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SermõesSermões em João13 de 14

Jo 20:24Quando as dúvidas vêm!

Diego Gonçalvesatualizado 21 min de leitura4.121 palavras

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Neste texto

Tomé, o discípulo que duvidou da ressurreição de Jesus, nos ensina como superar as dúvidas e confiar em Deus. Vamos aprender?

Introdução

Hoje, gostaria de começar falando sobre algumas perguntas atrevidas que já fiz a Deus:

Tomé introduz o dedo na ferida do lado de Jesus ressuscitado, enquanto dois outros discípulos observam de perto
Caravaggio, A incredulidade de São Tomé, c. 1601. Palácio de Sanssouci, Potsdam. Domínio público, via Wikimedia Commons.
  1. Eu sei muito sobre Ti, Deus. Mas será que eu realmente Te conheço?
  2. Eu tenho a informação sem a inspiração?
  3. Se você está no controle, então por que estou aqui na UTI?, ou ainda, por que você deixou meus filhos ficarem doentes?
  4. Senhor, por que você não responde às minhas orações? Aliás, se você sabe tudo sobre todas as coisas, então por que eu devo orar?
  5. Por que, Senhor, quando eu mais preciso de você, você parece mais distante?

Mas a pergunta mais desaforada que já fiz foi esta:

  1. “Como você pode me usar, Senhor? Se as pessoas realmente conhecessem minhas dúvidas, tenho certeza que elas não me ouviriam. Como posso ser um ministro do Teu Reino com todas essas dúvidas?”

Já deu para perceber que alguns pensamentos duvidosos passaram pela minha mente. Ocorre, porém, que ainda tenho mais uma pergunta que eu queria fazer esta manhã.

Você já se sentiu da mesma maneira? Você já se sentiu cheio de dúvidas? Já fez algumas das mesmas perguntas a Deus que eu fiz? Se sim, você poderia, por favor, levantar as mãos?

Para aqueles de nós que duvidaram: ânimo, estamos em muito boa companhia.

Não somos os primeiros nem os únicos. Na própria Bíblia, encontramos alguns exemplos de indivíduos que duvidaram: Adão, Sara, Abraão, Jacó, Jó, Jeremias, Jonas, João Batista, Marta, Pedro, Tomé e muitos outros.

Além destes, outros personagens da história também passaram por situações como essas:

No livro “Confissões”, Agostinho escreveu: “Desejava ter, em relação a fatos não demonstráveis, a mesma certeza com que dizia que sete mais três são dez.”

Martinho Lutero lutou constantemente contra a dúvida e a depressão.

Uma igreja em Boston atrasou a aprovação da candidatura do evangelista D.L. Moody porque suas crenças pareciam duvidosas.

Fiódor Dostoiévski, o grande romancista russo, escreveu em “Os irmãos Karamazov” a seguinte frase: “Não é como uma criança que eu acredito e confesso a Jesus Cristo. Minha hosana nasceu de uma fornalha de dúvidas.”

Billy Graham fala sobre um tempo em que ele orou desesperadamente e lutou com suas dúvidas sobre a verdade da Bíblia.

Philip Yancey, autor de clássicos cristãos como “Onde está Deus quando chega a dor?” e “Maravilhosa Graça?” foi convidado a assinar uma declaração de fé que atestava “não haver dúvida ou equívoco”. Mas ele se recusou, escrevendo: “Eu mal posso assinar meu próprio nome sem dúvida ou equívoco”.

Sentindo-se melhor consigo mesmo ainda?

Como Yancey afirma em “O Deus Invisível”, a dúvida parece ameaçar muito mais a igreja do que Deus.

Definindo a dúvida

Antes de ler o nosso texto de hoje, é importante definirmos o que é dúvida. Muitos pensam que dúvida é o oposto de fé, mas isso não é verdade. O oposto de fé é incredulidade. A palavra “dúvida” vem da mesma raiz de onde obtemos a palavra “duplo”.

Tiago, o irmão de Jesus, colocou desta forma:

“Porém deves pedi-la em fé, duvidando em nada; pois quem duvida é semelhante à onda do mar que é levada pelo vento, e lançada. Tal pessoa não pense que receberá algo do Senhor. O homem de dupla mentalidade é inconstante em todos os seus caminhos.”

(Tiago 1:6-8, Bíblia Livre)

Os dicionários nos dão uma explicação útil sobre dúvida: quando acreditamos em algo, estamos convencidos de que é verdade. Já a incredulidade é quando rejeitamos algo como verdadeiro. A dúvida é quando estamos indecisos, sem saber se acreditamos ou não. Há um provérbio chinês que diz: “A dúvida está em pé em dois barcos, com um pé em cada um deles”.

