filhos, sem perspectiva. Trouxe consigo apenas uma nora moabita que teimou em não ir embora.

O que ela não sabia é que estava voltando no início da colheita da cevada. Isso não é um detalhe de cenário: é o narrador avisando que alguma coisa está prestes a acontecer (Rute 1:22).

Rute foi ao campo catar o que os ceifeiros deixavam para trás, porque era disso que as viúvas e os estrangeiros viviam (Levítico 19:9-10). E ela “por acaso” foi parar no campo de Boaz, parente de Elimeleque, o marido falecido de Noemi. Quem lê já entende que não foi por acaso, mas Rute não sabia. Ela foi só trabalhar.

Boaz chegou ao campo, cumprimentou os trabalhadores e perguntou: “De quem é aquela jovem?” A pergunta é simples, mas o que vem depois não é: ele vai até Rute, fala com ela pelo nome e diz que ficou sabendo tudo o que ela fez pela sogra.

“E respondendo Boaz, disse-lhe: Por certo se me declarou tudo o que fizeste com tua sogra depois da morte de teu marido, e que deixando teu pai e tua mãe e a terra de onde nasceste, vieste a um povo que não conheceste antes. O SENHOR recompense tua obra, e tua remuneração seja cheia pelo SENHOR Deus de Israel, que vieste para cobrir-te debaixo de suas asas.”

(Rute 2:11-12, Bíblia Livre)

Boaz realmente a viu: não como estrangeira, não como catadora, mas como alguém com história e com uma lealdade que merecia ser reconhecida.

Cena de Boaz e Rute no campo de cevada, em estilo de pintura clássica

Boaz não faz o mínimo exigido pela lei: ele faz mais. Chama Rute para comer junto com os trabalhadores. Garante que ela beba da água deles. Manda deixar grãos extras caírem de propósito no caminho dela (Rute 2:14-16). É uma bondade que vai além do que alguém poderia esperar, e não é caridade calculada: é generosidade transbordando.

Esse é o Deus que o livro de Rute mostra sem precisar anunciá-Lo a cada linha: o Deus que vê o invisível, que não esquece o estrangeiro nem a viúva, que trabalha no ordinário de um campo de cevada para escrever uma história de redenção.

Boaz é figura de Cristo. Não é o redentor final, mas um sinal que aponta para Ele. Assim como Boaz foi até Rute, soube o nome dela, conheceu a história dela e agiu além do que se esperava, Jesus veio até nós, nos conhece pelo nome e pagou um preço que ninguém mais estaria disposto a pagar (Gálatas 4:4-5). Tudo isso é graça, dom de Deus do começo ao fim. O campo de cevada em Belém aponta para uma manjedoura em Belém, e a bondade de Boaz aponta para uma graça maior do que qualquer campo poderia conter.

Senhor, obrigado por um Deus que trabalha no ordinário. Que não precisa de circunstâncias perfeitas para agir. Que encontrou Noemi amarga, Rute catando sobras, e usou isso para escrever uma história que chegaria até o Natal. Que possamos, nesta semana de Advento, reconhecer que Tu continuas trabalhando, mesmo quando tudo parece parado. Em nome de Jesus. Amém.

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