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EstudosEstudos em João13 de 14

Oração sacerdotal de Jesus em João 17: Pelo que ele pediu

O que Jesus pediu antes de morrer (João 17:1–26)

Diego Gonçalves7 min de leitura1.328 palavras

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Neste estudo

Os teólogos costumam chamar o capítulo 17 de João de “a oração sacerdotal de Jesus”, e o nome é justo. Depois de capítulos inteiros em que instruiu, consolou e preparou os discípulos para a sua partida, Jesus deixa de falar com os homens, ergue os olhos ao céu e fala diretamente com o Pai.

Jesus ajoelhado em oração, de rosto erguido, na penumbra do jardim do Getsêmani, em pintura de Carl Bloch
Carl Bloch, Cristo no Getsêmani, 1873. Capela do Castelo de Frederiksborg, Hillerød, Dinamarca. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Estamos a poucas horas do Getsêmani, da traição de Judas e da cruz. Quem está à beira da morte costuma se agarrar ao que é essencial. Naquele momento supremo, Jesus não pede livramento da dor. Ele deixa registrada uma intercessão em três partes: por si mesmo, pelos onze apóstolos que estavam ali (Judas já tinha saído, João 13:30) e por todos os que viriam a crer ao longo dos séculos.

O pedido pela própria glória (vv. 1-5)

1 Jesus falou estas coisas, levantou seus olhos ao céu, e disse: Pai, chegada é a hora; glorifica a teu Filho, para que também teu Filho glorifique a ti. 2 Assim como lhe deste poder sobre toda carne, para que a todos quantos lhe deste, lhes dê a vida eterna. 3 E esta é a vida eterna: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem tens enviado. 4 Eu já te glorifiquei na terra; consumado tenho a obra que me deste para eu fazer. 5 E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que eu tinha junto de ti, antes que o mundo existisse.

(João 17:1-5, Bíblia Livre)

Jesus começa dizendo que “é chegada a hora”. No Evangelho de João, a “hora” aponta para a cruz e a ressurreição (João 2:4; 12:23-27). Para a mentalidade humana, a cruz é lugar de vergonha, fracasso e maldição. No plano eterno da redenção, porém, ela é o ápice da revelação do caráter de Deus: a justiça perfeita e o amor infinito se encontrando no mesmo sacrifício, em que Cristo carrega o pecado em nosso lugar (Romanos 3:25-26). Jesus pede para ser glorificado não por vaidade, mas para cumprir a missão que recebeu e voltar à comunhão com o Pai que tinha antes da fundação do mundo. O texto afirma também, sem rodeios, a divindade eterna do Filho: ele já tinha glória junto do Pai “antes que o mundo existisse” (v. 5; João 1:1-2).

No versículo 3, Jesus dá uma das definições mais precisas de vida eterna em toda a Bíblia. Vida eterna não é apenas tempo sem fim no calendário. É a qualidade de existência que começa no conhecimento pessoal e íntimo do Pai por meio do Filho. Esse “conhecer” não é só informação: é relacionamento, e é dom da graça, pois alcança aqueles que o Pai deu ao Filho (v. 2).

A proteção dos discípulos no mundo (vv. 6-19)

15 Não suplico que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno. 16 Eles não são do mundo, assim como eu não sou do mundo. 17 Santifica-os em tua verdade; tua palavra é a verdade. 18 Assim como tu me enviaste, eu os enviei ao mundo. 19 E por eles a mim mesmo me santifico, para que também eles sejam santificados em verdade.

(João 17:15-19, Bíblia Livre)

Na segunda parte, o foco de Jesus se volta para os onze. Ele sabe o que espera esses homens nas horas e nos anos seguintes: perseguição violenta, hostilidade cultural e a tentação constante do desânimo (João 15:18-21; 16:33). Antes do pedido de proteção, ele lembra o que já lhes deu: o nome do Pai e a palavra do Pai, que eles receberam e guardaram (vv. 6-8).

