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Romanos 5:8o amor que não esperou a gente melhorar
Romanos 5: O amor que não esperou a gente melhorar
“Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.”(Romanos 5:8)
O amor humano, na esmagadora maioria das vezes, funciona na base da troca. A gente se encanta por quem é agradável, faz amizade com quem é parecido conosco, trata bem quem elogia o nosso trabalho e se afasta rapidinho de quem nos traz prejuízo, trabalho ou decepção. No fundo, a gente quase sempre calcula o custo e o benefício antes de se comprometer. Se a convivência não dá retorno, a nossa reação imediata é fechar a torneira do afeto.
O perigo é que a gente passa a vida inteira achando que o amor de Deus funciona pela mesma tabela de preços.
A gente passa a acreditar que precisa acumular pontos de bom comportamento para conquistar a atenção do céu. Acorda cedo tentando ser uma pessoa impecável, faz esforço para não falar besteira, tenta segurar a calma no trânsito e, se no fim das contas tudo deu certo, a gente sente que Deus está satisfeito conosco. Mas se a gente comete um deslize, a culpa bate na porta e o primeiro instinto é fugir de Deus, como Adão fez atrás das árvores do jardim, imaginando que o Criador só nos aguenta quando a nossa roupa está limpa.
É contra essa religiosidade comercial que o apóstolo Paulo levanta uma das afirmações mais fortes do Novo Testamento: “Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”.
Preste atenção na ordem das coisas, porque é ela que sustenta o evangelho.
Primeiro, Paulo afirma que Deus “prova” o Seu amor. Deus não é como alguém que faz declarações bonitas na internet ou promete mundos e fundos na hora da calmaria, mas desaparece na primeira tempestade. O amor do Senhor não é uma ideia abstrata ou uma filosofia bonita; é um fato histórico gravado na poeira da Judeia há dois mil anos. Uma cruz de madeira rústica, cravos de ferro rasgando carne humana e o Filho de Deus entregando a própria vida para pagar uma dívida que não era d’Ele.
Segundo, esse sacrifício foi em nosso lugar. A distância moral que as nossas rebeldias cavaram contra a justiça de Deus era impossível de ser vencida por esforço humano. Não existia penitência, caridade ou jejum capaz de apagar a nossa culpa. O evangelho nos olha nos olhos com uma franqueza desconcertante: a nossa falha era tão séria que custou a vida do próprio Autor da vida para nos resgatar da morte.
E o golpe definitivo contra a nossa vaidade está na última frase: “sendo nós ainda pecadores”.
Cristo não esperou a gente consertar a conduta para vir ao nosso encontro. Ele não esperou a humanidade criar juízo, pedir desculpas de joelhos e assinar um termo de bom comportamento. Ele morreu pelos rebeldes, pelos fracos e pelos ingratos. Ele morreu por nós quando a gente ainda estava de costas para a verdade, ocupado demais em defender os próprios caprichos.
Se Deus amou você no seu pior dia, por que você acha que Ele vai desistir de você agora?
Essa certeza desmonta qualquer pose espiritual. Ninguém nesta igreja está de pé porque é mais sábio, mais santo ou mais dedicado do que as outras pessoas. A única coisa que nós levamos para o calvário foi o pecado que tornou a morte de Cristo necessária. Todo o resto, o perdão, a paz na consciência, a reconciliação e a esperança do amanhã, é graça pura, oferecida gratuitamente pelo sangue derramado na cruz.
E esse amor escandaloso nos chama a descer do pedestal. Se Cristo não exigiu uma ficha limpa para derramar misericórdia sobre nós, que autoridade a gente tem para guardar rancor de quem nos feriu? Se Ele nos amou quando nós éramos Seus adversários, como podemos selecionar quem merece ou não o nosso cuidado?
O convite da Palavra hoje é para você parar de tentar comprar a aceitação de Deus com o seu próprio esforço. Aproxime-se da cruz com as suas feridas, com a sua bagunça interior e com as suas fraquezas reais. Abandone o teatro da autossuficiência e descanse na verdade de que você é amado por um Deus que pagou o preço mais alto do universo para nunca mais te soltar.
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