AssineApoie
MembrosOs fascículos de cada episódio do canal Crer Para Compreender

SermõesNome Acima de Todos os Nomes3 de 4

Isaías 9:6Pai da Eternidade

Diego Gonçalvesatualizado 14 min de leitura2.722 palavras

Leitura automática pelo seu navegador; pode haver erros de pronúncia.

Áudio em preparo — assine para ser avisado

Neste texto

INTRODUÇÃO:

Nossa série de Advento chama-se Nome Acima de Todos os Nomes, e estamos olhando para os quatro nomes de Jesus revelados pelo profeta Isaías em Isaías 9:6. Já vimos os dois primeiros, “Maravilhoso Conselheiro” e “Deus Forte”. Esta semana chegamos ao terceiro nome: “Pai da Eternidade”. (Leia Isaías 9:6 e ore.)

“Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado; e o governo está sobre seus ombros; e seu nome se chama Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.”

(Isaías 9:6, Bíblia Livre)

O Menino Jesus deitado na manjedoura, iluminado por uma vela, adorado por Maria, José e anjos
Gerard van Honthorst, Adoração do Menino, c. 1619-1620. Galeria Uffizi, Florença. Domínio público, via Wikimedia Commons.

Deixe-me começar esta manhã com algumas perguntas.

  • Quem aqui mantém o mesmo carro na família há vinte anos?
  • Quem aqui mantém a mesma TV da sala que tinham há dez anos?
  • Quantos de vocês estão usando o mesmo tênis que usavam há cinco anos?

A questão é simples: as coisas não duram para sempre. Os carros envelhecem; os sapatos se desgastam; o equipamento quebra. Se você comprou um equipamento caro e quer saber quanto tempo ele vai durar, em geral basta olhar a garantia e somar um mês ou dois. Isso se chama “obsolescência programada”.

E mesmo que algo não se desgaste, as tendências ainda mudam, novos produtos são lançados e as roupas saem de moda. Creio que a maioria de vocês não está usando as mesmas roupas que usava no ensino médio, a menos que, é claro, você ainda esteja no ensino médio!

Aqui neste mundo, é normal que as coisas que compramos não durem para sempre. Estamos acostumados com isso. Podemos sempre substituí-las por algo novo ou talvez até melhor.

Mas não são apenas as coisas que compramos que têm uma vida útil limitada. Tudo ao nosso redor, nossas posses, nossos relacionamentos e até mesmo a própria vida, está sujeito a um processo de deterioração.

O universo está gradualmente se desgastando, o sol está consumindo sua energia e nossos corpos também estão sujeitos ao envelhecimento e à decadência.

Quando somos jovens, podemos ter a ilusão de que somos imortais, mas à medida que envelhecemos e nossos corpos começam a falhar, aprendemos a dura realidade de que nada dura para sempre neste mundo.

Nada dura para sempre neste mundo e, no entanto, estamos todos à procura de algo que dure, algo que realmente permaneça.

Bem, com este terceiro nome, Isaías nos apresenta aquele que é chamado de “Pai da Eternidade”.

Já vimos paradoxos surpreendentes nos dois primeiros nomes, mas este terceiro talvez seja o mais paradoxal de todos.

Estive lendo um sermão de Charles Spurgeon sobre este assunto, e creio que ele expõe bem os paradoxos quando diz que a criança é conselheira, o bebê é Deus, o filho é pai e o bebê é infinito.

Tomaremos emprestados seus dois últimos comentários para o nosso esboço desta manhã, enquanto olhamos para dois paradoxos: o Filho é Pai e o bebê é infinito. Depois, encerraremos vendo como Jesus é um Pai Eterno para todos aqueles que vêm a Ele.

I. O Filho é Pai

Então, o primeiro paradoxo que encontramos neste nome é que o Filho é um Pai. Isso pode ser confuso no início, já que normalmente pensamos em Jesus como Filho e em Deus, o Pai, como Pai. Mas por que Isaías chama o Filho de Pai aqui no versículo 6?

A. O Filho não é o Pai em relação à Trindade

Bem, a primeira coisa que precisamos entender é que o Filho não é o Pai em relação à Trindade.

1) O Filho é distinto do Pai (João 1:1-2, 10:30)

Pelo contrário, na Bíblia o Filho se distingue do Pai. Lemos em João 1:1-2:

“No princípio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus. Esta estava no princípio junto de Deus.”

