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EstudosGênesis

Dinossauros na Bíblia: Beemote e Leviatã em Jó 40 e 41

Dinossauros, monstros e o Deus que criou tudo

Diego Gonçalves5 min de leitura989 palavras

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Neste estudo

Imagine que, no meio da igreja, aparece uma porta que ninguém tinha visto antes. Alguém abre. Do outro lado não tem corredor nem estacionamento. Tem uma floresta gigantesca, com árvores enormes e barulhos que ninguém reconhece. De repente, um som: tum. Tum. Tum. Alguma coisa está vindo, e atrás da porta aparece uma cabeça enorme de dinossauro.

Qual seria a sua primeira reação? Provavelmente correr, fechar a porta, gravar um vídeo pro TikTok ou chamar alguém. Agora imagine outra coisa. Você olha para aquele animal gigantesco e descobre que Deus conhece esse bicho. Sabe como ele funciona, quantos ossos tem, o que come e quando nasceu. E sabe exatamente por que aquela criatura existe. O dinossauro não é grande demais para Deus.

Quanto cabe dentro da palavra “terra”?

“No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1:1). Pense em quanto cabe dentro da palavra terra. Oceanos, montanhas, vulcões, elefantes, formigas, você, eu. E criaturas que ninguém vivo jamais viu andando.

Quem inventou o T-rex?

A pergunta não é quem descobriu os ossos, mas quem inventou esse negócio, com pescoço, dentes, pernas enormes, cauda e garras. Alguém teve a ideia disso.

Gn 1:20-25 diz que o mar não inventou os animais, a terra não inventou os animais e os animais não inventaram a si mesmos. Existe um Criador. Faça uma brincadeira: se você pudesse criar um animal, o que colocaria nele? Asas, dentes, olhos laser, uma cauda enorme, poder de invisibilidade? Agora olhe para os animais que realmente existiram, como o triceratops, o estegossauro, o braquiossauro e o tiranossauro. Tem criatura real mais estranha do que muita coisa inventada. Os fósseis deixam claro que esses animais existiram de verdade.

Dá quase pra dizer que a criação é a imaginação de Deus em forma de realidade. Não que Deus fique imaginando como a gente imagina. A ideia é outra: a criatividade que encontramos na natureza vem de um Criador que não é sem graça.

“Mas a Bíblia não fala dinossauro!”

É verdade, a palavra não aparece. Procure em Gênesis e você não acha. Então acabou? Pegamos a Bíblia no erro? Calma. A palavra “celular” também não aparece. “Wi-Fi” também não. “Brasil” também não. “Chocolate”, problema gravíssimo, também não.

A palavra dinossauro é moderna e só passou a ser usada no século 19. Por isso a pergunta mais interessante não é “onde está escrita a palavra dinossauro?”, e sim “que tipo de mundo a Bíblia descreve?”. A resposta é um mundo selvagem.

Beemote em Jó 40

É aqui que a Bíblia fica estranha. Em Jó 40:15, Deus diz a Jó: “Contempla agora o Beemote…” Beemo o quê? Vamos investigar como detetives e montar a ficha da criatura com o que Jó 40:15-24 diz:

  • O que come? Erva. É herbívoro.
  • É forte? Tem força nos lombos e ossos poderosos.
  • Onde vive? Entre plantas, rios e pântanos.

Então vem a pergunta: é dinossauro? Talvez. Alguns cristãos já pensaram assim. Outros entendem que a descrição é de um hipopótamo. Outros acham que a linguagem é altamente poética. Estudiosos cristãos não chegaram todos à mesma identificação, e isso é honesto reconhecer. O que podemos fazer é deixar o texto ser grande. Não precisamos diminuir o Beemote para caber na nossa imaginação, e também não precisamos obrigá-lo a virar um braquiossauro.

Leviatã em Jó 41

Agora piora. Vem o mar, e Jó 41 apresenta o Leviatã. Você colocaria isso num aquário? Faria carinho? Colocaria uma coleira? Postaria “achei um bichinho perdido, alguém conhece o dono?” Nada disso.

O Sl 104:25-26 mostra algo interessante. O mar está cheio de criaturas, os navios passam, e o Leviatã está lá. Deus não está preocupado. O ser humano olha e pensa: monstro. Deus olha e pensa: criatura. Para nós, motivo de susto. Para Deus, criação.

O segredo de Jó

Há uma coisa muito importante aqui. Deus não mostrou o Beemote e o Leviatã a Jó porque Jó tinha pedido uma aula de zoologia. Jó estava sofrendo. Tinha perguntas e não entendia o que Deus estava fazendo. Então Deus começa a mostrar o tamanho do mundo.

É como se Deus dissesse: “Jó, você não sabe colocar as estrelas no lugar. Você não manda no mar. Você não controla o Beemote. Você não põe o Leviatã numa coleira. Existem milhares de coisas acontecendo neste mundo que você não consegue compreender, mas eu consigo.”

Isso muda a pergunta. Jó começou pensando: “Deus, por que eu não entendo?” E Deus o leva a outra pergunta: “Jó, você consegue confiar em mim mesmo sem entender tudo?”

E os dinossauros?

Talvez seja por isso que os dinossauros mexem tanto com a nossa cabeça. Eles nos fazem imaginar um mundo que não conhecemos: gigantesco, estranho, antigo, cheio de criaturas que nunca veremos vivas. E então percebemos que o mundo nunca foi do nosso tamanho. O dinossauro é grande, o mundo é maior, o universo é muito maior, e Deus é incomparável.

“Pois nele foram criadas todas as coisas” (Cl 1:16). Inclusive as que conhecemos, as que desapareceram e as que ainda não entendemos.

Não perca o assombro

Às vezes a gente cresce e começa a achar que ser cristão significa ter resposta pronta pra tudo. Não significa. A Bíblia nos ensina algo melhor. Podemos olhar para uma criatura misteriosa e dizer: “Eu não sei exatamente.” Podemos olhar para Jó e dizer: “Não sei exatamente o que era o Beemote.” Podemos perguntar sobre dinossauros, estudar fósseis, conversar sobre criação e fazer perguntas difíceis. A nossa fé não depende de fingir que sabemos tudo, mas de saber quem é Deus.

O dinossauro é grande. O mundo é maior. E aquele por meio de quem todas as coisas foram criadas entrou na própria criação, morreu numa cruz e se chama Jesus. Quanto maior a criação, maior o nosso assombro diante do Criador.

Fica uma pergunta para levar pra casa. Se Deus consegue cuidar de um universo que teve criaturas como Beemote, Leviatã e animais gigantescos que desapareceram, será que ele perdeu o controle da sua vida?