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Muros para o coração: autocontrole e celular (Provérbios 25:28)
Lição para adolescentes, com dinâmica, perguntas para conversa e desafio da semana
Neste estudo
- Introdução
- Dinâmica: a cidade sem muros
- Parte 1: o relatório que ninguém quer ver (10 minutos)
- Parte 2: a cidade sem muros (15 minutos)
- 1. Guardar o coração
- Perguntas para discussão
- 2. Contar os dias
- Perguntas para discussão
- 3. Reconstruir os muros
- Perguntas para discussão
- Desafio da semana: o plano de Neemias
- Conclusão
- Perguntas para discussão (10)
Introdução
Nas grandes cidades brasileiras, quase toda casa tem muro, portão e cadeado. Muitas têm grade na janela, cerca elétrica e câmera na garagem, e os prédios têm portaria e interfone. Ninguém acha isso exagero, porque sabemos que não dá para deixar a casa aberta para qualquer um entrar. Curiosamente, a mesma pessoa que confere duas vezes se trancou o portão passa o dia com a mente completamente aberta, deixando entrar tudo o que aparece na tela.
Confesso que eu também caio nisso. Pego o celular para responder uma mensagem e, quando percebo, já assisti a vinte vídeos, li comentários de gente que nem conheço e esqueci a mensagem que ia responder. Ninguém planeja passar a noite inteira na tela. Simplesmente acontece, um vídeo de cada vez.
A Bíblia tem uma palavra para a capacidade de fechar o portão na hora certa: domínio próprio. E ela usa uma imagem muito parecida com a das nossas casas para explicar por que isso é tão sério. Nesta lição, vamos ver o que significa guardar o coração, por que o nosso tempo vale tanto e como reconstruir os muros que deixamos cair.
Dinâmica: a cidade sem muros
A dinâmica tem duas partes. A primeira mostra o tamanho do problema com números reais do próprio grupo. A segunda faz todo mundo sentir na pele o que Provérbios 25:28 descreve.
Material: papel e caneta para cada participante, uma caixa ou sacola, uma calculadora (a do celular serve), cinco folhas grandes com as palavras HORÁRIO, FILTRO, AMIGO, ORAÇÃO e BÍBLIA, fita adesiva e cerca de dez fichas com as palavras NOTIFICAÇÃO, MADRUGADA, COMPARAÇÃO, ANSIEDADE, CONTEÚDO IMPURO, FOFOCA, TÉDIO, “SÓ MAIS UM VÍDEO”.
Espaço: uma sala com as cadeiras afastadas ou um espaço aberto. A segunda parte envolve correr e segurar as mãos, por isso tire do caminho qualquer coisa em que alguém possa tropeçar.
Parte 1: o relatório que ninguém quer ver (10 minutos)
Peça que todos abram no celular a função que mostra o tempo de uso do aparelho. No Android ela costuma se chamar “Bem-estar digital”; no iPhone, “Tempo de Uso”. Cada participante anota num papel, sem colocar o nome, duas informações: a média diária de horas de tela da última semana e o aplicativo mais usado. Quem não tiver celular anota uma estimativa honesta. Os papéis vão dobrados para a caixa.
Enquanto o grupo conversa, um líder soma as médias e calcula a média do grupo. Depois, leia em voz alta alguns dos aplicativos mais usados e apresente a conta para todos:
“A média deste grupo é de ___ horas por dia. Em um ano, isso dá ___ horas, ou seja, ___ dias inteiros, de dia e de noite, olhando para uma tela.”
Para fazer a conta, multiplique a média diária por 365 e divida o resultado por 24. Uma média de 4 horas por dia, por exemplo, dá cerca de 61 dias por ano, ou seja, dois meses inteiros sem dormir, sem comer e sem fazer mais nada. Deixe o número no ar por alguns segundos antes de seguir. Se quiser, o líder pode colocar o próprio número na caixa também. Não use o resultado para humilhar ninguém. A intenção é que cada um perceba sozinho o quanto da vida está indo para a tela.
Parte 2: a cidade sem muros (15 minutos)
Escolha um voluntário para ser a cidade. Ele fica no centro do espaço. Escolha de seis a oito participantes para serem os invasores e entregue a cada um uma das fichas, presa à roupa com fita adesiva. O restante do grupo forma o muro.
