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SermõesSermões em João12 de 14

Jo 20:19-23Enchendo o tanque outra vez

Diego Gonçalvesatualizado 10 min de leitura1.977 palavras

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Neste texto

Palavra:

“19 Vinda pois já a tarde, o primeiro dia da semana, e fechadas as portas onde os Discípulos, por medo dos judeus, tinham se reunido, veio Jesus, e pôs-se no meio deles, e disse-lhes: Tenhais paz! 20 E dizendo isto, mostrou-lhes suas mãos, e seu lado. Então os discípulos se alegraram, vendo ao Senhor. 21 Disse-lhes pois Jesus outra vez: Tenhais Paz! Como o Pai me enviou, assim eu vos envio. 22 E havendo dito isto, soprou sobre eles, e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo. 23 A quem quer que perdoardes os pecados, lhes são perdoados; e a quem quer que vós retiverdes os pecados, lhes são retidos.”

(João 20:19-23, Bíblia Livre)

INTRODUÇÃO:

Alguma vez na vida você já andou em um carro com o tanque vazio? Nem sempre ele esteve vazio. Qualquer carro, pelo menos uma vez, já saiu completamente abastecido. Mas podem acontecer imprevistos, e tudo bem.

Você está seguindo viagem, e no meio dela surge um engarrafamento enorme, o dia está bem quente, e você precisou ligar o ar condicionado no máximo para se refrescar. Depois disso, você percebe que a gasolina está acabando depressa. Você desliga o ar condicionado. E todo mundo no carro começa a suar.

Jesus ressuscitado guia a mão de Tomé até a ferida em seu lado, diante de dois discípulos
Caravaggio, A incredulidade de São Tomé, c. 1601-1602. Palácio de Sanssouci, Potsdam. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Você sai do engarrafamento, mas poucos quilômetros à frente precisa subir uma serra íngreme, cheia de curvas fechadas, e tudo isso exige ainda mais do pouco combustível que resta.

Então, você olha para o ponteiro e ele está na reserva da reserva, da reserva!

Nessa hora, conhecemos a expressão: “está andando só com o cheirinho da gasolina”.

E o pior é que, nos trechos mais complicados da viagem, não aparece um posto sequer na estrada. Vai batendo o desespero. Você liga o rádio para se distrair e a música que está tocando é a do Juliano Son: “andei, vaguei… por todo lado procurei…”

Que sufoco! Você continua indo, mas você nem sabe por quanto tempo aquele carro vai aguentar…

Uso essa imagem meio exagerada porque, às vezes, nós também enfrentamos esse tipo de situação na vida espiritual. E quando menos esperamos, nos vemos “correndo só com o cheirinho do último combustível”.

Desenvolvimento:

Ao olharmos atentamente para o texto desta manhã, percebemos a real condição dos discípulos do Jesus crucificado. Aqueles homens estavam “andando há exatamente três dias com seus tanques totalmente vazios”. Na semana passada, falamos um pouco sobre o desânimo daqueles dois viajantes no caminho de Emaús. Hoje, porém, vamos falar de um grupo maior e entrar na casa de um deles. Não sabemos dizer com precisão onde ficava essa casa. William Barclay aponta que este lugar era um cenáculo, na região próxima ao Monte Sião, em Jerusalém.

Nos Evangelhos, o cenáculo se refere àquele local que foi providenciado para que Jesus celebrasse a Páscoa acompanhado de seus discípulos. Um cenáculo nada mais é do que uma sala toda mobiliada, em que os participantes se reclinavam para cear conforme o estilo greco-romano. Dentro desse cenáculo, alguns discípulos se encontravam reunidos de portas trancadas. O contexto nos diz que Maria Madalena, Pedro e o discípulo amado tinham visto o túmulo vazio. O corpo de Jesus já não se encontrava mais ali. E eles ficaram perplexos e sem saber o que fazer!

O texto diz que Maria Madalena foi a primeira a chegar. Ainda de madrugada. Em seguida, o discípulo amado chega também, mas ficou tão sem reação que mal teve coragem de entrar no sepulcro. Então, quando Pedro chegou, eles entraram juntos e constataram que o corpo de Jesus já não estava mais ali. Encontraram apenas as faixas de linho caídas no chão, e o lenço que estava sobre a cabeça de Jesus, dobrado e colocado sobre aquela pedra. Entretanto, os dois discípulos ainda descrentes voltam para casa e Maria Madalena permanece ali, chorando na porta do sepulcro. De repente, surge um homem que ela toma por jardineiro. E ela lhe pergunta: o que você fez com o corpo dele? Nessa hora, ao ouvir seu nome, Maria reconhece a voz. Não era mais um jardineiro que estava ali, mas o Senhor ressuscitado. De forma eufórica, Maria Madalena se agarra a Jesus e não quer largá-lo. Jesus então a contém, com palavras que em português soariam como: “calma, mulher!”