(João 1:1-2, Bíblia Livre)

A “Palavra” (em grego, Logos) se refere a Jesus. Vemos que Jesus é Deus, mas também que ele se distingue do Pai: a Palavra era Deus e, ao mesmo tempo, estava junto de Deus. Como isso é possível?

A resposta é o que chamamos de Trindade. A Bíblia nos mostra que Deus existe eternamente como três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo.

Na semana passada, falamos sobre a encarnação. Vimos que Jesus é uma pessoa com duas naturezas, uma humana e uma divina. Bem, Deus é três pessoas com uma só natureza, a natureza divina compartilhada igualmente entre as três pessoas da Trindade.

Agora, existem grupos que negam a Trindade e ensinam o que é chamado de doutrina da “Unicidade”. Essa doutrina ensina que Deus é uma pessoa em vez de três, de modo que Pai, Filho e Espírito Santo seriam todos a mesma pessoa.

Eles se baseiam na declaração de Jesus em João 10:30: “Eu e o Pai somos um” (Bíblia Livre). No entanto, Jesus não estava afirmando ser o Pai nesse versículo. Ele estava falando da unidade de natureza e de obra com o Pai. Ele não estava dizendo que ele e o Pai são a mesma pessoa, mas sim que ele e o Pai são ambos Deus e compartilham a mesma natureza divina.

O Filho não é o Pai em relação à Trindade. Pelo contrário, na Bíblia o Filho se distingue do Pai.

2) O Filho revela o Pai (João 14:8-9; Hebreus 1:3)

O Filho não é o Pai, mas o Filho revela o Pai. Foi o que Jesus disse a Filipe em João 14:

“Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos ao Pai, e basta-nos. Jesus lhe disse: Tanto tempo há que estou convosco, e ainda não me tens conhecido, Filipe? Quem a mim tem visto, já tem visto ao Pai; e como dizes tu: Mostra-nos ao Pai?”

(João 14:8-9, Bíblia Livre)

O livro de Hebreus diz assim: “O Filho é o resplendor da sua glória, a expressa imagem da sua pessoa, e sustenta todas as coisas pela palavra de poder” (Hebreus 1:3, Bíblia Livre).

Assim, quando Isaías chama Jesus de “Pai da Eternidade”, devemos ter o cuidado de distinguir esse nome da Trindade.

Este nome não contradiz a revelação da Trindade, pois Deus Pai e Jesus Filho compartilham a mesma natureza divina. Mas Jesus não é o Pai no sentido de Deus Pai na Trindade.

B. O Filho é um Pai em relação a nós

Então, se Isaías não está falando sobre as diferentes pessoas da Trindade aqui, o que ele quer dizer chamando Jesus de “Pai”? A resposta é que o Filho em Isaías 9:6 não é o Pai em relação à Trindade. Pelo contrário, o Filho é um Pai em relação a nós.

Isso pode ser uma ideia nova para você. Mas posso pensar em pelo menos três maneiras, de acordo com as Escrituras, em que Jesus é um Pai em relação a nós.

1) Ele é a fonte de toda a vida (João 1:3-4)

Em primeiro lugar, ele é a fonte de toda a vida. Como vimos em João 1:1-2, todas as coisas foram feitas por meio dele e sem ele nada foi feito. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos seres humanos (João 1:3-4). Jesus é como um Pai para nós porque, como Deus, ele é a origem de toda a vida. Ele é o Pai de toda a criação. Toda a vida vem dele.

2) Ele tem um coração de pai (Mateus 9:36; Salmos 103:13)

E uma outra maneira de Jesus ser Pai em relação a nós é porque Ele tem um coração de Pai. Mateus 9:36 nos diz: “Quando ele viu as multidões, teve compaixão delas, porque andavam afligidas e desamparadas, como ovelhas que não têm pastor” (Mateus 9:36, Bíblia Livre).

Agora sei que alguns de vocês tiveram pais maravilhosos, e alguns de vocês tiveram pais não tão bons. Mas um verdadeiro pai, de acordo com as Escrituras, tem um coração cheio de compaixão. O Salmo 103:13 diz: “Assim como um pai se compadece dos filhos, assim também o SENHOR se compadece daqueles que o temem” (Salmos 103:13, Bíblia Livre).

Quando Jesus viu as multidões, perdidas em seu pecado e distantes de Deus, ele não as olhou com nojo ou desprezo, mas com a compaixão de um pai. Por favor, saibam que Jesus tem a mesma compaixão por você. Jesus tem um coração de pai.

3) Ele é o segundo Adão (1 Coríntios 15:47-49)

Jesus é um Pai em relação a nós porque é a fonte da vida, tem um coração de pai e é o segundo Adão. Em 1 Coríntios 15:47-49, Paulo contrasta o primeiro homem, Adão, com Jesus, o segundo Adão.

