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Me converti, e agora? Os primeiros passos com Jesus

Me converti, e agora? O que realmente muda nos primeiros passos com Jesus

Diego Gonçalvesatualizado 4 min de leitura754 palavras

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O momento em que entregamos a vida a Jesus costuma vir acompanhado de um alívio enorme. Parece que o peso do mundo saiu das costas, dá uma vontade sincera de chorar e saímos do culto com a sensação de que nunca mais vamos errar.

Só que a segunda-feira sempre chega.

Nicodemos visita Jesus à noite, no terraço de uma casa iluminada por uma lamparina, em pintura de Henry Ossawa Tanner
Henry Ossawa Tanner, Nicodemos visita Jesus, 1899. Pennsylvania Academy of the Fine Arts, Filadélfia. Domínio público, via Wikimedia Commons.

O despertador toca, o trânsito continua travado, as contas continuam vencendo no mesmo dia e descobrimos que as nossas velhas fraquezas não sumiram por mágica. É aí que bate a crise clássica de recém-convertido: “Será que minha conversão foi de verdade? Por que ainda sinto raiva? Por que ainda tenho tantas dúvidas?”

Se há uma passagem que ajuda a firmar os pés no chão logo no começo da caminhada, é o versículo mais conhecido da Bíblia:

“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito; para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”

(João 3:16, Bíblia Livre)

Ouvimos esse texto tantas vezes que corremos o risco de tratá-lo como um slogan decorativo, mas ele responde com muita sobriedade às maiores angústias de quem acabou de começar.

A primeira coisa que João 3:16 ensina é de onde parte a iniciativa: Deus amou primeiro. A sua nova vida não começou porque você ficou melhor do que os outros ou teve uma iluminação espiritual superior. A fé cristã nasce do amor de Deus por gente que estava perdida, e foi esse amor que o buscou antes mesmo de você responder, pela graça que vai adiante de nós e desperta o coração (o que John Wesley chamava de graça preveniente). Isso significa que a base da sua segurança com Ele não é o seu desempenho de hoje, mas a fidelidade de Deus demonstrada na cruz, onde Cristo levou o nosso pecado.

O segundo ponto é entender o que significa crer. Muita gente confunde crer em Jesus com concordar com uma lista de doutrinas ou simplesmente passar a frequentar os cultos de domingo. Só que a Bíblia diz que até os demônios creem que Deus existe e tremem (Tiago 2:19). Crer, no evangelho, é transferir a confiança: você para de tentar se salvar pela própria força ou pela pose de bom moço e se apoia somente no que Jesus fez por você. A salvação é um presente imerecido da graça, recebido pela fé, de mãos vazias (Efésios 2:8-9).

E a consequência disso desmonta a nossa neurose religiosa. Não começamos a orar, a ler a Bíblia e a abandonar os velhos hábitos para fazer Deus gostar de nós; fazemos tudo isso porque Ele já nos amou e nos acolheu em Cristo. A ordem dos fatores aqui muda tudo. Quando a obediência vem do medo, a fé vira um fardo insuportável; quando a obediência nasce da gratidão, a caminhada ganha leveza.

Isso não quer dizer que seguir Jesus seja um passeio confortável. Pelo contrário: a salvação é de graça, mas o discipulado custa a vida inteira. Seguir a Cristo mexe no que fazemos quando estamos sozinhos no quarto, na forma como lidamos com o dinheiro, nas conversas de trabalho e na paciência dentro de casa. Só que essa transformação não acontece da noite para o dia. A Bíblia chama isso de santificação, um processo diário em que o Espírito Santo vai moldando o nosso caráter com paciência, passo a passo, e que caminha para o amor perfeito. Ninguém faz esse caminho sozinho: a vida em comunidade, a oração e a Palavra são os meios que Deus usa para nos sustentar.

Se tropeçarmos ou esfriarmos no caminho, e isso mais cedo ou mais tarde vai acontecer, o remédio não é fugir de Deus com vergonha nem fingir que nada aconteceu. O caminho do evangelho é voltar correndo para a cruz, confessar com honestidade e receber o perdão que Jesus já conquistou (1 João 1:9). Seguir a Cristo não é uma prova de perfeição para ver se passamos no teste, mas o aprendizado diário de descansar em um Salvador que começou a boa obra e é fiel para completá-la até o fim (Filipenses 1:6).

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