Depois de acalmar os ânimos de Maria, Jesus a envia aos discípulos com a mensagem de que o que Ele lhes disse tantas vezes estava por acontecer: o Mestre estava vivo e pronto para ir ao seu Pai. Assim, Maria chega com a notícia: “Eu vi o Senhor!”

William Barclay diz que nessa mensagem de Maria está contida a própria essência do cristianismo. Porque ser cristão não significa saber coisas sobre Jesus, significa conhecer a Jesus. Ser cristão não significa discutir e debater sobre Jesus, significa encontrá-lo e experimentar a certeza de que Jesus vive. Mas as Escrituras dizem que, quando a noite caiu, toda a emoção da manhã daquela Páscoa deu lugar à dúvida e ao medo. O texto apresenta os discípulos em uma reunião de portas trancadas. Eles se sentiam vulneráveis e inseguros. Estavam com medo, e tinham todos os motivos para isso: tinham visto o que as autoridades do templo eram capazes de fazer para manter seu sistema corrupto. O medo era tão intenso que esqueceram o que Jesus lhes havia dito. Esqueceram os ensinamentos do Mestre, inclusive a paz que Ele lhes prometera.

Essa parte das Escrituras nos lembra que todas as palavras que um dia ouvimos sobre esperança, conforto e consolação podem ser facilmente sufocadas nos momentos em que sentimos medo, perigo, angústia, dúvida e aflição. Todos esses sentimentos ruins contribuem para aumentar a sensação de impotência e costumam ser despertados por alguns gatilhos. Os discípulos estavam fisicamente cansados. Tinham vivido dias muito intensos que envolviam traição e suicídio de Judas, negação de Pedro, julgamento, cruz, morte e sepultamento de Jesus. Estavam emocionalmente abalados. Ainda ecoava em seus pensamentos a seguinte pergunta: “como puderam tratar de modo tão cruel Aquele que amava as pessoas com tanta compaixão?”

Estavam decepcionados consigo mesmos. Sentiam-se culpados, isolados, sozinhos, indefesos, ansiosos e incertos sobre o que o futuro poderia trazer. Estavam em crise espiritual. Tudo o que esperavam, acreditavam e confiavam havia evaporado. Naquela primeira noite da ressurreição, tudo o que os discípulos sentiam era confusão; sentiam-se “com o tanque vazio”, e quando alguém se sente assim, pode parecer que Deus está a um milhão de quilômetros de distância. Quanto mais perguntas você faz, mais confuso você fica, pois as respostas parecem não estar disponíveis.

A boa notícia é que, se aqueles a quem Jesus ama se sentem vazios e desanimados, Ele não espera que venham até Ele. É Jesus que vai até eles. Jesus sabe exatamente o que precisamos quando sentimos medo, dúvida, cansaço, depressão, desânimo e confusão.

Em primeiro lugar, Ele nos dá a sua paz. Foi a primeira coisa que Jesus disse ao aparecer aos discípulos: “Tenhais paz!” (João 20:19, Bíblia Livre). Não disse “para trás de mim, Satanás” nem “homens de pouca fé”. Não vemos uma só crítica de Jesus, apenas paz. Quando Jesus dá a sua paz, não precisa dizer mais nada. Quando estamos cercados por uma nuvem de confusão, dúvidas, ansiedade, estresse, doença, cansaço, Ele vem até nós e, em silêncio, diz: “A paz esteja com você! Saiba que estou aqui. Você não está sozinho. Eu ouço suas orações”.

Em segundo lugar, Jesus nos ama. João escreveu: “Nisto conhecemos o amor: ele deu a sua vida por nós” (1 João 3:16, Bíblia Livre). Quando você e eu estivermos abatidos e desencorajados, podemos crer que Aquele que nos amou até a cruz não vai deixar de nos amar agora. Ainda que tudo esteja dando errado, podemos crer que a paz e a alegria não vêm do que acontece ao nosso redor, mas do nosso relacionamento com Jesus e do seu grande amor por nós.

