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EstudosEstudos em João2 de 15

Os sete Eu Sou de Jesus

Diego Gonçalvesatualizado 12 min de leitura2.371 palavras

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Neste estudo

Jesus proferiu muitas palavras significativas que estão registradas nos Evangelhos. Entre elas, algumas declarações registradas no livro de João foram particularmente cruciais para o Seu ministério, para o cumprimento das profecias do Antigo Testamento e para o que Ele afirmou sobre quem era. Os biblistas chamam essas declarações de Os Sete Eu Sou de Jesus. Elas foram particularmente significativas para o ouvinte judeu do primeiro século, que teria compreendido melhor o contexto do que Jesus estava dizendo.

Deus havia se revelado séculos antes a Moisés com a contundente declaração: “EU SOU” (Êxodo 3:14). Ao longo do Antigo Testamento, outros acrescentaram ao Seu nome (traduzido por Javé, Jeová ou SENHOR) títulos que esclareciam Seu caráter, com base em Sua provisão e Seus milagres. As escrituras declaram os nomes de Deus como Jeová-Jireh (o Senhor, Meu Provedor), Jeová Rapha (o Senhor Cura), Jeová Nissi (o Senhor, Minha Bandeira), Jeová Shalom (o Senhor, Nossa Paz), Jeová Raah (o Senhor, Meu Pastor) e muito mais.

Mosaico de Cristo como o Bom Pastor, sentado entre ovelhas, com a cruz na mão
Cristo, o Bom Pastor, mosaico, c. 425-450. Mausoléu de Gala Placídia, Ravena. Domínio público, foto de Petar Milošević, via Wikimedia Commons.

Então, séculos depois, Jesus usou o mesmo nome (EU SOU) no Evangelho de João para se descrever. Ele disse à mulher samaritana: “Eu sou o que contigo falo” (João 4:26). Afirmou aos Seus discípulos assustados, enquanto caminhava sobre as águas em direção ao barco deles em uma tempestade: “Sou eu, não temais” (João 6:20). E reafirmou aos Seus seguidores: “para que, quando se fizer, creiais que eu sou” (João 13:19).

Deus nos mostrou ainda quem Ele é, no Evangelho de João, por meio das sete declarações de Jesus que começam com “Eu sou”.

Quais são as declarações “Eu Sou” de Jesus?

Na verdade, Jesus diz “Eu Sou” mais de sete vezes no Evangelho de João. Ele diz isso pelo menos vinte e três vezes. Mas, em sete momentos, “Eu Sou” é seguido de uma metáfora sobre a Sua obra de salvação. Por isso, alguns teólogos falam dos sete “Eu Sou” de Jesus em João. Vamos ver quais são eles:

  1. “Eu sou o pão da vida; quem vem a mim de maneira nenhuma terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede” (João 6:35). Jesus também reiterou essa declaração em João 6:41, 48 e 51.
  2. “Eu sou a luz do mundo; quem me seguir não andará em trevas, mas terá luz de vida” (João 8:12).
  3. “Sou a porta das ovelhas” e “Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, será salvo” (João 10:7, 9).
  4. “Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas, e pelas minhas sou conhecido” (João 10:11, 14).
  5. “Eu sou a ressurreição, e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (João 11:25).
  6. “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim” (João 14:6).
  7. “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador” e “Eu sou a videira, vós sois os ramos” (João 15:1, 5).

As declarações “Eu sou” de Jesus foram particularmente significativas para os ouvintes judeus, considerando o contexto de quando e onde Ele as proferiu. Ele apontava continuamente para Si mesmo como Deus, à luz das Escrituras do Antigo Testamento que profetizavam a Sua vinda.

Na primeira delas, Jesus disse:

Eu sou o pão da vida

“Eu sou o pão da vida; quem vem a mim de maneira nenhuma terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede.”

(João 6:35, Bíblia Livre)

Jesus disse isso após alimentar os cinco mil, quando o povo queria mais comida de graça. No entanto, sua intenção não era apenas saciar seus estômagos. Ele queria que eles compreendessem que o alimento físico só satisfaz a fome temporariamente, enquanto Ele poderia saciá-los espiritualmente. Ele afirmava ser o pão que fornece a vida.

O maná supriu as necessidades físicas dos israelitas no deserto, mas apenas por um período. Cristo, por outro lado, supre nossas necessidades espirituais para sempre. Aqueles que creem em Jesus possuem vida. O maná no deserto saciou a fome temporária daqueles que dele comeram, mas estes acabaram morrendo. Jesus, no entanto, fornece o pão da vida que conduz à vida eterna.

Na segunda declaração “Eu sou” de Jesus, ele disse:

Eu sou a luz do mundo

“Eu sou a luz do mundo; quem me seguir não andará em trevas, mas terá luz de vida.”

