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Como andar com Deus no dia a dia: Tentação e escape

Como andar com Deus no dia a dia?

Diego Gonçalves5 min de leitura1.099 palavras

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Neste estudo

Pense na cena clássica de uma criança aprendendo a dar os primeiros passos. Ela não sai correndo pelo quintal com o equilíbrio de um atleta. Ela se apoia no sofá com as pernas bambas, arrisca um ou dois passos trêmulos, perde o equilíbrio e cai sentada no chão. Às vezes chora de susto, às vezes olha para os pais para ver qual será a reação deles. Nenhum pai que ama o filho vai gritar com a criança ou expulsá-la de casa porque ela caiu. O pai se abaixa, estende as duas mãos, ajuda a criança a se firmar e incentiva o próximo passo.

Na vida com Deus, o princípio é o mesmo. Depois que nascemos de novo pela fé em Jesus, precisamos aprender a andar. Andar com Deus não é um estado místico reservado para os momentos solenes do culto, nem flutuar a dez centímetros do chão sem sentir o peso da rotina.

Jesus sentado sozinho sobre uma pedra no deserto, de mãos entrelaçadas, ao amanhecer
Ivan Kramskoi, Cristo no deserto, 1872. Galeria Tretyakov, Moscou. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Andar com Deus é aprender a viver a vida real, com boletos para pagar, trânsito para enfrentar, prazos de trabalho e atritos familiares, mantendo uma comunhão viva, obediente e transparente com o Criador. Paulo resume o caminho assim:

“Mas eu digo: andai no Espírito, e não executeis o mau desejo da carne.”

(Gálatas 5:16, Bíblia Livre)

Seguir as pegadas de Jesus

Nos escritos de João, a vida cristã é descrita com metáforas de movimento: seguir Jesus, andar na luz (1 João 1:7) e permanecer nele (João 15:4). Ou seja, andar com Deus é uma questão de alinhamento contínuo.

Quando você anda com alguém por uma calçada movimentada, vocês precisam caminhar no mesmo ritmo e na mesma direção. Se um corre e o outro para, a conversa é interrompida. Andar com o Senhor significa consultar a vontade dele nas pequenas e grandes decisões: perguntar se a maneira como você trata as pessoas no trabalho o agrada, se os seus negócios são conduzidos com honestidade transparente e se os seus pensamentos secretos estão debaixo da luz da Sua Palavra.

A tentação não é pecado

Muita gente se desespera nos primeiros meses de fé porque descobre que as velhas tentações não desapareceram num passe de mágica. A pessoa pensa: “Se eu me converti de verdade, por que ainda sinto atração por aquele vício antigo? Por que ainda sinto raiva e vontade de falar bobagem?”.

A primeira coisa que precisamos entender é que ser tentado não é pecado. O próprio Jesus foi tentado pelo diabo no deserto (Mateus 4:1-11), e o autor de Hebreus afirma que ele foi “provado em tudo, conforme a nossa semelhança, porém sem pecado” (Hebreus 4:15, Bíblia Livre).

Tiago mostra onde a tentação vira pecado:

“Mas cada um é tentado quando é atraído e seduzido pelo seu próprio mau desejo. Depois do mau desejo ter concebido, dá à luz o pecado.”

(Tiago 1:14-15, Bíblia Livre)

O pecado não está no fato de o pássaro da tentação sobrevoar a nossa cabeça. Ele acontece quando construímos um ninho para o pássaro se instalar na mente e na vontade. Pedro nos adverte com sobriedade de que o diabo anda ao nosso redor como leão que ruge, procurando alguém para devorar (1 Pedro 5:8). Só que esse leão não é onipotente: ele está na coleira soberana de Deus, e em Cristo temos poder para resistir a ele.

A porta de escape que Deus sempre abre

Tiago nos dá a fórmula bíblica para a vitória espiritual: “Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tiago 4:7). Observe a ordem indispensável: primeiro você se submete à autoridade de Deus, e só depois consegue resistir ao inimigo. Tentar enfrentar a tentação pela força do próprio braço ou por pura força de vontade é a receita certa para a derrota. Aqui entra a graça de Deus, que vai à nossa frente e nos sustenta em cada passo.

Mais do que isso, Paulo deixa uma promessa extraordinária:

“Nenhuma tentação vos veio, que não fosse humana; porém Deus é fiel; que não vos deixará tentar mais do que o que podeis, antes com a tentação também dará a saída, para que a possais suportar.”

(1 Coríntios 10:13, Bíblia Livre)

Deus nunca coloca você numa encruzilhada sem saída. Em toda tentação existe uma porta de escape providenciada pela graça: pode ser desligar o celular e sair do quarto, recusar uma conversa maliciosa, calar a boca no meio de uma discussão quente antes de ferir alguém com palavras venenosas, ou pedir socorro em oração imediata. A questão nunca é se o livramento existe. A questão é se estamos dispostos a cruzar essa porta.

O que fazer quando tropeçamos?

Mesmo com todo o cuidado, haverá dias em que vamos tropeçar e cair. A reação natural da carne quando erra é a mesma de Adão no jardim: sentir vergonha, arrumar desculpas esfarrapadas, jogar a culpa nos outros e se esconder de Deus entre as folhagens. O diabo adora essa reação, porque o pecado não confessado cria uma barreira de silêncio e culpa que sufoca a comunhão.

A solução bíblica para a queda não é fugir de Deus, e sim correr direto para os braços dele. João nos dá o remédio certeiro: “Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1 João 1:9).

Confessar não é tentar convencer a Deus de que o nosso erro foi pequeno ou justificável pelas circunstâncias. Confessar é concordar com o diagnóstico de Deus e dizer diante dele: “Senhor, o que eu fiz foi pecado, foi egoísmo e quebrou a Tua santa Lei. Tem misericórdia de mim pelo sangue de Jesus”.

O pecado pode abalar a doçura da nossa comunhão com o Pai, e a Escritura nos chama a permanecer em Cristo pela fé. Mas o Pai não fecha a porta para quem volta arrependido: o sangue de Jesus nos purifica sempre que nos achegamos a ele. Levante a cabeça, lave o rosto no perdão da graça, segure firme na mão estendida do Senhor e continue a caminhada. Andar com Deus é uma maratona de perseverança diária, e quem nos sustenta do começo ao fim é a Sua graça.

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