
Me converti, e agora? Os primeiros passos com Jesus
Me converti, e agora? O que realmente muda nos primeiros passos com Jesus
O momento em que entregamos a vida a Jesus costuma vir acompanhado de um alívio enorme. Parece que o peso do mundo saiu das costas, dá uma vontade sincera de chorar e saímos do culto com a sensação de que nunca mais vamos errar.
Só que a segunda-feira sempre chega.
O despertador toca, o trânsito continua travado, as contas continuam vencendo no mesmo dia e descobrimos que as nossas velhas fraquezas não sumiram por mágica. É aí que bate a crise clássica de recém-convertido: “Será que minha conversão foi de verdade? Por que ainda sinto raiva? Por que ainda tenho tantas dúvidas?”
Se há uma passagem que ajuda a firmar os pés no chão logo no começo da caminhada, é o versículo mais conhecido da Bíblia:
“Porque Deus amou ao mundo de tal maneira, que deu o seu Filho unigênito; para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.”
(João 3:16, Bíblia Livre)
Ouvimos esse texto tantas vezes que corremos o risco de tratá-lo como um slogan decorativo, mas ele responde com muita sobriedade às maiores angústias de quem acabou de começar.
A primeira coisa que João 3:16 ensina é de onde parte a iniciativa: Deus amou primeiro. A sua nova vida não começou porque você ficou melhor do que os outros ou teve uma iluminação espiritual superior. A fé cristã nasce do amor de Deus por gente que estava perdida, e foi esse amor que o buscou antes mesmo de você responder, pela graça que vai adiante de nós e desperta o coração (o que John Wesley chamava de graça preveniente). Isso significa que a base da sua segurança com Ele não é o seu desempenho de hoje, mas a fidelidade de Deus demonstrada na cruz, onde Cristo levou o nosso pecado.
O segundo ponto é entender o que significa crer. Muita gente confunde crer em Jesus com concordar com uma lista de doutrinas ou simplesmente passar a frequentar os cultos de domingo. Só que a Bíblia diz que até os demônios creem que Deus existe e tremem (Tiago 2:19). Crer, no evangelho, é transferir a confiança: você para de tentar se salvar pela própria força ou pela pose de bom moço e se apoia somente no que Jesus fez por você. A salvação é um presente imerecido da graça, recebido pela fé, de mãos vazias (Efésios 2:8-9).
E a consequência disso desmonta a nossa neurose religiosa. Não começamos a orar, a ler a Bíblia e a abandonar os velhos hábitos para fazer Deus gostar de nós; fazemos tudo isso porque Ele já nos amou e nos acolheu em Cristo. A ordem dos fatores aqui muda tudo. Quando a obediência vem do medo, a fé vira um fardo insuportável; quando a obediência nasce da gratidão, a caminhada ganha leveza.
Isso não quer dizer que seguir Jesus seja um passeio confortável. Pelo contrário: a salvação é de graça, mas o discipulado custa a vida inteira. Seguir a Cristo mexe no que fazemos quando estamos sozinhos no quarto, na forma como lidamos com o dinheiro, nas conversas de trabalho e na paciência dentro de casa. Só que essa transformação não acontece da noite para o dia. A Bíblia chama isso de santificação, um processo diário em que o Espírito Santo vai moldando o nosso caráter com paciência, passo a passo, e que caminha para o amor perfeito. Ninguém faz esse caminho sozinho: a vida em comunidade, a oração e a Palavra são os meios que Deus usa para nos sustentar.
Se tropeçarmos ou esfriarmos no caminho, e isso mais cedo ou mais tarde vai acontecer, o remédio não é fugir de Deus com vergonha nem fingir que nada aconteceu. O caminho do evangelho é voltar correndo para a cruz, confessar com honestidade e receber o perdão que Jesus já conquistou (1 João 1:9). Seguir a Cristo não é uma prova de perfeição para ver se passamos no teste, mas o aprendizado diário de descansar em um Salvador que começou a boa obra e é fiel para completá-la até o fim (Filipenses 1:6).
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