Não é errado ter dúvidas, embora talvez muitos de vocês pensem que sim. Mas a dúvida não é falta de fé. Segundo a Enciclopédia Bíblica Padrão Internacional, “a dúvida não é ausência de fé, mas sim um tipo de ‘fé qualificada’: é uma fraqueza, mas não é falta de fé”.

Então, neste sentido, duvidar é questionar, é procurar mais informações, é buscar compreensão e reconhecer que nosso conhecimento é limitado. Como certo teólogo (Ian Johnson) disse: “A dúvida é a pergunta sincera; a incredulidade é a recusa de ouvir a resposta correta.”

Embora eu visite a dúvida de vez em quando, não é um lugar onde eu queira permanecer. O que podemos fazer, então, quando nos sentimos incertos?

Tenho aprendido uma coisa com as minhas dúvidas, e isso mudou a minha vida e a maneira como vivo a minha fé.

Eu acredito que aqueles que mais duvidam, mas que continuam se esforçando para superar suas incertezas acabam se tornando alguns dos discípulos mais fortes de Cristo.

Vamos falar sobre um deles nesta manhã. Abra sua Bíblia em João 20:24-29.

“24 E a Tomé, um dos doze, chamado o Dídimo, não estava com eles, quando Jesus veio. 25 Disseram-lhe pois os outros discípulos: Vimos ao Senhor. Porém ele lhes disse: Se em suas mãos não vir o sinal dos cravos, e não pôr meu dedo no lugar dos cravos, e não pôr minha mão em seu lado, em maneira nenhuma crerei. 26 E oito dias depois, estavam os discípulos outra vez dentro, e com eles Tomé; e veio Jesus, fechadas já as portas, e pôs-se no meio, e disse: Tenhais paz! 27 Depois disse a Tomé: Põe teu dedo aqui, e vê minhas mãos; e chega tua mão, e toca-a em meu lado; e não sejas incrédulo, mas sim crente. 28 E respondeu Tomé e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu! 29 Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados aqueles que não virem, e crerem.”

(João 20:24-29, Bíblia Livre)

Breve biografia

Sabemos muito pouco sobre o nosso personagem de hoje, Tomé. O seu nome em aramaico é Tomé e em grego é “Dídimo”. Tanto Tomé quanto Dídimo quer dizer “gêmeo”. Então, a primeira coisa óbvia aqui é que Tomé tinha um irmão gêmeo.

Você já se perguntou por que Jesus escolheu Tomé e não seu irmão? Não sabemos! No entanto, em Lucas 6:12-16, sabemos que Jesus orou a noite toda antes de escolher seus seguidores mais próximos. Os Evangelhos não registram o momento do seu chamado nem a sua profissão. Como os demais, ele era provavelmente galileu e conhecia os outros discípulos.

Pouco se sabe sobre seu passado ou sua aparência física, mas uma coisa é certa: Tomé só perde para Judas Iscariotes quando o assunto é discípulo mais criticado.

Sabemos alguma coisa sobre sua personalidade. Ele tendia a ser pessimista, emocional. Também era propenso a fazer perguntas difíceis e exigir provas.

No final desta mensagem, porém, espero mostrar a você, a partir das Escrituras, que esse apelido não é apenas injusto, mas também não descreve o coração desse grande discípulo.

Há três textos que abordaremos esta manhã. Os dois primeiros, vamos percorrer depressa. O terceiro, vamos percorrer devagar, aprendendo algumas lições valiosas ao longo do caminho. Mantenha seu marca-texto em João 20, abra em João 11:1 e acompanhe-me.

Tomé Estava Disposto a Morrer por Cristo

Jesus amava as pessoas e passava tempo com indivíduos de diferentes posições sociais, políticas e econômicas. Durante Seu ministério, Ele se tornou amigo de duas irmãs, Maria e Marta, e seu irmão Lázaro. Na verdade, a relação entre eles ia além de amizade. Maria havia adorado aos pés de Jesus e Marta aprendeu a descansar em Sua presença. Lázaro era conhecido como “o amigo querido” (v. 3) porque Jesus e ele eram amigos íntimos.

Mas as notícias não eram boas. Lázaro estava muito doente. E Jesus fez algo surpreendente: demorou dois dias para ir ver seu amigo. Ele também disse algumas coisas que os discípulos não conseguiam entender.

