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Filipenses 2:5-11A humildade que desceu da glória

A humildade que desceu da glória (Filipenses 2:5-11)

Diego Gonçalves4 min de leitura735 palavras

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“Isto seja, para que esteja em vós este modo de pensar, que também esteve em Cristo Jesus: mesmo ele sendo em forma de Deus, não considerou a igualdade a Deus como algo para se apegar; pelo contrário, ele esvaziou a si mesmo, tomando a forma de servo, e se tornou semelhante aos homens; e, quando se encontrava em forma humana, ele humilhou a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte de cruz.”

(Filipenses 2:5-8, Bíblia Livre)

O mundo em que vivemos funciona como uma feira de autopromoção que nunca fecha. Desde cedo somos estimulados a disputar espaços de poder, a exigir direitos com unhas e dentes, a fazer valer a nossa vontade sobre os outros e a construir uma imagem pública de sucesso e autossuficiência. O orgulho é a raiz invisível que alimenta as brigas familiares, os rompimentos de amizades e as divisões dentro das próprias comunidades de fé.

Quando o apóstolo Paulo escreve aos filipenses a partir de uma cela de prisão em Roma, ele não tenta resolver as tensões internas daquela igreja com regras de etiqueta ou técnicas de gestão de conflitos. Ele convoca os irmãos a olharem para Jesus: “para que esteja em vós este modo de pensar, que também esteve em Cristo Jesus” (Filipenses 2:5, Bíblia Livre). A palavra que Paulo usa para “modo de pensar” quer dizer a disposição interior da mente, a maneira de encarar a própria existência.

Jesus, de toalha na cintura, ajoelhado diante de Pedro para lavar-lhe os pés, em pintura do século 19
Ford Madox Brown, Jesus lava os pés de Pedro, 1852-1856. Tate Britain, Londres. Domínio público, via Wikimedia Commons.

O que se segue é um hino que a igreja cantava desde cedo, e um dos textos mais densos do Novo Testamento sobre Cristo. Cristo nunca deixou de ser Deus; Ele possuía toda a majestade, soberania e glória eternas. Só que, ao contrário do primeiro Adão, que no jardim do Éden quis ser igual a Deus por soberba, Jesus não considerou a Sua igualdade com o Pai uma vantagem para guardar para Si. Ele se esvaziou a Si mesmo, não deixando de ser Deus, mas assumindo a forma de servo e abrindo mão voluntariamente dos Seus privilégios celestiais.

Jesus desceu a escada inteira: trocou a glória pela manjedoura, a majestade pelo avental de servo e o louvor dos anjos pela zombaria dos soldados. A Sua obediência não parou na encarnação; ela foi até as últimas consequências, aceitando a morte mais vergonhosa, maldita e desumana da antiguidade: a morte de cruz. Ele se fez servo para libertar os escravos do pecado.

A resposta de Deus a essa entrega total não foi o silêncio da sepultura, mas a exaltação suprema (Filipenses 2:9). Deus ressuscitou Jesus e Lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que diante Dele todo joelho se dobre e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.

A verdadeira grandeza no Reino de Deus não se mede pelo número de pessoas que nos servem, mas pela disposição de nos abaixarmos para lavar os pés dos outros em amor. Olhar para a cruz de Cristo desmonta qualquer pretensão de vaidade e nos ensina que a humildade não é fraqueza: é onde a graça de Deus mostra o seu poder no coração humano.

Oração

Senhor Jesus Cristo, Rei eterno e Servo fiel, dobro os meus joelhos diante da Tua infinita misericórdia e majestade. Tu que és o Criador de todas as coisas não hesitaste em descer à nossa miséria, esvaziando-Te da Tua glória e entregando a Tua vida na cruz por amor a mim.

Perdoa o meu orgulho insistente, a minha vaidade secreta e a facilidade com que exijo ser reconhecido, servido e bajulado. Arranca do meu peito a amargura das disputas e a necessidade infantil de ter sempre a última palavra.

Concede-me a graça de cultivar o mesmo sentimento que houve em Ti. Ensina-me a servir ao meu próximo com alegria sincera, a valorizar os outros com generosidade e a caminhar em humilde obediência ao Pai em cada instante do meu dia. Que a minha vida exalte o Teu santo nome diante do mundo. Amém.

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