Em terceiro lugar, Jesus nos perdoa: suas cicatrizes e palavras de paz provam isso. Então Ele diz: “A quem quer que perdoardes os pecados, lhes são perdoados; e a quem quer que vós retiverdes os pecados, lhes são retidos” (João 20:23, Bíblia Livre). O perdão dos pecados tem uma única fonte, a cruz de Cristo (solus Christus). O que os discípulos recebem é a missão de anunciá-lo, com o Espírito que Jesus acabou de soprar sobre eles. Ele quer que perdoemos uns aos outros. Isso não é fácil, mas Jesus nos capacita a perdoar. Ele nos ensinou e nos capacitou, a nós, seus discípulos, a mostrar graça e misericórdia aos outros.

Em quarto lugar, quando estamos desanimados, desencorajados e tristes, Jesus nos dá esperança. Atrás de portas trancadas, o medo e a dúvida deixaram os discípulos sem futuro. Tomé não estava lá quando Jesus apareceu aos outros. Quando lhe contaram, ele disse o que honestamente pensava: “Se em suas mãos não vir o sinal dos cravos, e não pôr meu dedo no lugar dos cravos, e não pôr minha mão em seu lado, em maneira nenhuma crerei” (João 20:25, Bíblia Livre). A fé de Tomé era pequena, e o luto e o desespero assumiram o controle. Confiança e esperança no futuro eram vagas e escassas. Oito dias depois, Jesus o convidou a pôr o dedo nas marcas das mãos e no lado, mas Tomé não precisou. Ajoelhou-se diante de Jesus e disse: “Senhor meu, e Deus meu!” (João 20:28, Bíblia Livre). Tomé era um homem mudado, de repente renovado, reanimado e cheio de esperança.

Conclusão:

Aquele que ressuscitou nos enche de esperança. Quando estamos em crise e os problemas estão nos sobrecarregando, temos um Salvador que nos apoiará e nos ajudará. Quando nossas vidas estão ameaçadas por doenças ou inimigos, Jesus nos dará coragem. Se a morte se aproxima, nós não temeremos, porque Jesus triunfou sobre a morte.

Quando Jesus ressuscitado caminha conosco pela vida, tudo é diferente. Podemos crer no amanhã. Podemos ter a esperança de um futuro brilhante, de novas possibilidades e novos começos, mesmo quando a doença e a morte nos assustam.

Cristo ressuscitado em nossas vidas faz a diferença.

Ao dizer tudo isso, não quero banalizar a dor, a agonia ou frustração que alguém está passando neste exato momento. Para você isso é real, é um desafio, é doloroso. Pode até parecer que Deus está muito longe de você em seus problemas. Foi o que os discípulos pensaram enquanto se escondiam naquela casa. Mesmo que seja assim que você se sinta, Cristo ressuscitado está mais perto do que você pensa, e ele entende mais sobre sua vida do que você imagina. Ele está dizendo: “A minha paz esteja com você!”

Oração:

Senhor, agradecemos por esta mensagem preciosa que nos mostra como o Senhor é fiel e está sempre ao nosso lado, mesmo quando nos sentimos desanimados e desencorajados. Pedimos que o Senhor nos dê a paz que só o Senhor pode dar, que nos ajude a sentir o seu amor em nossas vidas e que nos ajude a perdoar aqueles que nos machucaram. Pedimos também que o Senhor nos dê esperança e força para enfrentar qualquer desafio que possa surgir em nosso caminho. Obrigado por nos amar, nos perdoar e nos renovar. Em nome de Jesus, amém.

Escrito por Diego Gonçalves.


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Publicado em 11 de abril de 2022 · Atualizado em 26 de outubro de 2026

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Sermões em João

12 de 14 · 86%

Ver a série completa (14 textos)

Todos os textos
  1. Maria Madalena em João 20: O encontro que nos envia
  2. Natal em João 1: A Palavra eterna na manjedoura
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  4. JESUS: O PÃO DA VIDA | Série: Quem é Jesus?
  5. O Significado do Sacrifício | Sermão em João 12:23-28
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  8. Maria Madalena e Jesus ressuscitado em João 20:11-18
  9. João 3:16 João 3:16 explicado para quem está começando a seguir Jesus
  10. João 3:16-17 O amor que resgata o mundo (sermão)
  11. João 18:36 Nosso reino não é aqui!
  12. João 20:19-23 Enchendo o tanque outra vez
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  14. João 21:15-19 Cuide das minhas ovelhas

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