Sobre o mundo em que os discípulos viveriam, Jesus é preciso: “Não suplico que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno”. O plano de Deus para a sua igreja nunca foi a fuga da realidade, o isolamento monástico ou a criação de guetos culturais fechados. Os cristãos continuam vivendo, trabalhando e se relacionando no mesmo mundo que rejeitou a Cristo. Não são “do mundo” e, ainda assim, são “enviados ao mundo” (vv. 16 e 18).

Como permanecer no mundo sem ser moldado por ele? Jesus responde no pedido do versículo 17: “Santifica-os em tua verdade”. Santificar quer dizer separar para Deus e tornar semelhante a ele. A santificação bíblica não é um distanciamento físico da sociedade, mas uma mente e um coração formados pela Palavra de Deus, pela ação do Espírito. Wesley chamava isso de santidade do coração e da vida, o amor a Deus e ao próximo tomando conta de tudo, e a via sustentada pelos meios de graça, entre eles a leitura atenta das Escrituras (Os meios de graça, Sermão 16). O versículo 19 mostra o fundamento: Jesus se consagra (“me santifico”) para que os seus sejam santificados. A nossa santidade depende da obra dele, e não da nossa força.

A oração por nós e o chamado à unidade (vv. 20-26)

20 E não suplico somente por estes, mas também por aqueles que crerão em mim, por sua palavra. 21 Para que todos sejam um; como tu, Pai, em mim, e eu em ti, que também eles em nós sejam um; para que o mundo creia que tu tens me enviado. 22 E eu tenho lhes dado a glória que tu me deste, para que sejam um, tal como nós somos um. 23 Eu neles, e tu em mim; para que sejam completos em um; e para que o mundo conheça que tu me enviaste, e que tu os amaste, assim como me amaste.

(João 17:20-23, Bíblia Livre)

A partir do versículo 20, a oração alcança um horizonte enorme. Naquela noite escura em Jerusalém, Jesus já tinha em mente cada pessoa que viria a crer no evangelho, pela palavra dos apóstolos, até o fim dos tempos. Quem hoje confia em Cristo está entre aqueles por quem ele orou.

O pedido central para essas gerações futuras é direto: “Para que todos sejam um, como tu, Pai, em mim, e eu em ti”. A medida da unidade é a comunhão do Pai com o Filho, e o fim dela é missionário: “para que o mundo creia”.

Essa unidade não é um acordo burocrático entre denominações nem um ecumenismo frouxo que negocia a doutrina para agradar a todos. Jesus liga a unidade à verdade, porque acabou de pedir que os discípulos fossem santificados “em tua verdade” (v. 17). Trata-se de uma unidade espiritual e relacional, de quem compartilha o mesmo Pai, o mesmo Cristo e a mesma Palavra, e se ama por causa disso.

24 Pai, aqueles que tens me dado, quero que onde eu estiver, eles também estejam comigo; para que vejam minha glória, que tens me dado, pois tu me amaste desde antes da fundação do mundo. 25 Pai justo, o mundo também não tem te conhecido, e estes têm conhecido que tu me enviaste. 26 E eu fiz teu nome ser conhecido por eles, e eu farei com que seja conhecido, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles.

(João 17:24-26, Bíblia Livre)

A oração termina com o destino e com o amor. Jesus quer os seus com ele, vendo a sua glória, e quer que o amor do Pai ao Filho esteja neles. A unidade da igreja nasce desse amor recebido.

A grande tragédia das divisões e das brigas no meio do povo de Deus é o estrago que elas fazem no testemunho público da fé. Quando os que se dizem seguidores de Cristo se mordem e se destroem por disputas de poder ou por vaidades secundárias, o mundo do lado de fora perde a razão para crer que o evangelho tem poder de transformar vidas. O amor e a unidade entre os irmãos são a credencial visível de que Jesus foi enviado pelo Pai (v. 23).

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