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EstudosEstudos em João5 de 6

Entrada triunfal em Jerusalém (João 12:12-19): estudo

A entrada triunfal em Jerusalém segundo o evangelho de João

Diego Gonçalves4 min de leitura849 palavras

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Neste estudo

Se você já acompanhou a chegada de um ídolo da música num aeroporto lotado ou a passeata barulhenta de um candidato a presidente pelas ruas da cidade, conhece bem a força avassaladora do entusiasmo coletivo. As pessoas gritam, agitam faixas, choram de emoção e projetam naquele líder as suas maiores esperanças de mudança.

No capítulo 12 do evangelho de João (versículos 12 a 19), encontramos uma das cenas mais eletrizantes de toda a Bíblia: a chamada “entrada triunfal” de Jesus em Jerusalém, montado num jumentinho e cercado por uma multidão ensandecida que sacudia ramos de palmeira e gritava “Hosana!”.

Só que, por trás daquela festa estrondosa, havia um abismo gigantesco entre o que o povo esperava que Jesus fizesse e o que Ele realmente veio fazer.

A febre messiânica e os ramos de palmeira

O clima em Jerusalém estava fervendo por dois motivos explosivos:

  1. A festa da Páscoa: Centenas de milhares de peregrinos judeus de todo o Império Romano inundavam a capital para celebrar a libertação da escravidão do Egito. O nacionalismo judaico e o ódio contra a ocupação romana ficavam à flor da pele nessa época do ano.
  2. O milagre de Lázaro: Jesus acabara de ressuscitar Lázaro na vizinha Betânia, depois de quatro dias de sepultura (João 12:17-18). A notícia daquele milagre inacreditável correu como rastro de pólvora pelas vielas de Jerusalém. O povo pensava: “Se esse homem tem poder para ressuscitar defuntos, nenhum soldado romano conseguirá detê-lo!”.

Quando a multidão corta folhas de palmeira e corre para a entrada da cidade, o gesto era puramente político. Desde a época da revolta dos Macabeus, duzentos anos antes, a folha de palmeira era o símbolo oficial da independência nacional de Israel e da vitória militar (estava até gravada nas moedas da época). E o grito de “Hosana!” significava literalmente “Salva-nos agora!”.

O povo estava aclamando um rei guerreiro, um novo Davi com espada de ferro na mão, pronto para expulsar as legiões de Roma e devolver a soberania política à nação.

A montaria do Rei da paz

É exatamente nesse instante de histeria coletiva que Jesus faz algo que desmonta todo o roteiro do triunfalismo militar: Ele encontra um jumentinho novo e monta sobre ele.

Na antiguidade, os generais conquistadores entravam nas cidades montados em imponentes cavalos de guerra — os tanques de guerra daquela época —, marchando sobre prisioneiros acorrentados e exibindo armas reluzentes. O jumento, em contrapartida, era o animal de carga do homem simples do campo, o transporte usado pelos reis de Israel apenas em tempos de paz e diplomacia.

Ao escolher um filhote de jumenta, Jesus estava cumprindo ao pé da letra a profecia de Zacarias 9:9: “Não temas, filha de Sião; eis que o teu Rei vem assentado sobre o filho de uma jumenta”.

O recado de Jesus para a multidão era silencioso e demolidor: Ele era de fato o Messias e o verdadeiro Rei de Israel, só que o Seu reino não operava pela força bruta das espadas nem pela tomada violenta de palácios governamentais. Ele não vinha para derramar o sangue dos romanos, mas para derramar o Seu próprio sangue pelos pecados do mundo.

O desespero cômico dos fariseus

Do outro lado da calçada, assistindo àquela multidão eufórica passar, os líderes religiosos estavam à beira de um ataque de nervos. Eles já haviam emitido ordens expressas de prisão contra Jesus, mas perceberam que não tinham como conter o povo sem provocar um tumulto generalizado.

A frase que eles soltam no versículo 19 é de uma ironia teológica espetacular: “Vedes que nada aproveitais? Eis aí todo o mundo vai após ele”.

Sem querer, com uma queixa cheia de inveja e frustração, os fariseus profetizaram a verdade que se desenrolaria nos séculos seguintes. O poder do evangelho ultrapassaria as fronteiras de Jerusalém e alcançaria os confins da terra. Poucos versículos depois, chegam viajantes gregos dizendo aos apóstolos: “Queremos ver Jesus”. O mundo inteiro começava a correr atrás do Cordeiro.

A tragédia da aclamação rasa

O detalhe mais trágico dessa passagem é o que aconteceu menos de uma semana depois. Aquela mesma multidão que jogou mantos no chão no domingo de Ramos e gritou “Bendito o Rei que vem em nome do Senhor!”, estaria na sexta-feira de manhã diante do palácio de Pilatos gritando histericamente: “Crucifica-o! Não temos outro rei além de César!”.

Por que essa virada tão drástica e cruel? Porque o povo descobriu que Jesus não era o Messias que eles queriam. Eles queriam pão fácil, milagres sob encomenda e vingança contra Roma. Quando viram Jesus amarrado, cuspido e sem espada, sentiram-se decepcionados e preferiram soltar o terrorista Barrabás.

A entrada triunfal nos desafia a olhar para a nossa própria devoção com muita honestidade. A gente quer seguir a Cristo pelo que Ele realmente é — o Salvador santo que exige renúncia do ego, arrependimento de pecados e obediência ao Seu senhorio —, ou a gente só O aclama quando acha que Ele vai cumprir a nossa agenda de ambições e caprichos pessoais? Quem aprende a seguir o Rei montado no jumentinho descobre que a verdadeira vitória não está nos palanques do mundo, mas na fidelidade à cruz.