Depois de dois dias, Ele disse aos Seus discípulos: “Vamos outra vez à Judeia.” (João 11:7, Bíblia Livre)

No versículo 8, vemos que os seguidores de Jesus não queriam retornar para a Judeia, porque os líderes judeus queriam matá-Lo. Como o ministério de Jesus estava crescendo, os discípulos não queriam arriscar.

Jesus disse que precisava voltar. Ele não se escondia nas sombras, mas ia em plena luz do dia. Ele tinha uma missão: acordar um amigo que dormia na morte. Isso daria aos discípulos uma nova “oportunidade de crer”, mesmo que eles tivessem dificuldade para entender.

Os discípulos olharam um para o outro apavorados, pois voltar para a Judeia significava a possibilidade de prisão e execução. Então, o versículo 16 nos fala da reação de Tomé:

“Disse pois Tomé, chamado o Dídimo, aos colegas discípulos: Vamos nós também, para que com ele morramos.”

(João 11:16, Bíblia Livre)

John MacArthur escreve: “Tomé só podia enxergar perigo adiante. Ele tinha certeza de que Jesus estava indo direto para ser apedrejado. Mas se era isso que o Senhor estava decidido a fazer, Tomé estava terrivelmente decidido a ir junto e morrer com Ele”.

Foi uma atitude corajosa. Os outros discípulos seguiram Tomé e acompanharam Jesus de volta a Betânia. Lá, eles testemunharam um dos milagres mais espetaculares de Jesus: a ressurreição de Lázaro de volta à vida.

Tomé amava tanto a Jesus que estava disposto a morrer por Ele. Você tem esse tipo de amor? Seu compromisso com Cristo é forte assim?

Tomé nos inspira como exemplo. Você estaria pronto para morrer por Jesus se precisasse? E, talvez a pergunta mais urgente para a nossa cultura, você está disposto a viver para Ele?

Tomé estava disposto a fazer as perguntas difíceis

Vemos a próxima fala de Tomé em João 14. Acompanhe-me enquanto leio:

“Não se perturbe vosso coração; credes em Deus, crede também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas; senão, eu vos diria; vou para vos preparar lugar. E quando eu for, e vos preparar lugar, outra vez virei, e vos tomarei comigo, para que vós também estejais onde eu estiver. E já sabeis para onde vou, e sabeis o caminho.”

(João 14:1-4, Bíblia Livre)

O ministério de Jesus estava no seu melhor momento. Os discípulos viram a ressurreição dos mortos, cura de pessoas surdas e cegas, e alimentaram mais de cinco mil. Todos estavam animados e, na cabeça deles, Roma devia estar preocupada, porque Jesus estava a caminho.

Entretanto, Jesus mudou de assunto e começou a falar sobre sua partida em breve. Ele explicou aos discípulos que precisava “ir embora para preparar um lugar” para eles. Os discípulos ficaram confusos e cochichavam entre si, perguntando: “Para onde ele vai?”.

Então, finalmente, Tomé falou e fez a pergunta que todos queriam:

“Disse-lhe Tomé: Senhor, não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?”

(João 14:5, Bíblia Livre)

No seminário, tive um professor muito inteligente com dois doutorados. Ele costumava dar aulas de costas para nós, escrevendo no quadro-branco. Como ele ensinava sem anotações, os alunos na sala ficavam confusos e começavam a se olhar.

Então, meu amigo Bruno fez a pergunta que todos nós queríamos fazer: “Do que você está falando?” Nosso professor sorria e explicava o material lentamente, certificando-se de que todos entendessem. Bruno, ao contrário de mim, não tinha medo de fazer perguntas difíceis.

Da mesma forma, Tomé expressou sua dúvida ao dizer: “Jesus, até agora tudo ia bem, mas de repente o Senhor está falando em partir. Por que quer ir embora, e para onde vai? Não entendo. Sem um mapa, como vamos saber que caminho seguir? Deixei tudo para seguir o Senhor e agora já não sei o que fazer. Por favor, diga-me o que fazer.”

Sabe o que aconteceu aqui? Jesus não o repreendeu nem fez pouco caso de sua confusão. Porque Tomé pediu explicações, Jesus deu uma das respostas mais memoráveis de toda a Escritura:

“Jesus lhe disse: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.”

(João 14:6, Bíblia Livre)

Talvez você tenha perguntas nesta manhã. Elas podem ser difíceis, mas isso não significa que você esteja duvidando de Deus. Tomé precisava apenas de mais informações, mais clareza e luz para compreender melhor.