Primeira rodada: o muro com brechas. Apenas três pessoas formam o muro em volta da cidade, de mãos dadas, deixando espaços grandes entre elas. Ao sinal do líder, os invasores têm 30 segundos para tocar no ombro da cidade. O muro pode se mover, mas não pode soltar as mãos. Em poucos segundos a cidade é tocada várias vezes. Conte quantos invasores conseguiram entrar.
Segunda rodada: o muro completo. Agora o muro é formado pelo maior número possível de participantes, bem próximos, de mãos dadas. Cinco deles levam presas ao peito as folhas HORÁRIO, FILTRO, AMIGO, ORAÇÃO e BÍBLIA. Ao sinal, os invasores têm de novo 30 segundos. A cidade continua sendo tocada de vez em quando, mas com muito mais dificuldade. Conte novamente.
Terceira rodada (opcional): o muro que se desfaz. Repita a segunda rodada, mas a cada 5 segundos o líder chama um nome do muro (“ORAÇÃO, saia!”), e a pessoa solta as mãos e sai. Logo o muro volta a ter brechas, e os invasores voltam a entrar. Essa rodada mostra que limite que não é mantido deixa de proteger.
Conversa (5 minutos):
- O que a cidade sentiu na primeira rodada? E na segunda?
- Na segunda rodada ainda houve invasores que conseguiram entrar. O que isso nos ensina sobre os limites? (Nenhum limite nos torna perfeitos, mas ele reduz muito o estrago.)
- Olhando para as fichas dos invasores, qual delas mais entra na sua vida pelo celular?
- Qual das cinco partes do muro está mais fraca na sua vida hoje?
Feche a dinâmica ligando as duas partes: os números da caixa mostram por onde os invasores estão entrando, e a brincadeira mostra que uma cidade só fica protegida quando alguém se dispõe a levantar e manter os muros. É exatamente disso que fala o texto que vamos ler agora.
1. Guardar o coração
“Como a cidade com seus muros derrubados, assim é quem não sabe dominar-se.”(Provérbios 25:28, NVI)
“Acima de tudo, guarde o seu coração, pois dele depende toda a sua vida.”(Provérbios 4:23, NVI)
Em Israel, uma cidade sem muros não tinha como se defender. Qualquer exército, qualquer bando de saqueadores, qualquer animal selvagem podia entrar a qualquer hora. Salomão compara a pessoa sem domínio próprio a uma cidade assim: ela não escolhe o que entra, apenas recebe.
O segundo provérbio explica por que isso é tão significativo. Na Bíblia, o coração não é apenas o lugar dos sentimentos, mas o centro da pessoa, de onde saem as decisões, os desejos e a maneira de enxergar o mundo. Aquilo que entra no coração, cedo ou tarde, aparece na vida. Quem passa horas consumindo raiva acaba mais irritado. Quem passa horas olhando a vida editada dos outros acaba insatisfeito com a própria. Quem deixa entrar conteúdo impuro acaba com a mente cheia dele.
Por isso, guardar o coração não é ser medroso nem fechado ao mundo, mas ser responsável com aquilo que Deus nos confiou.
Perguntas para discussão
2. Contar os dias
“Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria.”(Salmo 90:12, NVI)
“Tenham cuidado com a maneira como vocês vivem; que não seja como insensatos, mas como sábios, aproveitando ao máximo cada oportunidade, porque os dias são maus.”(Efésios 5:15-16, NVI)
Lembra do número que apareceu na dinâmica? Moisés, o autor do Salmo 90, pede a Deus que nos ensine a fazer exatamente aquele tipo de conta. Contar os dias quer dizer perceber que o tempo é limitado e que cada hora gasta é uma hora que não volta. Quem aprende essa conta fica mais sábio, porque passa a escolher melhor onde coloca a própria vida.
Paulo diz a mesma coisa de outro jeito. A expressão “aproveitando ao máximo cada oportunidade” tem a ideia de resgatar o tempo, como quem compra de volta algo que estava se perdendo. Ou seja, o tempo é um presente de Deus, e nós vamos prestar contas de como o usamos.
Isso não significa que todo minuto no celular é desperdício. Conversar com amigos, aprender algo novo e descansar também fazem parte de uma vida sábia. O problema é quando o tempo vai embora sem que tenhamos decidido gastá-lo.