Adão foi nosso primeiro pai e, quando pecou, transmitiu sua natureza pecaminosa a todas as gerações seguintes. Herdamos essa natureza pecaminosa de Adão, pois todos estamos “em Adão”. Mas Jesus é o segundo Adão. Quando estamos “em Cristo”, recebemos uma nova linhagem e um novo pai. Todos morremos em Adão, mas em Cristo recebemos vida nova pela graça. Ele é o segundo Adão que traz vida e justiça, enquanto o primeiro Adão trouxe morte.

Esse é o nosso primeiro paradoxo: o Filho é Pai. Jesus não é o Pai em relação à Trindade, mas é um Pai em relação a nós. Ele é a fonte de toda a vida, tem um coração de pai e é o segundo Adão que desfaz a maldição do pecado, trazendo-nos vida nova e justiça.

II. A criança é infinita

Nosso segundo paradoxo é que a criança é infinita. Na semana passada, vimos o milagre físico da encarnação: o Deus Todo-Poderoso se tornou uma criança humana. Esta semana, vemos um milagre relacionado ao tempo na encarnação: o Deus infinito, que está além do tempo, entrou no tempo como ser humano. O bebê na manjedoura não é apenas um Pai, mas é o Pai Eterno. O bebê é infinito.

A. Ele é o Primeiro e o Último (Apocalipse 1:17-18; Salmos 90:2)

As Escrituras revelam que o bebê é infinito porque ele é o Primeiro e o Último. Em Apocalipse 1:17-18, Jesus diz a João: “Não temas; eu sou o primeiro e o último; eu sou o que vivo, e fui morto; e eis que eu vivo para todo o sempre” (Apocalipse 1:17-18, Bíblia Livre). Jesus está afirmando que sempre existiu e sempre existirá. Ele é Deus, e o Salmo 90:2 nos diz que Deus é eterno: “Antes que os montes surgissem, e tu produzisses a terra e o mundo, desde a eternidade até a eternidade tu és Deus” (Salmos 90:2, Bíblia Livre).

Jesus é o Primeiro e o Último porque ele existe desde a eternidade até a eternidade. Ele sempre existiu e sempre existirá.

1. Ele é antes de todas as coisas (Colossenses 1:17)

Em segundo lugar, a criança é infinita porque está antes de todas as coisas. Colossenses 1:17 diz: “Ele existe antes de todas as coisas, e nele todas as coisas se mantêm” (Colossenses 1:17, Bíblia Livre). Bem, antes de que coisas ele existe?

João 8:58 nos diz que ele existe antes de Abraão. Abraão viveu cerca de dois mil anos antes de Jesus nascer e, no entanto, Jesus disse ao povo de sua época: “Em verdade, em verdade vos digo, que antes que Abraão fosse, eu sou” (João 8:58, Bíblia Livre).

Mas Jesus vai ainda mais longe. Ele não está apenas antes de Abraão. Ele também está antes da criação. João 1:3 diz: “Por esta foram feitas todas as coisas, e sem ela não se fez coisa nenhuma do que foi feito” (João 1:3, Bíblia Livre). A “Palavra” é o próprio Cristo. Para fazer todas as coisas, ele tinha que existir antes de todas as coisas. Ele está antes da criação.

E, por fim, ele também está antes do tempo. Miquéias 5:2 dirige-se à cidade de seu nascimento:

“Porém tu, Belém Efrata, ainda que sejas pequena entre as famílias de Judá, de ti me sairá o que será governador em Israel; e suas saídas são desde o princípio, desde os dias antigos.”

(Miquéias 5:2, Bíblia Livre)

A expressão “desde os dias antigos” também pode ser traduzida como “desde os dias da eternidade”, e por isso Miquéias está dizendo sobre este governante nascido em Belém que suas origens são eternas.

Na verdade, o nome “Pai Eterno” em Isaías 9:6 também pode ser traduzido como “Pai da eternidade”. E assim, Jesus está verdadeiramente antes de todas as coisas. Ele existe antes de Abraão; ele está antes da criação; ele está antes do próprio tempo. Jesus não tem começo. Suas origens são da eternidade. Não havia nada antes dele, porque ele está antes de todas as coisas.