(João 8:12, Bíblia Livre)

Jesus fez essa declaração durante a Festa dos Tabernáculos. Nesta festa, um enorme candelabro foi aceso no pátio feminino do templo. Isso lembrou os israelitas da coluna de fogo que guiou seus ancestrais durante as peregrinações pelo deserto. Jesus fez essa declaração logo após perdoar, em vez de condenar, uma mulher flagrada em adultério que os fariseus haviam trazido a Ele durante o Seu ensino.

Jesus estava mostrando a eles que, em um mundo obscurecido pelo pecado, Ele é santo (Sua luz contrasta com as trevas) e oferece luz e orientação para aqueles que tropeçam no pecado. O povo conhecia a Escritura do Antigo Testamento: “Porque o SENHOR Deus é sol e escudo; o SENHOR concederá graça e honra” (Salmos 84:11). Nesse caso, Jesus reunia em Si o caráter de Deus como sol (que fornece luz), escudo (que protege) e fonte de graça (que perdoa) para a honra do nome de Deus.

Em terceiro lugar, Jesus disse:

Eu sou a porta das ovelhas

“Voltou pois Jesus a lhes dizer: Em verdade, em verdade vos digo, que sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram antes de mim, são ladrões e assaltantes; mas as ovelhas não os ouviram. Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, será salvo; e entrará, e sairá, e achará pasto.”

(João 10:7-9, Bíblia Livre)

Jesus fez esta declaração durante um discurso com os líderes religiosos de Israel, no qual, em outras palavras, os declarou pastores inaptos da nação. De acordo com a Bíblia de Estudo da Thomas Nelson, “os pastores conduziam seus rebanhos para recintos de pedra todas as noites para protegê-los. Essas estruturas não tinham portas. O pastor se sentava ou deitava na abertura para evitar que os predadores atacassem. Assim, Jesus estava descrevendo seu cuidado e devoção constante àqueles que são seus.” Essa declaração também reforça o que Ele disse em João 14:6 sobre ser o único caminho para chegar ao Pai. A única maneira de entrar no “redil de ovelhas” ou “família” ou “morada” de Deus é passar por Jesus – a porta ou a entrada.

Na quarta declaração, Jesus disse:

Eu sou o bom pastor

“Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá sua vida pelas ovelhas. Mas o contratado a dinheiro, e que não é o pastor, a quem as ovelhas não pertencem, vê o lobo vir, deixa as ovelhas, e foge; o lobo as captura, e dispersa as ovelhas. E o contratado foge, porque é contratado, e não tem cuidado das ovelhas. Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas, e pelas minhas sou conhecido; como o Pai me conhece, assim também eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas.”

(João 10:11-15, Bíblia Livre)

Com essa declaração, Jesus descreveu o Seu amor sacrificial pelo Seu povo. Ele estava mostrando aos israelitas que, ao contrário de um homem contratado, que foge e deixa o rebanho desprotegido para salvar a própria vida quando o lobo ameaça as ovelhas, Ele não abandonará as Suas ovelhas, mas cuidará do Seu povo. Logo adiante, Jesus disse: “Ainda tenho outras ovelhas que não são deste curral; a estas também me convém trazer, e ouvirão minha voz, e haverá um rebanho, e um pastor” (João 10:16). Era uma declaração profética sobre a Sua morte sacrificial, que viria para salvar tanto judeus quanto gentios que creriam em Seu nome. No Salmo 23, Davi se referiu ao Senhor Deus como seu pastor e, nesta passagem, Jesus se apresenta como o Bom Pastor que estava prestes a dar a Sua vida por Suas ovelhas e cumprir o plano de salvação do Pai para todas as pessoas.

Em quinto lugar, Jesus afirmou:

Eu sou a ressurreição e a vida

“Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição, e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá. E todo aquele que vive, e crê em mim, para sempre não morrerá. Crês nisto?”

(João 11:25-26, Bíblia Livre)

Jesus proferiu esta declaração de esperança à Sua amiga enlutada, Marta, após a morte de seu irmão, Lázaro. No versículo seguinte, Ele esclareceu a Sua afirmação: “E todo aquele que vive, e crê em mim, para sempre não morrerá. Crês nisto?” (João 11:26). A morte trouxe desespero e a sensação de que tudo estava terminado, até que Jesus pronunciou essas palavras gloriosas e, em seguida, as demonstrou trazendo Seu amigo morto de volta à vida. Pouco depois, Jesus mostrou ao mundo que havia vencido a sepultura quando Ele mesmo ressuscitou três dias após Sua morte pelos pecados de todos os que creem. De acordo com 1 Coríntios 15:55, a morte perdeu o seu aguilhão porque Jesus venceu a sepultura. Todos os que estão em Cristo viverão para sempre.

Em sexto lugar, Jesus declarou:

Eu sou o caminho, a verdade e a vida

“Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.”

