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TeologiaGênesis

Presbiterianos e batistas: 10 distinções entre as tradições

Presbiterianos e batistas: as distinções que moldaram duas grandes tradições

Diego Gonçalves5 min de leitura1.015 palavras

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Neste texto

Se você entrar num culto presbiteriano e depois visitar uma igreja batista, o ambiente vai soar familiar. As duas tradições pertencem à grande família da Reforma Protestante, cantam os mesmos hinos clássicos, proclamam a centralidade de Jesus Cristo, afirmam a justificação pela graça mediante a fé e reconhecem a Bíblia como regra suprema de vida e doutrina.

Aquarela de um batismo por imersão num rio durante uma tempestade, com o candidato sendo mergulhado diante de uma pequena multidão na margem
Pavel Svinin, Um batismo anabatista por imersão na Filadélfia durante uma tempestade, c. 1811-1813. Metropolitan Museum of Art, Nova York. CC0, via Wikimedia Commons.

Só que, por trás dessa base comum, existem diferenças teológicas, eclesiológicas e históricas profundas. Elas explicam por que as duas se organizam de maneiras tão distintas e por que encaram os sacramentos, o governo da igreja e a vida comunitária com lentes próprias. Compreender essas divergências nos ajuda a valorizar o legado de cada uma sem cair no sectarismo.

Raízes históricas: Genebra e o puritanismo inglês

O presbiterianismo nasceu na Reforma do século dezesseis, moldado pela teologia de João Calvino em Genebra e levado para a Escócia por John Knox. Desde o início, o movimento deu grande valor à ordem, à reverência e à organização da igreja, e produziu documentos teológicos robustos, como a Confissão de Fé de Westminster e seus Catecismos, no século dezessete.

O movimento batista surgiu um pouco mais tarde, no início do século dezessete, a partir do puritanismo separatista inglês. Homens como John Smyth e Thomas Helwys fugiram da perseguição da monarquia britânica e concluíram que a igreja não deveria se misturar com o Estado e que a membresia devia ser composta somente por quem professava a fé de forma consciente. Por isso os batistas carregam na sua origem a defesa da liberdade de consciência, da separação entre igreja e Estado e da autonomia das congregações.

O governo da igreja: colegiado representativo ou autonomia local?

A forma como as decisões são tomadas é uma das diferenças mais visíveis entre as duas.

Os presbiterianos adotam o sistema presbiteral. A igreja local é governada por um conselho de presbíteros eleitos pela congregação, dividido entre presbíteros docentes (os pastores, que se dedicam à pregação e ao ensino) e presbíteros regentes (membros leigos que governam com eles). As igrejas locais também não são ilhas: estão ligadas numa rede de prestação de contas que passa pelo presbitério regional, pelo sínodo e chega à Assembleia Geral. As decisões mais importantes e os julgamentos doutrinários são tomados de maneira representativa e colegiada.

Os batistas adotam o congregacionalismo. Para eles, a autoridade terrena final, debaixo de Cristo, está na assembleia dos membros da igreja local. Cada congregação é soberana para eleger seus pastores e diáconos, administrar seu patrimônio, aprovar o orçamento e aplicar a disciplina eclesiástica. Embora as igrejas batistas costumem se associar em convenções, para cooperar no envio de missionários e na manutenção de seminários, nenhuma convenção ou presidente tem poder para intervir numa igreja batista local.

O batismo: aliança familiar ou profissão de fé individual?

No terreno dos sacramentos e ordenanças, está a divergência mais conhecida.

A teologia presbiteriana se estrutura sobre a Teologia da Aliança. Para o presbiteriano, a promessa da graça alcança não só o indivíduo, mas também a sua família, como acontecia com Abraão e a circuncisão no Antigo Testamento (Gênesis 17:7-14). Pedro diz algo parecido em Pentecostes: “a promessa é para vós e para os vossos filhos” (Atos 2:39, tradução livre do grego). Por isso os presbiterianos praticam o pedobatismo: batizam os filhos de pais crentes ainda bebês, geralmente por aspersão ou efusão, como sinal e selo da aliança da graça. A criança cresce na comunidade da fé, ouvindo o evangelho, até confirmar a sua fé na mocidade.

Os batistas rejeitam o batismo infantil. Para eles, o batismo no Novo Testamento é uma ordenança que pede arrependimento prévio e profissão de fé consciente do próprio candidato (credobatismo). O batismo batista é administrado por imersão na água, como testemunho público de que o novo crente foi sepultado com Cristo e ressuscitou para uma nova vida (Romanos 6:4). Na eclesiologia batista, ninguém nasce na igreja: a entrada no corpo de Cristo exige uma regeneração pessoal, operada pelo Espírito Santo.

A Ceia do Senhor: memorial ou presença espiritual real?

Embora as duas tradições celebrem a Ceia com reverência, o entendimento dos elementos também tem nuances históricas.

Os presbiterianos seguem a visão de Calvino: a Ceia não é só uma lembrança da cruz, mas um meio de graça real. O pão e o vinho continuam sendo pão e vinho, e o Espírito Santo alimenta espiritualmente o crente com a presença real de Cristo na comunhão (1 Coríntios 10:16).

A maioria dos batistas herdou a visão memorialista de Zuínglio. A Ceia é vista como um memorial solene, um ato de obediência e proclamação da morte do Senhor “até que ele venha” (1 Coríntios 11:26, Bíblia Livre). Os elementos são símbolos visíveis que apontam para o sacrifício consumado na cruz, sem a ideia de uma presença sacramental específica nos elementos.

Duas forças irmãs a serviço do Reino

No dia a dia, as duas tradições se complementam. Os presbiterianos sempre se destacaram pela solidez acadêmica, pela produção teológica rigorosa, pela criação de escolas e universidades e pelo apreço à ordem litúrgica. Os batistas se destacaram pelo ardor evangelístico, pela plantação de igrejas, pelo envio de missionários aos lugares mais difíceis da terra e pela defesa da liberdade religiosa para todos os cidadãos.

As diferenças entre o sistema presbiteral e o congregacional, ou entre a água aspergida sobre o bebê e o mergulho do adulto na piscina batismal, não anulam a fraternidade cristã. No essencial, que é a salvação pela graça, mediante a fé, somente em Cristo, e a autoridade da Bíblia, presbiterianos e batistas caminham lado a lado como irmãos, servindo ao mesmo Deus e anunciando a mesma esperança ao mundo.