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DevocionaisDevocionais em Gênesis10 de 21

Gn 15:8Tornando o inacreditável acreditável

Diego Gonçalvesatualizado 3 min de leitura599 palavras

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“Perguntou-lhe Abrão: ‘Ó Soberano Senhor, como posso saber que tomarei posse dela?’”(Gênesis 15:8 - NVI)

Por volta de 1930, os estudiosos conheceram, no norte da Síria, três blocos de pedra com inscrições aramaicas. São as chamadas Estelas de Sefire, do século VIII a.C., que registram um tratado de paz entre dois reis da região. O que chamou a atenção dos estudiosos foi uma cláusula específica: quem quebrasse o acordo seria cortado como os animais do ritual de aliança.

Fotografia em preto e branco dos blocos de basalto das Estelas de Sefire, cobertos de inscrições aramaicas
Estelas de Sefire, século VIII a.C. Fotografias publicadas por Sébastien Ronzevalle em 1930 (prancha XXXIX). Domínio público, via Wikimedia Commons.

Esse detalhe joga luz direta sobre um episódio de Gênesis 15. Abraão recebeu de Deus a promessa de uma terra e de uma descendência. Só que era um homem idoso, sem filhos, olhando para uma terra que não lhe pertencia. Por isso perguntou: “Ó Soberano Senhor, como posso saber que tomarei posse dela?” Não era incredulidade: era um homem pedindo fundamento, algo concreto para sustentar a fé que ele já tinha.

Deus não repreendeu Abraão pela pergunta. Respondeu com um ritual. Pediu que ele trouxesse animais e os dividisse ao meio. Quando o sol se pôs e uma escuridão pesada desceu, uma fornalha fumegante e uma tocha de fogo passaram entre os pedaços (Gênesis 15:17 - NVI). Era Deus atravessando o corredor dos animais, como quem diz: “Se eu não cumprir esta aliança, que aconteça comigo o mesmo.”

É aqui que as Estelas de Sefire fazem sentido. Esse ritual não era invenção de Gênesis: era o modo como os povos do Oriente Antigo selavam acordos sérios. Todos entendiam essa linguagem. O que Deus fez com Abraão era um compromisso real, firmado de uma forma que Abraão conseguia compreender. Deus falou a língua do homem para comunicar algo que nenhuma língua humana consegue conter por completo.

Mas há um detalhe que muda tudo: Abraão não passou entre os animais. Só Deus passou. Isso significa que Deus assumiu o compromisso sozinho, de modo unilateral. Se a aliança fosse quebrada, o peso cairia sobre ele, não sobre Abraão. A promessa não dependia da fidelidade de Abraão; dependia do caráter de Deus. É a graça desde o princípio: Abraão “creu ao SENHOR, e contou-lhe por justiça” (Gênesis 15:6, Bíblia Livre), e o que sustentava essa fé era a promessa de Deus, não a firmeza de quem a recebia.

E eu também preciso ouvir isso. Tenho o hábito de achar que a minha parte no trato com Deus precisa estar perfeita para que ele cumpra o que prometeu. Só que isso é entender a aliança de trás para a frente. O que sustenta a promessa de Deus não é o quanto eu fui fiel, mas o quanto ele é. “aquele que prometeu é fiel” (Hebreus 10:23, Bíblia Livre).

A pergunta de Abraão, “como posso saber?”, é uma pergunta honesta que Deus levou a sério. Ele não desistiu de Abraão por causa dela, e não vai desistir de você por causa das suas dúvidas. Ele responde às perguntas honestas com a revelação de si mesmo.

Oração:

Senhor, obrigado por ter assumido o compromisso por mim. Perdoa as vezes em que achei que a sua fidelidade dependia da minha. Que eu descanse na aliança que você firmou na cruz, onde cumpriu tudo o que prometeu. Amém.

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