
Por que a fé cristã exige viver em comunidade
Por que a fé cristã exige viver em comunidade?
Hoje em dia, muita gente tenta viver um cristianismo solo. A pessoa assiste ao culto pela tela do celular no domingo, ouve as músicas preferidas no fone de ouvido, estuda a Bíblia no próprio quarto e diz: “Eu tenho a minha fé particular com Deus e não preciso de igreja, porque igreja só tem gente hipócrita e problema”.
Essa decepção com os tropeços humanos é compreensível, mas a conclusão está errada. Ninguém nasce para viver sozinho no mundo físico, sem família, e ninguém nasce de novo no Reino de Deus para viver como órfão espiritual.
A igreja não salva ninguém: quem salva é Cristo, somente pela graça, mediante a fé. Só que todo aquele a quem Ele salva, o Espírito Santo coloca dentro de um corpo (1 Coríntios 12:13). Quando Jesus nos resgatou na cruz, Ele não comprou indivíduos dispersos para viverem em casulos. Ele comprou um povo, uma noiva, um rebanho e uma família. Dizer que ama a Jesus e rejeitar a Sua Igreja é tão contraditório quanto dizer a um amigo que você o adora, mas não suporta a esposa e os filhos dele.
Um corpo vivo, não um clube social
O apóstolo Paulo usou várias imagens para descrever a igreja, e a sua favorita era a do corpo humano. Em 1 Coríntios 12:27, ele afirma: “Vós sois o corpo de Cristo e, individualmente, membros desse corpo”.
Essa comparação tem lições práticas. Pense num olho ou num rim. Enquanto está ligado ao corpo, alimentado pelo sangue e coordenado pelo cérebro, o órgão cumpre uma função vital. Se você tirar um olho e colocá-lo sobre uma mesa limpa, ele não vira um superolho independente: perde a utilidade, seca e morre.
O mesmo acontece na vida espiritual. A fé de quem vive isolado esfria, fica vulnerável a enganos doutrinários e vira presa fácil do desânimo. Precisamos da circulação do sangue da comunidade para continuar saudáveis. Você precisa dos dons dos outros irmãos, e a congregação precisa dos dons que o Espírito Santo deu a você.
O laboratório real do amor
Jesus não disse que o mundo reconheceria os Seus discípulos pelo conhecimento bíblico acumulado na cabeça, nem pela imponência dos prédios que construíssem. Ele deu a marca da fé cristã em João 13:35: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros”.
Amar quem pensa como nós, tem o mesmo gosto musical e a mesma opinião na internet é fácil. Até os pagãos fazem isso com naturalidade. O milagre do Evangelho aparece quando você senta no banco da igreja ao lado de gente com quem nunca conviveria no mundo: jovens e idosos, empresários e trabalhadores humildes, pessoas de temperamento difícil e de histórias complicadas.
A igreja local é a oficina de Deus onde o nosso egoísmo é lixado todos os dias. É ali que aprendemos a perdoar quando somos ofendidos, a ter paciência com quem é mais lento e a obedecer a Gálatas 6:2: “Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo”. Se a igreja só tivesse gente perfeita, ela não precisaria de graça nem de amor fraternal. É na convivência que o Espírito faz crescer em nós o amor que Wesley chamava de perfeição cristã.
O perigo de abandonar a reunião
O autor da carta aos Hebreus deixou uma advertência severa, que parece escrita para os nossos dias:
“e sejamos atenciosos uns para com os outros, a fim de incentivar o amor e as boas obras; não abandonando a nossa reunião, como é o costume de alguns. Ao contrário, encorajemos uns aos outros, e tanto mais quanto vedes aquele dia se aproximando.”
(Hebreus 10:24-25, Bíblia Livre)
Já no primeiro século havia gente que arrumava desculpa para faltar às reuniões e se afastar da comunidade. O autor de Hebreus lembra que a congregação é o lugar da proteção mútua. É no culto comunitário que cantamos verdades bíblicas que consolam a alma ferida, ouvimos a pregação da Palavra que confronta os nossos pecados escondidos, participamos da Ceia do Senhor, um dos meios de graça que Deus usa para fortalecer a nossa fé, e encontramos irmãos que nos abraçam e oram por nós nas horas mais escuras.
A igreja não é um palco para artistas brilharem, nem uma empresa de entretenimento religioso que quer agradar a clientes exigentes. Ela é a família de Deus na terra, um hospital onde pecadores perdoados se ajudam a caminhar em direção ao céu. Integre-se de verdade à sua congregação local, coloque os seus dons a serviço dos irmãos e descubra a força de nunca mais caminhar sozinho.
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