Jeremias escreveu:

“E vós me buscareis e achareis, quando me buscardes de todo o vosso coração.”

(Jeremias 29:13, Bíblia Livre)

Ver para crer

Chegamos agora ao nosso texto principal para esta manhã. Por favor, abra sua Bíblia em João 20.

Nos versículos 19-23, lemos que os discípulos estavam escondidos em uma sala, com medo dos líderes judeus. Estavam consumidos pelo medo, já que o seu Mestre estava morto.

Embora tivessem ouvido rumores sobre Jesus estar vivo, não acreditaram. Continuaram com medo e se escondendo. Então, Jesus apareceu do nada e os discípulos passaram do medo para a fé. No entanto, havia um discípulo desaparecido. Onde estava Tomé?

Tomé provavelmente preferiu ficar sozinho. Os outros discípulos provavelmente o convidaram a se esconder com eles, mas Tomé só queria ficar sozinho. Seu Senhor estava morto e seu coração estava paralisado de tristeza.

Em João 20:24-25 lemos que Tomé não estava com os outros quando Jesus veio, e que os discípulos lhe disseram: “Vimos ao Senhor” (João 20:25, Bíblia Livre).

O significado da palavra “disseram” na língua grega antiga é que os outros discípulos continuaram a repetir a mensagem para Tomé.

Você consegue imaginar André correndo o mais rápido que pode para onde Tomé está e contando-lhe as boas novas?

E a reação de Tomé, você consegue imaginar?

“André, somos amigos há muito tempo e eu me importo com você. Mas é importante que você me escute. Jesus morreu. Sim, Ele não está mais entre nós. Todos os nossos sonhos também se foram, assim como Jesus.”

“Achava que te conhecia melhor do que isso, André. Jesus é a única pessoa que já me escolheu para alguma coisa. Sinto falta Dele. Quando Ele morreu, uma parte da minha alma morreu também. Por favor, deixe-me em paz.”

Tomé acrescenta:

“Se em suas mãos não vir o sinal dos cravos, e não pôr meu dedo no lugar dos cravos, e não pôr minha mão em seu lado, em maneira nenhuma crerei.”

(João 20:25, Bíblia Livre)

Antes de sermos muito duros com Tomé, vamos lembrar de uma coisa importante: os outros discípulos também não acreditaram até verem. O túmulo vazio, os relatos das mulheres e as histórias do discípulo de Emaús não foram suficientes.

Na narrativa de Lucas, Jesus aparece aos discípulos e, percebendo o desconforto deles, pergunta:

“Por que estais perturbados, e por que sobem dúvidas em vossos corações?”

(Lucas 24:38, Bíblia Livre)

Ele sabia que, quando as perguntas não são respondidas, as pessoas começam a descrer.

Gosto de como John MacArthur interpreta essa passagem:

“O que diferenciou Tomé dos outros dez não foi que sua dúvida era maior, mas que sua tristeza era maior”.

A história não termina aqui, no entanto.

Oito dias depois, os discípulos estavam juntos novamente e, dessa vez, Tomé estava com eles. As portas estavam trancadas, mas, de repente, como antes, Jesus surgiu no meio deles:

“E oito dias depois, estavam os discípulos outra vez dentro, e com eles Tomé; e veio Jesus, fechadas já as portas, e pôs-se no meio, e disse: Tenhais paz! Depois disse a Tomé: Põe teu dedo aqui, e vê minhas mãos; e chega tua mão, e toca-a em meu lado; e não sejas incrédulo, mas sim crente.”

(João 20:26-27, Bíblia Livre)

Há várias lições importantes a aprender com esses versículos.

Quando Jesus apareceu pela primeira vez, Tomé não estava presente. Ele perdeu o culto! O escritor de Hebreus adverte:

“não abandonando a nossa reunião, como é o costume de alguns. Ao contrário, encorajemos uns aos outros, e tanto mais quanto vedes aquele dia se aproximando.”

(Hebreus 10:25, Bíblia Livre)

Tenho me esforçado para ensinar que não é possível plantar a igreja “batista da cabeceira”, ou a igreja “metodista do colchão”, ou a “comunidade preguiçosa” ou “Nossa Senhora dos Lençóis”.

No começo da nossa igreja, falamos sobre os 4 Cs, e um deles é que fomos criados para a comunidade.

Assuma, então, o compromisso de estar presente aqui todos os domingos, ouvindo atentamente o que Deus tem a dizer.

