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Gênesis 3a mania de costurar disfarces diante de Deus

Gênesis 3: A mania antiga de costurar disfarces diante de Deus

Diego Gonçalves2 min de leitura485 palavras

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A primeira reação do ser humano logo após a queda no Éden não foi pedir socorro, mas correr para os arbustos com uma agulha improvisada na mão.

O texto de Gênesis 3 conta que, assim que Adão e Eva desobedeceram a Deus, os olhos deles se abriram e eles perceberam que estavam nus. Tomados pelo medo e pela vergonha, costuraram folhas de figueira para cobrir o corpo e se esconderam no meio das árvores do jardim assim que ouviram os passos do Criador na viração do dia.

Dois mil anos depois, a gente continua fazendo exatamente a mesma coisa.

A gente não anda mais pela rua vestido com folhas de árvores, mas aperfeiçoou a arte de costurar disfarces morais e religiosos. A nossa folha de figueira moderna é a pose de pessoa bem-sucedida, o discurso moralista que aponta o dedo para o erro dos outros, a necessidade neurótica de parecer espiritualmente inabalável e aquele sorriso amarelo de “está tudo bem” quando a alma está se desmanchando por dentro.

A gente tem um pavor quase incontrolável da própria nudez. A gente acha que, se admitir que está confuso, ferido ou com fraquezas que não consegue vencer sozinho, Deus vai nos riscar do mapa e os irmãos da igreja vão nos rejeitar.

Essa farsa ganhou ainda mais força nos últimos anos com a chamada teologia triunfalista. Esse discurso vende a ilusão de que o verdadeiro crente tem que ser um vencedor invicto todos os dias: nunca adoece, nunca tem dúvida, nunca passa por aperto financeiro e sempre anda de cabeça erguida.

Só que a Bíblia inteira caminha no sentido oposto.

Pense no patriarca Jacó. Ele era o típico esperto que sempre dava um jeito em tudo: enganou o irmão, passou a perna no sogro e sempre saía por cima em qualquer negociação. A virada na vida de Jacó só aconteceu quando ele encontrou com o Senhor no vau de Jaboque. Ali ele lutou a noite inteira e perdeu. Deus tocou na juntura da coxa dele, e Jacó saiu daquele encontro mancando pelo resto da vida. Ele perdeu a autossuficiência, mas ganhou a bênção da dependência real de Deus.

Não existe perdão onde a verdade não é dita. A graça de Deus não perdoa versões editadas da nossa história nem atende pessoas disfarçadas. Enquanto a gente insistir em se esconder atrás das nossas folhas de figueira religiosas, a culpa continua corroendo o coração por dentro.

A pergunta que ecoou pelo jardim do Éden continua sendo feita a cada um de nós hoje: “Onde você está?”.

Deus não fez essa pergunta porque estava perdido geograficamente; Ele perguntou para que Adão tivesse a coragem de sair do esconderijo, confessar a sua fragilidade e ser acolhido. A verdadeira liberdade cristã não nasce de tentar parecer forte, mas da coragem humilde de se despir diante do Pai e descobrir que o amor de Cristo é suficiente para cobrir toda a nossa vergonha.