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O que a Bíblia diz sobre aceitação mútua entre cristãos

O que a Bíblia ensina sobre a aceitação mútua

Diego Gonçalves4 min de leitura730 palavras

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Neste texto

O debate público atual entrou num beco sem saída sobre o significado da palavra “aceitação”. De um lado, a cultura contemporânea insiste que aceitar uma pessoa significa necessariamente validar, aplaudir e concordar com todas as suas escolhas comportamentais e ideológicas — se você discorda moralmente de alguém, logo é rotulado de intolerante. Do outro lado, o moralismo religioso costuma confundir santidade com desprezo, criando ambientes frios onde quem tem feridas ou tropeços morais é sumariamente cancelado e empurrado pra fora da porta.

O evangelho desmonta esses dois extremos com uma facilidade desconcertante. A Bíblia ensina uma aceitação radical e profunda, mas que não se confunde com ingenuidade moral nem com a aprovação de tudo o que as pessoas fazem.

O padrão inegociável da graça

A ordem bíblica sobre como devemos nos relacionar uns com os outros está resumida de forma brilhante pelo apóstolo Paulo em Romanos 15:7: “Portanto, acolhei-vos uns aos outros, como também Cristo vos acolheu para a glória de Deus”.

A chave de todo o versículo está na expressão “como também Cristo vos acolheu”. Como foi que Jesus nos recebeu?

Ele certamente não esperou que a gente limpasse a própria vida, resolvesse todos os dilemas morais e se tornasse digno de aplausos pra só então nos estender a mão. Romanos 5:8 lembra que “Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores”. Nós fomos acolhidos quando éramos rebeldes, falhos e desprovidos de qualquer mérito pessoal.

A medida do nosso acolhimento ao próximo nunca pode ser a perfeição do outro, mas a imensidão da misericórdia que nós mesmos recebemos de graça. Quem entende o tamanho do perdão que recebeu na cruz perde a arrogância de exigir perfeição dos que estão ao redor.

A mesa escandalosa de Jesus

Durante o seu ministério terreno, nada irritou tanto os religiosos profissionais quanto a facilidade com que Jesus se sentava à mesa com gente considerada “indesejável”.

Ele comia com publicanos — cobradores de impostos vistos pelos judeus como traidores da pátria e ladrões descarados —, conversava em público com uma mulher samaritana à beira de um poço e deixava que pessoas marginalizadas encostassem nele. Para os fariseus, a pureza religiosa era mantida pelo isolamento e pelo nojo social: quanto mais longe você ficasse do pecador, mais santo você parecia.

Jesus inverteu essa lógica. Ele demonstrou que a santidade de Deus não é contaminada pelo contato com os doentes; ela é o remédio que cura a enfermidade.

Só que Jesus nunca confundiu acolhimento com complacência. Quando Zaqueu foi tocado pelo fato de Jesus entrar em sua casa, o cobrador de impostos foi tão impactado pela graça que resolveu devolver quatro vezes mais a quem havia roubado. E quando os acusadores trouxeram uma mulher apanhada em flagrante adultério em João 8, Jesus desarmou as pedras dos hipócritas, mas não relativizou o erro: ele olhou nos olhos daquela mulher e disse: “Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais”. A graça acolhe a pessoa pra libertá-la do pecado, não pra deixá-la estagnada na lama.

O fim das panelinhas e dos favoritismos

Na vida comunitária da igreja, a aceitação mútua exige a demolição deliberada dos preconceitos sociais que dividem o mundo lá fora.

O apóstolo Tiago dedicou o segundo capítulo da sua carta pra denunciar o favoritismo que já começava a se infiltrar nas primeiras congregações. Ele descreve a cena vergonhosa de quando um homem rico, com anéis de ouro e roupas caras, entrava na reunião e recebia o melhor lugar com reverência, enquanto um pobre maltrapilho era mandado sentar no chão, encostado no estrado dos pés. Tiago foi categórico: quem age com acepção de pessoas comete pecado e se torna juiz de maus pensamentos.

Em Cristo, todas as barreiras artificiais de classe, etnia e prestígio desmoronam. Paulo escreve em Gálatas 3:28 que “não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”.

A comunidade cristã é chamada pra ser o único lugar da terra onde pessoas que naturalmente seriam inimigas ou indiferentes no mundo se sentam à mesma mesa, partem o mesmo pão e se chamam de irmãos. Aceitar o outro não é concordar com todos os seus gostos nem fechar os olhos pra práticas destrutivas; é enxergar no irmão alguém criado à imagem de Deus e resgatado pelo mesmo sangue precioso da cruz.