  • “E com eles Tomé.” Uma semana após aparecer aos discípulos pela primeira vez, eles se reúnem novamente na mesma sala. Desta vez, Tomé está presente. Talvez ele estivesse cansado de ser incomodado por eles. Talvez o choque inicial da crucificação tivesse passado e ele precisasse estar perto de seus amigos novamente. Não sabemos ao certo…

Sabemos que os discípulos aceitaram Jesus mesmo com suas dúvidas. Aqui na COMEC / MEP, você pode fazer parte da nossa família mesmo que não tenha todas as respostas. Sinta-se bem-vindo(a) e traga suas perguntas e dúvidas.

  • “Fechadas já as portas.” Apesar de terem visto o Senhor ressuscitado, os discípulos mantiveram as portas trancadas. Eles são como todos nós. Continuavam a ser dominados pelo medo mais do que pela fé.

  • “Tenhais paz!” Acredito que isso foi dito de modo especial para o benefício de Tomé. Os outros discípulos já tinham passado por essa experiência. Agora era a vez de Tomé.

  • Então, disse a Tomé: “Ponha seu dedo aqui, e veja minhas mãos. Ponha sua mão na marca em meu lado.” Tomé não podia acreditar no que estava vendo. Seu Senhor estava vivo! Ele também não podia acreditar no que estava ouvindo. Como Jesus sabia de suas exigências de prova? Ele começou a se sentir pequeno e envergonhado.

“Não sejas incrédulo, mas sim crente.” Jesus encoraja Tomé a agir de acordo com a fé, mesmo que ele tenha dúvidas. Jesus é gentil e não menospreza nem ataca Tomé por suas dúvidas.

Assim como fez com Pedro, que O negou, Jesus restaurou Tomé com gentileza. Jesus mudou a incredulidade de Tomé em fé. Percebemos aí que a fé não requer perfeição, mas confiança constante, e que é Cristo quem a sustenta.

Esse evento mudou a vida de Tomé para sempre. A tradição conta que Tomé levou o Evangelho para a Babilônia (atual Iraque), a Pérsia e depois a Índia. Muitas igrejas do sul da Índia traçam sua herança até Tomé, que, segundo a tradição, está enterrado perto de Madras, onde morreu como mártir em 72 d.C.

Remédios para Dúvidas

Como lidamos com a dúvida? O pastor Steve Kilson lista cinco “razões e remédios para a dúvida”.

Seja paciente com os de coração lento. Algumas pessoas têm dúvidas porque não têm informações suficientes. Elas não conhecem os fatos que poderiam ajudá-las a acreditar. Aos dois discípulos que caminhavam pela estrada de Emaús, Jesus disse:

“Ó tolos, e que demoram no coração para crerem em tudo o que os profetas falaram!”

(Lucas 24:25, Bíblia Livre)

Ore pelo coração perturbado. Algumas pessoas duvidam porque estão confusas. Davi fez uma pergunta que muitos de nós já fizemos:

“Minha alma, por que tu estás abatida, e te inquietas em mim? Espera em Deus; pois eu o louvarei pelas suas salvações.”

(Salmos 42:5, Bíblia Livre)

Paulo escreveu à igreja em Corinto:

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias, e o Deus de toda consolação, Que nos consola em toda aflição nossa, para que também possamos consolar aos que estiverem em alguma aflição, com a consolação com que nós mesmos por Deus somos consolados.”

(2 Coríntios 1:3-4, Bíblia Livre)

Anime os desanimados. Muitas vezes, quando estamos cansados ou emocionalmente exaustos, podemos ter dúvidas.

Em 1 Reis 18 e 19, Elias venceu uma batalha contra quatrocentos e cinquenta profetas de Baal. Na cena seguinte, Elias foge para o deserto, deprimido, pedindo a Deus que o deixasse morrer. Deus respondeu ao seu desânimo com cuidado: mandou que ele comesse e descansasse.

João Batista estava definhando na prisão quando enviou alguns homens para perguntar a Jesus se Ele era realmente o Messias ou se deveriam esperar por outra pessoa. Jesus respondeu:

“Ide, e anunciai a João as coisas que tendes visto e ouvido: que os cegos veem, os mancos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e aos pobres é anunciado o Evangelho.”

