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DevocionaisDevocionais em Mateus2 de 6

Sexta-feira Santa: Pilatos, a cruz e o véu rasgado

Responsabilidade, abandono e restauração

Diego Gonçalves3 min de leitura602 palavras

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Neste texto

Depois da negação e da culpa, chegamos ao ponto mais denso da história: o momento em que a decisão é tomada, o peso é carregado e o véu se rasga. É o dia de olhar para a nossa responsabilidade, o nosso abandono e a nossa restauração.

Responsabilidade: Pilatos lava as mãos

Na primeira cena vemos o conflito clássico da nossa mente: a pressão do grupo contra a voz da consciência. Pilatos sabia que Jesus era inocente, mas o seu ego precisava manter o cargo e o status. Lavar as mãos (Mt 27:24) é o símbolo máximo da nossa tentativa de fugir da responsabilidade pelas escolhas que fazemos.

Quantas vezes “lavamos as mãos” para situações na família ou no trabalho só para não nos indispormos? O medo da rejeição do “povo” nos faz entregar o que é sagrado em nós. Jesus, em silêncio, expõe a covardia de Pilatos. A saúde da nossa alma depende de pararmos de culpar os outros pelas nossas escolhas e assumirmos a nossa própria cruz.

Abandono: a noite escura de Jesus

Na segunda cena, as Escrituras afirmam que Jesus carregou o peso do pecado. Do ponto de vista humano, ele experimentou a ferida mais profunda de qualquer pessoa: o abandono. Viveu a “noite escura da alma” para que nós nunca estivéssemos sozinhos.

Todos nós temos momentos em que sentimos que Deus está em silêncio ou que fomos abandonados por quem amamos. Jesus valida a nossa dor na cruz. Ele mostra que a renúncia total do ego dói, mas é o único caminho para a vida. A cruz é o lugar onde a nossa vulnerabilidade é total. Ali não há mais máscaras, só entrega.

Restauração: o véu se rasga

Na terceira cena, vimos que a morte de Jesus não foi um fim, foi um rompimento. O véu que separava o homem de Deus se rasgou. No momento da maior derrota aparente aconteceu a maior vitória (Mt 27:51).

O véu rasgado representa o fim das nossas barreiras internas. Muitas vezes construímos “muros” na mente para nos proteger, mas esses muros também nos isolam de Deus e das pessoas. A morte do ego, o “morrer para si mesmo”, é o que permite que a nossa visão mude. O centurião, um homem endurecido pela guerra, teve um insight e viu a verdade (Mt 27:54). Às vezes precisamos que o nosso “chão trema” para finalmente reconhecer quem Jesus é em nossa vida.

Aos pés da cruz

Assim chegamos ao pé da cruz. Vimos o que acontece quando o homem tenta fugir da responsabilidade (Pilatos), quando a dor parece insuportável (a crucificação) e quando, enfim, a morte de Jesus abre um caminho que estava fechado havia séculos.

Talvez você tenha passado muito tempo “lavando as mãos” para a sua vida espiritual, ou talvez esteja no escuro, gritando por um Deus que parece não ouvir. Mas olhe para o templo: o véu se rasgou. Não existe mais separação. As Escrituras afirmam que o caminho está aberto. O sacrifício de Jesus tratou da nossa culpa, da nossa solidão e da nossa cegueira. Quando a gente se entrega a ele, está respondendo a esse rasgar do véu. Não precisamos mais ter medo de chegar perto.

Jesus morreu para que o seu “eu” egoísta pudesse morrer com ele e uma nova pessoa pudesse nascer. A escuridão daquela sexta-feira foi o cenário para que a luz da verdade brilhasse no coração de um soldado romano. Que hoje, em meio às suas “trevas” ou dificuldades, você também possa dizer: “Verdadeiramente, este é o Filho de Deus em minha vida”.

Ele se entregou por inteiro. O que ainda falta a gente entregar a ele?