Perguntas para discussão
3. Reconstruir os muros
Cerca de 140 anos depois da destruição de Jerusalém, os muros da cidade ainda estavam no chão. Neemias, um judeu que servia ao rei da Pérsia, ficou sabendo disso e chorou. Depois orou, pediu permissão ao rei e foi pessoalmente reconstruir.
O livro de Neemias mostra três coisas que nos ajudam muito.
Em primeiro lugar, a obra começou com oração e continuou com trabalho. Quando os inimigos ameaçaram atacar, o povo orou a Deus e, ao mesmo tempo, colocou guardas de dia e de noite (Neemias 4:9). Neemias não achou que precisava escolher entre confiar em Deus e tomar providências. Com o domínio próprio acontece o mesmo. Ele é fruto do Espírito Santo (Gálatas 5:23), e não algo que conquistamos na força do braço, mas o Espírito costuma trabalhar através das decisões práticas que tomamos.
Em segundo lugar, ninguém reconstruiu sozinho. O capítulo 3 é uma longa lista de famílias, e muitas delas consertaram exatamente o trecho do muro que ficava em frente à própria casa. Cada um cuidou da sua parte, mas todos trabalharam juntos. Quem tenta vencer um vício ou um mau hábito sozinho e em segredo geralmente desiste. Quem tem alguém do lado para perguntar “como você está?” vai mais longe.
Em terceiro lugar, Neemias não aceitou ser distraído. Quando seus inimigos o convidaram várias vezes para uma reunião, com a intenção de fazer mal a ele, Neemias respondeu que estava fazendo um grande trabalho e não podia parar para descer até eles (Neemias 6:3). Ele sabia o que era importante e não deixou que nenhum convite tirasse o foco da obra.
E a obra terminou em apenas 52 dias (Neemias 6:15). Muros que pareciam impossíveis de reconstruir ficaram de pé em menos de dois meses. Isso deveria nos encorajar: por mais que o seu muro esteja no chão, Deus pode reconstruí-lo com você.
Perguntas para discussão
- Neemias orou e também colocou guardas. Na sua relação com o celular, o que seria orar e o que seriam os guardas? ¶
- Quem poderia ser a pessoa que reconstrói o muro ao seu lado nesta semana? ¶
- Que “convites” mais tiram você do foco: notificações, jogos, grupos, vídeos curtos? ¶
- Qual parte do seu muro você acha que Deus quer reconstruir primeiro? ¶
Desafio da semana: o plano de Neemias
Durante os próximos sete dias, cada participante vai reconstruir um trecho do muro. Entregue um cartão a cada um e peça que preencha três linhas:
“O trecho que vou reconstruir: ____________.” (Exemplos: o celular fora do quarto depois das 22h; nenhum vídeo curto nos dias de semana; deixar de seguir os perfis que me fazem mal; abrir a Bíblia antes de abrir qualquer aplicativo.)
“O meu guarda: ____________.” (Uma pessoa do grupo que vai perguntar, no meio da semana, como está indo.)
“A minha oração: ____________.” (Uma frase curta, escrita com as próprias palavras, pedindo ajuda a Deus para essa área.)
Depois, forme duplas para que cada um seja o guarda do outro. Combine que, na quarta-feira, cada guarda vai mandar uma mensagem simples perguntando como está a obra.
No próximo encontro, abra espaço para quem quiser contar como foi. Lembre ao grupo que o povo de Neemias também enfrentou cansaço e oposição no meio da obra (Neemias 4:10), por isso quem tropeçou durante a semana não precisa desistir. Basta voltar ao trabalho.
Conclusão
Ninguém precisa ser convencido a trancar o portão de casa antes de dormir. Fazemos isso porque sabemos o valor do que está lá dentro. O nosso coração vale muito mais do que qualquer casa. Que nesta semana possamos, como o povo de Neemias, orar, colocar guardas e trabalhar juntos, até ver os nossos muros de pé novamente.
Oração para encerrar o encontro:
Pai, tu conheces cada um de nós e sabes exatamente onde os nossos muros estão caídos. Não queremos esconder de ti o tempo que perdemos nem aquilo que deixamos entrar no nosso coração. Ensina-nos a contar os nossos dias. Dá-nos a coragem de Neemias para reconstruir o que está no chão e a humildade de pedir ajuda aos irmãos. Espírito Santo, produz em nós o domínio próprio que não conseguimos fabricar sozinhos. Que o nosso coração seja guardado por ti e que a nossa vida mostre a quem pertencemos. Em nome de Jesus. Amém.
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