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Provérbios 13:12a esperança adiada e o Natal de Jesus

Diego Gonçalves5 min de leitura1.005 palavras

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Neste texto

Tem gente que chega à ceia de Natal e repara numa cadeira vazia. Alguém prometeu vir e não veio. Pode ser a mãe que espera o filho que sumiu, o casal que contava ter um bebê na mesa este ano, o desempregado que jurou a si mesmo que este Natal seria diferente. A comida está pronta, mas o coração fica olhando para a porta. Existe um provérbio que descreve essa cena, e ele cabe no Natal melhor do que parece.

A esperança que se retarda deixa o coração doente, mas o anseio satisfeito é árvore de vida.

(Pv 13:12)

A espera que adoece

Ninguém gosta de esperar. A gente se irrita esperando o sinal abrir, a encomenda chegar, a ligação que não vem. Mas existem esperas bem mais sérias: o resultado de um exame, uma vaga de emprego, uma reconciliação, alguém para casar. Nesses casos esperar não é só chato. Chega a ser desanimador.

A palavra traduzida por “retarda” fala de algo que é prolongado, empurrado para mais longe. Quando aquilo que a gente mais quer vai sendo adiado, o coração adoece. Há muitos desejos que não se realizam nesta vida, e por isso há muita gente de coração doente. Talvez seja o seu caso. Se for, saiba que não existe cansaço pior que o da alma.

Só que o provérbio tem duas metades, e a segunda equilibra a primeira. Quando o que a gente esperava finalmente acontece, diz o texto, é como uma árvore de vida.

A árvore que cura

A imagem não é solta. Na Bíblia, a árvore da vida aparece pela primeira vez no jardim do Éden, no meio do jardim (Gn 2:9). Depois que Adão e Eva pecaram, foram afastados dela (Gn 3:22-24). E ela reaparece no último capítulo da Bíblia:

Então o anjo me mostrou o rio da água da vida que, claro como cristal, fluía do trono de Deus e do Cordeiro, no meio da rua principal da cidade. De cada lado do rio estava a árvore da vida, que dá doze colheitas, dando o seu fruto todos os meses. As folhas da árvore servem para a cura das nações.

(Ap 22:1-2)

Repare que a árvore da vida aí não é só símbolo de vida eterna, mas também de cura. A esperança adiada deixa o coração doente, e quem está doente precisa de cura. É isso que o desejo cumprido faz com quem esperou.

Pense em Noemi. Ela voltou a Belém dizendo que a chamassem de Mara, “amarga” (Rt 1:20), depois de perder o marido e os dois filhos. Deus cuidou dela por meio da nora, Rute. Quando Rute se casou com Boaz e teve um filho, as mulheres disseram a Noemi que aquele menino seria um restaurador da sua vida (Rt 4:15). Ela pegou a criança no colo e a amargura foi embora. Foi o desejo cumprido fazendo o papel de árvore de vida.

Uma espera de milênios

O povo de Deus esperou muito tempo pelo Messias. Quando Adão e Eva pecaram, Deus lhes deu uma promessa de que um descendente da mulher esmagaria a cabeça da serpente (Gn 3:15), mas não deu data. A cada filho que nascia, devia passar pela cabeça deles se aquele seria o prometido. Quando Noé nasceu, o pai deu a ele esse nome e disse que aquele menino os consolaria do trabalho e da terra amaldiçoada (Gn 5:29). Os anos viraram séculos, e os séculos viraram milênios. Deus foi enviando profetas, e cada um acrescentava um detalhe novo sobre aquele que viria.

Até que, depois de Malaquias, o último livro do Antigo Testamento, os profetas se calaram. Foram cerca de quatrocentos anos de silêncio. Malaquias tinha prometido a volta de Elias antes da chegada do Senhor (Ml 4:5), e ainda hoje, na ceia da Páscoa judaica, há quem deixe um copo de vinho separado para Elias. Cada ano o copo é guardado, e cada ano a espera continua. É a esperança adiada em forma de copo na mesa.

Deus também tinha deixado claro que esse Salvador não seria só para Israel. Isaías anunciou que a luz chegaria à Galileia dos gentios: “O povo que caminhava em trevas viu uma grande luz; sobre os que viviam na terra da sombra da morte raiou uma luz” (Is 9:2). E então, depois de milhares de anos de espera, um anjo aparece a uns pastores no campo:

Não tenham medo. Estou lhes trazendo boas novas de grande alegria, que são para todo o povo: Hoje, na cidade de Davi, lhes nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor.

(Lc 2:10-11)

Repare na palavra “hoje”. A espera acabou. O desejo de séculos virou criança numa manjedoura.

O anseio que Jesus satisfaz

Se o Natal responde à espera de Israel, ele responde também à sua. Jesus é a resposta para as perguntas mais fundas do coração, e a gente passa a vida procurando por ele sem saber o nome. Santo Agostinho resumiu isso numa oração famosa, nas Confissões: Deus nos fez para ele, e o nosso coração fica inquieto enquanto não descansa nele.

Por isso o salmista diz: “Mas agora, Senhor, que hei de esperar? Minha esperança está em ti” (Sl 39:7). E o profeta, em Lamentações, garante que o Senhor é bom para quem espera nele e o busca (Lm 3:25-26). Paulo escreve que essa esperança não decepciona, porque Deus derramou o seu amor em nossos corações por meio do Espírito Santo (Rm 5:5). Quem põe a esperança em Cristo não sai envergonhado.

Todo mundo nasce com o coração doente longe dele. Não é só decepção com a vida, é pecado e culpa, e para isso só Jesus tem remédio. Ele morreu na cruz para pagar o que a gente devia. O madeiro, que para ele foi árvore de maldição (Gl 3:13), virou para nós árvore de vida. Quem tem o coração cansado de decepção, ou pesado de culpa, ou inquieto sem saber por quê, não precisa esperar mais. Pode ir a Cristo hoje.

Tomara que, neste Natal, a gente olhe para a cadeira vazia da mesa e lembre que a maior espera da história já terminou. Alguém prometeu vir, e veio.