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Como falar com Deus de verdade: oração para iniciantes

Como falar com Deus de verdade?

Diego Gonçalves5 min de leitura976 palavras

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Neste estudo

Muita gente trava na hora de orar porque imagina que falar com Deus exige uma linguagem arcaica e pomposa. A pessoa ouve alguém na igreja usando palavras solenes, português de outro século e um tom de voz impostado, e logo conclui: “Eu não sei falar bonito assim, então a minha oração não deve ter valor”. Há quem passe anos com vergonha de orar em voz alta, e há quem evite a oração a sós por achar que não tem assunto digno para levar ao Criador do universo.

Jesus de Nazaré foi o maior inimigo dessa afetação religiosa. No Sermão do Monte, Ele repreendeu os que gostavam de orar em pé nas sinagogas e nas esquinas para serem vistos pelas pessoas, e os que, achando que seriam ouvidos pela quantidade de palavras, faziam repetições inúteis (Mateus 6:5-8). Jesus ensinou que Deus não é um burocrata celestial que exige formulários; Ele é o nosso Pai.

“Porém tu, quando orares, entra em teu quarto, fecha tua porta, e ora a teu Pai, que está em segredo; e teu Pai, que vê em segredo, ele te recompensará.”

(Mateus 6:6, Bíblia Livre)

A oração bíblica não é uma encenação teatral nem uma fórmula mágica. É a conversa franca, humilde e transparente de um filho que sabe que é frágil com um Pai que sabe de tudo e tem poder para socorrer.

Jesus sobe sozinho a um monte ao entardecer para orar, em aquarela de James Tissot
James Tissot, Jesus sobe sozinho a um monte para orar, c. 1886-1894. Museu do Brooklyn, Nova York. Domínio público, via Wikimedia Commons.

O exemplo de quem não precisava, mas orava

Se houvesse alguém na história da humanidade que pudesse alegar não precisar de oração, esse alguém seria Jesus Cristo. Ele era o próprio Filho eterno de Deus em carne, sem pecado e em perfeita comunhão com o Pai.

Ainda assim, os Evangelhos mostram com insistência que a vida de Jesus era marcada pela oração a sós. Marcos 1:35 registra que, de madrugada, quando ainda estava escuro, Jesus se levantou, saiu e foi a um lugar deserto para orar. Antes de escolher os doze apóstolos, passou a noite inteira orando (Lucas 6:12). Diante do túmulo de Lázaro, orou (João 11:41-42). No Getsêmani, em agonia, orou com tamanha intensidade que o suor se tornou como gotas de sangue (Lucas 22:44).

Se o Salvador do mundo dependia de se retirar para conversar com o Pai, de onde tiramos a ilusão arrogante de que damos conta do trânsito, do trabalho, das tentações e das crises familiares sem dobrar os joelhos? Sem oração, a alma do cristão seca e perde o fôlego espiritual.

O que dizer quando fechamos a porta?

A oração não precisa de roteiro rígido, mas costuma ser mais equilibrada quando contempla quatro dimensões da vida de fé.

A primeira é a adoração. Começar a oração lembrando quem Deus é coloca a nossa cabeça no lugar certo. Contemplamos a Sua majestade, a Sua justiça, a Sua bondade e o Seu poder soberano. Adorar antes de pedir nos lembra de que Deus é infinitamente maior do que os nossos problemas.

A segunda é a confissão sincera. O Salmo 66:18 adverte que, se guardarmos a iniquidade no coração, o Senhor não nos ouvirá. Deus já conhece todos os nossos deslizes secretos, e fingir que está tudo bem na presença Dele é perda de tempo. Abrir o coração, confessar onde erramos e pedir o perdão que vem do sangue de Cristo é o que restaura a comunhão com o Pai (1 João 1:9).

A terceira é a gratidão. O apóstolo Paulo orienta os tessalonicenses a darem graças em todas as circunstâncias (1 Tessalonicenses 5:18). A murmuração é o veneno da fé. Quando paramos para listar os livramentos que nem percebemos, o pão na mesa, a saúde, o perdão dos pecados e a paciência de Deus conosco, a ansiedade perde a força.

A quarta é a súplica e a intercessão. Deus nos convida a pedir com a liberdade de filhos (Filipenses 4:6). Podemos pedir o pão de cada dia, sabedoria para as decisões difíceis no trabalho, saúde para os enfermos e força para não cair nas armadilhas da carne. E podemos interceder pelos governantes, pelos missionários, pelos amigos que ainda não conhecem a Cristo e pela nossa comunidade de fé (1 Timóteo 2:1-2).

O que significa orar “em nome de Jesus”?

Existe o vício de usar a frase “em nome de Jesus” no fim da oração como se fosse um carimbo ou uma palavra mágica para garantir que o pedido seja atendido.

Orar em nome de Jesus quer dizer orar apoiados unicamente nos méritos Dele, e não na nossa pretensa justiça (João 14:13-14). Não chegamos diante do trono de Deus dizendo: “Senhor, me atende porque fui um bom cristão esta semana”. Chegamos dizendo: “Pai, eu não mereço nada, mas entro na Tua presença porque o Teu Filho derramou o sangue por mim e rasgou o véu que me separava de Ti” (Hebreus 10:19-20).

Além disso, orar em nome de Jesus quer dizer pedir coisas que estejam em harmonia com o Seu caráter e com a Sua vontade revelada nas Escrituras. Como escreveu o apóstolo João, esta é a confiança que temos: se pedirmos alguma coisa segundo a vontade de Deus, Ele nos ouve (1 João 5:14).

A oração perseverante não existe para dobrar a vontade de Deus aos nossos caprichos; existe para alinhar o nosso coração com o propósito do Senhor. Separe um tempo do seu dia, tranque a porta do quarto, respire fundo e converse com o seu Pai. Ele está ouvindo com atenção cada suspiro da sua alma.

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