2. Ele permanece para sempre (Hebreus 1:10-12)

Ele é o primeiro e o último, ele está antes de todas as coisas e, em terceiro lugar, ele permanece para sempre. Hebreus 1:10-12, citando o Salmo 102, diz o seguinte sobre Jesus:

“Tu Senhor, no princípio fundaste a terra, e os céus são obras de tuas mãos. Eles perecerão, mas tu continuas. Todos eles como roupa se envelhecerão; como uma manta tu os envolverás, e como roupa serão mudados; porém tu és o mesmo, e os teus anos não cessarão.”

(Hebreus 1:10-12, Bíblia Livre)

Tendemos a pensar na terra e nos céus como elementos bastante duradouros, mas até mesmo este mundo físico tem um prazo de validade. Quando chegar a hora, Cristo dobrará os céus como um manto, e este mundo como o conhecemos chegará ao fim. Mas ele permanece o mesmo, e seus anos nunca terão fim.

III. Jesus é um Pai Eterno para todos os que vêm a Ele

Vimos dois paradoxos esta manhã: o Filho é Pai e o bebê é infinito. Quero terminar dizendo simplesmente o seguinte: Jesus é um Pai Eterno para todos os que vêm a Ele.

1. Jesus é o mesmo para sempre (Hebreus 13:8)

Jesus é um Pai Eterno para todos aqueles que vêm a Ele, pois Ele é sempre o mesmo. Em Hebreus 13:8 está escrito: “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje, e eternamente” (Bíblia Livre). Se Ele é um Pai para você hoje, você pode ter certeza de que Ele será um Pai para você amanhã, todos os dias de sua vida e na eternidade. Ele nunca muda.

2. Jesus salva para sempre (Hebreus 7:25)

Jesus não é apenas eternamente o mesmo: Ele também salva para sempre. Hebreus 7:25 diz que “ele também pode salvar de maneira completa os que se aproximam de Deus por meio dele, visto que ele vive para sempre para interceder por eles” (Bíblia Livre). A expressão “de maneira completa” também pode ser traduzida como “para sempre”. Jesus salva completamente porque salva para sempre. Ele vive sempre para interceder, isto é, para orar por nós.

Charles Spurgeon, em sua pregação sobre Isaías 9:6, observa um pensamento doce: Cristo não é um Pai sem filhos e não perde os seus. Ele é Pai eterno para todos aqueles para quem é Pai, e quem entrou em união com Cristo é filho e continua sendo.

Essa firmeza tem fundamento na Escritura: quem está em Cristo permanece sustentado por Ele, e nós a recebemos permanecendo nele pela fé (João 15:4-6; Hebreus 3:14). A mesma graça que nos buscou primeiro nos guarda, sem nos forçar a ficar, e por isso o convite é sempre para continuar junto de Cristo.

Jesus é um Pai Eterno para todos os que vêm a Ele. Ele é o mesmo para sempre. E ele salva para sempre. Louvado seja o Senhor!

Spurgeon continua nessa linha, e o consolo é para o filho de Deus em qualquer circunstância: pobre ou rico, forte ou fraco, acusado, caluniado ou abandonado, ele continua sendo filho de Deus, herdeiro da vida eterna, cidadão do céu e membro da família de Deus.

CONCLUSÃO:

Começamos esta manhã falando sobre como todos estão em busca de algo que seja duradouro, mas nada neste mundo tem duração permanente. As coisas materiais, os relacionamentos, a boa saúde e até a própria vida não são eternos.

No entanto, quando nos achegamos a Jesus pela fé, recebidos pela graça que nos buscou primeiro, Ele se torna nosso Pai Eterno e cuida de nós para sempre. Jesus é o Pai da Eternidade para todos que o seguem. Essa é a boa notícia do Natal desta manhã.


Todos os direitos reservados S.B.CAMPO – SP

Publicado em 17 de dezembro de 2023 · Atualizado em 28 de outubro de 2026

Nesta série

Nome Acima de Todos os Nomes

3 de 4 · 75%

Ver a série completa (4 textos)

Todos os textos
  1. Isaías 9:6 Maravilhoso Conselheiro
  2. Isaías 9:6 Isaías 9:6: Deus Forte
  3. Isaías 9:6 Pai da Eternidade
  4. Isaías 9:6 Príncipe da Paz

Comentários

Carregando os comentários…

Deixe seu comentário ou pergunta

Todo comentário passa por mim antes de aparecer. Links não são aceitos. Seu e-mail fica só comigo, para eu responder se precisar (política de privacidade).

Para ler mais sobre Isaías

Links de afiliado (Amazon e Shopee): você paga o mesmo e o site recebe uma pequena comissão.

Para continuar lendo

140pal/min