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Deus cuida de si mesmo: sermão em 1 Samuel 5:1-12

Deus Cuida de Si Mesmo: Sermão em 1 Samuel 5.1-12

Diego Gonçalves6 min de leitura1.224 palavras

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Neste texto

“Os filisteus tomaram a arca de Deus e a levaram de Ebenézer a Asdode. Tomaram os filisteus a arca de Deus e a colocaram na casa de Dagom, junto a Dagom. Levantando-se os de Asdode de madrugada, no dia seguinte, eis que Dagom estava caído com o rosto em terra diante da arca do Senhor; tomaram a Dagom e tornaram a pô-lo no seu lugar. Levantando-se de madrugada no dia seguinte, eis que Dagom jazia caído de bruços com o rosto em terra diante da arca do Senhor; a cabeça de Dagom e ambas as palmas das suas mãos estavam cortadas sobre o limiar; somente o tronco lhe ficara.”
— 1 Samuel 5.1-4

Muitas vezes a gente age na vida cristã como se Deus fosse um ancião frágil e desamparado, precisando desesperadamente da nossa ajuda, da nossa defesa e dos nossos favores para não ser derrotado pelos inimigos. A gente entra em pânico quando uma lei contrária à moral cristã é aprovada, perde o sono quando um ateu famoso publica um livro debochando da fé ou acha que a igreja vai fechar as portas se o cenário político não for favorável.

O capítulo 5 do Primeiro Livro de Samuel desmancha essa ansiedade tola. Ele nos conta o que aconteceu quando os filisteus capturaram a Arca da Aliança e a levaram para o coração do seu próprio território. O relato nos ensina uma verdade libertadora: Deus não precisa de advogados de plantão nem de missões de resgate humanas. Deus cuida perfeitamente de Si mesmo.

A ilusão da vitória dos ídolos

A narrativa começa após uma derrota militar humilhante de Israel. O exército israelita havia sido massacrado, os sacerdotes Hofni e Fineias foram mortos no campo de batalha, o velho Eli quebrou o pescoço ao receber a notícia e, pior de tudo, a Arca da Aliança, o símbolo visível da presença de Deus, foi capturada pelos filisteus.

Para a mentalidade pagã do mundo antigo, a captura do símbolo sagrado de um povo significava a vitória cabal do deus vencedor sobre o deus derrotado. Os filisteus levaram a Arca em triunfo até Asdode, uma de suas principais cidades, e a colocaram dentro do templo de Dagom, ao lado da enorme estátua do seu falso deus.

A cena parecia humilhante: a Arca de Javé colocada aos pés da imagem imponente de Dagom, como um troféu de guerra subjugado. Os filisteus foram dormir comemorando a supremacia do seu ídolo. Parecia que o Deus de Israel havia perdido a partida.

Só que Deus não é limitado por fronteiras geográficas, nem depende da fidelidade do Seu povo para manifestar o Seu poder. Quando os israelitas usaram a Arca como um amuleto mágico de guerra, Deus permitiu a derrota para disciplinar a nação; mas quando os filisteus acharam que tinham enquadrado o Criador dentro do templo de um pedaço de pedra, Javé decidiu agir sozinho.

O tapete de Dagom e o tronco quebrado

Na manhã seguinte, os sacerdotes de Dagom acordaram cedo e foram abrir as portas do templo para oferecer sacrifícios ao seu deus vitorioso. Quando olharam para o altar, levaram um choque: a estátua de Dagom estava estendida no chão, caída de rosto em terra diante da Arca do Senhor.

A posição de Dagom era a clássica postura oriental de adoração e submissão. O falso deus foi obrigado a se prostrar no pó diante da Arca de Javé.

E o texto bíblico relata a reação dos filisteus com um toque de fina ironia: eles pegaram Dagom do chão e o colocaram de volta no seu pedestal. Que tipo de divindade é essa que precisa de um guindaste humano para conseguir ficar de pé? Um deus que cai sozinho e não consegue se levantar do chão é uma fraude risível.

Mas Deus não encerrou a lição ali. Na manhã seguinte, os sacerdotes voltaram ao templo e o cenário foi ainda mais estarrecedor: Dagom não apenas estava caído de bruços no pó diante da Arca, mas a sua cabeça e as palmas das suas mãos haviam sido arrancadas e jaziam sobre o limiar da porta; restara apenas o tronco mutilado.

Decepar a cabeça e as mãos era o método militar padrão do Oriente Médio para expor a derrota vergonhosa de um líder inimigo. Sem cabeça, o ídolo não tinha sabedoria; sem mãos, o ídolo não tinha poder para agir. Dentro da sua própria casa, no centro da sua própria cidade, o ídolo dos filisteus foi executado e desmascarado como um tronco inútil pelo Deus invisível de Israel.

A batata quente nas cidades filisteias

A partir desse momento, a Arca tornou-se uma brasa viva dentro do território dos filisteus. Deus pesou a Sua mão sobre os habitantes de Asdode, ferindo-os com pragas dolorosas de tumores e infestações. Em pânico, os líderes da cidade convocaram os príncipes filisteus e disseram: “A arca do Deus de Israel não deve ficar conosco, pois a sua mão é pesada sobre nós e sobre Dagom, nosso deus!”.

Eles decidiram transferir a Arca para Gate. Só que, assim que a Arca chegou a Gate, a mão do Senhor caiu com o mesmo peso de juízo e pavor sobre aquela cidade. Desesperados, tentaram empurrar a Arca para Ecrom. Mas quando a comitiva se aproximava dos portões, os cidadãos de Ecrom entraram em desespero e gritaram: “Trouxeram a arca do Deus de Israel para nos matar e ao nosso povo! Mandem essa arca embora para o seu lugar!”.

A Arca que entrou na terra dos filisteus como troféu de guerra tornou-se uma sentença de juízo que marchou triunfante pelas cidades inimigas. Os filisteus descobriram na pele a verdade que a Bíblia ensina: horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo quando se tenta desafiar a Sua glória.

Deus não depende de nós

Essa história de 1 Samuel 5 carrega uma lição profunda para a nossa espiritualidade. Ela nos lembra de que Deus não é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse. Ele é o Senhor do céu e da terra.

Muitas vezes, a gente se preocupa excessivamente tentando “proteger” a reputação de Deus contra a cultura secular. É claro que devemos testemunhar da verdade, defender a fé com mansidão e proclamar o evangelho com fidelidade em todos os lugares. Mas nunca devemos cair na soberba de achar que Deus depende do nosso socorro para sobreviver.

Os homens constroem ídolos de ouro, de status, de poder político e de filosofias vãs, colocando-os em pedestais altos para zombar da cruz. Mas nenhum ídolo resiste diante da presença do Deus vivo. Mais cedo ou mais tarde, toda mentira cai com o rosto no pó e toda pretensão humana é quebrada diante dAquele que reina para sempre.

A maior prova histórica de que Deus cuida de Si mesmo aconteceu no domingo da ressurreição. Quando Jesus foi pregado na cruz, o inferno e o Império Romano comemoraram a vitória, achando que tinham sepultado a verdade de Deus num túmulo de pedra. Mas ao terceiro dia, Cristo arrebentou os grilhões da morte, esvaziou a sepultura e triunfou abertamente sobre todos os poderes deste mundo.

Descanse a sua alma nessa soberania. Pare de viver ansioso e amedrontado pelo barulho dos inimigos de Deus. O Senhor está no trono, governa sobre toda a terra, derruba os falsos deuses no momento certo e guarda com poder inabalável aqueles que confiam unicamente na Sua graça. Amém.