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EstudosEstudos em João6 de 7

Incredulidade em João 12:37-50: por que não creram

A anatomia da incredulidade segundo João 12

Diego Gonçalves4 min de leitura859 palavras

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Neste estudo

Muita gente tem a ilusão ingênua de que a falta de fé das pessoas se resolve com mais argumentos racionais, mais debates intelectuais ou grandes espetáculos de milagres. A teoria parece lógica: “Se Deus descesse do céu agora, fizesse uma montanha flutuar e curasse todo mundo ao vivo na televisão, não sobraria um único ateu ou cético no planeta!”.

Só que, quando você chega ao final do capítulo 12 do evangelho de João, essa teoria desmorona diante de um dos versículos mais sóbrios e desconcertantes de toda a Bíblia: “E, embora tivesse feito tantos sinais na sua presença, não criam nele” (João 12:37).

Jesus havia transformado água em vinho, multiplicado pães e peixes para milhares de pessoas, andado sobre as ondas do mar revolto, curado um paralítico de trinta e oito anos, aberto os olhos de um cego de nascença e ressuscitado Lázaro após quatro dias de sepultura. Os milagres foram públicos, incontestáveis e aconteceram diante de amigos e inimigos. Ainda assim, a esmagadora maioria da elite religiosa e do povo virou as costas para Ele.

Para entender por que isso aconteceu, a gente precisa olhar para o diagnóstico que o próprio João constrói para encerrar o ministério público de Jesus.

A profecia de Isaías e a cegueira moral

Para explicar aquela resistência irracional, o apóstolo João recorre a dois textos do profeta Isaías.

Primeiro, ele cita Isaías 53:1: “Senhor, quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?”. Depois, ele resgata o chamado profético de Isaías 6:9-10, onde Deus avisa que aquele povo teria os olhos tapados e o coração endurecido para não ver nem se converter.

Esse endurecimento não significa que Deus impediu pessoas sinceras de crerem contra a vontade delas. Na teologia bíblica, o endurecimento funciona como um juízo pedagógico sobre quem rejeita a verdade deliberadamente. Pense no sol brilhando sobre duas substâncias diferentes: o mesmo calor que derrete a cera endurece o barro até virar pedra. Quando uma pessoa se acostuma a ver a verdade de Deus e insiste em resistir por conveniência moral ou orgulho, o seu coração vai criando uma crosta insensível. A incredulidade humana quase nunca é um problema de falta de provas; é uma decisão deliberada da vontade que não quer se submeter ao senhorio de Deus.

A covardia que ama os aplausos dos homens

No versículo 42, João revela uma faceta ainda mais vergonhosa da incredulidade: muitos dos próprios líderes e magistrados de Jerusalém creram secretamente em Jesus. Eles sabiam que os milagres eram reais e que o ensino dEle vinha do céu.

Por que, então, eles não assumiram essa fé em público?

O texto responde com uma franqueza cirúrgica: “Não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da sinagoga; porque amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus” (João 12:42-43).

Ser expulso da sinagoga no primeiro século significava a morte social e financeira de um judeu: a família cortava relações, os amigos se afastavam na rua, os negócios eram boicotados e o prestígio público ia para o lixo. Aqueles homens entenderam a verdade com a cabeça, mas o coração deles era escravo da aprovação dos seus pares. Eles preferiram o conforto dos tapinhas nas costas e os títulos de honra da sociedade a pagar o preço de seguir a Cristo. O medo da reprovação humana continua sendo uma das armadilhas mais eficazes para calar a fé de muita gente boa.

O último clamor público de Jesus

A partir do capítulo 13 de João, Jesus Se retira da praça pública e passa a falar exclusivamente com os Seus apóstolos em particular no cenáculo. Os versículos 44 a 50 de João 12 são, portanto, o Seu último discurso aberto diante do povo de Jerusalém.

E o que Jesus faz nesse momento derradeiro? O texto diz que Ele “clamou” — ou seja, levantou a voz para que todo mundo ouvisse:

  1. Ele veio como luz para o mundo: Para que ninguém permaneça nas trevas do engano e do desespero.
  2. O propósito da primeira vinda é a salvação: “Se alguém ouvir as minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo; porque eu não vim para julgar o mundo, mas para salvar o mundo”. Deus estendeu a mão da graça com paciência inesgotável.
  3. A Palavra rejeitada será o juiz final: Quem vira as costas para o evangelho e rejeita o ensino de Cristo não precisará de um júri complicado no último dia. A própria verdade que foi pregada e ignorada servirá de testemunha e sentença contra a rebeldia humana.

A luz que exige uma resposta

A passagem de João 12 coloca cada um de nós diante de uma encruzilhada inadiável. A luz de Cristo brilha com clareza cristalina diante dos nossos olhos através das Escrituras.

A gente não pode se esconder atrás da desculpa de que “precisa de mais sinais” ou de “provas mais convincentes”. O que Deus já revelou em Jesus é mais do que suficiente para transformar a nossa vida inteira. A grande questão é saber se a gente tem a coragem de romper com o medo do que os outros vão pensar, sair da escuridão do comodismo e caminhar na luz daquele Salvador cujas palavras são espírito e vida eterna.