(João 14:6, Bíblia Livre)

Quando os discípulos ficaram confusos sobre as declarações de Jesus acerca do céu, Tomé perguntou o que todos eles deviam estar pensando: “Senhor, não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?” Jesus lhe disse: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim” (João 14:5-6). Jesus estava reiterando que nem todos os caminhos levam ao céu. Não há muitos caminhos ou religiões para Deus. Jesus é o único caminho para o perdão, a única fonte da verdade e do conhecimento sobre Deus, e o único caminho para a vida eterna. Jesus oferece aos mortos espiritualmente a própria vida de Deus. Não há outra opção. Essa declaração foi significativa para aqueles de sua época que estavam tentando obter acesso ao favor de Deus por meio da Lei e de suas boas obras. E isso é significativo para nós hoje porque estamos cercados por muitas crenças e religiões que reivindicam acesso a Deus e uma maneira de ganhar o favor de Deus e a vida eterna, além de Jesus somente.

Em sétimo lugar, Jesus disse:

Eu sou a verdadeira videira

“Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador. […] Eu sou a videira, vós sois os ramos; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.”

(João 15:1,5, Bíblia Livre)

Jesus disse isso a Seus discípulos na noite de Sua prisão, às vésperas de Sua morte. O Antigo Testamento contém muitas referências a Israel como a videira de Deus (Salmos 80:8; Isaías 5:1-7; Ezequiel 15; Oseias 10:1). Mas, por causa da infertilidade da nação, Jesus veio para cumprir o plano de Deus. Quando permanecemos, habitamos e nos apegamos a Cristo, a Sua vida, por graça, flui em nós e através de nós, e assim damos frutos que honram o Pai. Nessa metáfora, o Pai é o lavrador, que cuida da videira e dos ramos. Nele, e em Seu cuidado, você e eu podemos dar muito fruto. Jesus estava dizendo, em outras palavras, que quem permanece perto Dele pode realizar muito para a glória do Pai.

Além disso, há ainda

Outras declarações “Eu Sou” de Jesus

No Evangelho de João, há duas outras declarações “Eu Sou” de Jesus. Não são metáforas, mas declarações do nome de Deus, que Jesus aplicou a si mesmo. O primeiro caso ocorre quando Jesus responde a uma reivindicação dos fariseus. “Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo, que antes que Abraão fosse, eu sou” (João 8:58). Os verbos usados por Jesus contrastam entre si: Abraão foi, mas Ele é. Não há dúvida de que os judeus entenderam que Jesus afirmava ser o Deus eterno, porque pegaram pedras para matá-Lo (versículo 59).

A segunda instância em que Jesus usou o nome EU SOU ocorreu no Jardim do Getsêmani. Quando a turba veio prender Jesus, Ele perguntou a quem procuravam. Responderam: “A Jesus Nazareno”, e Jesus disse: “Eu sou” (João 18:4-5). Então aconteceu algo extraordinário: “Quando pois lhes disse: Eu sou, voltaram para trás, e caíram em terra” (versículo 6). Ao aplicar o nome da aliança de Deus a Si mesmo, Jesus demonstrou o Seu poder sobre os Seus inimigos e mostrou que a Sua rendição a eles foi totalmente voluntária (veja João 10:17-18; 19:11).

Por que as declarações de Jesus são importantes?

Jesus não estava apenas fazendo um discurso otimista quando disse essas palavras audaciosas. Ele estava sinalizando aos judeus do primeiro século, familiarizados com a autodefinição de Deus, que Ele era Deus encarnado, o Messias aguardado, o Deus Altíssimo em carne e osso. Se qualquer outra pessoa tivesse feito tais afirmações, teria sido tratada como blasfêmia. Isso é o que levou os líderes judeus a acusarem Jesus e a organizarem sua crucificação por tal “blasfêmia”. No entanto, esse complô estava sob o governo de Deus, para cumprir a profecia de que Jesus seria crucificado pelos pecados de todos que acreditam em Seu nome.

Jesus cumpriu e reafirmou inúmeras profecias do Antigo Testamento sobre Si mesmo por meio dessas declarações. Jesus sabia quem era e quis que nós também soubéssemos com clareza. Ele não pode ser reduzido apenas ao nosso “bilhete para o céu”, mas deve ser reconhecido como nosso sustento diário, nossa orientação, nosso protetor, nosso Salvador sacrificado, nossa vitória sobre a morte, nosso acesso ao Pai e à vida eterna, e nossa vitalidade e força.

Você conhece Jesus não apenas como um grande mestre, não apenas como um realizador de milagres, não apenas como seu Salvador, mas como o Grande Eu Sou que se tornou seu sustento, luz, esperança, salvação e força? Jesus disse: “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará” (João 8:32). Experimente a verdade e a liberdade de conhecer quem Jesus realmente é, e o que Ele significa para você pessoalmente e para um mundo ferido que necessita Dele.

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