(Lucas 7:22, Bíblia Livre)

Encoraje os de coração temeroso. Muitos de nós temos dúvidas por causa da baixa autoestima. Moisés não queria aceitar a ideia de Deus de levar os israelitas para fora do Egito porque ele tinha dificuldades para falar (ver Êxodo 4:10-13). Jeremias achava que era muito jovem (ver Jeremias 1:6-8). Deus encorajou Josué várias vezes a ser forte e corajoso (Josué 1:9). Todas as vezes que Jesus aparecia para os discípulos depois da ressurreição, Ele lhes oferecia a Sua paz para acalmá-los. Jesus ainda oferece essa paz hoje.

Seja amoroso com os de coração ferido. Lembro-me de ter lido um comentário de alguém na internet sobre um post cristão: “Se você quer ter seu coração partido e suas costas esfaqueadas, basta se juntar a uma igreja”. Creio que essa pessoa tinha um coração ferido, e muitas pessoas se identificam com essa sensação.

Algumas pessoas têm sérias dúvidas sobre doutrina e teologia, mas muitas outras estão simplesmente desiludidas. Elas foram desapontadas por outro cristão ou líder da igreja. Então, elas ergueram paredes para se protegerem de mais dor. Qual é a resposta para essas pessoas? Judas, irmão de Jesus, nos diz:

“E tende misericórdia de alguns que estão em dúvida; salvai-os, arrancando-os do fogo”

(Judas 22, Bíblia Livre)

Você conhece alguém que foi ferido pela igreja? Ame essa pessoa! Em nome de Jesus, ame-a! Com o tempo, o seu amor por ela pode abrir uma porta para uma relação com Jesus.

Tomé Adora

Jesus oferece suas mãos e seu lado como evidência para Tomé. Mas, curiosamente, o texto não diz que Tomé tocou. Ele foi convidado a estender a mão, porém nada indica que o tenha feito. Ele se curva e adora.

“E respondeu Tomé e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu!”

(João 20:28, Bíblia Livre)

Primeiro, Tomé chama Jesus de “meu Senhor” ou, no grego, “kyrios”: “Eu me entrego ao Senhor completamente, o Senhor é dono da minha vida.” Então ele diz algo incrível para um judeu piedoso. Ele chama Jesus de “Theos”, de “Deus”. Tomé, que chamamos de “cético”, entendeu a ressurreição melhor do que todos os outros discípulos. Jesus ressuscitou. Ele é o Senhor. Ele é Deus. Tomé atribui a Jesus dois dos títulos que o Antigo Testamento dá a Deus, “Senhor” e “Deus”.

Se Jesus não fosse Deus, isso seria blasfêmia, punível com a morte. Jesus, porém, não corrige Tomé: aceita a adoração e declara bem-aventurados os que creem sem ver (João 20:29).

Aplicação

Não tenha medo de fazer perguntas. Algumas pessoas acham que precisam ter todas as respostas antes de aceitar Jesus. Mas isso não é verdade. Se você esperar até ter todas as suas dúvidas respondidas, nunca chegará à fé.

Faça perguntas a Deus e busque respostas. Lembre-se de que não é errado questionar. Max Lucado, em seus livros, ensina que a descrença é um erro, mas que questionar e buscar com sinceridade é aceitável a Deus, porque em Sua presença podemos fazer qualquer pergunta. Ele lembra que Deus nunca virou as costas para quem faz perguntas honestas, nem no Antigo nem no Novo Testamento, e que não se afastará de nós quando perguntarmos com sinceridade. Isaías disse: “Buscai ao SENHOR enquanto se pode achar; invocai-o enquanto ele está perto” (Isaías 55:6, Bíblia Livre).

Lembre-se da equação Fé = Dúvida + Crença. A fé aparece quando agimos de acordo com aquilo em que cremos, mesmo tendo dúvidas, sustentados pela graça de Deus. O escritor de Hebreus destacou a importância da fé ao dizer: “Ora, sem fé é impossível agradar a Deus. Pois é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que ele é recompensador dos que o buscam” (Hebreus 11:6, Bíblia Livre).

Mesmo que você não veja a Deus ou não entenda o Seu plano, confie Nele. Em Provérbios 3:5, Salomão diz: “Confia no SENHOR com todo o teu coração; e não te apoies em teu próprio entendimento” (Bíblia Livre).

Quero finalizar com outro pensamento de Max Lucado: talvez Deus nem sempre nos dê a resposta para os porquês da nossa existência porque sabe que não temos capacidade de entendê-la. Ao aprender a depender Dele, aceitamos que talvez não saibamos todas as respostas, mas sabemos quem as tem.


por Diego Gonçalves

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